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sábado, 9 de maio de 2026

OS BÁLSAMOS DAS MÃOS DE MINHA MÃE


QUE  ESTA  HOMENAGEM  VIVA  NO CORAÇÃO  DE QUEM  A  LER

Em uma manhã cinzenta, onde o sol parecia tímido em sua ausência, algo extraordinário chamou minha atenção no hall de minha casa. Era a singela beleza de um pequeno vaso de flores que, mesmo em sua simplicidade, trouxe aos meus olhos o esplendor da chegada de mais uma estação no eterno ciclo terrestre.

A flor, delicada e única, despertou em mim um turbilhão de memórias. Ela trouxe à tona a imagem da mulher que foi minha mãe, apaixonada por essa flor “conhecida por maio”. Com uma ternura que só ela possuía, cultivava essas flores em pequenos vasos, na nossa amada e antiga casa da Rua Zacarias de Góes. Foi lá que, entre os aromas das flores e os sons da máquina de costura, crescemos, aprendendo sobre os fundamentos do pensamento e da vida.

Minha mente, então, repousou sobre uma memória marcante: sua habilidade na arte de costurar. Não apenas como uma costureira doméstica, mas uma artista que conquistou espaço no mundo da moda, vestindo sonhos com suas mãos talentosas. Mas afinal, o que é a moda? Esse universo que minha mãe navegava com tanta destreza...

Segundo pesquisas, moda vem do latim modus, que significa costume. A evolução da vestimenta, outrora padronizada desde o nascimento até a morte, foi marcada pela Idade Média, quando as roupas começaram a refletir distinções sociais. A revolução industrial no século XVIII trouxe os avanços tecnológicos que minha mãe, em sua essência criativa, incorporou tão bem. Ela transformou tecidos em arte, costurando não apenas roupas, mas histórias, identidade e dignidade para quem as vestia.


UM POEMA PARA AS MÃOS DE MINHA MÃE

As mãos de minha mãe...

Cuidaram de alinhavos que conectavam não só partes de moldes, mas os fragmentos da família.

Fizeram bainhas que permitiram nossos sonhos crescerem, sem que fossem limitados pelo curto alcance da realidade.

Juntaram retalhos, criando mantas que nos cobriam com sua dedicação inigualável.

Prenderam botões, garantindo que nunca perdêssemos a esperança e o espírito de união.

Bordaram maravilhas, trazendo o vislumbre das dádivas da vida para o nosso cotidiano.

Criaram bolsos, lugares sagrados onde guardamos as moedas mais valiosas: nossas memórias e identidades.

E, com linhas invisíveis, conectaram seu amor eterno aos caminhos que percorremos, enquanto suas orações nos acompanham... onde quer que ela esteja.


 

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.


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Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

sexta-feira, 8 de maio de 2026

ENTRE PEDRAS E ESPERANÇA: OUTONO NO LESTE EUROPEU.


PAZ E TRANSCENDÊNCIA
Entre muros antigos e histórias que atravessam séculos, nasce este espaço como um refúgio para a alma. Aqui, cada palavra é uma travessia: um olhar sobre o humano, o divino e o cotidiano. São relatos que unem fé e sensibilidade, transformando o silêncio das ruas, o aroma do chá e o brilho das velas em poesia.

Este blog é um convite à contemplação — um lugar onde o leitor pode repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial: a esperança.


 Texto principal

Entre pedras que guardam memórias e histórias que resistem ao tempo, ergue-se este espaço como um abrigo para o espírito. Cada texto é uma ponte, conduzindo o leitor por caminhos de fé, sensibilidade e cotidiano. Aqui, o silêncio se torna palavra, o chá se faz companhia e a chama das velas ilumina reflexões.

Mais do que páginas, este é um convite: contemplar, respirar e reencontrar-se com a essência da vida. Que cada leitura seja um instante de pausa, um gesto de beleza e um reencontro com a esperança que nunca se apaga.

 Poema — Travessia

(Este poema nasceu durante uma viagem ao Leste Europeu, onde Eu e minha esposa encontramos inspiração nas paisagens, nas igrejas antigas e no silêncio das ruas de pedra.)

