segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O ÚLTIMO CAUDILHO: ANATOMIA DE UM PODER QUE APODRECEU

 

CRÔNICA DE 

UM PODER 

EM RUÍNAS



Introdução

Todo caudilho acredita ser eterno.
Enquanto governa pelo medo, imagina-se invencível; enquanto o povo sofre, ele se proclama salvador. Mas o poder, quando sustentado pela violência e pela mentira, cobra seu preço — e o faz no silêncio, na solidão e no desespero dos que caem.

Esta é a história do último caudilho.
Não como ele desejava ser lembrado, mas como realmente foi: um homem consumido pelo próprio delírio de grandeza.

A HISTÓRIA DO CAUDILHISMO

O caudilhismo nasce do carisma distorcido e da força bruta. São lideranças políticas autoritárias, geralmente ligadas a setores tradicionais da sociedade — militares, latifundiários, chefes armados — que substituem instituições pelo culto à própria personalidade.

O caudilho não governa: domina.
Suas relações são pessoais, emocionais e profundamente manipuladoras. Ele se mantém no poder pela repetição de mandatos, pela fraude ou pela imposição vitalícia de sua vontade. Onde há caudilho, há silêncio forçado; onde há silêncio, há sofrimento acumulado.

O ÚLTIMO CAUDILHO

Restava apenas uma assinatura chamuscada.
Um pedaço de papel carbonizado repousava entre as cinzas frias da lareira, como um testemunho maldito de um passado que ele tentou apagar.

Por longos segundos, seus olhos permaneceram fixos naquele vestígio. Depois, o corpo pesado começou a se mover em círculos lentos, contornando o tapete desbotado, como um animal encurralado em sua própria jaula.

Afundado em pensamentos, lembrou-se de que aquele documento carregava confissões sombrias: ordens de morte, traições, pactos selados com sangue. Era o retrato fiel de uma vida construída sobre o medo alheio.

Após a fuga desesperada de seu reduto, seguindo caminhos tortuosos e clandestinos, restou-lhe o exílio. Vivendo à sombra, temia mostrar o rosto nas ruas estreitas da pequena cidade onde se refugiara. O terror agora não era mais sua arma — era sua sentença.

Já havia queimado quase todos os registros de seu passado criminoso. Agora desejava apagar o próprio rosto, transformar a identidade, sobreviver anônimo aos poucos dias que ainda lhe restavam.

Mas o passado não aceita ser esquecido.

LOBO NA PELE DE CORDEIRO

Chegara ao poder travestido de esperança.
Apresentou-se como caudilho carismático, mas governou como ditador. Proclamou-se salvador da pátria enquanto aprofundava a miséria que dizia combater.

Sem planejamento, sem projeto, sustentou-se pela violência. Eliminou opositores, silenciou vozes, transformou o medo em política de Estado. Cada execução fortalecia sua ilusão de soberania; cada mentira alimentava seu trono frágil.

O poder, porém, nunca foi real — era apenas imposto.

O POEMA DO SOFRIMENTO DE UM POVO

Ostentação e continuidade forçada
Manipulação dos meios de comunicação
Propaganda repetida até virar verdade
Mentiras servidas ao povo oprimido

Migalhas fingindo alimento
Olhos fundos, mãos vazias
Gente sofrida
Vozes enterradas no silêncio

Caminhos sem destino
Passos errantes
Descompassos de uma nação ferida

A LIBERTAÇÃO

Então, nasceu um novo dia.

Um canto de esperança ecoou pelas montanhas, embalado pelo vento livre. As estradas se abriram para as forças que vinham em nome da paz. As matas, antes murchas pela opressão, despertaram orvalhadas, recuperando o verde esquecido.

O povo respirava novamente.
A história mudava de rumo.

A MORTE NO EXÍLIO

Sabendo que o cerco se fechava, chamou o único ordenança que lhe restara fiel na fuga. Ordenou que recolhesse o fragmento de papel que escapara das chamas.

Com mãos trêmulas, soprou as cinzas.
Leu as últimas linhas. Reconheceu sua assinatura.

Ali estava a prova final de sua existência — e de seus crimes.

