quinta-feira, 5 de novembro de 2026

OS PERSONAGENS DA PRAÇA: SUSTO, O JAMES BOND DO INTERIOR

 

A 'ESTÓRIA' DO PAPAGAIO
Senta que lá vem mais um 'Causo' 

Vamos conhecer mais uma de suas façanhas; O
DETETIVE 'SUSTO' 
seu reduto era a Praça da Matriz de uma Cidade do Interior Paulista.
Quem viveu o brilho das praças do interior paulista sabe: cada banco tinha um dono e cada esquina, um personagem. Mas ninguém batia a figura do Susto. O apelido não era por acaso; surgir na penumbra da noite com aquela indumentária causava um sobressalto até no mais corajoso dos sacristãos.
Susto era a elegância em estado de resistência. Trajava um terninho cinza, já vencido pelo tempo, cujas manchas estratégicas eram camufladas por um lenço florido na lapela e uma cinta que mais parecia uma barrigueira de montaria fina. Nos pés, sapatos carrapeta de duas cores; na cabeça, um chapéu coco adornado com uma pena de ave misteriosa. O toque final? Uma gravata borboleta que ele ajeitava obsessivamente, enquanto falava com os lábios quase fechados, num chiado de gaguez elegante: "Pof... pof... roro..."
Dizia-se detetive particular. No peito, uma placa de metal ostentava: GEROMIL – DETETIVE PARTICULAR. Sem telefone, sem escritório. O QG era o banco da praça, onde ele ostentava três charutos no bolso e um na boca — sempre apagado. "Presente de um cubano foragido", mentia ele, com a cara mais lavada do mundo.
Nós, a molecada, cercávamos o mestre para ouvir seus "causos" de infidelidade amorosa. Mas o Susto era profissional: "Olha, vocês têm que pagar para eu contar. Sem mil-réis, sem negócio!". A gente juntava as merrecas e ele, então, abria o arquivo secreto.
O Susto foi contratado por uma esposa desconfiada. O marido, um sujeito elegante, saía todo sábado à tarde com destino incerto. Susto, munido de um gravador a pilhas, microfone embutido no forro do paletó e uma máquina fotográfica que ele jurava ser de espionagem russa, partiu no encalço.
O alvo entrou em uma casa. Susto, no seu clássico "passo de ganso" — na ponta dos pés para não alardear os sapatos carrapeta — colou o ouvido em uma janela entreaberta. O gravador rodava. Lá de dentro, uma voz aveludada dizia:
— Meu amor... passe a mão no meu cabelo... olha minhas pernas...
"Peguei!", pensou o espião. Sacou a câmera, esticou o braço por um ângulo impossível e disparou o diafragma. No dia seguinte, a revelação da foto trouxe a verdade nua e crua: o "pivô" da traição era um papagaio-fêmea de uma loja de aves, que o marido pretendia dar de presente à própria esposa.
O Susto, com a cara de pau que Deus lhe deu, foi cobrar a cliente. Entregou a foto da ave como prova do "flagrante". A mulher, entre a fúria e o riso, pagou apenas metade do combinado.
A fama do Susto teve seu ápice (e sua queda) numa noite de sábado, ao lado da fonte luminosa da Matriz. 
Enquanto ele fazia seu merchandising habitual, o tal marido — nada satisfeito com a investigação — apareceu de surpresa. Antes que o detetive pudesse dizer "Pof, pof", foi erguido pelos ares e arremessado direto no tanque da fonte.
A cena foi digna de cinema: o Susto mergulhado nas águas coloridas, o chapéu coco boiando, mas a mão direita estendida para fora, heróica, segurando o charuto cubano para não molhar. A praça inteira veio abaixo em gargalhadas.
O Susto saiu de lá encharcado, mas com a dignidade intacta. Afinal, um detetive de verdade nunca deixa o charuto apagar... mesmo que ele nunca tenha sido aceso.


Meu Blog 

Vendramini Letras não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. 

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias, mas sim, porque alguém como eu, se recusou a esquecê-las."

