segunda-feira, 19 de maio de 2025

ROMA ETERNA: SOB A CÚPULA DO TEMPO

O TEATRO DOS SÉCULOS

Imagine-se chegando ao coração pulsante da velha Roma. O céu se abre como uma pintura renascentista, e ali, diante de seus olhos, o Pantheon se ergue com sua imponência atemporal. Mas o que poucos sabem é que esse monumento carrega mistérios, lendas e histórias que resistiram ao tempo—e agora, você faz parte delas.

O Óculo e a Chuva Sagrada

Ao atravessar as imponentes colunas de mármore e adentrar o Pantheon, uma curiosidade logo chama atenção: sua monumental cúpula, aberta ao céu, parece desafiar as leis da natureza. Diz-se que, apesar da abertura circular, a chuva nunca toca seu interior. Para alguns, é um efeito arquitetônico surpreendente; para outros, uma intervenção divina. Ao estar lá, será que você testemunharia esse fenômeno com seus próprios olhos? Talvez a resposta esteja reservada para os mais atentos.

O Descanso de Rafael

Talvez você se aproxime de um dos túmulos mais reverenciados no interior do Pantheon. Rafael, o grande mestre renascentista, descansa ali, como se soubesse que sua arte encontraria refúgio no monumento que inspirou tantos criadores. Há quem diga que, em noites silenciosas, os ecos da cidade despertam sua presença, como se sua alma quisesse contemplar sua obra uma última vez. Ao caminhar por ali, será que você sentiria a energia desse legado?

A Maldição dos Reis

O Pantheon guarda os restos dos últimos reis da Itália, mas há quem acredite que o destino dos monarcas ali sepultados é marcado por um mistério. Dizem que, desde que Victor Emanuel II foi enterrado no local, as sombras das colunas parecem se estender mais do que deveriam. Para os supersticiosos, isso representa um aviso: aquele que desafia a eternidade do Pantheon pode carregar um fardo desconhecido. Será que você conseguiria notar essa sutil mudança na luz ao passear pelo monumento?

O Pantheon como Teatro dos Séculos

Ao longo da história, o Pantheon foi palco de momentos grandiosos. Desde cerimônias religiosas e encontros filosóficos até celebrações secretas que poucos registraram. Dizem que antigos poetas sentavam-se em suas escadarias para declamar versos sobre Roma. Você, agora inserido nessa história, se tornaria parte dessa tradição? Talvez, ao inspirar-se em sua grandeza, seu próprio pensamento se entrelace ao dos grandes nomes que pisaram ali.

O Suspiro dos Deuses

Conta-se que, no momento da inauguração do Pantheon, o próprio imperador Adriano ficou em silêncio, aguardando o primeiro raio de luz atravessar o óculo da cúpula. Dizem que ele acreditava que o templo havia sido abençoado pelos deuses, pois sua arquitetura representava a harmonia entre o cosmos e a Terra. Você, que agora caminha por seu piso de mármore, poderia sentir essa conexão estelar? Será que o espírito de Adriano ainda observa cada visitante que cruza suas portas?

Roma não é apenas um destino—é um portal para o tempo. E ao cruzar as portas do Pantheon, cada visitante se torna parte de sua narrativa eterna. Ao explorar seus mistérios, será que você encontrará a sua própria conexão com a história? 

 

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Às vezes, basta abrir a janela para viver uma história. E é essa uma jornada de aprendizado e aperfeiçoamento. 

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PLANEJE SEUS PASSOS



PLANEJE SEUS PASSOS


Um pequeno riacho é calmo e relativamente inofensivo,
mas vários riachos podem se agrupar
e formar um poderoso rio de enorme força.

Uma leve garoa é macia e agradável,
mas quando unidas podem formar tempestades
capazes de derrubar grandes prédios.

Coisas grandes são formadas de pequenas coisas.

Para aprender a controlar as grandes coisas,
deve iniciar fazendo as pequenas e fazê-las repetidas vezes.

Isto é como colocar um tijolo sobre o outro,
devagarzinho vai se formando uma sólida e forte parede.

É colocar os pensamentos no papel,
 e formar uma obra-prima.
Toda realização é construída de pequeno passo.

Planeje seus passos,
e então dê o primeiro e depois outro.
E você conquistará seus objetivos.

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sábado, 17 de maio de 2025

O INSTANTE QUE RESUME UMA VIDA

O  OLHAR  DO  ESCRITOR


Passei boa parte da noite mergulhado em pensamentos. As lembranças da minha trajetória profissional ainda estavam vivas na memória, como se ecoassem no silêncio da madrugada. Ao despertar no dia seguinte—bem depois do horário habitual—percebi que aquele não era um dia qualquer. As homenagens recebidas na véspera, marcando minha aposentadoria, ainda pulsavam em meu coração, transbordando emoção.

O canto dos pássaros matinais misturava-se com as palavras de apreço que ecoavam na minha mente. Por tantos anos, dediquei-me ao trabalho com empenho e determinação, garantindo não apenas minha subsistência, mas também o bem-estar da minha família. O sucesso que alcançamos foi fruto do esforço conjunto, e essa certeza enchia-me de orgulho e satisfação.

Mas e agora? Qual caminho deveria seguir? Essa pergunta me acompanhou ao longo do último ano da minha atividade profissional. Eu precisava encontrar algo que preenchesse minha mente e me proporcionasse um lazer criativo. Após muitas reflexões, compreendi que a escrita era a resposta—uma paixão que já cultivava nos momentos de folga. E que melhor maneira de começar do que contar a saga do meu avô italiano, que desbravou terras brasileiras com coragem e esperança? Talvez essa história pudesse, um dia, se tornar um livro.

À medida que escrevia, memórias do cotidiano e aventuras ao redor do mundo começaram a emergir. O desejo de registrar essas experiências me levou a colecioná-las em contos, prosas, poesias e poemas, muitos dos quais naturalmente se transformaram em crônicas.

Foi então que recebi um convite para compartilhar meus textos em um site. O retorno positivo, com um número expressivo de leitores, abriu novas portas. Passei a contribuir para antologias, revistas e jornais, tornando-me, sem perceber, um cronista.

Mas afinal, o que é uma crônica? Minhas pesquisas revelaram que o termo vem do latim chronica e, segundo estudiosos, nos tempos medievais, era utilizado para narrar eventos em ordem cronológica. Dessa forma, servia como um registro documental, preservando acontecimentos para a posteridade.

Com o passar do tempo, a crônica adquiriu uma essência literária mais leve e dinâmica, entrelaçando elementos poéticos, líricos e até fantasiosos. Hoje, está presente em jornais, revistas e, cada vez mais, no universo digital, mantendo sua essência vibrante e conectada aos acontecimentos do dia a dia.