Amassou o papel, levou-o à boca e engoliu-o num gesto desesperado, como se pudesse, assim, apagar a própria história. Um soluço seco interrompeu sua respiração. O corpo tombou, derrotado não por soldados, mas pelo peso de seus atos.

Naquele instante, extinguia-se o último resquício de um poder manchado.
O caudilho caía — e com ele, sua mentira.

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Vendramini Letras não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. Mais do que textos, é um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

ALÉM DO HORIZONTE VERMELHO

 

O horizonte é mais do que um espetáculo visual: é um convite à reflexão. Cada pôr do sol carrega consigo mistérios, cores e significados que despertam emoções profundas. Ao contemplar esse cenário, somos levados a viajar para dentro de nós mesmos, em busca de paz, esperança e sentido para a existência.

Quantas pessoas já se perderam nesse panorama? São incontáveis. Alguns o observam do alto de uma montanha, outros à beira-mar, em viagens de carro, avião ou navio, ou ainda em lugares insólitos e indescritíveis.

Quando temos a oportunidade de contemplá-lo, nossa mente mergulha em uma retrospectiva íntima, vagueando por paisagens interiores em busca de paz — uma busca incessante, mas nem sempre alcançada.

Os olhos semicerrados percorrem esses cenários inenarráveis, como se estivéssemos em uma cabra-cega, tateando emoções. E por mais que tentemos abri-los, a carga de sentimentos nos impede, tamanha é a intensidade do momento.

Cada um pinta o seu próprio quadro. As cores variam, mas sempre predominam o branco da alma, o vermelho da vida e o azul do céu.

Qual será a força desse segredo, tão cheio de mistérios, que se esconde por trás de tamanha beleza?

Cabe a cada um imaginar e satisfazer seus desejos, traduzindo em sonhos e lutas a busca pela sobrevivência, pelo bem-estar dos que amamos e, sobretudo, pela humanidade. Somos responsáveis por moldar o mundo com nossas ações, na esperança de torná-lo melhor.

Alguns enxergam nesse horizonte o chamado para cuidar dos rios e das matas, celebrando a riqueza da fauna e da flora. Outros desejam que a paz entre os homens seja duradoura e que os amores sejam eternos. Fazemos votos fervorosos para que a compreensão entre os povos supere as diferenças, evitando guerras e mortes inocentes — sempre sob o pano de fundo do vermelho da dor.

Mas tudo se transforma quando nossos olhos se fixam nesse horizonte em busca de novas cores e significados. A natureza revela sua força, suavizando o céu e nos dando coragem para enfrentar o cotidiano. Nesse devaneio, a mente explode em pensamentos positivos, até que o azul da noite nos envolve, trazendo paz, leveza e descanso ao corpo e à alma.

Por mais que tentemos descrevê-lo, o espetáculo permanece indescritível. É o milagre dos matizes do crepúsculo, uma maravilha que deslumbra a visão e evoca a fé no superior.

Assim, mesmo diante da escuridão, vislumbramos a luz no fim do túnel. O sol, ainda que em seu ciclo derradeiro no horizonte, insiste em jorrar luminosidade, abrindo um caminho de esperança para que possamos seguir com serenidade, coerência e harmonia.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O CORONEL GALO PRETO E OS SABORES DO PODER



Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. 

É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.

Senta que vem mais um "causo" daqueles tempos

O Safadão

No coração do interior paulista, onde o aroma do café se misturava ao cheiro da terra molhada, não eram apenas os grãos que decidiam o rumo da economia — mas também os homens que os negociavam. Entre eles, um se destacava: o temido e folclórico Coronel Galo Preto, figura lendária que comandava a bolsa cafeeira com mão de ferro e hábitos… peculiares.

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Este conto resgata não só os bastidores das negociações que moviam o Brasil, mas também os sabores que acompanhavam o poder — como os bolinhos de bacalhau e o frango frito que o coronel devorava entre uma baforada de charuto e outra. Ao final, você encontrará uma receita inspirada nesses tempos de coronéis, para reviver um pouco da história à mesa.

