A memória de São João Paulo II, nascido Karol Józef Wojtyła, continua viva e pulsante no coração dos fiéis e da história da Igreja. Seu pontificado, encerrado em 2 de abril de 2005, permanece como um marco de fé, coragem e humanidade. Hoje, ao revisitarmos esse conto, entrelaçamos realidade e imaginação com reverência, como quem contempla um vitral iluminado pela luz divina.
O seu longo reinado — o terceiro mais duradouro da história — foi marcado por encontros com líderes mundiais e gestos de profunda empatia com os humildes. Naquele momento derradeiro, o mundo se unia em oração na Praça São Pedro, envolta por estátuas de santos e pela esperança de um milagre. O Papa, já reconhecido como santo por muitos, parecia sentir a alma em levitação, prestes a deixar o corpo terreno.
A doença e a idade avançada não apagaram sua missão. Guardava um segredo, talvez espiritual, talvez simbólico, que desejava revelar. Seu confessor, o cardeal Joseph Ratzinger, compreendia seus gestos com a precisão de quem partilhou anos de devoção e serviço. A Bíblia repousava ao lado, marcada por um crucifixo e anotações íntimas. O colóquio entre os dois, feito de sussurros e lágrimas, selava o início de uma nova era.
A Guarda Suíça, com seus trajes desenhados por Michelangelo, permanecia firme à porta, como há séculos. Dentro, os assessores rezavam ou preparavam os protocolos do funeral. Aquele reduto religioso tornava-se palco de um silêncio sagrado.
Recordo, com emoção, a missa campal que assisti com minha esposa, sob chuva persistente. João Paulo II presidia os ritos com serenidade, enquanto os fiéis permaneciam firmes no solo sagrado. Ao fundo, a Basílica de São Pedro, erguida sobre o túmulo de Simão Pedro, testemunhava séculos de fé e poder. A história do Vaticano, com seus mil habitantes e mais de um bilhão de fiéis representados, é uma monarquia espiritual onde o trono é conquistado pelo voto dos cardeais.
Na Capela Sistina, onde a arte e a fé se encontram, vislumbrei o cenário ideal para este conto. Ali, após o funeral, os cardeais se reuniram sob a liderança de Ratzinger. A fumaça branca anunciou ao mundo: “Habemus Papam!”. Bento XVI surgia à janela, emocionado, prometendo seguir os passos do querido João Paulo II.
Mas o conto ganha contornos de ficção. Surge Ângelus Nero I, o “anjo negro”, eleito em segredo. Despojado das vestes papais, parte pelo mundo como um homem comum, evangelizando com uma linguagem universal. Após anos de peregrinação, retorna ao Vaticano como assessor direto de Bento XVI, preparando o caminho para uma nova era de paz.
A utopia se desenha: dois papas, um visível, outro oculto, unidos pela missão de unir os povos sob uma única fé. Quando o mundo estiver pronto, o novo líder falará da janela papal: “Povos de todas as raças, hoje começa uma nova era: é o ano I; sem um Papa para conduzi-los, o mundo falará um único idioma e haverá somente uma religião para os povos de boa vontade.”
Assim, entre realidade e ficção, reverenciamos a figura de São João Paulo II — um estadista da fé, um peregrino da paz, um santo da humanidade.
📌 Meus
espaços de cultura e amizade: