quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pantheon, o templo dos Deuses

O Pantheon sempre provocou admiração. Passeando pelas ruas da velha Roma, observamos o magnífico panorama onde ele se encontra. O pintor, escultor e arquiteto Michelangelo, um dos principais nomes do Renascimento, via nele uma das maiores conquistas do espírito humano. Ali estão enterrados os heróis da Itália, entre eles os últimos reis, da família Savoia.
O fabuloso escultor se inspirou no magnífico templo, quando projetou a cúpula circular da Basílica de São Pedro no Vaticano. Em respeito ao Pantheon, foi construída um pouco menor, sendo até os últimos anos a maior cúpula circular do mundo.
Esse monumento teve como seu idealizador o imperador Adriano e está localizado no centro histórico de Roma é a mais bem preservada construção da época imperial romana que chegou até os nossos dias. A maior parte de seu piso, colunas e revestimento de mármore são testemunhas do glorioso passado arquitetônico.

Conforme leitura que fizemos no local, a obra foi concluída no ano 125 de nossa era, substituindo o que existia no local.  É um templo todo fechado e a única abertura com fonte de luz natural é a sua majestosa cúpula.

Pelos relatos que colhemos por lá, a intenção do imperador, ao projetar o templo, era a de produzir ali a harmonia do globo terrestre e da esfera estelar. No ano 600, os cristãos transformaram-no em uma igreja, salvando-o da destruição que atingiu outros monumentos romanos.
 
Ele soberbamente resistiu à passagem dos séculos graças a sua forma circular, extremamente estável, e ao material de construção utilizado, feito de cal e um produto vulcânico leve e resistente, capaz de sua sustentação, diminuindo o risco de desmoronamentos, o que não aconteceu com o Coliseu, que não resistiu a vários terremotos italianos.   



quinta-feira, 24 de maio de 2012

MULHERES QUE A GUERRA APRISIONOU




Prólogo
A narrativa que coloco abaixo é o resultado de uma peça teatral que assisti a convite de minha concunhada, que também era uma das personagens da história. O desenvolvimento tinha como pano de fundo um gueto, em que as mulheres estavam confinadas e submetidas a trabalhos forçados pelo regime de um ditador, que, ao dar inicio à sua política expansionista, previu que uma guerra teria de acontecer e se preparou para isso.
 
Não se contentou em anexar à Áustria, sua intenção era dominar toda a Europa. Começava assim, com a Segunda Guerra Mundial devastando grande parte do continente. As mulheres Judias foram amontoadas em barracões cercados por arame farpado.
 
A situação tornou-se cada vez mais insuportável com a introdução de regulamentos, leis racistas, proibições e segregações. As sobreviventes recordam no palco, momentos passados naqueles dias, quando sete oito pessoas viviam em poucos metros quadrados, não havia respeito, imperando a truculência das guardas femininas, transformando um cenário monstruoso, contaminados pela fome, aperto e frio intenso.
 
 
3945 - O Poema.
Do Começo ao Fim
 
Família desfeita
Trabalhos forçados
 
Corpos usados e cansados
Pesadelos noturnos
 
Esperança tolhida e esquecida
Cercas farpadas
 
Mãos dilaceradas
Choque intermitente
 
Arame zunindo ao vento
Sons de esperança
Sonhos de liberdade
 
 
Epílogo
 
As luzes no local da apresentação se acendem, ouve-se um som sublime com a Lua prateada refletindo no rio; é a música Moon River que invade o recinto. As personagens com o semblante impávido e ainda amadoras, contando suas histórias ficam emocionadas ao ver a platéia aplaudir o resultado de seus esforços, de ensaios exaustivos e efusivos, ficando com uma sensação maravilhosa em seus sorrisos, enaltecendo a alma de artista.
 
Cada personagem tem nas mãos uma rosa vermelha, que vão despetalando, representando as mulheres judias ausentes, que foram levadas pelas circunstancias, encerrando assim, o espetáculo naquela noite memorável.
 
Há uma interação com o público, falam de suas experiências e a alegria de contracenar; sobe ao palco o autor, que agradeceu a participação de todos em um momento inesquecível.
 
As cenas apresentadas mostraram o holocausto, que foi uma das grandes catástrofes que afligiram toda a humanidade. Muitos ainda não acreditam nas atrocidades praticadas durante a Segunda Grande Guerra, onde foram constatadas terríveis crueldades cometidas num campo de concentração. Esta, talvez, seja uma história de dor ou de amor, como muitos irão afirmar, porem é mais que isso, é um esclarecimento, para que, através dos erros, a humanidade aprenda a amar e não errar mais.
 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A PIRAMIDE DO MEIO

 

O nome do país Egito vem de uma palavra grega Aegyptus, que foi tomada do termo antigo “Hik up tah”, a casa da alma.