Código
Entre pedras e passos lentos,
o tempo sussurra segredos antigos.

Há luz nas frestas, há fé nos ventos,
e um coração que busca abrigo.

O silêncio veste o instante,
o olhar repousa no infinito.

Entre o humano e o divino,
floresce o simples — e o bonito.

🍵


Receita Europeia — Chá Inglês Tradicional

Ingredientes

  • 3 colheres de chá preto (English Breakfast ou Earl Grey)

  • 2 xícaras de água filtrada

  • Leite quente ou em temperatura ambiente

  • Açúcar, mel ou adoçante (opcional)

  • Rodela de limão (opcional)

Modo de preparo

  1. Ferva a água até cerca de 95°C.

  2. Pré-aqueça o bule ou xícara.

  3. Adicione o chá e despeje a água quente.

  4. Deixe em infusão por 3 a 5 minutos.

  5. Retire o chá e finalize com leite.

  6. Adoce a gosto e sirva com serenidade. 

Encerramento
Que este espaço seja mais do que leitura — seja um instante de alma.
Entre pedras e esperanças, o tempo se faz poesia.



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Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

FLORES QUE DESAFIAM AS ESTAÇÕES


Aprenda a preparar ( final do texto) um chá de hibisco com especiarias, vibrante e aromático, que traduz em sabor a magia das estações.
 

Mesmo no inverno, a natureza nos presenteia com cores e beleza inesperadas. Explore esse encantamento e conheça as histórias das árvores que transformam paisagens e emoções. A riqueza da flora brasileira desabrocha com todo vigor na primavera, encantando os olhos dos mais exigentes. É uma época colorida e perfumada, um descanso para os sentidos, onde nos rendemos à explosão de cores que compõem nossa aquarela tropical.

Entretanto, essa ideia tão enraizada na memória coletiva carrega seus mistérios. Mesmo no inverno, estação tradicional do frio, muitas flores seguem em plena exuberância. Basta observar a chácara onde moro, onde diversas espécies desabrocham, desafiando a lógica das estações.

A presença constante das flores transforma qualquer ambiente, criando um magnetismo no ar. Elas despertam sorrisos, inspiram gentileza e perpetuam uma beleza poética que toca os sentimentos mais profundos. A simbologia das flores exerce grande influência sobre nós, e por isso devemos cultivá-las com carinho, oferecendo-lhes cuidado e até palavras de afeto, como se fossem amigas que compartilham nossas emoções.

Entre todas, há uma flor que nunca deixo de admirar: a cerejeira. Lembro-me de uma viagem pela rodovia Rio-Santos, onde me deparei com uma imensa florada na serra, um espetáculo raro e inesquecível. Sensível por natureza, suas pétalas caem ao menor toque, e sua floração ocorre apenas uma vez por ano. No Brasil, encontramos cerejeiras em Campos do Jordão e até nas calçadas de Bariloche, na Argentina, onde suas delicadas flores caem suavemente sobre a neve.

Originária do Japão, a cerejeira se adaptou ao clima frio da Serra da Mantiqueira, tornando-se um símbolo de resistência e beleza. Mas ela não está sozinha. Outras árvores também proporcionam um espetáculo visual durante o inverno, como o ipê, que colore ruas e avenidas com suas vibrantes flores amarelas, roxas e rosas. Seu nome, na língua indígena, significa “casca grossa”, uma referência à sua robustez.

Na entrada de nossa casa, no Villagio Di Treviso, temos dois ipês que, ao florescerem, transformam a paisagem em um cenário digno de álbuns fotográficos. Os vizinhos e visitantes não resistem a registrar sua beleza, que transmite espiritualidade, leveza e encanto.

O inverno pode ser visto como uma estação de recolhimento, mas para muitas árvores, ele é um momento de esplendor. Do Norte ao Sul do Brasil, milhares de espécies desafiam o frio e enfeitam a paisagem, contribuindo para o equilíbrio do nosso ecossistema e para a poesia da vida.

