sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Além do Horizonte Vermelho


ALÉM DO HORIZONTE VERMELHO





Quantas pessoas já olharam esse panorama! São incalculáveis. Muitos sobre uma montanha, uma praia, outros ainda em uma viagem de carro, avião, navio e os mais variados lugares insólitos e indescritíveis.  

Quando temos a oportunidade de fazê-lo, nossa mente se envolve em uma retrospecção dentro do nosso ser, com o pensamento vagueando pelos mais variados lugares em busca de paz, de forma incessante; no entanto, nem sempre conseguimos alcançá-la.

Os olhos semicerrados continuam percorrendo esses lugares inenarráveis, qual uma cabra-cega, tateando as pálpebras, e por mais que nos esforcemos, não conseguimos abri-los, tamanha é a carga de emoção.

Cada um pinta o seu próprio cenário! As cores escolhidas são as mais variáveis, mas prepondera o branco da alma, o vermelho do sangue e o azul do céu.

Qual será à força desse segredo cheio de mistérios, que existe por de trás desse magnífico esplendor?

Cabe a cada um imaginar e satisfazer os seus mais variados desejos para percorrer esse mundo em que vivemos, traduzindo de forma ferrenha e desenfreada a nossa luta contínua para a sobrevivência da nossa existência e dos seres queridos que estejam ao nosso redor e, acima de tudo, da própria humanidade, que caminha ao sabor das nossas ações, para fazer um mundo melhor.

Alguns imaginam o cuidado que devemos ter com os nossos rios e matas, saudando a riqueza exuberante da fauna e da flora. Outros desejam que a paz entre os homens seja duradoura e que os amores sejam eternos. Fazemos votos fervorosos para que as pessoas se entendam dentro dessa complexidade que é governar os países das mais variadas raças, onde a compreensão às vezes deixa muito a desejar, causando guerras e mortes de inocentes, tendo como pano de fundo o tom vermelho.

Mas tudo isso é compensado quando os nossos olhos estão fitando esse horizonte na busca de outras cores e seus significados, onde a força da natureza mostra a sua pujança, deixando esse céu com as cores agora mais suaves, dando-nos força para enfrentar o nosso cotidiano. E, nesse devaneio, a mente explode em pensamentos positivos, até chegar o azul da noite, dando-nos então, uma sensação de paz e de leveza, onde vamos buscar o descanso da mente, do corpo e da brancura da alma.  

Por mais que a mente humana se delicie, é tudo indescritível, é o milagre dos matizes do crepúsculo, maravilha que deslumbra a visão, que evoca a presença e a crença no superior.  

Dessa forma, vislumbramos alguma coisa no final do túnel, se ele ainda estiver escuro, a luz do sol, ainda que no final de seu ciclo terrestre no horizonte, conseguirá como que por encanto, sobrepujar a necessidade de jorrar luminosidade, fazendo assim, um caminho de esperança para que possamos trilhar com serenidade, coerência e harmonia.

    