A cada ano, nova geração de pessoas tem um grande interesse sobre a história desse país. A maioria já ouviu falar das pirâmides e dos faraós, tais como Ramsés II e Tut Ankh-Amun. A civilização está entre as mais antigas e duradouras do mundo, com uma história de mais de 3000 anos antes de Cristo.

A Cidade do Cairo, onde estão situadas as pirâmides mais famosas, é considerada a joia do oriente, cercada por muitos minaretes, que misturam o moderno com o antigo.  Está no centro de todas as rotas que levam aos três continentes, Ásia, África e Europa. É uma viagem na história de uma civilização imortal.

A pirâmide do meio, do faraó Quefren, ainda guarda vestígios de sua cobertura original em seu cume; foi erguida com braços escravos. Sua construção ocorreu durante o seu reinado com a finalidade de, após a sua morte, abrigar o seu corpo. A crença era de que, do topo da pirâmide, sua alma se elevaria ao céu, por onde passaria pelo julgamento dos deuses para receber a vida eterna, reinando para sempre em outra galáxia.

Na frente da magnífica construção, está a esfinge com o corpo de um leão e a cabeça do faraó Ramsés II. É um monumento majestoso e imponente, sentinela e guardiã de outros tempos e crenças, mas olhando para um passado distante que não mais existe, como se ainda estivesse zelando pela antiga tradição religiosa dos sacerdotes e venerada pelos faraós-imperadores, reverenciando e observando a antiga capital Tebas, a cidade das cem portas!

Quando nos aproximávamos da cidade, ainda dentro do avião, pudemos contemplar lá de cima, o magnífico panaroma das pirâmides. Foi deslumbrante, estonteante, uma emoção inenarrável.

À noite tínhamos a programação para assistirmos a um show, composto de luzes através de raios luminosos, sons e vozes projetadas sobre as pirâmides.

Foi algo impressionante. A emoção tomou conta de nossos semblantes, um espetáculo digno dos deuses. Parecia que os faraós estavam presentes, entendíamos tudo, como se fosse algo do passado, acontecendo perto de nós. 

No dia seguinte, enquanto tomávamos o café da manhã no Intercontinental Pyramids Park, já se tinha uma visão no horizonte daquele complexo monumental, onde se encontram as três pirâmides mais famosas, construídas para o sepultamento dos faraós da antiga dinastia, Keops, Kefren e Miquerinos. (avô, pai e filho).

Depois de visitarmos vários monumentos, andando a pé pelas escaldantes areias, acabei ficando sem o solado da sandália, que grudou nas pedras que cobria o acesso a tal pirâmide. O sol estava abrasador, despejando sobre nossas cabeças, (felizmente cobertas por chapéus), uma temperatura de mais 40 graus.

Após um breve descanso, o nosso guia, Sr. Sahid, uma figura... sugeriu que entrássemos no interior daquele soberbo monumento, erigido em pedras de várias toneladas, que não cansávamos de admirar, era como se fosse um clima de mistérios, envoltos em lendas, presentes naquele momento, pelas  palavras do guia.

Entre tantas conversas, nos falou que foi o guia de uma pessoa muito importante e conhecida no Brasil, o Sr. Abravanel (Silvio Santos), que esteve recentemente visitando o local.

Adquirimos os bilhetes e rumamos para a entrada onde nos esperava um beduíno que falava muito alto, como se estivessemos entendo a língua árabe.

Após algum entendimento, conseguimos saber que somente um grupo de cinco pessoas poderia ingressar desde que o anterior voltasse.

Esperamos pacientemente sob aquele sol... Quando apareceu a primeira pessoa, percebemos que a expressão era de alivio. Perguntei o que tinha de interessante lá dentro. Como eram todos estrangeiros, o idioma não foi entendido, mas se percebiam nos rostos, várias caras e bocas. O que será que viram lá embaixo? Sim, porque a entrada era por um túnel que penetrava em acentuado declive, através de uma escada de madeira contendo “placas de escoras feito um breque para não cair”. A passagem era estreita e o caminhar tinha que ser bastante abaixado. Haja coluna!!!