Diferente de uma notícia, a crônica não precisa ser escrita por um jornalista; ela pertence ao olhar do escritor, que dá vida aos fatos com uma narrativa envolvente e imaginativa. Os personagens podem ser reais ou fictícios, e o cronista é, acima de tudo, um observador atento, que traduz a sociedade com sensibilidade e criatividade—sempre em busca de um tema que desperte a curiosidade dos leitores.

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quarta-feira, 14 de maio de 2025

UMA VIAGEM PARA ATENAS NA GRÉCIA ANTIGA

 

A PROCURA POR DIONISIO, O TEATRO.

O teatro, na Grécia antiga, teve suas origens ligadas a Dionísio, divindade da vegetação, da fertilidade e da vinha. Durante as celebrações em honra ao ‘Deus’, em meio a procissões e com o auxílio de fantasias e máscaras, eram entoados cantos líricos, que, mais tarde, evoluíram para representações plenamente cênicas, como as que, hoje, conhecemos através de peças consagradas.

Seu florescimento ocorreu e foi cultivado em Atenas, que também conheceu o seu esplendor, e espalhou-se por todo o mundo de influência grega.
Sua tradição foi herdada pelos romanos, que a levaram até as suas mais distantes províncias, sendo uma referência fundamental na cultura do ocidente até os dias de hoje.

Essa introdução que fala do teatro grego é para relatar uma situação curiosa e engraçada acontecida nas ruínas desse local, em uma viagem que eu e minha esposa realizamos, quando visitamos a Grécia.

Iniciamos nossa viagem saindo do porto de Pireaus em Atenas, em um transatlântico com bandeira grega chamado de Royal Olimpic Cruises, navegando pelo mar Jônico, parando, inicialmente, na ilha grega de Corfu. Posteriormente, veio a romântica italiana Veneza e também a medieval Dubrovnik, na Croácia.

No mar Egeu, o transatlântico cruzou o pitoresco estreito de Dardanelos, navegando pelo mar de Mármara até o estreito de Bósforo, aportando na exótica Istambul, na Turquia. No retorno, rumamos até as famosas ilhas gregas Mykonos e Santorini e, depois, para Atenas.

Em terra firme, visitamos Atenas, capital da Grécia e berço da civilização. É uma cidade cheia de vida, onde o antigo e o moderno coexistem. Começamos o primeiro dia de passeios, partindo do centro da cidade em uma viagem de metrô, com destino à estação de Acrópolis. Ali fica todo o complexo das ruínas, destacando-se o majestoso Parthenon, erguido por cima da cidade cuja glória ainda é visível nas suas pedras gastas.

Antes de iniciarmos o passeio, realizado em dois longos dias, adquirimos uma cartela em forma de bilhete que é fracionado para cada templo ou ruína do complexo visitado.

O primeiro local foi o templo Erechtheion, de onde se podia desfrutar um visual magnífico; logo, em uma de suas extremidades, nos detemos no belo pórtico de Karyatids, em que as deusas em forma de estátuas “seguram” o que restou da cobertura; depois, veio o teatro de Odeon, no qual, até hoje, acontecem espetáculos noturnos de rara beleza, em um palco adaptado nas ruínas.

No local, notava-se, desde muito longe, os focos de luzes sobre as muralhas, com o som reverberando por todo o morro, dando a impressão de que os deuses todos se reuniram naquele momento para anunciar toda a magnitude de uma época que ficou distante do nosso atual calendário.

No segundo dia, começamos pelo templo Athena Nike e outros mais, até que encontramos o tão aguardado museu da Acrópolis. Foi tanta emoção que quase perdemos o fôlego ao ver os vestígios de extrema beleza! Entrava em nossas mentes uma mistura de emoção e culto à cultura que, armazenando imagens, ficarão para sempre gravadas em nossas lembranças. Foi tudo muito deslumbrante, a história desfilava ante nossos olhos.

Caminhando pelos corredores, vislumbramos um portal esplendoroso onde contemplamos as estátuas dos deuses que estavam no alto do Parthenon e que foram derrubadas por um forte terremoto; os fragmentos foram montados e expostos no museu, onde estavam sob uma robusta proteção eletrônica.

Nesse momento, o som estridente de uma sirene ecoou pelo local; alguém deve ter tocado em um dos artefatos e o alarme foi disparado. Olhando para frente, percebi que fora minha esposa quem havia tocado em um dos objetos, pois vi um dos seguranças do local advertindo-a, explicando que, em todo o recinto, havia alarmes extremamente sensíveis.

Depois do corre-corre, falamos em “enrolês” (mistura de inglês e português), que não sabíamos ler aqueles cartazes na língua grega alertando sobre o alarme. Foram muitas risadas, mas seguimos adiante para uma última parada que seria o teatro Dionísio.

Anda para lá, para cá, perguntávamos alguma coisa e só recebíamos informação na língua grega. Ali, naquele momento, percebemos que o ditado existente no Brasil “tá falando grego?” é a pura verdade, pois não entendíamos uma só palavra.

Descemos um morro e chegamos à entrada do complexo e perguntamos de novo para um transeunte - parecia uma figura de outros tempos, vestindo trajes da antiquíssima civilização.

Arrisquei um inglês meio maroto e ele respondia em grego; ou seja: não entendíamos nada! Depois de muitas tentativas, começamos só a falar: DIONÍSIO, DIONÍSIO, DIONÍSIO! Nesse momento, apontou com o dedo para o outro lado do complexo; era uma rua com muitos veículos e, para atravessar, foi um sufoco, pois o trânsito grego é de arrebentar qualquer pedestre e motoristas estrangeiros que se metem a dirigir por lá.

Fomos para lá ver o tão aguardado teatro, mas percebemos que saímos do complexo; estávamos em uma rua com aquele trânsito louco... Então, avistamos um letreiro bem grande “DIONISIO’S – TYPICAL RESTAURANT, GREEK FOOD” (Restaurante Dionísio, comida típica grega).

Demos belas gargalhadas e retornamos ao complexo, em busca do teatro, até que vimos umas estátuas simbolizando a época, emoldurando o palco que se parecia com uma arena; enxerguei até uma placa escrita em grego, (só entendi Dionísio), indicando o local. 

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terça-feira, 13 de maio de 2025

O LIMIAR DE UMA NOVA ERA - PAPA - LEÃO 14. - O PAPA DO FUTURO


O PAPA DO FUTURO

Essa narração não é bem a trajetória real dos acontecimentos... Na minha visão de escritor, a imaginação campeia solta em busca de um bom motivo para escrever uma crônica ou um conto, mas o fato da morte desse grande estadista foi verdadeiro. Estou falando do Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio.

