| “O Domingo em que o Cavalo Virou Artilheiro” |
Era mais um domingo abafado no interior paulista, daqueles em que até o vento parecia preguiçoso. O time da cidade, sempre na corda bamba da primeira divisão, lutava mais para não cair do que para subir. A torcida já estava cansada: ingressos caros, futebol sofrível e ainda tinham que bancar rifas, sorteios e promoções para manter o clube respirando. Era como pagar para sofrer — e ainda sorrir no final.
A diretoria, desesperada, resolveu apelar mais uma vez para o bolso e a paciência do torcedor. Só que dessa vez, a criatividade ultrapassou os limites do ridículo. Os jogadores, com salários atrasados, começaram a reclamar. Foi então que o lateral apelidado de Gaúcho, vindo lá dos pampas, resolveu “ajudar”: ofereceu um de seus cavalos para ser sorteado no intervalo do jogo. O detalhe? O animal era um pangaré manco, aposentado dos rodeios, que mais parecia peça de museu do que prêmio de loteria.
A rádio local começou a anunciar com pompa: “No intervalo, uma surpresa imperdível para os torcedores!” O mistério se espalhou pela feira, pelo comércio e até pelas igrejas. O povo foi em peso ao estádio, mais curioso pelo sorteio do que pelo futebol.
No intervalo, com o placar empatado, o locutor se esgoelava no microfone: “Chegou a hora da grande surpresa!” A urna foi levada ao centro do gramado e o número sorteado caiu nas mãos de uma jovem animada, que correu com o namorado para receber o prêmio. Ansiosa, ela perguntava: “Cadê? Cadê o meu prêmio?” Foi quando surgiu o Gaúcho, puxando o cavalo manco pelo cabresto. A cena foi digna de novela cômica: a moça ficou indignada, o namorado sem saber o que fazer, e o cavalo… simplesmente disparou pelo campo!
O animal corria endiabrado, driblando jogadores, gandulas e até o juiz. Um atleta, na tentativa de acalmá-lo, chutou a bola em sua direção. O cavalo, empolgado, perseguiu a redonda e acabou empurrando-a para dentro do gol. O estádio explodiu: “É gol! Mas de quem? Do time ou do cavalo?”
No auge da confusão, o pangaré enroscou a pata na rede e ficou preso. Chamaram os bombeiros, que ao entrar com o caminhão pelo portão estreito, derrubaram alambrado, portão e metade da estrutura. Resultado: o cavalo continuou preso, o jogo acabou sem segundo tempo e a torcida saiu sem saber se ria ou chorava.
No dia seguinte, uma reportagem da capital foi ao estádio. Procuraram o cavalo, mas não havia sinal dele. Nem rede rasgada, nem pegadas, nada. O mistério permanece até hoje: teria o pangaré virado lenda, fantasma ou simplesmente fugido para nunca mais voltar?
Entre pedras antigas e histórias que resistem ao tempo, este espaço nasce como um refúgio para a alma. Aqui, cada texto é uma travessia — um olhar sobre o humano, o divino e o cotidiano. São relatos que unem fé e sensibilidade, onde o silêncio das ruas, o aroma do chá e o brilho das velas se transformam em palavras.
Antonio Vendramini Neto é um contador de histórias do cotidiano. Escreve
crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que
aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.
Que este blog seja um convite à contemplação:
um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das
pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.
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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

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