Fomos descendo, descendo, descendo, até que encontramos alguns corredores. Todos decorados com figuras mitológicas e paisagens, contando em forma de hieróglifos: a vida do faraó, desde o seu nascimento até o dia de sua entrada (após a sua morte terrena), de forma triunfal e retumbante, seguida de seu séquito em vida, em direção à câmara mortuária que continha o seu sarcófago.

Uma sala a antecedia e nela estava um beduíno todo aparamentado e que alegremente nos recebia para dar informações sob aquele mundo subterrâneo cheio de lendas e mistérios.

Seus olhos brilhavam estranhamente; constatei evidências em seu rosto, de um homem que vivia aquele momento, como se estivesse presente no dia do sepultamento do faraó.

Embora não entendêssemos uma palavra sequer, sabíamos do que falava, principalmente depois de termos assistido na noite anterior ao show de luzes, projetada sob a mesma pirâmide onde agora, nos encontrávamos em seu interior.
 
Conforme nos ia explicando, mostrava os locais, corredores, câmaras, santuários e deuses desenhados e entalhados nas rochas vivas para cada crença e foi assim até o ritual do embalsamamento do corpo e a colocação no sarcófago, descrito pelos escribas do faraó, através das mãos dos artesões da época.

 Apresentava-se agora vazio... Saqueado que foi pelos profanadores de tumbas, que levaram todas as imensas riquezas que foram sepultadas com o faraó e que foi dilapidada daquele povo e, o seu governo, nunca mais as terá de volta. Agora, estão espalhadas pelos museus do mundo, em exibição e contendo relíquias que moralmente não lhes pertencem. O dinheiro arrecadado com a visitação pública engrossa as divisas desses países, não condizente com sua história, uma vez que aqueles tesouros pertencem ao povo egípcio.

Conforme o beduíno falava, minha mente viajava... Buscando viver aquele momento... As pessoas ali dentro, preparando o ritual até o lacramento da última pedra de mármore que estava ali sob meus olhos... Dei alguns passos para trás para observar melhor, olhei para o teto todo decorado com aquelas figuras e as inscrições. O éco das vozes ricocheteando nas rochas milenares levava o pensamento a buscar o último ato de tudo o que se passava ali dentro, até que ouvi um grito do beduíno, como se fosse de atenção ou cuidado!!!

Não deu outra: atrás de mim havia um quadrado sob o piso vazio e de uma profundidade de uns trinta centímetros o suficiente para desequilibrar-me e sentir o corpo se elevando para o solo. A queda foi leve, serena, porque o pensamento estava inebriado de emoções, cheio de devaneios sublimes de um tempo que não volta mais.

Conforme eu caia, minha mente pensava no que estava acontecendo. Seria a maldição do faraó? Por sentir mais uma vez a sua tumba profanada por aquelas pessoas que lá se encontravam? Achei que fosse uma armadilha e aquela pedra sob os meus pés iria afundar; jogando o meu corpo para baixo.

Nessa fração de segundo ouvi a companheira falar: - Cuidado! O beduíno esbravejava palavras incompreensíveis o som que saia de sua boca certamente, era de repreensão. O que seria aquele ”quadrado?”. Até agora eu não sei.  Mas, naquele instante, senti o corpo mole e o pensamento elevado ao céu, e com o coração disparado, “senti que conversei com o faraó”. Lá no meu íntimo, “lhe disse que estávamos ali para reverenciar o seu passado de glórias, seus feitos e sua devoção para com o seu povo de uma magnífica história”, que atravessa milênios e que toda a humanidade respeita e ainda estuda.

Arqueólogos do mundo inteiro estão lá observando e aprendendo, são os chamados “egiptólogos” que avançam em estudos sobre a antiga civilização desse povo maravilhoso, que só foi possível, após a descoberta da Pedra de Roseta, decifrada pelo francês Champollion, foi uma herança deixada através da escrita.

Já se passaram mais de cinco mil anos e a história ainda está presente, através da escrita inserida nas pedras de seus obeliscos e monumentos, que vão resistindo à ação do tempo. Tomara que o governo desse povo tenha o cuidado de preservar e incentivar os arqueólogos a buscarem novas descobertas que certamente, ainda estão sob aquele solo e montanhas.
 

sábado, 12 de maio de 2012

ESTRANGEIRO FUGINDO DO FRIO...

CHEGADA NO CAIS DO PORTO EM DUBROVNIK - CROÁCIA
Em mais um dia de navegação, durante uma travessia saindo de Veneza, na Itália vindo para o Brasil, o transatlântico fez uma parada em um dos portos mais exuberantes da Europa.