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mensagem de Natal


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CINQUE TERRE




Ao findar, em Roma, uma viagem pelo Leste Europeu, partimos para Gênova, a fim de conhecermos, viajando de trem, algumas cidades da Riviera di Levante e também as famosas vilas medievais denominadas de Cinque Terre.
Ficamos baseados em um hotel próximo à estação ferroviária de Brignole para facilitar nossas locomoções. Dali, partíamos, em dias alternados, da estação Gênova Brignole, através da linha La Spezia. Levávamos uma hora e meia até o primeiro vilarejo, Monterosso al Mare; as demais distam- se uma da outra uns dez minutos.
Os lugares avistados durante a viagem foram magníficos. Não cansávamos de olhar as encostas, onde ficam os famosos vinhedos, cujas uvas dão um sabor especial aos vinhos, que saboreamos em todas as refeições, nos típicos restaurantes. O Bianco Sciacchetrà é uma preciosidade que acompanhou os pratos à base de frutos do mar, típicos da cozinha Ligure, o doce de limão e o melhor pesto genovês, servidos em mesa ao ar livre e sob uma tenda amplamente confortável, proporcionando, naquelas manhãs ensolaradas, uma visão espetacular do panorama.
As vilas ainda estão intactas, transformando-se em lugares pitorescos. É um cenário que levou um milênio para se construir e sua origem se perde no tempo: eram, inicialmente, cinco castelos fortificados, próximos entre si, em torno dos quais surgiram cinco aldeias, assentadas em minúsculas baías ou encravadas no alto de rochedos.
Todas são formadas por antigos predinhos coloridos e guardam preciosidades de sua história, sobretudo nas igrejas e castelos, tornando-as, nos últimos anos, um dos mais atraentes destinos turísticos italianos. Uma das atrações interessante é a ‘estrada do amor’ (Via dell’Amore) que tem sua história ligada à ferrovia Gênova – La Spezia. Era usada no início de 1900 para depositar o material utilizado na construção da galeria ferroviária entre Riomaggiore e Manarola.
O melhor modo de visitar Cinque Terre, após Monterosso al Mare, é a pé, percorrendo assim, o chamado “Sentido Azzurro” (cerca de cinco horas), conhecendo todos os vilarejos. Mas essa empreitada é para os jovens que vêm com apetrechos apropriados e calçados especiais, etc. Para nós, bastou percorrer quinze minutos e já nos sentamos no primeiro banco do caminho e ali ficamos apreciando a paisagem até o sol afundar-se no horizonte, fazendo com que o mar ficasse dourado.
 Fizemos, em outros dias, através do trem, a ligação com outras vilas, para não nos apressarmos na volta e ficarem sem conhecer lugares imperdíveis.
Monterosso al Mare: Dentre as aldeias é a que dispõe de melhor infraestrutura turística, com a vantagem de ter uma praia de verdade e um porto, ambos pequeninos. Nas suas ruazinhas, as casas são, às vezes, ligadas entre si por passagens nos andares superiores, com ares românticos das medievais vielas. Para conhecer melhor suas encostas, entramos em um micro-ônibus, dirigido por uma mulher que nos dava informações sobre o trajeto na montanha e pudemos apreciar uma colheita de azeitonas muito interessante: as pessoas colocavam uma manta sobre o chão e um moleque chacoalhava as árvores para que caíssem e fossem coletadas.
Vernazza: Fica em um vale estreito, por onde corre um rio do mesmo nome, num ponto bem abrigado, protegido por um castelo no alto de um promontório. De sua torre se tem uma excelente vista da região. É o principal porto dos vilarejos. Com seu labirinto de pequenas ruas, escadarias e passagens cobertas, foi, para nós, a mais graciosa. Ali, pudemos entrar em uma igreja gótica para agradecer por mais essa viagem. É a mais popular e quase tão bela quanto Portofino. Possui um ar majestoso e árvores cuidadosamente colocadas, que se alinham na beirada da praça do cais. Ao passar de um local para outro através de um túnel, ouvimos ecos de uma bela canção que vinha não sei de onde. Ao contemplar o final do túnel, enxergamos um pianista que tocava canções lindas em troca de alguns euros que as pessoas depositavam em seu chapéu colocado no chão.
Corniglia: Está a 100 metros acima do mar, é a mais antiga e tranquila das vilas e tem vistas espetaculares. É a única que não possui um ancoradouro; fica encravada no alto de um rochedo, no meio de vinhedos. Do alto, escuta-se o som abafado dos trens passando pelos túneis. Aproveitando a vista exuberante, paramos para almoçar ali.
Manarola: Este vilarejo fica sobre uma falésia à beira-mar e é acessível, a pé, a partir de Riomaggiore pela via dell’Amore. Está repleta de vinhedos em terraços, sobre as colinas acima da aldeia, de onde avistávamos os barcos de pesca que, após retornarem do alto mar, paravam nas ruas estreitas, uma vez que não tem ancoradouro natural e nem edificado pelo homem.
Riomaggiore: É um minúsculo povoado no fundo de uma baía apertada entre rochedos, com uma rua principal subindo a encosta. O melhor jeito de chegar ao povoado é por mar, mas há um acesso por terra a partir de La Spezia. De lá, há o caminho “via dell’Amore” até Manarola, que pode ser percorrido em aproximadamente meia hora, passando pelos rochedos perto do mar. Uma aventura que não nos propusemos a fazer.
Após concluirmos todas as vilas de Cinque Terre, ficamos imaginando que um dos desafios das autoridades é com o declínio de residentes, pois conta com uma população antiga que, aos poucos, está desaparecendo e, os jovens não têm apego à terra, buscando novas oportunidades em outras fronteiras, sendo necessário, nas épocas turísticas, importar mão de obra temporária de outras localidades. Penso que, com o correr do tempo, existe o perigo de se perderem as tradições culturais, como ir à missa diária em uma das igrejas góticas, de que já falamos. Foi bonito ver todas as janelas com uma rosa desenhada, indicando um símbolo de prosperidade. Uma das culturas desse agrupamento de vilas é falar sobre vinhos e também degustá-los, o que fizemos nos terraços naturais cultivados, após uma pequena lição de um fabricante sobre o cultivo da uva.