 Chá de Hibisco com Especiarias

E para acompanhar esse espetáculo da natureza, nada melhor que um chá vibrante e aromático, que traduz em sabor a mesma intensidade das flores que desafiam as estações. Experimente esta receita:

  • 2 colheres de sopa de hibisco seco

  • 1 pau de canela

  • 3 cravos-da-índia

  • 1 pedaço de gengibre (1 cm)

  • Mel ou açúcar a gosto

Modo de preparo:
Ferva 500 ml de água, adicione o hibisco, a canela, os cravos e o gengibre, deixando em infusão por 5 a 10 minutos. Coe e adoce a gosto. Uma bebida de cor intensa e sabor marcante, perfeita para aquecer os dias frios e nos transportar para um verdadeiro jardim de primavera!



Compartilhe nos comentários — Às vezes, basta abrir a janela para viver uma história. E é essa jornada de aprendizado e aperfeiçoamento que desejo compartilhar com vocês.






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quarta-feira, 29 de abril de 2026

O INSTANTE QUE RESUME UMA VIDA


O  OLHAR  DO  ESCRITOR


Passei boa parte da noite mergulhado em pensamentos. As lembranças da minha trajetória profissional ainda estavam vivas na memória, como se ecoassem no silêncio da madrugada. Ao despertar no dia seguinte—bem depois do horário habitual—percebi que aquele não era um dia qualquer. As homenagens recebidas na véspera, marcando minha aposentadoria, ainda pulsavam em meu coração, transbordando emoção.

O canto dos pássaros matinais misturava-se com as palavras de apreço que ecoavam na minha mente. Por tantos anos, dediquei-me ao trabalho com empenho e determinação, garantindo não apenas minha subsistência, mas também o bem-estar da minha família. O sucesso que alcançamos foi fruto do esforço conjunto, e essa certeza enchia-me de orgulho e satisfação.

Mas e agora? Qual caminho deveria seguir? Essa pergunta me acompanhou ao longo do último ano da minha atividade profissional. Eu precisava encontrar algo que preenchesse minha mente e me proporcionasse um lazer criativo. Após muitas reflexões, compreendi que a escrita era a resposta—uma paixão que já cultivava nos momentos de folga. E que melhor maneira de começar do que contar a saga do meu avô italiano, que desbravou terras brasileiras com coragem e esperança? Talvez essa história pudesse, um dia, se tornar um livro.

À medida que escrevia, memórias do cotidiano e aventuras ao redor do mundo começaram a emergir. O desejo de registrar essas experiências me levou a colecioná-las em contos, prosas, poesias e poemas, muitos dos quais naturalmente se transformaram em crônicas.

Foi então que recebi um convite para compartilhar meus textos em um site. O retorno positivo, com um número expressivo de leitores, abriu novas portas. Passei a contribuir para antologias, revistas e jornais, tornando-me, sem perceber, um cronista.

Mas afinal, o que é uma crônica? Minhas pesquisas revelaram que o termo vem do latim chronica e, segundo estudiosos, nos tempos medievais, era utilizado para narrar eventos em ordem cronológica. Dessa forma, servia como um registro documental, preservando acontecimentos para a posteridade.

Com o passar do tempo, a crônica adquiriu uma essência literária mais leve e dinâmica, entrelaçando elementos poéticos, líricos e até fantasiosos. Hoje, está presente em jornais, revistas e, cada vez mais, no universo digital, mantendo sua essência vibrante e conectada aos acontecimentos do dia a dia.

Diferente de uma notícia, a crônica não precisa ser escrita por um jornalista; ela pertence ao olhar do escritor, que dá vida aos fatos com uma narrativa envolvente e imaginativa. Os personagens podem ser reais ou fictícios, e o cronista é, acima de tudo, um observador atento, que traduz a sociedade com sensibilidade e criatividade—sempre em busca de um tema que desperte a curiosidade dos leitores.


PALAVRAS DO ESCRITOR
Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. 

Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. Mais do que textos, é um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia.



