Mostrando postagens com marcador Brasil & Regionalidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil & Regionalidades. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de junho de 2026

LAMPIÃO, O BANDOLEIRO DOS SERTOES NORDESTINOS E OS MISTERIOS DO SERTÃO



O "CABRA" LAMPIÃO VIRGULINO
O bandoleiro dos sertões nordestinos 

Durante uma viagem de recreio com a família à encantadora Aracaju, capital de Sergipe — fundada em 1855 e uma das primeiras cidades planejadas do Brasil — notei que suas ruas centrais formam um curioso tabuleiro de xadrez. Em um city tour, visitamos a Catedral, a Colina de Santo Antônio — com vista panorâmica da cidade — a Praia de Atalaia e o Mirante do Calçadão da 13 de Julho, onde se localiza o Mercado Municipal, que me fascinou.

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.

Comentei com minha esposa que deveríamos voltar ao mercado para explorar melhor suas peculiaridades culturais. Havia muito folclore, artesanato e um contador de histórias que me encantou. Em outro dia, seguimos rumo aos Cânions do Rio São Francisco, atravessando terras áridas até o projeto de irrigação chamado Califórnia, onde o contraste é surpreendente: plantações de quiabo, uva, acerola, coco, maçã, feijão e mais. Às margens do “Velho Chico”, ergue-se a imponente Usina Hidrelétrica de Xingó, com um reservatório de 60 km² que forma cânions de beleza estonteante.

O passeio foi feito em um catamarã. Admiramos paisagens deslumbrantes, como a Gruta do Telhado. No retorno, visitamos o Museu de Arqueologia, com acervo oriundo das escavações do reservatório. Já embarcados de volta, ouvimos o cicerone narrar com entusiasmo que, dois dias antes, na cidadezinha de Piranhas — a cerca de 20 km dali — houve uma missa em homenagem à morte de Lampião.

Segundo ele, foi uma grande concentração popular, com gente de todos os cantos, celebrando o cangaceiro e seu bando. Ali perto, Lampião foi morto junto a seus companheiros, tendo a cabeça decepada pelos “volantes”, como eram chamados os policiais da época. O cicerone contou passagens da vida do bandoleiro, despertando minha curiosidade sobre esse personagem que se tornou lenda no sertão.

O pacote turístico incluía almoço em um restaurante rústico à beira da represa. Ao nos aproximarmos das mesas, o cicerone anunciou:

— Após o almoço, não deixem de conhecer Dona Expedita, filha de Lampião, que os receberá com sua filha Vera.

A senhora, que vive em Aracaju, é dona do restaurante e foi uma atração à parte. Contou que, ao nascer, foi entregue pelo pai a um casal com onze filhos. Até a morte de Lampião e Maria Bonita, foi visitada por eles apenas três vezes. Disse:

— Eu tinha medo das roupas e das armas, mas meu pai era carinhoso e sempre me colocava no colo para conversar.

No retorno a Aracaju, fiquei pensando em saber mais sobre a lenda que atravessa as fronteiras de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Bahia. Lembrei-me do contador de histórias do mercado e, no último dia da viagem, voltamos lá.

O mercado é um espetáculo nordestino: lojas, barbeiros, cabeleireiras, manicures, vendedores de queijo, castanhas, manteiga de garrafa, artesanato, grupos de forró, dançarinos e tocadores de berimbau. Fui direto à bancada dos causos e lendas. Lá estava ele, cercado de gente e até repentistas. Conheci João Firmino Cabral, mestre da literatura de cordel, cujas obras são celebradas pelo povo.

Naquele momento, lia trechos do livreto “Lampião – Herói ou Bandido”. Ouvi com atenção e, ao final, comprei um exemplar com dedicatória. Trocamos cartões e falei da minha paixão por escrever. Confesso que, de herói, vi pouco. João contou que, certa vez, Padre Cícero mandou um recado a Lampião:

Virgulino, meu afilhado, venha urgente! A Coluna Prestes quer invadir Juazeiro, saquear a cidade, queimar o mercado e matar o povo romeiro.

Lampião atendeu ao chamado. Entrou em Juazeiro e, ao saberem de sua presença, os invasores recuaram. Em agradecimento, o prefeito lhe concedeu o título simbólico de Capitão. Ao partir, cantava pelas ruas:

— O meu nome é Virgulino, mas me chamam Lampião, e agora sou capitão!

