Mostrando postagens com marcador cartas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cartas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de março de 2026

O ÚLTIMO TREM DO SANTO

HOJE É DIA 

SANTO

O dia 29 de junho amanheceu meio nublado, “ruspioso”, como diria Santo Sebastião Gasparotto. A notícia de seu falecimento chegou como um silêncio pesado, daqueles que fazem a gente parar e lembrar. Para mim, para nossa família, e para tantos outros, sua vida foi sinônimo de alegria. 
Nunca o vi bravo, nunca o vi aborrecido.
 

Educou seus filhos com firmeza e ternura, sem nunca recorrer à palmada. Ao lado de Hionícia, companheira incansável, construiu um lar onde o amor e a educação eram pilares.

Vieram à memória tantas passagens do “Tio Santo”.
Nas festas de fim de ano, vestido de mulher com meu pai Vico, arrancava gargalhadas da criançada no salão do Tio Nicola.
Nos jogos de bocha, naquele campo feito em mutirão pela turma que meu avô liderava.
Nas jogatinas de truco, com gritarias e impropérios em italiano que mais divertiam do que ofendiam.

Nas pescarias com o Tio Nivaldo, Vico, Gueta e a turma de Banharão, às margens do rio Jaú.

E em tantas outras histórias que ainda vivem em nossas conversas.
Santo viveu com simplicidade e dignidade. Foi um trabalhador exemplar, marceneiro de mão cheia. Suas mãos moldaram peças que ainda hoje habitam os lares de parentes, amigos e desconhecidos — testemunhos silenciosos de seu talento e dedicação.
Guardaremos essas lembranças em nossas gavetas mais íntimas. E, em algum lugar especial, estará a fotografia do Santo sorrindo, como quem diz: “Estou bem, não se preocupem.”

Salve Santo. Teremos muitas histórias para contar.
Hoje deixo aqui meu registro em forma de poema — uma procissão de versos para quem soube viver com leveza e partir com honra.

 

Vestiu o terninho azul e arrancou aplausos da família
Uma foto da comunhão marcou o acontecimento
Cresceu para a vida e aquele mundo tornou-se pequeno
Olhou para trás e acenou para Giuseppe e Domenica
Amassou com os pés aquele barro vermelho
Deixou na ponte de madeira as marcas de um tempo vivido
O rio foi um divisor de águas e levou embora suas fantasias
Carregou poucos pertences
Embarcou no trem azul
Ouviu os sons de ferro e aço
O ranger de madeira dos velhos vagões
Acalentou seus sonhos de carpinteiro
O apito disparado pelo maquinista e o anúncio do fiscal
Informaram a estação de Jundiaí em sua vida
Início de outra era — a de marceneiro
Construiu peças com gavetas que guardaram suas roupas e fotografias
Que foram mudando com o tempo e a moda
Dos vinte, trinta, quarenta, sessenta, e noventa e um
Não há mais estações em sua vida
A última foi a do inverno
Não há mais Santo aqui na terra
Agora é o Santo lá do céu
Vinte e nove de junho permanece em nossa memória
E São Pedro guiará seus passos.

💥

Palavras escritas para quem partiu, para quem ficou, para quem nunca soube.

Cartas que não pedem resposta — apenas repousam no papel.

✍️ 


Se este caderno tocar alguém, mesmo que por um instante,

então ele cumpriu seu destino:

ser ponte entre o que fui e o que ainda sou.

 Toninho Vendramini


Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

quinta-feira, 5 de março de 2026

POEMAS E HISTÓRIAS...

Há livros que se abrem como portas.
Outros, como janelas.
Este, porém, abre-se como um campo fértil,
onde cada palavra é semente,
cada verso é raiz,
cada imagem é flor que se oferece ao olhar.
O êxito da escrita não está apenas na técnica,
mas na felicidade da expressão que toca o íntimo. Aqui, o verbo não é apenas som,



É o eco de vidas passadas,
o clarim que desperta sentimentos,
a água que renova,
o sol que fecunda,
o espantalho que revela nossas ilusões.
Cada poema é um ciclo,
um nascer e morrer,
um brotar e florescer.
E todos juntos formam um jardim invisível,
onde o leitor caminha entre lágrimas e flores,
entre o peso da alma e a leveza do canto dos pássaros.
No fim, a revelação se impõe:
não há começo nem fim,
há apenas o contínuo florescer da alma,
que se renova em cada manhã,
em cada lágrima,
em cada semente.
💢

Este livro é convite e epifania.
É colheita e promessa.
É o testemunho de que a poesia,
quando nasce do coração,
não é apenas escrita —
é eternidade que se faz palavra.
💅
Rompe a madrugada,
abre-se uma flor.
Som de pássaros,
música no ar.
Vontade de viver,
alegria contagiante.
O sol se aproxima,
calor da manhã,
sorte incessante,
fonte cantante.
Sonhos presentes,
águas cristalinas.
Soltura de amarras,
entrada do esplendor.
Cultive o amor
com sol, cantos, flores e águas,
na manhã que é infinita.