Em uma importante cidade do interior de São Paulo, região de extensas plantações de café reconhecidas por sua qualidade excepcional, os grãos eram disputados por compradores do ramo, transformando-se na famosa bebida conhecida no Brasil e mundo afora. Negociantes internacionais frequentemente visitavam o local para adquirir as safras, enquanto os fazendeiros da região se reuniam em uma espécie de bolsa cafeeira, onde os preços eram estabelecidos e cotados em dólar. Grande parte da produção era exportada, deixando pouco para consumo interno.

À frente dessas reuniões, estava o temido Coronel Tertuliano Telles Noronha Mangabeira, conhecido como Coronel Galo Preto. Nascido em Pernambuco, o apelido veio de sua reputação de bravura e liderança entre seus jagunços. Ele resolvia problemas de forma imediata, não hesitando em delegar punições ou eliminar adversários.

Essas reuniões, que contavam com a presença dos cafeicultores da região, eram lideradas pelo coronel, então presidente da bolsa cafeeira estadual. Dotado de um corpanzil imponente, o coronel tinha hábitos bastante peculiares. Sentava-se na cabeceira da mesa com os bolsos recheados de pedaços de frango e bolinhos de bacalhau, que devorava enquanto limpava a gordura na gravata. Depois, acendia seu charuto e soltava baforadas que impregnavam o ambiente com uma fedentina insuportável. Apesar do desconforto, os produtores suportavam tudo em busca da aprovação dos preços.

Sua postura grosseira não parava por aí. Ao fumar, pedaços de fumo ficavam em sua boca e, para aliviar, ele pigarreava e cuspia no chão até que o zelador providenciou uma escarradeira para conter os estragos. As cadeiras pesadas de madeira maciça arrastavam-se pelo assoalho sempre que alguém se levantava, causando barulho ensurdecedor. E o coronel, frequentemente com a barriga cheia, tinha o hábito de soltar discretos, porém malcheirosos, peidos durante as reuniões. Para disfarçar, ele alegava que os sons vinham do arrasto de sua cadeira.

Nas reuniões com estrangeiros, o zelador advertiu o coronel sobre seus hábitos desagradáveis. Porém, em um momento inesperado, o coronel soltou um peido ensurdecedor e sem cheiro, causando escândalo. Ele insistiu que o barulho era causado pela cadeira, mas os participantes já desconfiavam de sua estratégia. O zelador, então, pregou sua cadeira no assoalho, deixando o coronel sem alternativas para disfarçar.

Quando chegou o dia da reunião final, o coronel, ao comer seu habitual frango, foi acometido por um novo episódio. Tentou disfarçar, mas sem sucesso: o peido soou alto e todos perceberam. Furioso, ele descobriu que o zelador havia pregado a cadeira. Pouco depois, o coronel ordenou que seu jagunço punisse o zelador, que nunca mais foi visto.

O Coronel Galo Preto faleceu dias depois, e no sepultamento, o zelador “apareceu” para revelar a verdade aos presentes. Após sua morte, as reuniões nunca mais foram as mesmas. A sede foi transferida para a capital, e as histórias sobre os peidos e peculiaridades do coronel tornaram-se lendárias, arrancando gargalhadas daqueles que as relembravam.

🍽️ Receita da Época dos Coronéis: Bolinho de Bacalhau & Frango Frito do Galo Preto

🐟 Bolinho de Bacalhau

Ingredientes:

500g de bacalhau dessalgado e desfiado

500g de batata cozida e amassada

1 ovo

1 colher de sopa de salsa picada

Sal e pimenta-do-reino a gosto

Óleo para fritar

Modo de preparo:

1. Misture o bacalhau com a batata, o ovo e a salsa.

2. Tempere com sal e pimenta.

3. Modele os bolinhos com as mãos.

4. Frite em óleo quente até dourar.

5. Escorra em papel toalha e sirva quente.

🍗 Frango Frito do Coronel

Ingredientes:

1 kg de coxas e sobrecoxas de frango

Suco de 1 limão

2 dentes de alho amassados

Sal, pimenta-do-reino e páprica a gosto

Farinha de trigo para empanar

Óleo para fritar

Modo de preparo:

1. Tempere o frango com limão, alho, sal, pimenta e páprica.

2. Deixe marinar por 1 hora.

3. Passe os pedaços na farinha de trigo.

4. Frite em óleo quente até ficarem dourados e crocantes.

5. Sirva com uma boa dose de coragem — como fazia o coronel.

☕ Final empolgante: 

Entre peidos e bolinhos, o poder se decidia à mesa

Naqueles tempos, o café era ouro, e os coronéis eram reis. Mas por trás das cifras e dos contratos, havia frango frito, bolinho de bacalhau e histórias que hoje viraram lenda. Que esta receita traga à sua mesa um pouco do sabor — e do humor — de uma época em que até um peido podia mudar os rumos da economia.