Criado com sete irmãos — três deles seus companheiros de cangaço — sabia ler, escrever, tocava sanfona, fazia poesias, usava perfume francês e era habilidoso na costura de couro, confeccionando seus próprios chapéus e indumentárias. Os acessórios eram transpassados pelo pescoço, daí o nome “cangaço”, derivado de “canga”, peça que prende o boi ao carro.

Na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, margem sergipana do São Francisco, uma tropa alagoana surpreendeu o bando. O combate durou poucos minutos. Entre os onze mortos, estava o temido Virgulino Ferreira da Silva.

Era o fim da saga do pernambucano de pele queimada, cabelos crespos, braços fortes e quase cego do olho direito. Um “cabra” destemido, que invadia sítios, fazendas e até cidades. Entrou no cangaço após o assassinato do pai, em 1920, por um volante. Ele e três irmãos juraram vingança e se uniram ao bando de Sinhô Pereira. Quando este foi perseguido, passou o comando ao jovem Virgulino, então com 24 anos. Nascia o lendário Lampião.

Foram oito anos de perseguições pela caatinga até sua morte. Decapitados, suas cabeças foram expostas na escadaria da Prefeitura de Piranhas. Lampião tinha 40 anos. Muitas lendas surgiram com sua morte. Uma delas fala de um tesouro enterrado no sertão. Dizem que levava 5 quilos de ouro e o equivalente a 600 mil reais em dinheiro. Só no chapéu, ostentava 70 peças de ouro puro.

Mesmo após sua morte, Virgulino Ferreira da Silva, o menino do sertão que virou Lampião, permanece vivo na memória popular. Sua história extraordinária parece destinada a nunca ser esquecida.

E depois de tudo o que ouvi e li, não poderia encerrar esta crônica sem deixar fluir um conto que brotou da minha imaginação…

🌶️ Entre a História e o Cordel

 O Sabor do Sertão

Antes de seguir com o conto que brotou da minha imaginação, quero abrir espaço para um tempero especial. Afinal, o cangaço não se fazia só de peixeira e poeira — havia também o cheiro forte da comida feita no mato, com o que se tinha à mão: um pedaço de caça, umas raízes, um punhado de farinha e muita coragem.

Dizem que Lampião, apesar de feroz, era exigente com a comida. Quando o bando acampava, os cabras se viravam com o que encontravam: uma perdiz, um tatu, às vezes até uma cobra. E com isso, faziam um ensopado que sustentava homem valente por dias.

Aqui vai uma receita inspirada nesse espírito — um prato que poderia ter sido servido sob a luz da lua, entre espinhos da caatinga e histórias ao pé do fogo.

🥘

Ensopado de Caça do Cangaço 

(com perdiz ou carne de cobra)

Ingredientes:

1 perdiz limpa (ou 500g de carne de cobra bem lavada e cortada em pedaços)

2 colheres de gordura de porco ou óleo de coco babaçu

1 cebola roxa picada

3 dentes de alho amassados

1 pimenta-de-cheiro (ou dedo-de-moça, se quiser mais ardência)

2 tomates maduros picados

1 colher de chá de colorau

1 folha de louro

Sal a gosto

Cheiro-verde ou coentro picado (se tiver)

1 litro de água quente

Farinha de mandioca para acompanhar

Modo de preparo:

1. Em uma panela de ferro (ou caldeirão de acampamento), aqueça a gordura e refogue a cebola, o alho e a pimenta.

2. Acrescente os pedaços da caça e deixe dourar bem.

3. Junte os tomates, o colorau, o louro e o sal. Misture tudo.

4. Cubra com água quente e deixe cozinhar por cerca de 40 minutos, até a carne ficar macia e o caldo encorpado.

5. Finalize com cheiro-verde ou coentro, se tiver.

6. Sirva com farinha de mandioca e, se quiser manter o estilo do cangaço, coma com as mãos e ao redor do fogo.

👹

Esse prato é mais que sustento — é memória viva do sertão. E agora, com o estômago cheio e o coração aquecido, seguimos para o conto que imaginei sobre Lampião e o “Lamparina

Lampião e o “Lamparina”

O povo de uma pequena cidade já não aguentava mais os ataques do bando de Lampião. A vila ficava bem na rota de fuga e esconderijo dos cangaceiros, e sempre que passavam por ali, deixavam um rastro de destruição. O prefeito era obrigado a liberar o depósito de mantimentos — destinado às famílias mais pobres — e, no meio da balbúrdia, as casas eram invadidas, as mulheres desrespeitadas, e ainda tinham que preparar comida para aqueles homens brutos.