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segunda-feira, 27 de abril de 2026

O SOM DOS ANOS DOURADOS - ANNI MODERNI

Memórias Douradas

Em uma velha caixa de papelão, repousavam ecos de um tempo que se perdeu nas dobras da memória. Fotografias amareladas, recortes de jornal, vestígios de um passado que, ao serem tocados, despertaram lembranças como folhas ao vento.

Abri essa janela do tempo e vi os dias dourados renascerem, os anos de juventude pulsando em cada registro. Entre os tesouros guardados, uma imagem destacou-se: lá estava eu, jovem e audacioso, tocando bateria na orquestra das domingueiras matinais, aquelas que se acendiam no Clube Grêmio dos Ferroviários logo após a missa das nove horas na igreja da Matriz.

Era a época do frenesi juvenil. Uns corriam para o Cine Ypiranga, ansiando por risos e travessuras de Tom e Jerry, enquanto outros, seduzidos pelo frenético ritmo do rock, desciam para dançar na rua logo abaixo da praça. Elvis Presley era o rei, sua voz ecoava incessante nas rádios, e nós, músicos apaixonados, o evocávamos em acordes selvagens e melodias de pura devoção.

Nosso próprio Elvis, Ted Milton, encarnava a essência do astro: voz imponente, presença magnética, e um balanço que arrebatava os sentidos. Tutti Frutti incendiava a pista, Blue Suede Shoes fazia os pés rodopiarem, enquanto Love Me Tender e Always On My Mind se tornavam os suspiros de almas enamoradas.

Até que, como um acorde interrompido, as domingueiras silenciaram. Os músicos chegavam cansados dos bailes de sábado, e eu, que só tocava aos domingos, senti a tristeza de ver aquele ritual desaparecer.

Mas a música não aceita despedidas, apenas metamorfoses. Assim nasceu o trio, pequeno em número, mas imenso em sonho. As primeiras “brincadeiras dançantes” aconteceram timidamente, inspiradas pelos filmes americanos. A primeira delas, na casa de uma moça cujo nome a névoa do tempo apagou, quase não aconteceu – até que os pais, após muita conversa, abriram as portas para nossa arte.

A grande garagem nos recebeu como palco. O piano, sentinela de melodias, tornava-se a espinha dorsal do trio. Eu, Tony Vendra, estampava meu nome no surdo de pedal da bateria que meus pais me concederam após tanta insistência. Ao meu lado, Joel das “Candongas” no piano e Joãozinho “Boa-Pinta” ao saxofone.

Com camisas vermelhas e calças negras, éramos uma visão. Meu pai, com paciência e afeto, transportava a bateria no Ford que parecia uma barca, e assim seguíamos para onde a música nos chamasse.

As canções italianas imperavam e, por ordem dos anfitriões, as melodias deveriam ser suaves, próprias para danças de rosto colado e murmúrios secretos trocados ao pé do ouvido.

A primeira nota da noite pertencia à delicada Non Ho L’età, interpretada por uma menina do grupo, ecoando o timbre de Gigliola Cinquetti. A canção falava de juventude e espera, encantando os pais e aquecendo os corações juvenis.

Nossa fama crescia. Professores dançavam, alunos conversavam na escola sobre os próximos encontros, e nos intervalos das festas, floresciam poesias declamadas com brilho e emoção.

Até os adultos deixavam escapar pequenos excessos. O ponche servido pela mãe da anfitriã, insuspeito em sua doçura, recebia, como um segredo, um toque de vodka, e então, alegrias se multiplicavam, verdades eram ditas, declarações floresciam ao som do nosso trio.

O encanto era tanto que alguns jovens levavam a dança para as ruas, e ali, entre olhares de aprovação e reprovação dos vizinhos, o ritmo se espalhava como uma brisa inquieta.

Foi nesse turbilhão de música e vida que recebi um convite inesperado: aos sábados pela manhã, eu atenderia telefonemas na rádio Difusora, selecionando canções e declamando versos escolhidos com o programador.

A recompensa? Entradas para os cinemas Ypiranga e Marabá – um prêmio que era, para mim, tão valioso quanto os aplausos que ecoavam em nossas apresentações.