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Criador de Conteúdo Culturais que escolheu contar histórias

Sou um contador de histórias do cotidiano. Escrevo crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilho palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

O CASAMENTO DO LOBISOMEM E A MÃE D'AGUA E A LENDA DO "CAIPORA" - RECEITA DE PAMONHA NO FINAL

Contos são obras e textos de ficção, onde é permitido criar um universo paralelo de acontecimentos, fantasias e muita imaginação. Esses tipos de textos costumam ser curtos em extensão, porém seus significados nos fazem pensar e refletir muito...

Na vastidão das noites brasileiras, onde o silêncio é quebrado pelo canto dos grilos e o estalo das fogueiras, vivem histórias que não cabem nos livros — mas que se perpetuam nas bocas dos antigos. Esta é uma delas. Uma lenda que mistura desejo, floresta e mistério. E no final, como manda a tradição da roça, uma receita que aquece o corpo e a alma. 

A chama da fogueira dançava no coração da noite, iluminando os rostos atentos dos jovens indígenas ao redor. O velho cacique, com o olhar carregado de sabedoria e mistério, tragou lentamente seu cachimbo e começou:

Na pequena cabana do lenhador, a tarde se fez noite. Pela janela do casebre, via-se o clarão da vela sobre a mesa, iluminando o pedaço de pão endurecido que saciaria a fome daquele homem de músculos vigorosos. Seus golpes com o machado mantinham o fogo aceso para aquecer o ambiente nas noites frias e chuvosas de inverno. Morava sozinho. Como o sétimo filho de uma família que deixara o vilarejo, ficou para colher a última safra de milho a mando do pai, prometendo se reunir com os parentes ao término da colheita. Mas os meses se arrastavam, e sua solidão crescia.

Era um homem de modos estranhos, arredio e inquieto nas noites de luar. Contemplava a escuridão com olhares soturnos voltados à montanha que dominava o vale cortado por um riacho. Em uma dessas noites, enquanto aguardava algo inexplicável, acendeu um cigarro de palha. O luar crescente despertou algo em seu interior. Arrepiado, com sangue fervendo, saiu de seu casebre como um foguete, rumo à montanha. No cume, contemplou o vale e o riacho caudaloso. Foi então que avistou o corpo de uma mulher com um canto hipnotizante às margens da água.

Era a Mãe D’Água — criatura de beleza arrebatadora, olhos verdes e cabelos longos — que se banhava nas águas. Ele já percebia os pelos que cresciam em seus braços. Uivou ao céu e desceu em um trote desenfreado até o riacho. A mãe sabia de seu segredo, mas não estava ali para acalmá-lo. Seus instintos tomaram o controle. Pulou na água sem tirar a roupa — afinal, já estava coberto de pelos — e uniu-se à Mãe D’Água, embalado por sua dança nas ondas e por um desejo monstruoso que saciou sua sede de volúpia.

Quando o sol nasceu, o homem correu para refugiar-se da luz em seu casebre. A Mãe D’Água desapareceu, escondendo-se em uma caverna onde, meses depois, deu à luz a uma criatura única: o Caipora. De pés virados para trás e olhos penetrantes, tornou-se o protetor das matas e da caça. Pequeno e ágil, montado em um porco-do-mato, usava seu riso estridente para aterrorizar os caçadores desrespeitosos. Aqueles que encontravam seus rastros eram enganados por sua habilidade de despistar seguidores, deixando-os perdidos.

Com o tempo, o Caipora tornou-se uma figura lendária. Nos vilarejos, histórias de suas aparições em noites de luar alimentavam o imaginário popular. Os viajantes diziam vê-lo fumando cachimbo e pedindo cachaça, sempre com o propósito de preservar o equilíbrio das matas. Embora temido, era também respeitado como guardião da vida selvagem.

 Receita da roça:

Inspirada na colheita do lenhador e nos sabores da roça, esta pamonha é perfeita para acompanhar histórias contadas à beira da fogueira.