Cansado da situação, o prefeito decidiu contratar uns jagunços para proteger a cidade. Eles se acamparam no galpão da Prefeitura, prontos para qualquer eventualidade, pois sabiam que Lampião voltaria em breve para mais uma estripulia.

Numa noite escura, o bando se aproximou da cidade. Lampião resolveu acampar ali mesmo, ao pé do fogo, e mandou o cabra Azulão levar um bilhete ao prefeito. O bilhete dizia:

— Seu filho de uma égua, amanhã quero cinco contos de réis na minha algibeira e comida pros meus meninos. Não tente me enganar, senão corto suas orelhas e sua língua, seu corno dos infernos.

Azulão partiu. Ao chegar à cidade, percebeu algo diferente: em cada entrada havia um jagunço armado. Conversou com um deles:

— Estamos aqui a mando do prefeito, pra espantar o bando de Lampião.

Mesmo assim, Azulão foi até a Prefeitura e entregou o bilhete. O prefeito respondeu:

— Manda o Lampião ir tomar no rabo! Aqui quem manda sou eu. Que venham, se tiverem coragem. Agora tenho proteção.

Azulão voltou e contou tudo. Lampião ficou furioso:

— Quantos cabras tem na vila?

— Sei não, capitão. Tem gente escondida, não contei.

— Seu inútil! — gritou Lampião, dando-lhe um chute no traseiro. — Não serve pra nada!

Logo mandou mais alguns homens descerem o morro para analisar a situação. Os jagunços, ao perceberem que se tratava de homens de Virgulino, bateram em retirada. Só o chefe, que dormia no galpão, ficou para enfrentar o bando no dia seguinte.

Lampião mandou seu irmão, Bico-Fino, verificar o terreno. Voltou dizendo:

— Meu irmão, só tem um cabra. Os outros fugiram.

— Então vamos! Quero ver a mulherada e encher a pança.

O bando invadiu a Prefeitura de supetão. O prefeito, desesperado, gritou para o chefe dos jagunços:

— Dê um fim nesses bandidos! Aproveitadores de mulher!

O chefe, sozinho, abriu a janela e chamou:

— Venham aqui! Vamos acabar com eles!

Silêncio. Ninguém respondeu.

Ele correu para o meio da rua e lá estava Lampião, esperando com a peixeira na mão. O jagunço, até então valentão, começou a urinar nas calças. Lampião disse:

— Ué, seu frouxo, tu não é macho? Sabe com quem tá falando? Sou o temido Capitão Virgulino, o Rei do Cangaço. E tu é quem?

Todo encolhido, ajoelhado aos pés de Lampião, respondeu:

— Sou o Lamparina... o Rei do Cagaço.

E assim acabei de criar mais uma estória, como tantas outras que povoam o imaginário sobre essa figura fascinante que continua viva na memória do povo sertanejo.


Um passeio por memórias, afetos e encantamentos.

Este meu blog não tem capa dura nem páginas numeradas.

Ele vive nas entrelinhas do tempo.

Cada texto é uma fresta — por onde escapa o que ainda pulsa.

Escrevo como quem conversa com o silêncio.

Como quem guarda o mundo em palavras pequenas.

Como quem acredita que lembrar é uma forma de amar.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

🌿 Mensagem de Rodapé

 Comente sem medo! Vá mais abaixo - em Postar um Comentário

Aqui não importa escrever bonito ou certo — importa escrever com o coração. Pode ser uma frase curta, uma lembrança ou apenas dizer o que sentiu. Cada comentário é uma semente que ajuda este espaço a florescer.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O CASAMENTO DO LOBISOMEM E A MÃE D'AGUA E A LENDA DO "CAIPORA" - RECEITA NO FINAL




O nascimento do Caipora

Contos são obras e textos de ficção, onde é permitido criar um universo paralelo de acontecimentos, fantasias e muita imaginação. Esses tipos de textos costumam ser curtos em extensão, porém seus significados nos fazem pensar e refletir muito...

Na vastidão das noites brasileiras, onde o silêncio é quebrado pelo canto dos grilos e o estalo das fogueiras, vivem histórias que não cabem nos livros — mas que se perpetuam nas bocas dos antigos. Esta é uma delas. Uma lenda que mistura desejo, floresta e mistério. E no final, como manda a tradição da roça, uma receita que aquece o corpo e a alma. 