O seu longo pontificado, marcado por humildade e dedicação aos mais pobres, chegou ao fim. Sua morte, aos 88 anos, deixou o mundo em luto. Aquele homem, já considerado por muitos como um símbolo de compaixão e diálogo, necessitava transmitir sua última mensagem ao mundo. O povo, reunido em orações na monumental Praça de São Pedro, aguardava, em silêncio, o momento final.

Francisco, em seus últimos dias, refletia sobre sua jornada como líder espiritual de 1,4 bilhão de fiéis. Sua luta por justiça social, paz e cuidado com a criação foi um marco de seu papado. Mesmo debilitado, ele manteve sua fé inabalável e sua missão de unir os povos.

Em sua cabeceira, encontravam-se seus assessores diretos, alguns em fervorosas orações, outros já providenciando o protocolo para os dias que se seguiriam ao seu funeral. Ele estava ali, inerte, mas sua presença espiritual parecia preencher os intramuros de seu reduto religioso.

Na porta de seus aposentos, os tradicionais guardas suíços mantinham sua vigília, com seus uniformes coloridos e alabardas, como há mais de quinhentos anos. A cena era de respeito e reverência.

A Praça de São Pedro, que tantas vezes ecoou suas palavras de esperança, agora era palco de um silêncio profundo. O povo, em uníssono, entoava cânticos de louvor ao seu legado. "Santo Súbito", murmuravam alguns, relembrando o impacto de suas ações.

Após o sepultamento, os cardeais de todo o mundo começaram a se reunir na Capela Sistina para o conclave. A fumaça preta, sinalizando a ausência de decisão, pairou por dias. Mas, finalmente, a fumaça branca anunciou: "Habemus Papam!". O sucessor de Francisco, escolhido em meio a orações e reflexões, assumiria a missão de continuar seu legado.

A profecia de que um Papa negro seria eleito não se concretizou. O mundo aguardava um marco histórico, um símbolo de inclusão e renovação. Mas, em vez disso, a Igreja viu surgir um novo líder com outra missão: Papa Leão 14.

O Cardeal Robert Francis Prevost, nascido nos Estados Unidos e com forte ligação com o Peru, foi escolhido para liderar a Igreja Católica. Sua eleição trouxe consigo um novo capítulo, um pontificado que promete dar continuidade ao legado de Francisco, com um olhar atento à justiça social e à paz mundial.

O impacto da chegada de Leão 14

Desde sua primeira aparição na varanda da Basílica de São Pedro, Leão 14 demonstrou que sua missão seria de continuidade e renovação. Seu discurso inicial trouxe palavras de humildade e compromisso, reafirmando o desejo de construir uma Igreja mais próxima dos fiéis e sensível às questões da sociedade moderna.

A escolha de seu nome não foi acidental: inspirado em Leão 13, conhecido por seu papel fundamental na Doutrina Social da Igreja, ele já sinalizava um papado voltado para os desafios do mundo contemporâneo, da pobreza à inteligência artificial. Essa nova era promete fortalecer o diálogo com diferentes religiões, incentivar o papel da juventude dentro da Igreja e reafirmar a importância da inclusão.

As primeiras decisões de seu pontificado começaram a moldar sua identidade. Seu olhar para a América Latina reflete sua preocupação com comunidades historicamente marginalizadas, reforçando o papel da Igreja na luta pela dignidade humana. Além disso, sua relação com os avanços tecnológicos desperta curiosidade: como será a Igreja sob seu comando em meio às transformações digitais e sociais?

O mundo observa, atento, os primeiros passos desse novo pontificado. O impacto de sua liderança não se restringe ao Vaticano; reflete-se em cada canto onde a fé toca corações. A esperança renasce, e a Igreja Católica segue sua jornada, guiada por um novo pastor que carrega, consigo, o peso da tradição e a promessa do futuro.

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sábado, 10 de maio de 2025

A MAGIA DAS CORES QUE DESAFIAM AS ESTAÇÕES

Flores do Inverno



Descubra a magia das flores que desafiam as estações! 

Mesmo no inverno, a natureza nos presenteia com cores e beleza inesperadas. Explore esse encantamento e conheça as histórias das árvores que transformam paisagens e emoções.

A riqueza da flora brasileira desabrocha com todo vigor na primavera, encantando os olhos dos mais exigentes. É uma época colorida e perfumada, um descanso para os sentidos, onde nos rendemos à explosão de cores que compõem nossa aquarela tropical.

Entretanto, essa ideia tão enraizada na memória coletiva carrega seus mistérios. Mesmo no inverno, estação tradicional do frio, muitas flores seguem em plena exuberância. Basta observar a chácara onde moro, onde diversas espécies desabrocham, desafiando a lógica das estações.

A presença constante das flores transforma qualquer ambiente, criando um magnetismo no ar. Elas despertam sorrisos, inspiram gentileza e perpetuam uma beleza poética que toca os sentimentos mais profundos. A simbologia das flores exerce grande influência sobre nós, e por isso devemos cultivá-las com carinho, oferecendo-lhes cuidado e até palavras de afeto, como se fossem amigas que compartilham nossas emoções.

Entre todas, há uma flor que nunca deixo de admirar: a cerejeira. Lembro-me de uma viagem pela rodovia Rio-Santos, onde me deparei com uma imensa florada na serra, um espetáculo raro e inesquecível. Sensível por natureza, suas pétalas caem ao menor toque, e sua floração ocorre apenas uma vez por ano. No Brasil, encontramos cerejeiras em Campos do Jordão e até nas calçadas de Bariloche, na Argentina, onde suas delicadas flores caem suavemente sobre a neve.

Originária do Japão, a cerejeira se adaptou ao clima frio da Serra da Mantiqueira, tornando-se um símbolo de resistência e beleza. Mas ela não está sozinha. Outras árvores também proporcionam um espetáculo visual durante o inverno, como o ipê, que colore ruas e avenidas com suas vibrantes flores amarelas, roxas e rosas. Seu nome, na língua indígena, significa “casca grossa”, uma referência à sua robustez.

Na entrada de nossa casa, no Villagio Di Treviso, temos dois ipês que, ao florescerem, transformam a paisagem em um cenário digno de álbuns fotográficos. Os vizinhos e visitantes não resistem a registrar sua beleza, que transmite espiritualidade, leveza e encanto.

O inverno pode ser visto como uma estação de recolhimento, mas para muitas árvores, ele é um momento de esplendor. Do Norte ao Sul do Brasil, milhares de espécies desafiam o frio e enfeitam a paisagem, contribuindo para o equilíbrio do nosso ecossistema e para a poesia da vida.