Após concluirmos as visitas em todas as vilas de Cinque Terre, programamos mais dois lugares famosíssimos, sempre efetuando o percurso de ida e volta de trem.

Santa Margherita Ligure: É bastante glamorosa, diferente das pequenas vilas sossegadas de Cinque Terra.
Faz parte da região da província de Gênova, com cerca de 10.000 habitantes. Possui uma atmosfera animada, o que comprovamos em um dos bares onde tomamos um belo cappuccino e também em um restaurante onde fizemos uma pausa para um almoço, no ‘ristorante Antonio’. Possui lugarejos tranquilos exibindo uma estupenda praça com monumentos típicos aos descobrimentos. Sua orla é maravilhosa, mostrando magnificas casas de veraneio em suas encostas. Serve, para os turistas, como uma base para alcançar Portofino.
Após um breve descanso partimos para Portofino. Há apenas uma estrada que fica na ponta sul do triângulo. A viagem entre as duas cidades foi feita de ônibus e levou cerca de quinze minutos.
O PROMONTÓRIO PORTOFINO  
Esse pedaço de costa com apenas 530 habitantes compõe um triângulo que divide o Golfo Paradiso e o Tigullio. Na década de 1950, foi o lugar preferido das estrelas do cinema e as vilas onde permaneciam ainda têm um charme sofisticado, trazido pelo pessoal de Gênova que vem fazer turismo e contemplar o lindíssimo mar e sua posição geográfica. Após um breve reconhecimento do local, fomos caminhando até o pequeno cais onde está a maioria dos restaurantes. Sentamo-nos em um banco perto da igreja e, virados para o Golfo Paradiso, observamos o vai e vem de alguns poucos turistas que se aventuravam a comprar produtos nas lojas.
Caminhamos mais um pouco e, no final do cais, voltamos nossas vistas para o Mosteiro de San Fruttuoso; é o resquício mais antigo do império beneditino que administrava as igrejas do triângulo e ficou encravado na costa. O local só é acessível de barco ou a pé.
Voltamos já no período da tarde, de ônibus, pela mesma estrada, rumo a Santa Margherita. De lá, apreciamos mais uma vez a orla, enquanto aguardávamos o trem que nos levou para Gênova onde estávamos sediados, terminando assim, esses belos passeios pela Riviera Ligure, quase todo montanhoso, caindo abruptamente sobre o mar.

 Veja outros textos formatados acessando: http://sergrasan.com/toninhovendraminislides/



Os Sonhos dos Emigrantes Italianos







A taça de vinho repousava sobre a mesa, a preguiçosa cadeira de balanço embalava os meus sonhos. Naquele mágico ambiente, soavam belas e antigas músicas, uma delas com o título de Lágrimas Napolitanas. Falava da partida angustiada dos imigrantes italianos do velho porto de Nápoles para terras desconhecidas, buscando um futuro melhor para os seus descendentes.

O destino era a América do Sul, mais precisamente o Brasil, onde a princesa Isabel abrira fronteiras para substituir a mão-de-obra escrava, por imigrantes europeus.

Em devaneio, lembrei-me que lá estive a caminho da Ilha de Capri. Naquela ocasião, enquanto aguardava a chegada ao navio, fiquei “plantado” no cais, imaginando como tinha sido a partida daquelas criaturas.

Enquanto minha mente divagava, enxergava ao fundo, na Baía de Nápoles, o velho vulcão Vesúvio, que expelia um pequeno rolo de fumaça, levando-nos a crer que, a qualquer momento, poderia abrir fogo, como na ultima vez em 1944.