A chama da fogueira dançava no coração da noite, iluminando os rostos atentos dos jovens indígenas ao redor. O velho cacique, com o olhar carregado de sabedoria e mistério, tragou lentamente seu cachimbo e começou:

Na pequena cabana do lenhador, a tarde se fez noite. Pela janela do casebre, via-se o clarão da vela sobre a mesa, iluminando o pedaço de pão endurecido que saciaria a fome daquele homem de músculos vigorosos. Seus golpes com o machado mantinham o fogo aceso para aquecer o ambiente nas noites frias e chuvosas de inverno. Morava sozinho. Como o sétimo filho de uma família que deixara o vilarejo, ficou para colher a última safra de milho a mando do pai, prometendo se reunir com os parentes ao término da colheita. Mas os meses se arrastavam, e sua solidão crescia.

Era um homem de modos estranhos, arredio e inquieto nas noites de luar. Contemplava a escuridão com olhares soturnos voltados à montanha que dominava o vale cortado por um riacho. Em uma dessas noites, enquanto aguardava algo inexplicável, acendeu um cigarro de palha. O luar crescente despertou algo em seu interior. Arrepiado, com sangue fervendo, saiu de seu casebre como um foguete, rumo à montanha. No cume, contemplou o vale e o riacho caudaloso. Foi então que avistou o corpo de uma mulher com um canto hipnotizante às margens da água.

Era a Mãe D’Água — criatura de beleza arrebatadora, olhos verdes e cabelos longos — que se banhava nas águas. Ele já percebia os pelos que cresciam em seus braços. Uivou ao céu e desceu em um trote desenfreado até o riacho. A mãe sabia de seu segredo, mas não estava ali para acalmá-lo. Seus instintos tomaram o controle. Pulou na água sem tirar a roupa — afinal, já estava coberto de pelos — e uniu-se à Mãe D’Água, embalado por sua dança nas ondas e por um desejo monstruoso que saciou sua sede de volúpia.

Quando o sol nasceu, o homem correu para refugiar-se da luz em seu casebre. A Mãe D’Água desapareceu, escondendo-se em uma caverna onde, meses depois, deu à luz a uma criatura única: o Caipora. De pés virados para trás e olhos penetrantes, tornou-se o protetor das matas e da caça. Pequeno e ágil, montado em um porco-do-mato, usava seu riso estridente para aterrorizar os caçadores desrespeitosos. Aqueles que encontravam seus rastros eram enganados por sua habilidade de despistar seguidores, deixando-os perdidos.

Com o tempo, o Caipora tornou-se uma figura lendária. Nos vilarejos, histórias de suas aparições em noites de luar alimentavam o imaginário popular. Os viajantes diziam vê-lo fumando cachimbo e pedindo cachaça, sempre com o propósito de preservar o equilíbrio das matas. Embora temido, era também respeitado como guardião da vida selvagem.

👹

Inspirada na colheita do lenhador e nos sabores da roça, esta pamonha é perfeita para acompanhar histórias contadas à beira da fogueira.

 Receita da roça:

 “Pamonha de milho verde com queijo

Ingredientes:

6 espigas de milho verde

1 xícara de açúcar

1 pitada de sal

1 colher de sopa de manteiga

150g de queijo minas cortado em cubos

Palhas de milho para embrulhar

Modo de preparo:

1. Retire as palhas das espigas com cuidado e reserve.

2. Rale os grãos ou bata no liquidificador com um pouco de água.

3. Misture o milho com açúcar, sal e manteiga até formar uma massa homogênea.

4. Coloque uma porção da massa sobre a palha, adicione um cubo de queijo e feche como um envelope.

5. Cozinhe em água fervente por cerca de 40 minutos.

6. Sirva quente, com café coado ou cachaça artesanal — como faria o Caipora.

💯 

 BIOGRAFIA CURTA 

Antonio Vendramini é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória — entre receitas simples e flores cultivadas com afeto. Em Vendramini Letras, compartilha palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.


 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

quarta-feira, 17 de junho de 2026

MINHAS MANHÃS COM CHEIRO DE CAFÉ

Não sei dizer ao certo, o que é mais verdadeiro: “Às vezes, meu café inspira o meu trabalho ou meu trabalho inspira o meu café.”    


Antônio, escritor e cronista, transforma memórias e vivências em literatura que celebra o ser humano.

Texto elaborado por terceiros, originalmente publicado em O Olhar do Escritor.