💫

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É um passeio por memórias, afetos e encantamentos, não tem capa dura nem páginas numeradas.

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Cada texto é uma fresta — por onde escapa o que ainda pulsa.

Escrevo como quem conversa com o silêncio.

Como quem guarda o mundo em palavras pequenas.

Como quem acredita que lembrar é uma forma de amar.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Pensador | Criador de conteúdos culturais

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

MEMÓRIAS DA RUA ZACARIAS: O FUTEBOL, O TORINO E O PÉ TORTO DO ZÉ MACABRO

 

Nesta segunda parte, abordarei a passagem do tempo em que a molecada da rua estava com a mente voltada para os jogos de futebol, e a rivalidade entre as ruas era imensa. Os redutos da “bola” estavam inseridos em dois contextos: o primeiro era o time da nossa rua; o segundo era a turma lá do final da Avenida Paula Penteado, o terrível time do São Cristovam, cuja sede era no bar que lhe emprestara o nome.

Tinha um “moleque” já meio grande que nos metia medo; era o famoso “Tio Panca” (apelido colocado por nós). Naquela época, as pessoas que se destacavam eram assim chamadas. Tratava-se de uma figura meio rocambolesca: andava todo se requebrando (no bom sentido), achava-se um ótimo jogador e exigia que os menores carregassem os seus pertences até o campo.

Nós, do lado de cá, éramos o TORINO, nome em homenagem ao clube italiano que veio jogar no Brasil. Depois, eles seguiram para a Argentina e, no voo de volta, houve a queda do avião, com apenas um sobrevivente: o goleiro Bacigalupo, que ficou marcado pela tragédia e por suas defesas memoráveis. O time italiano foi recomposto e existe até hoje. Já a nossa equipe era de "várzea": jogávamos todos descalços, sem camisa e sem número definido de jogadores — conforme a turma chegava, ia entrando.

Antes das brincadeiras com a bola no campo, tínhamos o jogo de botão. Nos momentos que antecediam as partidas, sobre uma folha de compensado, pensávamos em organizar melhor o nosso time. Resolvemos nos espelhar no São Cristovam e, um dia, fomos assistir a uma partida deles. Ficamos empolgados e decidimos comprar um jogo de camisas para enfrentá-los.

As reuniões para tal eram na casa do Zé Macabro, também conhecido como Zé da Esquina. A casa dele era de dar medo: antiquíssima, com telhas quebradas e o madeiramento cheio de cupim. Enquanto jogávamos botão, a serragem dos bichinhos caía em nossas cabeças. Todos diziam: “algum dia esse telhado cai”. Cada um de nós tinha um time, encarnando os ícones da época: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Portuguesa, Juventus ou Nacional.

A turma que não estava jogando ficava na janela, vendo a moçada descer a Rua Engenheiro Monlevade rumo à Escola Anchieta. Uma de nossas diversões era amarrar uma linha fininha em uma cédula de dinheiro e deixá-la na calçada. Quando alguém se abaixava para pegar, puxávamos a nota. A pessoa tentava de novo, puxávamos mais um pouco, até que ela percebesse a brincadeira e nos xingasse. Muita briga aconteceu por causa disso, sob as sonoras gargalhadas das meninas do nosso reduto — Maria Clara, Maria Helena, Lení, Cecília e Verinha.

Finalmente, após várias rifas para angariar fundos, compramos o jogo de camisas e a bola. Fomos até a sede do rival marcar o jogo. O "Tio Panca" veio nos interrogar, querendo saber quem era o nosso melhor jogador e se tínhamos jogadas ensaiadas. O Aécio já queria brigar ali mesmo, mas amenizamos a situação. Para selar o acordo, o Zé Macabro, que era bem mais velho e chegado a uns "tragos", insistiu que tomássemos uns goles de cerveja e pinga com eles. Saímos de lá meio "altos", mas com o jogo marcado.