A canção entorpecia meus ouvidos, culminando em um trecho que dizia:

E nce ne costa lacreme st’ América
Quantas nos custa lágrimas esta América

A nuie napulitane…
A nós, Napolitanos!

Pe nuje ca ce chiagnimmo’o cielo’ e Napule,
A nós aqui que choramos do céu de Nápoles,

Comme’ é amaro stu ppane!
Como é amargo este pão!

Ca a poco a poco
Que pouco a pouco...

Me consuma o core
Consome o meu coração

Paura ca me strue’sta malatía
Medo que me atormenta, esta doença.

Senza vedé cchiu Napule
Sem poder ver mais Nápoles

Tanto meus avôs paternos e maternos não eram Napolitanos, mas vieram, com muito sacrifício, de seus vilarejos, com crianças no colo e na barriga, cujas “comunas” eram as cidades de Veneza e Treviso, para embarcar do Porto de Nápoles.

A Itália de antigamente, que ainda não era um País, tinha suas terras habitadas em pequenos reinos por vários povos, muitas etnias, espalhados pelas planícies e montanhas.

Tinham o seu próprio governo, através de homens guerreiros, com um líder, que se perpetuava no poder até a morte. Os objetivos eram as conquistas dos lugarejos por onde passavam, agregando tudo o que encontravam pela frente.

Imperava a lei do mais forte: o comando ficava com o patriarca da família onde estavam os guerreiros, que se destacavam nas lutas. A ampliação do poder se desenhava na ambição da conquista do povo mais próximo, até que foram ficando regiões poderosas.

Constituídas as regiões, veio a necessidade de um único reinado, que se transformou na Itália dos nossos dias. Em 1860, ocorreu a unificação política; desde então, os membros da família real da casa de Savóia tomaram o poder.

Após o fim da era Mussolini, em 1948, entrou em vigor a nova Constituição, que adotou o sistema parlamentar para a forma republicana do governo, com o rei da Itália, Vittorio Emmanuele III, exilando-se voluntariamente.

A Itália é a terceira economia da Europa e a quinta do mundo. Deve boa parte deste seu sucesso ao grande trabalho feito pelos seus filhos e descendentes que lá vivem e de outros espalhados pelo mundo afora.

Minha contribuição é quase nada para tudo isso, mas o sangue europeu fala alto nessa hora, ainda mais que estive por lá várias vezes, fascinado com suas tradições.

Quando caminhei por Veneza (que fica na região de Veneto) pela primeira vez, com a minha companheira que também descende da raça, ficamos emocionados ao pisar o solo dos nossos antepassados. Por força do destino, fiquei sabendo, após o regresso, que existe um antiquíssimo castelo, atualmente revitalizado, em que funciona, hoje, um museu/hotel, bem atrás da catedral da Praça de São Marcos, que pertenceu à família Vendramini. Planejamos, então, visitá-lo em uma próxima viagem, para fazer uma pesquisa da origem.

Depois de algum tempo, retornamos a bela Veneza de forma rápida, somente um dia e, desta vez, avistamos essa maravilhosa cidade do alto de um transatlântico.

No desembarque, percorremos, com um “vaporetto”, o Grande Canal, na esperança de vê-lo, mas o tempo foi cruel conosco, não restava mais tempo para fazer a busca, porque já era noitinha e o transatlântico partiria dentro de hora e meia.

Mais uma vez estivemos naquela terra, só que agora em outra direção, percorrendo Roma, Milão, Verona, Como, Bellaggio e Malpesa. Assim sendo, a visita ao castelo certamente vai ficar para outra oportunidade e com mais tempo.


Essa forte referência da terra e do idioma fez com que lhes dirigisse uma homenagem, escrevendo e contando suas memórias, que eu ouvia com muita atenção, quando eu era um adolescente, sentindo agora a necessidade de falar dessa forte ligação através de um livro, que se encontra em andamento, intitulado “A Última Visão de Um Caboclo”.


O CAMINHO DA CRUZ

O CAMINHO DA CRUZ Tudo estava quieto... Naquele momento, pressentia-se que alguma coisa pudesse acontecer a qualquer instante;...