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sexta-feira, 9 de maio de 2025

NO COMPASSO ENCANTADO DA NOITE





Uma crônica sobre os mistérios e encantos da vida noturna em um recanto silencioso.

Naquela tarde sonolenta do início de abril, a noite chegou vestida de mistérios. Foi se derramando madrugada adentro, trazendo consigo sons discretos — e fascinantes — dos pássaros e animais noturnos que habitam o meu recanto.

Do silêncio que imperava, surgiu de repente o canto peculiar de uma coruja, que há dias vinha se abrigando em um dos galhos próximos à janela do meu quarto. Parecia, quem sabe, estar chamando por um parceiro para compartilhar a noite.

Com seus sons suaves e insistentes, ela espalhava no ar algo mais do que simples cantos — talvez uma química invisível. E não é que funcionou? Logo outra coruja se aproximou no mesmo galho, formando um improvável casal sob o véu da noite.

Imagino que, com a chegada, tenha começado um discreto namoro, em que os piados iam ganhando intensidade e ritmo, até explodirem num agudo e vibrante repique. Eu, desperto, acompanhava a pequena sinfonia com certa admiração, notando a variedade quase musical daqueles sons.

O sono já tinha me deixado. Restava apenas aproveitar o espetáculo involuntário e torcer para que logo a serenata silenciasse.

É curioso como a noite revela sons que quase nunca percebemos.

Passaram então a se destacar os latidos dos cachorros errantes pelas ruas do meu condomínio. Alguns pareciam alertas, quase desesperados; outros, como se apenas respondessem com certa calma. Fiquei pensando: o que será que provoca tamanha reação nos cães?

Não demorou e presenciei, ao abrir a janela, uma cena que explicava toda a agitação: uma raposa faminta atravessava o gramado carregando um pequeno roedor na boca — sucesso na caçada e garantia de alimento para os filhotes.

Logo depois, mais uma cena surpreendente: um gato, silencioso e ágil, subia por uma árvore em direção ao casal de corujas. Também ele, caçador nato e noturno, mirou com precisão e — num salto certeiro — abocanhou uma das aves, que descansava desprevenida.

No galho, restou apenas a outra coruja. Emitiu sons longos e tristes, quase lamentosos, como se expressasse a dor da perda. Um momento melancólico, mas parte inevitável da dança natural da vida. A cadeia alimentar tem suas regras duras — e imparciais.

Já alta madrugada, o silêncio foi, por fim, interrompido por outro som conhecido: o canto enérgico do meu galo. Em sua primeira manifestação do dia, ele soltou um vigoroso “cocoricó”, despertando aqueles que nele confiam como despertador. E ele não parou por aí — foram treze cantos seguidos! Um exagero para quem não conseguiu pregar os olhos...

No meio de tantas emoções, comecei a rir sozinho. Seria possível que meu galo estivesse tentando acabar com aquela barulheira toda? De certo modo, funcionou. Após sua cantoria, tudo silenciou — até os últimos grilos pareceram recolher-se.

Desde aquele dia, passei a chamá-lo carinhosamente de o “corneteiro da paz”. Curiosamente, nas noites seguintes, os sons noturnos cessaram — ou talvez eu apenas tenha adormecido mais cedo, embalado por uma paz recém-descoberta.


Você também já teve uma noite em que a natureza foi a grande protagonista?
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quinta-feira, 8 de maio de 2025

O CAIXEIRO VIAJANTE E O SARGENTO




DEPOIS DO JANTAR COMEÇOU ARRUMAR A MALA

Valdemar era um paulistano da gema, homem educado e bem vivido. Sempre impecável, trajava ternos alinhados, mantinha a barba e o cabelo aparados, unhas cortadas e sapatos engraxados com brilho de espelho. Como caixeiro-viajante, sabia que a primeira impressão fazia toda a diferença, e, antes de visitar clientes, aplicava uma loção discreta, garantindo que sua presença fosse memorável.

Tinha o dom da persuasão e uma clientela fiel espalhada pelo interior do estado e pelo sul de Minas Gerais. Seu talento para vender produtos vinha não apenas de sua eloquência, mas da forma elegante como conquistava seus fregueses.

Na manhã de segunda-feira, enquanto se preparava para sair, disse à esposa, Alzira, que o ouvia com um sorriso no rosto:

— Hoje à noite viajo para o sul de Minas. Volto na quinta-feira. Prepare um bom jantar, porque vou sentir falta da sua comida.

Chegou apressado para jantar por volta das oito da noite, querendo se acomodar rapidamente para assistir ao jogo de seu amado Corinthians, onde Ronaldo Fenômeno prometera marcar dois gols. Entre garfadas e goles de suco, Valdemar antecipava sua torcida.

Depois do jantar, começou a arrumar a mala. Entre uma peça de roupa e outra, dividia sua atenção com o jogo. Sempre que parecia monótono, corria para o quarto pegar mais roupas, garantindo que não perderia nenhuma jogada importante. Foi então que Ronaldo marcou o primeiro gol, e Valdemar veio correndo para a sala, lamentando:

— Maldição! Perdi o gol! Será que vão repetir a jogada?

Na repetição, vibrou e provocou Alzira:

— Não é que o gordo está cumprindo a promessa? Só falta mais um!

Em meio à empolgação, lembrou-se de pegar um par de sapatos sobressalentes. Abriu a sapateira e, no momento em que segurava o calçado, ouviu o locutor gritar animado:

— Gol de Ronaldo!

Valdemar correu para a sala, pulando como um garoto, abraçou Alzira e, no meio da empolgação, jogou-lhe um tapa brincalhão.

Foi então que, ao tentar guardar os sapatos, percebeu que estavam sujos. Queria trocá-los, mas o jogo estava tão emocionante que desistiu. Decidiu limpá-los depois e os deixou perto da cortina, junto à parede.

— Vou embora. Beijo, amor! Vou ouvir o resto do jogo no rádio do carro.

Saiu apressado, enquanto Alzira, já sonolenta, foi para o quarto. Mas, no meio da madrugada, foi despertada por vozes estranhas.

Sentiu o coração acelerar. Seria um ladrão?

Foi na ponta dos pés até a sala, onde o som persistia. “Valdemar foi embora e não desligou a TV”, pensou aliviada. Mas, quando se aproximou, viu, sob a cortina, os sapatos que ele esquecera. O sangue gelou.

“Aquilo não é só um sapato… tem alguém atrás da cortina!”

O medo tomou conta. Com mãos trêmulas, discou o número da polícia e pediu urgência. Quinze minutos depois, bateram à porta.

Era o sargento Nepomuceno, um homem corpulento e de expressão rígida.

— O bandido ainda está aqui? — perguntou, sacando o revólver.

— Sim! Veja ali, atrás da cortina!

Com precisão, Nepomuceno avançou na ponta dos pés. Em um movimento rápido, puxou a cortina, pronto para dar voz de prisão…

E encontrou o quê? Nada. Apenas o par de sapatos.

Alzira ainda tremia, mas logo caiu na risada, percebendo o equívoco. O sargento relaxou, mas seus olhos passaram a percorrer lentamente o corpo da mulher, observando cada detalhe com uma intensidade desconfortável.

Ele prolongou a conversa, pedindo café, elogiando a casa, desviando o olhar para a peça de roupa íntima que contrastava com o tecido preto da capa rendada.

— Sabe, dona Alzira, sustos assim fazem a gente precisar de um bom café. E se tiver algo doce, melhor ainda.

Ela percebeu a indiscrição e rapidamente encerrou a conversa, sem atender ao pedido. Mas o sargento não se deu por vencido e continuou ali, como se esperasse que a situação lhe oferecesse uma chance maior.

— Esse tipo de situação deixa a pessoa nervosa… Bom mesmo seria um copo d’água para acalmar.

Ainda hesitante, Alzira virou-se para pegar a água, mas com a sensação incômoda de que os olhos do sargento a seguiam como uma sombra. Quando voltou, ele sorriu com um jeito que parecia ultrapassar o limite da mera gentileza.

— Ah, dona Alzira, como tem gente descuidada por aí, não é? Melhor manter as portas bem trancadas.

Ela agradeceu e pediu que ele se retirasse, tentando esconder o desconforto que tomava conta dela. Sem alternativa, Nepomuceno saiu, mas Alzira sabia que não seria a última vez que o veria.

Passado mais um dia, escutou batidas na porta da sala. Ficou temerosa e verificou se estava vestida adequadamente antes de perguntar:

— Quem é?

— É o sargento Nepomuceno; vim trazer os sapatos do seu marido, posso entrar?

Seu coração disparou. Ele havia levado os sapatos intencionalmente?

— Pode deixar aí fora, depois eu pego.

— Mas eu limpei e engraxei, ficaram brilhando! Abra a porta para ver.

Agora ela sabia que ele estava apenas buscando mais uma desculpa para entrar.

Rapidamente, pegou o telefone e ligou para a delegacia, denunciando o sargento e sua insistência. Mas, quando voltou para verificar, não havia mais resposta.

Girou a chave, abriu a porta com cuidado…

Os sapatos estavam na soleira...

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🔅Acredito que a escrita é uma arte em constante evolução, refinada pelo hábito, pela observação e, principalmente, pelo desejo de transmitir emoções e ideias de forma mais autêntica. 

🙏O retorno de vocês, leitores, me motiva a buscar sempre o melhor.

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terça-feira, 6 de maio de 2025

O SEGREDO DO VICO - MEU PAI

 

 A Guerra que Nunca o Levou

No Centro meu avô - a sua direita, de terno branco - Meu Pai

Certa noite, meu velho avô, já fragilizado pela idade e pelo tempo, chamou-me para perto. Compartilhávamos o mesmo quarto, e talvez por isso, sentisse que eu era a única pessoa a quem poderia confiar um segredo que guardara por toda a vida.

Com voz baixa, quase hesitante, ele revelou o motivo do apelido de seu filho mais novo, o Vico. Muitos haviam perguntado ao longo dos anos, mas meu avô sempre evitava contar a história por completo. E quando começou a falar, percebi que não era apenas um apelido, mas um símbolo de uma época marcada pelo medo e pela incerteza.

Meu pai era o caçula de nove irmãos—sete irmãs e dois homens. Pequeno e franzino, cresceu cercado pelas irmãs, enquanto seu irmão mais velho, Joaquim, já sentia o peso da idade e trabalhava incansavelmente nas lavouras de café que pertenciam ao meu avô. Como sua mãe havia falecido cedo, foram as irmãs que praticamente o criaram, e no lar ele não precisou se ocupar com trabalhos pesados.

O apelido veio por sua baixa estatura. Na língua italiana, Vico significa "beco estreito e pequeno", e foi assim que ele passou a ser chamado. Mas o verdadeiro peso dessa história se revelaria anos depois, quando a guerra cruzou o caminho de nossa família.

Veio então o ano de 1939. Meu pai tinha apenas 18 anos quando começaram os rumores de recrutamento para a Segunda Guerra Mundial. Participava do Tiro de Guerra, uma espécie de treinamento militar de meio período, enquanto o restante do dia trabalhava na plantação de café. Mas o medo rondava a casa como uma sombra crescente.

As notícias eram assustadoras. Jovens estavam sendo retirados de suas propriedades e levados para lutar na Itália. Meu avô, desesperado, sabia que, se meu pai fosse convocado, seu irmão Joaquim ficaria sozinho na roça, e as terras da família poderiam ruir sem o trabalho árduo que sustentava tudo.

Foi então que a decisão foi tomada: 

Esconder Vico a todo custo.

A princípio, meu pai não queria fugir. Queria lutar, queria estar entre os soldados que protegiam a pátria. Mas seu desejo esbarrava na realidade de nossa família e no desespero de meu avô, que via naquela guerra um destino cruel e sem escolha.

A partir daquele momento, ele desapareceu das ruas. Abandonou o treinamento, deixou de aparecer na cidade. 

Seu esconderijo foi montado entre as lavouras de café, onde o medo se misturava ao cheiro da terra.

As irmãs tornaram-se suas protetoras. Todos os dias, levavam comida, certificavam-se de que ele não fosse descoberto. Lá, no meio das plantações, criaram um colchão improvisado de palha de milho, onde ele passava as horas tentando não pensar no que poderia acontecer se fosse encontrado.

O medo era sufocante.

Meu pai não falava muito sobre isso, e talvez seja por isso que apenas eu saiba essa história. Os anos passaram, mas o pavor daquele tempo nunca deixou de assombrá-lo.

A cada dia, novas notícias de recrutamento chegavam. Os soldados vinham buscar os jovens, e ele ficava imóvel em seu esconderijo, rezando para não ser o próximo.

O silêncio das terras de café era quebrado apenas pelo som do vento e pelos passos das irmãs que vinham garantir que ele ainda estava ali.

E então, a notícia final chegou: os que foram levados embarcaram em navios para a guerra.

O destino decidiu poupá-lo, mas não sem cicatrizes invisíveis. Meu pai, apesar de tudo, dizia que gostaria de ter ido. Mas o governo priorizou os descendentes italianos, aqueles que haviam chegado ao Brasil como colonos, deixando de fora muitos brasileiros que, como ele, poderiam ter partido sem retorno.