Sentimentos
Lágrimas brotaram violentas,
rolaram pela face em louvor das crenças mundanas.
Caíram no chão vazio, incrédulas,
semearam incertezas e atitudes profanas.
Mas a vontade de viver veio a galope,
soberba, espontânea, em pleno trote.
Escutou o clarim, o rufar dos tambores,
despertou para a vida e novos amores.

Passos incertos, sem compasso,
arritmia galopante e incessante.
Coração desenfreado, disparado,
tormentos angustiantes endurecem sensações.
Rastros nas calçadas e jardins,
jasmins com cheiro de alecrins,
caminhos de flores que choram por uma vida.
Caminhar sofrido, cansado, combalido,
carregando um corpo de sentimentos profundos.
Marca-passo no pulsar de uma alma.

Dona Hortência abriu a janela e chamou:
— João! Plante estas sementes no canteiro vazio.
— Mas não está estercado...
— Então prepare a terra, coloque adubo e semeie; quero alface viçosa para a salada do patrão.
Uma semana depois, viu as mudas ceifadas pela fome dos pássaros.
— João! Veja o que aconteceu! Você não fez nada?
— Pois é, dona... se não atrapalharmos as aves, não teremos o que comer.
Ela insistiu:
— Coloque algo no canteiro.
João fez um boneco, cabeça de pano, chapéu de palha furado.
No dia seguinte, Hortência foi verificar.
Espantou-se: o espantalho não espantou...

Entre flores e sementes, lágrimas e despertares, entre o labor humano e o voo dos pássaros, o misticismo da vida se revela. Nada é em vão: cada gesto, cada dor, cada riso é parte de um ciclo maior.
O surpreendente é compreender que o verdadeiro espantalho não está no campo, mas dentro de nós — nas ilusões que criamos para afastar o inevitável.
E então, como um sopro de eternidade, a revelação se faz:
não há começo nem fim, apenas o contínuo florescer da alma, que se renova em cada manhã, em cada lágrima, em cada semente.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

💌 Cartas que nunca foram enviadas

Palavras escritas para quem partiu, para quem ficou, para quem nunca soube.

Tudo são Cartas que não pedem resposta — apenas repousam no papel.

 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

PERSEVERANÇA

A VONTADE HUMANA

Antonio Vendramini Neto é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória — entre receitas simples e flores cultivadas com afeto. Em Vendramini Letras, compartilha palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

A vontade humana, realizada pela ação, é semelhante à bala de canhão, que jamais recua diante do obstáculo. Ela o atravessa ou nele penetra e se perde quando é lançada com violência, mas se caminha procurando encontrar seu objetivo, jamais se perderá  e agirá como a onda que volta sempre e acaba corroendo o ferro.



Por meio de uma ginástica perseverante e gradual, as forças e a agilidade do corpo se desenvolvem ou são criadas de modo admirável, o mesmo acontecendo com as forças da alma.

Esta passagem simples e admirável do insigne Eliphas Levi, põe de relevo o extraordinário valor da perseverança em todos os setores da atividade humana, quer seja ela empregada no plano material ou espiritual.

Todo aquele que empreendeu o desenvolvimento de suas forças mentais e obteve êxito nessa árdua tarefa, sem dúvida, confessará o tremendo esforço que empregou para vencer o desânimo e a apatia.
💢

Escrevo para quem não teme abismos. Os mais lidos te esperam abaixo. À direita, palavras que abrem portas."

Antonio Toninho Vendramini Neto

Escritor | Criador de conteúdos culturais
📬 Abaixo, - outro espaço de cultura e amizade - clique e divirta-se.

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

O FUTURO NÃO ESPERA QUEM AINDA ESTÁ EXPLICANDIO O PASSADO



Num mundo que muda mais rápido do que conseguimos acompanhar, repetir fórmulas antigas com nomes modernos não é inovação — é ilusão. 

Pensar o novo exige coragem, escuta ativa e disposição para errar. Mas acima de tudo, exige parar de maquiar o velho e começar a construir o inédito.

Porque, sejamos sinceros: chamar de inovação aquilo que já nasceu ultrapassado é como pintar uma geladeira de vermelho e dizer que virou Ferrari.
💢

Enquanto o mundo corre, eu caminho — e escrevo o que tropeça.”       

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras  


EGITO: A CASA DA ALMA

O Cairo: A Joia do Oriente Situada no coração das rotas entre Ásia, África e Europa, a cidade do Cairo é um verdadeiro tesouro do Oriente. ...