 “Pamonha de milho verde com queijo”

Ingredientes:

• 6 espigas de milho verde

• 1 xícara de açúcar

• 1 pitada de sal

• 1 colher de sopa de manteiga

• 150g de queijo minas cortado em cubos

• Palhas de milho para embrulhar

Modo de preparo:

1. Retire as palhas das espigas com cuidado e reserve.

2. Rale os grãos ou bata no liquidificador com um pouco de água.

3. Misture o milho com açúcar, sal e manteiga até formar uma massa homogênea.

4. Coloque uma porção da massa sobre a palha, adicione um cubo de queijo e feche como um envelope.

5. Cozinhe em água fervente por cerca de 40 minutos.

6. Sirva quente, com café coado ou cachaça artesanal — como faria o Caipora.

 BIOGRAFIA CURTA 

Antonio Vendramini é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória — entre receitas simples e flores cultivadas com afeto. Em Vendramini Letras, compartilha palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.


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PERFUME DE MULHER


Você Sabia?



A palavra perfume vem do latim perfumare, que significa “defumar”.

Um dos registros mais antigos de um denominado fabricante de perfumes é uma tábua cuneiforme de cerca de 1200 a.C., na Mesopotâmia, que menciona uma mulher chamada Tapputi, que destilou flores, óleo e substâncias aromáticas.


Em 2003, os arqueólogos descobriram alguns dos mais antigos perfumes sobreviventes do mundo em Pyrgos, Chipre, com mais de 4.000 anos. 


As palavras Você Sabia?, Sempre desperta curiosidade nas pessoas. Muitas outras, estão inseridas em minha página CURIOSIDADES, aqui no blog, a direita. É só clicar, que será remetido ao espaço informado. Veja quantas coisas podemos conhecer, rotuladas como curiosidades em várias partes do mundo. 

Um brinde à curiosidade

Este espaço é feito para quem gosta de descobrir. Falo de tudo um pouco: viagens, cultura, ideias que me atravessam. E como não há descoberta sem prazer,  sempre encerro com uma receita ou uma dica de vinho — porque boas histórias merecem bons acompanhamentos.


 Sugestão de Vinho 

Vinho do Porto

  • Região do Douro, Portugal

  • Fortificado (adição de aguardente vínica durante a fermentação)

  • Curiosidade principal: Foi criado no século XVII e se tornou símbolo da cultura portuguesa. Sua produção envolve técnicas tradicionais e envelhecimento em barris de carvalho.

  • A tradição de brindar com vinho tem raízes antigas: na Grécia, o anfitrião tomava o primeiro gole para provar que não estava envenenado, origem da expressão “Saúde!” .

  • O Porto foi um dos primeiros vinhos a ter Denominação de Origem Controlada (DOC), garantindo autenticidade e qualidade .

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TONINHO VENDRAMINI - UM CAMINHANTE DAS PALAVRAS



A literatura sempre foi mais que expressão: é travessia. E foi nesse espírito que iniciei minha jornada como escritor, movido por inquietações silenciosas e pela vontade de dar voz ao que pulsa no invisível. Desde os primeiros passos em antologias até a publicação de obras autorais, cada página escrita é um reflexo da minha busca por sentido, beleza e verdade.

Primeiros Passos: A Antologia “Cidade”

Em 2010, dei meu primeiro passo no universo literário ao participar da antologia Cidade, publicada pela Word Press. Embora não fosse uma obra individual, estar entre autores consagrados foi um marco simbólico — uma estreia que me apresentou ao calor dos encontros literários e à vibração dos saraus.

O lançamento ocorreu no II Encontro de Poetas, em Salto-SP, no dia 9 de outubro de 2010. Ali, sob o céu aberto da Praça do Memorial do Tietê, autografei exemplares ao lado de poetas vindos de diversas partes do Brasil. Foi um momento de celebração e pertencimento.

Ainda em dezembro daquele ano, recebi uma edição especial de agendinhas de bolso para 2011, onde meu nome aparecia no rodapé das páginas de quintas e sextas-feiras — uma delicada forma de divulgação que me trouxe alegria e motivação para seguir escrevendo.

O Primeiro Livro Solo: Vozes no Silêncio da Noite

Em abril de 2011, comecei a preparar meu primeiro livro solo, Vozes no Silêncio da Noite, lançado em fevereiro de 2012. A obra nasceu da necessidade de aprofundar temas que me habitavam e de construir uma narrativa mais íntima e autoral. Foi um processo intenso, marcado por descobertas e revisões profundas.

No final do livro, deixei registrada uma reflexão que sintetiza bem essa travessia:

 Um Convite à Curiosidade

Cada livro, cada participação, cada encontro literário é uma peça de um mosaico que ainda está sendo formado. As fotos dos lançamentos — que guardo com carinho — são testemunhos visuais dessa caminhada. E há muito mais por vir.

Se você chegou até aqui, talvez esteja pronto para descobrir o que há nas entrelinhas. 





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 "O idioma muda, mas a essência permanece. Clique em Translate à direita e mergulhe nas crônicas." 

 "The language changes, but the essence remains. Click Translate on the right and dive into the chronicles."

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sábado, 31 de outubro de 2026

PALERMO A CAPITAL DA ILHA DA SICÍLIA - ITÁLIA


MAIS UMA TRAVESSIA ATLÂNTICA
Visitamos a encantadora cidade de Palermo, a vibrante capital da Sicília/Itália, marcando a primeira parada de uma emocionante travessia atlântica iniciada em Civitavecchia, um centro vital para o transporte marítimo italiano.

Após desfrutar de uma última vista do hotel, seguimos rumo ao porto, onde nosso transatlântico aguardava ansioso para dar início a uma jornada de 20 dias inesquecíveis. Durante essa aventura, exploramos diversos países até finalmente chegarmos ao nosso querido Brasil, desembarcando em Salvador, Bahia.

O Deslumbrante Porto de Palermo

A costa italiana nos recebeu com braços abertos, revelando sua beleza ímpar. Caminhamos e dirigimos por paisagens de tirar o fôlego, comprovando a fama mundial que a Itália carrega tão merecidamente. Palermo, a maior cidade da Sicília, situada ao sul da "volta da bota" no mapa, é um verdadeiro tesouro cultural e histórico que encantou nossos olhos e nossos corações.


A subida ao Monte Pellegrino foi uma experiência sublime. No topo, nos deparamos com o Santuário de Santa Rosália, padroeira de Palermo, incrustado em uma gruta deslumbrante. A vista panorâmica de lá é simplesmente de tirar o fôlego! Além disso, a história das relíquias da santa adiciona um toque místico ao local.

O Magnífico Palazzo Reale

No nosso caminho, o impressionante Palazzo Reale, também conhecido como Palazzo dei Normanni, surgiu como um marco de grandiosidade. Sede da Assembleia Regional da Sicília, sua fachada renascentista e histórias envolventes reforçaram nossa admiração por este monumento tão importante.

Teatro Massimo: Um Gigante da Ópera

Entre as muitas surpresas, o majestoso Teatro Massimo Vittorio Emmanuele brilhou como uma joia incomparável. Famoso mundialmente e o maior da Itália, sua arquitetura é de encher os olhos. Além disso, o local foi cenário de momentos marcantes do cinema, incluindo uma das cenas mais icônicas de "O Poderoso Chefão III".

Fontana Pretoria: Beleza e Controvérsias

No coração histórico de Palermo, encontramos a elegante Fontana Pretoria, adornada com estátuas nuas que foram alvo de protestos no passado, rendendo à praça o apelido de "Piazza della Vergogna". Um cenário fascinante que misturou história e beleza artística.

Encerramos nosso dia com chave de ouro: apreciamos petiscos deliciosos acompanhados de vinho branco antes de embarcar. Do alto do mirante do navio, assistimos as manobras para deixar o porto, enquanto nos despedíamos da Sicília com vistas maravilhosas e rumávamos à próxima parada: Valência, na Espanha.

“Entre retratos e ruídos, sigo escrevendo o que ainda ecoa.

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"Escrevo para quem não teme abismos. Os mais lidos te esperam abaixo. À direita, palavras que abrem portas."

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