Essa foi a história que ficou enterrada no tempo. Uma passagem marcada pelo medo e pela sobrevivência, que apenas eu conheço, porque meu avô escolheu confiar em mim para contá-la.

Agora, finalmente, posso registrá-la. Para que meus irmãos, filhos e netos saibam que, por trás do nome Vico, existe um capítulo de guerra que nunca aconteceu—mas que, mesmo assim, deixou marcas eternas.

🔅Se hoje meus textos ressoam mais, se envolvem mais, se alcançam mais corações, é porque sigo me dedicando a aprimorar minha forma de contar histórias. E é essa jornada de aprendizado e aperfeiçoamento que desejo compartilhar com vocês!

🙏O seu retorno, me motiva a buscar sempre o melhor.

Acesse abaixo, links para os meus espaços de cultura e amizade.

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sexta-feira, 2 de maio de 2025

TRAVESSIA ATLÂNTICA DESDE VENEZA - ITÁLIA ATÉ SANTOS - BRASIL

 Esse é um relato das primeiras travessias que fizemos ao longo de outras, muita mágica, é uma travessia oceânica, passando do Mediterrâneo, ao fim do cruzeiro ao longo da costa sul da América.

TRATA-SE DE UM TEXTO LONGO, IDEAL PARA APRECIADORES DE VIAGENS TRANSATLÂNTICAS

VENEZA

Bem vindos a a bordo! Era a frase que mais ouviamos quando embarcamos em um transatlântico, saindo de Veneza na Itália, para uma travessia de vinte dias com paradas em alguns paises e finalmente chegando ao Brasil, onde desembarcamos no porto de Santos.

Do alto dos seus 14 andares contemplamos mais uma vez a maravilhosa cidade percorrendo o “Canalle della Giudecca”, visível à direita do navio e prosseguindo observamos a “Ponta della Salute”, com sua encantadora catedral.

Após ultrapassar a ponta do canal apreciamos a vista de um dos simbolos que fazem a Itália famosa; a catedral de “San Marco”, com sua imponente torre, que aparece na praça adjacente ao histórico palácio dos Dogi. Quase na saída admiramos na esquerda, a ilha “San Erasmo”, e a seguir, “Punta Sabbioni”, com sua graciosa praia, todo esse percurso durou quase uma hora, seguindo então nossa navegação em mares abertos para Dubrovnik capital da Croácia onde chegariamos ao amanhecer do dia seguinte.

DUBROVNIK

Chegamos bem cedo e logo após o café da manhã onde vimos todas às manobras de atracamento do navio fomos em direção a cidade, após passarmos pela alfandega tivemos que exibir os passaportes. Constatamos mais vez ser uma jóia de cidade no estilo medieval encravada na surpreendente Croácia que já consta com uma estupenda tradição turistica.

É a pérola da Dalmácia Sulista considerada como parte do patrimônio da UNESCO,  um museu a céu aberto e com um número vasto de restaurantes e tavernas. O clima é do Mediterrâneo e de forma moderado com vistas magníficas.

Percorrendo as ruas e praças naquela manhã de domingo,  pudemos constatar locais de exposição de flores de rara beleza, porém, sentimos um povo com expressão facial carregada de fortes emoções, decorrente das guerras que culminaram com a separação da antiga Yuguslávia, agora em três países, Croácia, Sérvia e Montenegro.

A famosa frase do escritor Irlandês Bernard Shaw é uma realidade quando disse: “Aqueles que procuram um paraiso ou querem o jardim de Éden na Terra, tem que vir a Dubrovnik”. Assim sendo, comprovamos e adoramos todos os encantos da cidade onde pela segunda vez tivemos a primazia de estar em mais um cruzeiro.

La Plaka é uma bonita rua de pedestres que começa desde o principio da Porta Pile e vai até a torre do relógio, quando  entramos por essa porta, admiramos o antigo monastério Franciscano abrigando uma farmácia que data de 1317. Em seguida, apreciamos a Igreja San Biagio, em estilo Italiano Barroco e depois o Palácio do Reitor erguido em 1441. 

NAVEGAÇÃO

Passamos o dia percorrendo inicialmente as dependências do navio e apreciando as atividades a bordo em um clima de 12 gráus. Nosso próximo destino foi a cidade de Cagliari situada no mesmo Golfo da Ilha Italiana da Sardenha, distante de Dubrovnik 752 milhas náuticas. Ainda nesta noite participamos da noite de gala, onde o comandante ofereceu um coquetel apresentando os principais ajudantes de sua tripulação, em seguida fomos ao jantar e depois assistimos a um espetáculo promovido pelos artistas da companhia de show, comandada pelo Diretor do Cruzeiro.

CAGLIARI

Surge no centro do Golfo, é a capital da política da economia e da cultura da ilha Italiana da Sardenha. Sua origem remontam aos Fenícios mas o seu maior desenvolvimento se deu sob o domínio Cartaginês que transformou em um importante centro maritimo comercial graças a sua saída natural para o mar. É hoje uma cidade agitada, durante o dia o vai e vem é continuo em frente às lojas e nos cafés, onde as pessoas se encontram para conversar. Turística por natureza oferece ao viajante um mar transparente e cristalino junto a uma praia entre as mais belas de todo o Mediterrâneo, contendo ainda várias lagunas e oásis naturais únicos.

Contemplamos ainda museus e monumentos e muitas lojas de artesanatos e antiquários.

O bairro medieval de Castello é o simbolo e o coração da cidade com seus grandes muros que ainda hoje cercam grande parte de seu perímetro com as imponentes torres de São Pancrazio e Dell’elefante e o magnífico bastione de Saint Remy a porta dos Leões na Catedral de Santa Maria.

Suas ruas estreitas dão encanto aos palácios antigos como o Real e o Vicereglio onde estão o complexo dos museus, antiquários com seus artesões estando sempre em processo de produtividade em prol da comunidade e para o delírio dos compradores que corriam para suas lojas.

Todas essas atrações foram por nós observados e admirados percorrendo as ruas com um carro tipo van que alugamos no porto juntamente com outros casais.

No retorno descansamos dessa jornada e após o jantar foi oferecido no teatro uma noite com cantores líricos apresentando o show Ligths of Viena.

Fomos dormir contentes e muito cansados e nem vimos à noite passar, mas soubemos que o transatlântico percorreu o largo do Mar Tirreno até encontrar mar aberto com destino a Palma de Maiorca.

 

 

PALMA DE MAIORCA

Durante o nosso quarto dia de cruzeiro estávamos a caminho para essa maravilhosa cidade balneária da Ilha Espanhola onde ficamos por um dia e uma noite, durante o percurso passamos pelo seu ponto mais estreito que é chamado Ponta Salina, de onde avistamos outra Ilha chamada de Cabrera e logo mais, desembarcamos em Palma capital da Ilha e importante porto.