Trata-se de Dubrovnik que é uma cidade costeira da Croácia, localizada no extremo sul da Dalmácia e que, pela sua beleza natural, é conhecida como “a pérola do Adriático”.
 
Os cafés e restaurantes fazem do local um destino turístico muito apreciado. A parte antiga é dividida ao meio pela Placa Stradum, além de diversos monumentos e edifícios históricos.
 
Saímos do navio e nos dirigimos ao porto para os procedimentos alfandegários, conforme instruções recebidas pela administração do navio, ocasião em que tínhamos que exibir os passaportes, fato que não ocorreu em outros países.

Acabamos saindo de forma ”solos” e rapidamente nos desgarramos de outras pessoas na maioria brasileiros e alguns poucos estrangeiros.
 
Assim, começamos a percorrer as ruas e avenidas até chegar a uma praça muito bem ornamentada com flores nos monumentos, onde nos detivemos em uma delas para apreciar.
Era um monumento erguido para os heróis da cidade que perderam suas vidas na guerra travada pela separação da Yugoslávia ocorrida em 1991. 
Logo se aproximou um casal de estrangeiros, instante em que começamos a “travar” um diálogo, porque nos identificamos através das “sacolas de guardados”, que tínhamos nas mãos, com a logomarca do navio.
Com alguma dificuldade, a conversa rolava e dizia que estava indo para o Brasil, para fugir do frio Europeu. Seguindo depois do porto de Santos até uma comunidade de sua raça, localizada em Mato Grosso, ficando por lá até acabar o nosso Verão. Depois disso, voltava da mesma forma, para o Verão Europeu.
 
Disse também que fazia essa jornada por vários anos, fugindo do terrível frio, porque na sua idade e o da esposa, não conseguiam mais conviver com o clima dessa estação.
Então em frente ao monumento, começou a falar de uma situação envolvendo flores, mas tinha muita dificuldade para traduzir no idioma português. Então começou a balbuciar:
 
-Como chama esses, folhas colorridas? Como mesma?
 
Nesse momento um grupo de viajantes brasileiros que também estavam no navio, chegou ao nosso redor e começou a apreciar aquela confusão e logo percebeu a dificuldade, e então “cochichou” para um colega:
 
-”Vamos tirar um sarro desse estrangeiro”, e falou em bom som:

- “É Bosta”.
 
O Estrangeiro agradeceu e começou a narrar um episódio acontecido quando sua irmã foi operada.
 
-Vocês me sabem, eu cheguei perto da hostitale e comprou um vaso cheio de bosta, para levar parra meu irmon. Logo que chegou na putarria da hospitale, eu  falou para o mocinha de recepçon:
- Gosta de bosta?  Fica com um, está muito cheirroso.
 
Todos riram, e o estrangeiro percebeu alguma coisa errada e ficou olhando desconfiado de que a palavra estava mal colocada, lançou um olhar raivoso para o gaiato com tom de repreensão e já queria brigar.

Separamos todos e voltamos comentando o fato até chegarmos ao porto, momento esse de grande sufoco, porque tínhamos que enfrentar o pelotão de fotógrafas que ficavam aguardando o embarque das pessoas pelas escadarias, até chegar a um dos elevadores, momento que “desgrudavam”.
 
Já tínhamos sido alvos de vários cliks e, mesmo não comprando nenhuma foto, continuavam com o “assédio” e dizíamos que já tínhamos feito outros cruzeiros e as fotos acabavam sendo todas com o mesmo formato.
 
As fotógrafas eram todas italianas e pediam para fazermos pose. Já estávamos cansados daquilo tudo e então uma delas veio com uma solicitação diferente:
- Vieni qui si otterrà um quadro di questo (venham aqui, vocês vão ganhar a foto de presente).
 
Quando nos aproximamos falou no português que ela sabia:
- “Faz um sorrisada per foto” - isso porque dos dois mil passageiros, 854 eram brasileiros...
 
 Então realmente foi só risada e ela não entendia por quê.
 
Terminava, então, mais uma aventura em terra. Durante o vaivém pelos corredores e mais outras dependências do navio, ficávamos fazendo de tudo para não encontrarmos aqueles gaiatos brasileiros, os estrangeiros e as fotógrafas.

O ANDARILHO

Em um dia desses qualquer, o Prefeito de uma cidade grande parou o seu carro, por pouco tempo, em um cruzamento, aguardando o sinal de ...