Algum tempo atrás, costumava começar o meu dia com um cafezinho coado. Até que recebi uma propaganda em meu e-mail, ofertando aquelas máquinas preparadoras de expressos, apresentando um bonito visual, que com apenas um toque, estava pronto o mais saboroso café, sem aqueles preparativos de praxe, pegar o pacote com o pó, preparar o coador, bule, etc.

Entusiasmado com a notícia, enveredei pelos sites a procura de uma que mais se adequasse as minhas necessidades, e oferecesse cápsulas do produto, vindos das mais variadas partes do mundo, que introduzidas na cafeteira, traria aquele sabor característico do expresso, bem diferente do produto do mercado interno, que sem dúvida, deixa a qualidade muito a desejar.
Escolhida a máquina e as cápsulas, iniciei o meu ritual de tomar café pela manhã, com um novo sabor, descobri então, que esse momento diário ficou mais importante, pois robusteceu o apetite insaciável de escrever. O café e a manhã tornaram-se mais agradáveis, é quando nascem as minhas melhores ideias. Encontrei a parceria e a inspiração para elaboração das minhas crônicas com mais vigor.
A crônica que alguns rotulam como um gênero pequeno da literatura, tem os seus mistérios. Mesmo aqueles que não gostam de café, apreciam o cheiro, que inebria e energiza até os pensamentos. Pessoas que não apreciam a literatura ou não tem o costume da leitura, curtem uma boa crônica. Se bem trabalhada, traz para o leitor iniciante, como o café chama para o redor de uma mesa, convidando a todos para um bom dedo de prosa, mesmo aqueles que não bebem, chegam junto a roda, e o diálogo acontece de maneira agradável.
A crônica, é atrativa, leva o leitor gostar de toda literatura; como poemas, contos e romances. 

Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados.

💢


“Este conteúdo integra meu blog, onde registro pensamentos e histórias ao longo do tempo. Se tocou você de alguma forma, siga e compartilhe — e deixe seu comentário no espaço indicado, pois cada leitor é parte dessa caminhada.”

Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

ILHÉUS: ENTRE CACAU E MISTÉRIOS



VOCÊ VAI VER DETALHES DOS BORDEIS DOS CORONÉIS. ´
 estátua de Jorge Amado

Nossa jornada nos levou a Ilhéus, a cidade que respira cacau e literatura, imortalizada por Jorge Amado. Atracamos em seu porto após cruzarmos o Atlântico, prontos para descobrir os mistérios que o tempo escondeu entre suas ruas 
e casarões.

"Quer saber mais? Clique no negrito das palavras."

Dizem que, se você nunca leu Gabriela, Cravo e Canela, ao pisar nesta cidade será inevitável: o romance está por toda parte. Hotéis, restaurantes e bares ostentam nomes retirados do livro, como se fossem personagens vivos que ainda percorrem as noites tropicais. O cheiro doce do cacau paira no ar, misturando-se ao sal da brisa marinha. As ruas de pedras antigas refletem o sol escaldante, enquanto o ritmo tranquilo da cidade convida à contemplação.

Casa da Cultura

No casarão neoclássico onde Jorge Amado passou a infância, as paredes guardam lembranças e história. A grandiosidade do imóvel, com pé-direito elevado e piso de jacarandá, remete aos tempos áureos do cacau. Convertido em museu, o local preserva trajes, documentos e vídeos sobre a vida do escritor. Cada cômodo parece conter um pedaço da alma do autor, como se suas histórias ainda flutuassem pelo ambiente.

Olha Nóis Aí.

Bar Vesúvio

O mais tradicional restaurante da cidade, ativo desde os anos 1920, mantém seu charme e sabor. Aqui, sentamos ao lado da estátua de Jorge Amado e lemos sua frase gravada no banco: “Baiano é um estado de espírito”. O perfume do café recém-passado se mistura ao aroma das especiarias dos pratos típicos. É impossível não imaginar as conversas que ecoavam naquele espaço, entre comerciantes, fazendeiros e viajantes.

Bataclan – O Bordel dos Coronéis

Há lugares onde o passado se recusa a desaparecer. Entrar no Bataclan é sentir que as paredes ainda sussurram segredos. O chão antigo, de madeira rangente, parece murmurar lembranças de noites longínquas. O cheiro levemente adocicado do perfume antigo ainda paira no ar, misturado à história que nunca se perdeu. Foi lá que Maria Machadão fez história: poderosa, amiga dos coronéis, e dona da casa mais disputada da cidade.