O lugar é de efervescência e magnitude misturando história e cultura, onde o antigo formado por construções medievais é um labirinto fascinante de entradas que evidenciam o seu passado árabe. As entradinhas são estreitas, silenciosas e circundadas por uma série de edifícios muito interessantes, as quais mostram arquiteturas que são comparadas com as das ruas das cidades mais famosas da Espanha. O local ainda oferece aos apreciadores grandes corridas de “toros” além de conter várias lojas onde são vendidos colares de pérolas que são cultivadas nos arredores da cidade propiciando aos artesões magníficas criações.

O centro histórico se estende desde o porto comercial e conta no seu interior importantes monumentos como a catedral e o Palácio Real, construído sobre as fundações de Alcazar e da mesquita destruída quando os cristãos reconquistaram a cidade da dominação dos Moros ou Mouros em Português.

O arquipélago de Cabrera mesmo que distante de Palma é considerado administrativamente parte do município somando-se a tudo, o local tem um afluxo com mais de 22 milhões de turistas ao ano.

Retornando ao navio, fizemos um merecido descanso e posteriormente, fomos tomar o chá da tarde em um nobre salão onde os músicos italianos nos brindaram ao piano e violino com belíssimas canções que ouvíamos confortavelmente em um macio sofá nos permitindo sonhar e quase dormir.

Após o jantar assistimos a um belo show no último andar próximo a uma das piscinas em um local por nome Lady Armonia com um magnífico Buffet Espanhol sob os acordes do conjunto brasileiro Tribrazil Band.

Enquanto dormíamos o navio seguia silenciosamente seu roteiro rumo ao esplendido porto de Barcelona.     

BARCELONA

A rambla é o centro vital da cidade onde se encontram muitas lojas de lembranças, bares e restaurantes típicos de “Tapas e Paella” por lá transitam e se apresentam os famosos artistas de rua que logo após apresentação, “seus assessores” vem arrecadar moedas de euros. Percorrendo pelo local nos deparamos com um mercado como nunca antes vistos por nós, local perfumado exibindo comidas saborosas que degustamos em forma de “tacos” acompanhados de sucos e tambem sangrias. Mas é um local perigoso para os turistas, existem muitos “batedores de carteira”, alguns dos companheiros de viagem foram contemplados.

Visitamos a sagrada família como sendo o ápice do projeto arquitetônico do grande artista espanhol Gaudí, em estilo neogótico que continua em construção com previsão para o término daqui a vinte e cinco anos. É genial e maravilhosa é um hino de fé do arquiteto que a projetou, vimos ainda outras obras do artista, como a casa “Millá” ou “Batló”, coberta de azulejos coloridos. Tambem esteve no roteiro o parque Guell que foi concebido como cidade jardim para 60 famílias mas sómente duas foram vendidas e uma foi adquirida pelo próprio artista, depois fomos até o parque Montjuich e o Estádio Olímpico, onde aconteceram as olimpiadas.

Na praça Catalunha, assistimos o show de águas dançantes, espetáculo de rara beleza com uma fonte jorrando águas coloridas ao som de belas músicas, parecendo um concerto em um teatro.

Durante a noite o navio galhardamente partiu em direção ao continente africano onde avistamos a maravilhosa cidade de Cartagena e continuamos passando pelo Capo de Gata e depois o navio começou a cruzar o estreiro de Gibraltar no aceano Atlântico com o mar Mediterrâneo por onde foi possível ver mais tarde, a costa Espanhola e ao sul Tânger uma cidade Marroquina.

Enquanto o navio deixava de forma definitiva o estreito, fomos curtir mais essas paisagens no mirante e depois assistimos no teatro La Fenice o Hechizo Espanhol com danças em tablados e cantorias com castanholas, pelos artistas do navio.

E assim terminava o oitavo dia de mordomias e alegrias a bordo do robusto transatlântico, levando-nos a seguir, para a cidade portuária da Espanha “Cádiz”.  

CÁDIZ

O navio começou àportar na cidade por volta das 7:00 horas e ouvindo os ruídos do atracamento abrimos as cortinas de nossa janela mirante e pudemos então apreciar a portentosa cidade. Após o café matinal seguimos “solos” pelas ruas e fomos caminhar por Cádiz.

O frio era intenso, doze graus, mas tínhamos nos municiado com apetrechos para enfretá-lo, mesmo assim o vento era quase que cortante em nossas faces. Aos poucos a temperatura foi subindo mas não passou dos dezessete.

Sem dúvidas, foi a melhor maneira de conhecer os seus encantos. Saímos do porto em direção a Praça Espanha, também a da Mina e a rua Ancha e admiramos vários monumentos e palácios, em um dado momento, nos deparamos com a espetacular Praça de San Juan de Dios situada perto do mar, nos sentamos em um banco e ficamos observando o despertar daquela preguiçosa manhã de domingo naquele lugar encantador.

Todos os nossos caminhos levavam àquelas ruelas de estilo medieval, pois a cidade moderna está longe, os “becos” eram elegantes e algumas lojas começam abrir expondo seus produtos. Tratava-se de casas típicas de queijos, “jamones” salames, chocolates e vinhos de marcas deconhecidas para nós, mas muito procuradas no lugar.

Em um momento em uma das pequeninas ruas enxergamos uma loja de aparência muito interessante, parecida com aquelas “vendas” do nosso interior paulista, entramos e nos extasiamos com uma prateleira contendo vinhos espanhóis, uns de fina categoria, outros eram artesanais. A degustação podia ser feita com pequenas taças acompanhadas de queijos maravilhosos. Ao sentir o aroma perfumado de uma marca, sorvi em uma taça, gostei e comprei algumas garrafas. 

No caminho de volta ao porto, passamos pelo parque Genovês, depois a Catedral de 1722 construída em estilo barroco e neoclássico.

Quando retornamos começamos a enfrentar uma navegação em mar aberto por seis dias, sendo o próximo porto o de Recife no Brasil percorrendo assim, 3128 Milhas Náuticas e fazendo os acertos de mudança de horários, de modos que chegamos ao Brasil, com o fuso horário em dia.

NAVEGAÇÃO

No primeiro dia saindo de Cádiz começamos com as mudanças de fuso horário, logo após assistimos uma missa na ponte seis, no teatro La Fenice e depois percorremos outras dependencias, ouvindo músicas das mais variadas conforme a ponte onde nos encontrávamos. Nos detemos mais junto as piscinas onde assistimos shows, tomando saborosos drinks nas espreguiçadeiras e vendo todo o movimento das pessoas em ritmo de alegria e muita festa.

