quinta-feira, 23 de abril de 2026

SOLAR DO BARÃO: UMA VIAGEM AO PASSADO


O Solar do Barão não é apenas um museu


Ao revisitar meus arquivos de crônicas antigas, deparei-me com anotações sobre um texto intitulado O Solar do Barão. Para minha surpresa, percebi que ele nunca havia sido publicado. Corria o ano de 2012, mais precisamente outubro, quando o Museu completava seu sesquicentenário. A ocasião foi marcada por uma exposição fotográfica aberta ao público — um convite irresistível para quem, como eu, sempre se encantou com as memórias vivas da cidade.

Ao adentrar o casarão, fui recebido por um cicerone que, com gentileza e entusiasmo, compartilhou informações preciosas sobre o lugar. Anotei tudo em meu bloco e guardei as páginas cuidadosamente em uma gaveta da escrivaninha. Anos depois, ao reencontrar essas anotações, percebi que a palavra Solar estava sublinhada — e isso me levou a investigar seu significado.

Descobri que Solar designa uma casa de família nobre, uma residência antiga marcada pelo luxo e conforto de sua época. Esses solares eram moradas de famílias tradicionais, como a de Antonio de Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí. Pertencente ao ciclo do café, o casarão foi doado pela família à Associação das Irmãs de São Vicente de Paula, que o alugou à Prefeitura Municipal. Assim nasceu o museu que hoje preserva parte da história da cidade.

Quando jovem, costumava passar em frente àquela construção imponente, na Praça Governador Pedro de Toledo, caminho do antigo Cine Ipiranga. Admirava sua arquitetura e imaginava os tempos de glória, quando o Barão recebia figuras ilustres — entre elas, o imperador D. Pedro II. Embora alguns o descrevessem como bonachão e pouco afeito à política, percebi, ao ler sua biografia, que foi um homem visionário, comprometido com o progresso e o desenvolvimento do país.

Recordo-me também de vê-lo em ruínas, com o telhado destruído e paredes marcadas pelo tempo. Foi graças ao empenho de historiadores e cidadãos influentes, em parceria com a Prefeitura, que o casarão foi restaurado e reinaugurado em 1965. O padre Antonio Maria Stafuzza, fundador do museu, deu início a um trabalho admirável de preservação, hoje conduzido pela Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio de professores e historiadores dedicados.

Após percorrer as salas do casarão, segui até o jardim dos fundos. Ali, um pátio silencioso guarda vestígios de um muro de taipatécnica ancestral que ainda desperta admiração entre arquitetos e engenheiros. Entre árvores e sombras, encontrei um refúgio inesperado no coração da cidade. Sentei-me por alguns minutos, observando o contraste entre o passado e o presente, e deixei que o pensamento se perdesse entre lembranças e inspirações.

Saí dali com o coração envolto em um sentimento profundo de nostalgia e reverência — uma ponte delicada ligando o presente ao passado. O Solar do Barão não é apenas um museu; é um testemunho vivo da história, um espaço onde a cultura respira e a poesia encontra abrigo.


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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

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