Mas entre as noites de festa e luxúria, havia um segredo. Subindo uma escadaria nos fundos do prédio, encontramos um contador de histórias, sentado no antigo quarto de Maria Machadão. Em voz baixa, ele nos revelou:

"Os coronéis subornavam o padre para prolongar a missa e diziam às esposas que iriam tratar de negócios no Bar Vesúvio. Mas no fundo do bar existia uma passagem secreta que levava direto ao Bataclan..."

O sino da igreja, tocado pelo padre, era o sinal para que voltassem ao Vesúvio e recuperassem suas máscaras sociais. O bordel viveu seus dias de glória até os anos 1940, desaparecendo depois. O prédio foi esquecido, mas Jorge Amado garantiu que sua história jamais fosse apagada.

Tombado como patrimônio histórico, o Bataclan renasceu em 2004, reformado para abrigar um restaurante e espaço cultural. Muitos dos detalhes originais foram preservados, ainda que a falta de registros tornasse o trabalho desafiador. Uma curiosidade que poucos conhecem é que, durante a reforma, alguns objetos foram encontrados escondidos entre as vigas e paredes – pequenos frascos de perfume, antigos sapatos femininos e até notas escritas à mão, testemunhos silenciosos de um tempo que se recusava a ser esquecido.

Até hoje, há quem jure ter visto sombras se movendo pelos corredores do Bataclan, como se espíritos das antigas noites ainda habitassem o prédio. Para alguns, é apenas imaginação. Para outros, uma prova de que certos segredos jamais desaparecem.

Outros Encantos de Ilhéus

Além do centro histórico, o interior da cidade remete a Tieta do Agreste, com suas paisagens de areia branca e coqueirais. A história das fazendas de cacau também é lembrada, repletas de riqueza e desigualdade. Até que a praga Vassoura de Bruxa devastou as plantações, levando Ilhéus a reinventar-se.

E para aqueles que buscam um refúgio paradisíaco, a Praia Pé de Serra, quase intocada, aguarda os amantes da natureza com seu mar esmeralda e vastas faixas de areia. O som das ondas quebrando na costa e o vento balançando suavemente os coqueiros criam um cenário perfeito para aqueles que desejam se perder na beleza natural do sul da Bahia.

Compartilhe nos comentários

Antonio Vendramini Neto

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras 

sábado, 13 de junho de 2026

RETIRANTES: PROTAGONISTAS DE UM POEMA


Antônio é um viajante das palavras. Entre raízes de Jaú e horizontes de Jundiaí, sua escrita é ponte entre lembranças e descobertas. Cada crônica é um convite ao leitor: mergulhar na memória, celebrar o instante e reconhecer o humano que habita em cada história.

Texto elaborado por terceiros, originalmente publicado em O Olhar do Escritor.


Durante um trabalho temporário no sertão nordestino, fui tocado por uma paisagem que falava mais alto que palavras. O chão rachado, o sol impiedoso, os rostos marcados pelo tempo e pela luta — tudo ali parecia contar uma história ancestral de resistência.

Foi nesse cenário que nasceu este poema, inspirado nos retirantes: homens, mulheres e crianças que, mesmo diante da escassez, carregam consigo a dignidade e a esperança.

Assolava fome e tristeza.
Não nascia mais ninguém.
Povo cansado e calejado,
Faltava maternidade,
Faltava parteira também.
Batiam em dura retirada,
Com o amparo do cajado.

Força da mãe natureza,
Num lugar não reluzente.
Sol de luz sempre presente,
Mas sem luz materna acesa.

Sítio ermo e doentio,
Muito pó pelo caminho.
Pedras de duro feitio,
Ventre pesado no ninho.

Visão distante da cidade,
Gemido em conflito ardente.
Garganta periclitante,
Vento uivando de verdade.

E ali, contra o desatino,
Nasceu a vida — sem eira, sem beira.
Para o desencanto da alma,
E o desespero dos recursos.

 Encerramento Poético Dramático 
Mas mesmo ali, onde o chão não dá trégua,
Onde o tempo parece esquecer os nomes,
Brota um olhar que desafia o destino.
Retirantes seguem — não por fuga,
Mas por fé no que ainda pode florescer.
São protagonistas de um poema sem fim,
Escrito com poeira, suor e esperança.
Porque o sertão, mesmo seco,
Ainda sonha com chuva.
💫

Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados. 



Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

QUANDO A TERRA DANÇA EM PUERTO VARAS

Crônica da Viagem ao Chile Um relato informativo sobre a viagem ao Chile, os encantos culturais de Puerto Varas e a inesperada experiência d...