O embate foi no campo do “Mina”, no bairro do Vianello, chamado assim pelas várias nascentes ao redor. O jogo foi um sufoco. Arnaldo Gasparotto, o “Gaspar”, jogava muito no meio de campo, e o zagueiro Aécio destruía tudo na defesa. No segundo tempo, levamos um gol. Nosso técnico, o Zé Macabro, ficava ao lado da trave adversária com um copo de cerveja na mão, esbravejando para atacarmos.

Em dado momento, o nosso craque, o “Crau”, driblou dois e chutou forte. A bola ia saindo pela linha de fundo quando o Zé Macabro, sorrateiramente, colocou o pé torto dentro do campo e desviou a bola para a rede. Gol! Foi uma festa, mas o Zé logo começou a levar porrada dos adversários. O juiz, que era da nossa turma, validou o gol irregular e a briga se generalizou. Saímos correndo, meio pelados, com as roupas nas mãos, fugindo daquele bando de gente até chegarmos ao nosso reduto na Paula Penteado.

O Torino da Rua Zacarias acabou quando o Aécio se mudou, levando as camisas. Depois, montamos o GRENÁ, capitaneado pelo meu primo Tecão. As confusões continuavam as mesmas. Quem nos levava para jogar longe era o primo Serjão Gasparotto, no caminhão de macarrão “Gallo”. Íamos lá dentro, entre as repartições, com a porta entreaberta para não sufocarmos.

Com o tempo, veio o futsal. O Tecão, já um famoso “cartola”, montou o poderoso Credi-City. Fomos bicampeões da cidade. Tínhamos o excepcional Ernestinho, que mais tarde brilhou no Palmeiras e na Seleção Paulista, e depois no Unidos, do Toninho Gebram. Eram tempos áureos, onde cada drible e cada briga de rua escreviam a história da nossa juventude.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
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domingo, 4 de janeiro de 2026

ORAÇÕES AOS CÉUS


Este pequeno poema nasceu da inspiração silenciosa de uma noite repleta de contemplação e entrega espiritual. Foi escrito no recolhimento íntimo de um momento de oração, quando a alma repousa e o coração se abre ao diálogo com o sagrado. Cada verso reflete uma vivência interior – um encontro entre o silêncio da noite e a esperança da fé. A escolha das palavras foi simples, mas carregada de emoção e significado. 

🙏

Poema: No Silêncio da Noite

A noite chegou...
Cheia de quietude.
A espera foi sublime
Em meu canto de louvor.

Veio soberba,
Em toda a sua plenitude.
Vou conversar com o Senhor...

Ouço vozes
Em um acalanto divino.
O pensamento vagueia
Pelas nuvens,
Ao sabor da brisa.

Que venham as bênçãos,
Em forma de destino...

💢

MEDITAÇÃO E CONTEMPLAÇÃO: O SILÊNCIO QUE ACALMA A ALMA

A meditação sempre se ergueu sobre dois pilares fundamentais: concentração e contemplação. Em muitas culturas, foi praticada como religião, especialmente entre os povos orientais.

Há registros históricos que comprovam sua antiguidade, tão remota quanto a própria humanidade. Não nasceu de um único povo ou região, mas floresceu em diferentes civilizações, recebendo nomes diversos. Tornou-se mais evidente no Egito, na Índia e entre os Maias.

Hoje, além de seu aspecto espiritual, a meditação é também um instrumento de desenvolvimento pessoal em contextos não religiosos. Pode ser praticada como simples relaxamento ou como caminho para o Nirvana. Muitos afirmam que ela aprimora a concentração, a consciência e a autodisciplina.


O sol, ao se despedir do horizonte, pinta o céu em tons de vermelho e dourado. Para este lado do mundo, parece agonizar; para o outro, anuncia uma nova manhã repleta de emoções.

Nesse instante sublime, uma melodia suave se insinua nos ouvidos, acariciando-os após o tumulto da cidade. É um momento de paz, em que o silêncio se torna soberano e dissolve as ansiedades do dia.

A nostalgia desse cenário divino oferece à mente o descanso merecido, permitindo ouvir até os ruídos de uma longínqua quietude.

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