E eu tinha uma exigência: apenas música italiana. Assim, garantíamos que ressoassem nas ondas do rádio as vozes de ícones como John Foster, Lorella Vital, Pino Donaggio, Sérgio Endrigo, Peppino Di Capri e Luigi Tenco.

Mas acima de todos, havia Modugno, o poeta da canção. Sua voz preenchia o silêncio com magia, suas composições atravessavam fronteiras e, quando ele veio ao Brasil, deixou sua marca de maneira inesquecível.

Hoje, folheando essas memórias, revivendo os dias de juventude efervescente e melodias que nunca envelhecem, sinto no peito um misto de saudade e gratidão. Os Anni Moderni foram mais que um tempo. Foram um sentimento, um instante eterno, uma melodia que ainda ressoa na alma.



Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.


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sábado, 25 de abril de 2026

O PODER DO LEGADO MUSICAL - MIO BABBINO CARO


A  Arte  que  Inspira

Mio babbino caro

A música tem um poder singular: transcender o tempo e tocar a alma. Algumas obras carregam uma identidade tão marcante que se tornam eternas, reconhecíveis em qualquer cenário, evocando emoções profundas e memórias vivas.

Este banner representa mais do que uma simples homenagem — é um tributo à grandiosidade de uma composição que, mesmo com o passar dos anos, continua a cativar corações e mentes. 

Uma obra inequívoca, que não apenas ressoa nos ouvidos, mas vibra na essência de quem a aprecia.

Ao criar este espaço visual, busquei capturar a magia do instante e traduzir em palavras e imagens a inspiração que essa música me trouxe. 

Que esta arte sirva para compartilhar o encanto e reafirmar o impacto inconfundível dessa peça no universo sonoro.

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CIÚMES DA VIOLA

 UM TEXTO HUMORADO E ALUSIVO AS VIOLAS E ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

Em uma longínqua cidadezinha do interior, conhecida por Jacundá Mirim, vivia um caboclo muito conhecido por “Juca guizo de cobra”. Carregava esse apelido desde criança, porque seu pai, em uma noite de festa de São João, com muita pinga rolando de boca em boca, teve uma visão, anunciando que o seu filho mais novo, iria se tornar um grande violeiro.

Para tanto, deveria, junto com o menino, capturar uma cascavel, enrolá-la em seu braço direito e fazer várias rezas em uma capela abandonada na beira da estrada do local onde moravam, para que a “profecia” fosse realizada.

Partiram para lá e viram uma cobra enrolada nos pés do único santo que estava postado em um altar todo empoeirado, que todos diziam milagreiro, pois as pessoas, em desespero de causa, iam buscar, naquele local, apoio para suas dificuldades. Foi uma correria danada dentro do local, até que conseguiram apanhar a serpente.

Ainda na visão do Zé Mangabeira, pai do Juca, no dia seguinte deveria sacrificá-la, pois era sexta-feira dia treze e, tudo estava acontecendo, conforme recebido em sua visão.

Feito isso, pai e o filho deveriam cortar a cabeça e o guizo e deixar aquelas partes secarem ao sol, sobre um pé de aroeira.

Depois dessa etapa, os ossos deveriam ser colocados dentro de uma viola, que não podia ser comprada, tinha que ser presenteada, o que fez um dos seus tios, por imposição do pai, o Zé Mangabeira.

Assim sendo, Juca não precisou aprender a tocar o instrumento; esse “dom” foi concebido em uma noite de luar, quando o tio lhe entregou a viola na presença do pai. Acarinhou-a de mansinho e logo foi colocando o nome, Lucinda, que já tinha no pensamento. Naquele instante, começou a palmeá-la com sutileza e muita delicadeza, tornando-se desde então, um tocador inigualável.

Não deixava ninguém chegar perto de Lucinda, porque alguns sabiam daquela “estória do guizo” e queriam ver o chacoalhar diferente da caixa de som, produzido pelo dedilhar do Juca, ágeis que nem uma cobra, transformando velhas canções como “Abismos de Rosas”, em solos entorpecedores, deixando as pessoas maravilhadas.