Terminamos a noite com uma apresentação espetacular da equipe de animação.  Fomos ao cassino tentar a sorte  nas máquinas caça-níquel. Nesse momento recebemos à informação que iriamos  atravessar algumas das ilhas canárias como a de Lanzarote e Fuertaventura.

E assim os dias foram passando e na janela dos nossos olhos enxergamos o arquipelago de Cabo Verde e a linha imaginária do Trópico de Câncer, entrando em zona tropical.

Um show em uma das noites apresentaram-se artistas brasileiros que estavam em um navio da Grécia, o capoeira Show, folclore afro-brasileiro que foi muito aplaudido pelos estrangeiros, uma vez que estávamos com 854 brasileiros à bordo, embarcados conosco em Veneza.

As tardes após o romântico chá das cinco iamos ao teatro participar do “Quiz Campeões do Mundo”, respondendo as perguntas e somando pontos onde no final uma equipe Inglesa somou mais pontos e receberu das mãos do capitão o trofeu de vencedores.

E o navio em sua batalha contra as aguas do aceano seguia firme em direção a linha imaginária do Equador que divide a terra em dois hemisférios o do Norte e o do Sul. Depois do jantar fomos ao teatro assitir “Una notte all’Opera com os tenores Italianos.

Chegou então o dia em que atravessamos a linha do EQUADOR. Derrepente alguém travestido de Rei Netuno entrou a bordo para encontrar todos os corajosos viajantes que passaram a linha, foi uma festa de arromba com uma  cerimônia bastante interessante com o pessoal fantasiado circulando e participando do bastismo do Netuno nas  piscinas, nesse momento começamos a ouvir apitos estrondosos como se fosse uma trovoada a cada dez minutos festejando a passagem. Nesse dia recebemos os diplomas do Comandante.

Prosseguindo em nossa navegação, começamos  avistar a Ilha de Fernando de Noronha, distinta ilha turística que faz parte de um grupo insular situado no Oceâno Atlântico cerca de 400 Km distante da Costa de Pernambuco. A Ilha é a única habitada com 1266 pessoas. Sua composição é de origem vulcânica e foi avistada pela primeira vez pelo navegador português  que leva o seu nome. Trata-se de uma extraordinária reserva natural e marinha, compreendendo numerosas espécieis vegetais e animais. Foi sede de uma colonia penal utilizada por Portugal e tambem pelo Brasil. A fauna e a flora é abundante e estende-se até o nordeste do Cabo de São Roque que fazem parte do território Nacional do Brasil e do Estado de Pernambuco.

 

RECIFE

Depois de muito tempo fora do Brasil, onde antes de embarcar em Veneza, fizemos um tour Europeu, aportamos em terras Brasileiras. Já estivemos nessa capital por várias vezes e o panorama não mudou nada, exceto que no bairro onde aconteceu a invasão holandesa com os casaríos em terríveis condições de conservação. Soubemos que está sendo desenvolvido uma ampla reforma e restauração nos casarões para receber turistas por ocasião da Copa do Mundo de Futebol, presenciamos alguma coisa em andamento.

 

Destaca-se ao nosso ver, a cidade de Olinda, tantas vezes por nós visitada, fundada no século 16 pelos portugueses, a história desta vila é estreitamente conexa a produção de cana-de-açucar.

Reconstruída depois de ser saqueada pelo Holandeses, as suas origens urbanas reaparecem no século 18. O equilíbrio harmonioso criado entre os edifícios jardins e as igrejas em estilo barroco, contribuem para o aumento do fascínio todo muito particular desse lugar que tem esse nome em razão dos portugueses quando a descobrirem, exclamarem  Ó linda!!!

 

SALVADOR

Durante toda a manhã começamos a enxergar a costa do estado da Bahia, entramos na Baía de Todos os Santos e  foi possível ver a Ilha de Itaparica e a direita a cidade de Salvador.

A cidade atrai turistas do mundo inteiro, envolvidas por sua história, beleza natural, culinária, miscigenação, sincretismo religioso, arte e algo abstrato, mas percebido por todos; uma energia no ar, o famoso axé.

Como já dizia o poeta, é na Bahia que mora a alegria. Visitamos o centro histórico, seus casarões e igrejas, sem falar das cores do Pelourinho, onde almoçamos no famoso restaurante da Dadá, depois descemos o elevador Lacerda e em seguida o Mercado Modelo, a igreja de Nosso Senhor do Bonfim e o forte Santo Antonio, conhecido como Farol da Barra de Mont Serrat.

O Armonia continua em sua navegação sempre a volta da baía de Buzios. Logo percebemos o arquipélago de Abrolhos e fomos alertados pelos oficiais do navio, enquanto retiravamos nossos passaportes no ponte seis, que algumas baleias faziam evoluções de acasalamento que são rotineiras nesse lugar, nessa época do ano foi espetacular essa visão.

A noite o comandante Giuseppe convidou seus hóspedes para um coquetel de despedida no teatro La Fenice, regado com muita champanhe com um som produzido pelo conjunto Brasileiro e depois veio o jantar de gala, tudo de forma deslumbrante e alucinante com os garçons em trajes de gala e o serviço de mesa foi a francesa com magníficos pratos típicos daquele país. Depois dessa noite de grande magia para os olhos desfrutando de ótima comida e sorvendo vinhos maravilhosos, nos despedimos ao som de uma música que encheu o ambiente do restaurante, com os garçons desfilando pratos com velas acesas no topo tudo a meia luz.

 

BÚZIOS

Pela manhã já foi possível ver a cidade o navio atracou na enseada, uma vez que por lá não existe porto onde ficou ancorado durante nossa estadia em terra. O desembarque foi feito através de lanchas.

Podemos dizer que boa parte do sol local, “pertenceu” a famosa atriz da década de sessenta, a Brigitte Bardot, pois nesse recanto aprazível encontrou o paraíso que já não podia desfrutar em Saint-Tropez.

Localizada a 171 Km da capital com sua origem em uma pequena aldeia pescadora, esta península que mais parece uma ilha, com 8 km de extensão é de uma beleza incomparável, é hoje um sofisticado balneário  com uma agitada vida noturna, que começou com a vinda da atriz. Na baixa estação se transforma em uma atração para os apreciadores da gastronomia, arte, ecologia e bom gosto. 

SANTOS

 

O navio continua sua navegação para esse porto, um dos principais do Brasil, logo pela manhã, passamos por São Sebastião e em seguida ao porto onde embarcou o prático para as manobras de atracamento. E assim concluímos essa mágica travessia oceânica, passando do Metideterrâneo ao fim do cruzeiro ao longo da costa sul da América.

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