Sua fama correu fronteiras, e assim, era chamado para tocar nas festas de peão-boiadeiro, casamentos e bailes de cocheiras.

Nos momentos dos intervalos dos shows, quando ia ao sanitário, tinha que levá-la, pois não confiava em deixá-la com alguém; assim, comprou um cachorro, daquele tipo policial, a quem confiou a guarda, o que fazia com dedicação; ninguém se atrevia chegar perto da viola, que ele, Pitoco, rosnava e latia.

Não tinha empresário, tudo era acertado nos momentos que antecediam uma apresentação; não gostava de tratar nada por telefone. E assim foi crescendo ainda mais sua fama de violeiro, tendo por companheiros a viola Lucinda e o cachorro Pitoco.

Em suas apresentações, o locutor do rodeio assim o apresentava

Era uma alegria imensa, porque, conforme Juca dedilhava a viola, Pitoco uivava sem parar, como se fosse um acompanhante da música, mas no fundo eram ciúmes da Lucinda; ele a queria tanto, que dormia ao seu lado, e Juca podia ir para a farra, que não havia perigo de ninguém entrar em seu camarim, para olhar o que tinha dentro da caixa de som; curiosidade que tinham, pois o solo que Juca apresentava era diferente.

Os anos passaram, e a fama de Juca continuava a crescer, mas também trazia novas responsabilidades e desafios. Em uma noite de festa, enquanto se apresentava em uma grande cidade pela primeira vez, algo inusitado aconteceu. Durante um de seus solos impressionantes, a caixa de som da Lucinda soltou um som estranho, como o sibilo de uma cobra viva. A plateia ficou em silêncio absoluto, até que Pitoco começou a latir e avançar em direção ao palco, como se pressentisse algo.

Nesse instante, Juca sentiu um frio percorrer a espinha. Ao olhar para a plateia, notou um homem idoso, vestido de preto, parado entre as pessoas. Seus olhos brilhavam de uma forma assustadora, e ele sussurrou algo que Juca não conseguiu entender, mas que parecia ecoar diretamente em sua mente.

Depois do show, Juca começou a receber cartas misteriosas. Todas traziam o mesmo pedido: que ele entregasse a Lucinda para “quebrar a maldição”. A princípio, ele ignorou, mas os eventos estranhos começaram a se intensificar. Pesadelos o atormentavam, e Pitoco uivava todas as noites para um canto vazio do quarto.

Decidido a entender o que estava acontecendo, Juca procurou uma senhora conhecida como Dona Benedita, a guardiã das antigas tradições de Jacundá Mirim. Ela revelou que o espírito da cascavel não havia descansado e que sua música carregava um poder que podia tanto encantar quanto amaldiçoar. Para resolver isso, ele teria que enfrentar um grande teste: retornar à antiga capela onde tudo começou e tocar a Lucinda até o amanhecer, sem errar uma única nota.

No dia marcado, Juca partiu com Lucinda e Pitoco. A noite estava clara, iluminada por uma lua cheia. A capela, abandonada e quase em ruínas, parecia viva sob o luar. Quando Juca começou a tocar, as paredes vibraram, e o som da cascavel ecoou ao redor. Pitoco ficou ao lado dele, rosnando baixinho, enquanto figuras sombrias pareciam se formar nos cantos da sala.

A cada canção, a tensão aumentava. Mas Juca, com a habilidade que só ele tinha, continuou firme, enquanto o céu começava a clarear. Quando a primeira luz do sol atravessou a janela, a capela ficou em silêncio. A vibração cessou, e Lucinda brilhava como nunca antes. O espírito da cascavel havia finalmente sido libertado.

Desde então, Juca continuou a tocar, mas com um novo propósito. Sua música, agora livre de qualquer feitiço, parecia ainda mais mágica, tocando os corações de todos que a ouviam.

O retorno de vocês, leitores, me motiva a buscar sempre o melhor.

Às vezes, basta abrir a janela para viver uma história. E é essa jornada de aprendizado e aperfeiçoamento que desejo compartilhar com vocês.

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