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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

CELEBRAÇÕES ITALIANAS: UMA NOITE DE MÚSICA, EMOÇÃO E SPAGUETTI

 

Celebrações 
Italianas 

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.

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Em um tempo que já não sei precisar, numa cidade vizinha marcada pela alma vibrante dos imigrantes italianos, aconteciam as festividades que celebravam a chegada das famílias da Vecchia Signora. Era como se, por alguns dias, o relógio parasse e a cidade se transformasse numa vila italiana — com bandeirolas nas ruas, música nas praças e aromas de alho e manjericão flutuando no ar.

O negrito nas palavras do texto é o convite. O clique, a resposta.

No coração dessa celebração, havia um restaurante rústico, com teto de sapé e paredes de toras de eucalipto, que mais lembrava uma cantina escondida nas colinas da Toscana. Ali, um pequeno palco recebia cantores vindos da Europa e, em outras noites, artistas brasileiros da velha guarda. Era um lugar onde a música não apenas tocava — ela acontecia.

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Numa dessas noites memoráveis, recebi um convite de um amigo italiano para prestigiar uma caravana de conterrâneos que se apresentariam no local. Com entusiasmo, embarcamos juntos nessa jornada: ele, sua esposa, eu e a minha. Ao chegarmos, fomos recebidos com um sorriso largo por Salvatore, nosso anfitrião, que já havia reservado uma mesa especial, bem próxima ao palco.

O ambiente era pura celebração. Luzes suaves pendiam do teto, criando um clima acolhedor. Canções napolitanas ecoavam pelo salão, embalando os corações e arrancando suspiros nostálgicos. As taças tilintavam em brindes espontâneos, e os pratos chegavam fumegantes, exalando os aromas irresistíveis da culinária italiana. O vinho, produzido com uvas cultivadas nas encostas da região, tinha um perfume terroso e profundo — como se cada gole contasse uma história.

Salvatore, já entregue ao espírito festivo, não conseguia conter sua empolgação. Cantava em sua própria mesa, gesticulando com paixão e entoando trechos como um verdadeiro amante da música. Até que, num momento de pura euforia, exclamou:

— É o Tony! Meu velho conhecido! Faz tempo que não o vejo! Olha só, com aquele paletó brilhante, digno de um grande cantor!

A cada garfada na comida e cada gole de vinho, sua animação aumentava. Até que, tomado pela euforia, decidiu ir até o palco. Ali, fazia sinais para Tony como se quisesse gritar: Estou aqui, velho amigo! O cantor, por sua vez, gesticulava de volta, indicando que estava ocupado com sua apresentação. Mas Salvatore não se conteve. Aos poucos, aproximou-se, pedindo para ouvir esta ou aquela canção da sua região. A plateia observava a cena, divertida com sua audácia.

E foi então que, movido pelo entusiasmo, ele subiu as escadinhas do palco. Os olhares se voltaram para ele. Tony tentava, com paciência, manter o controle da situação, mas a paixão italiana de ambos se transformou numa conversa acalorada — ou melhor, numa discussão exaltada, repleta de gestos largos, vozes cada vez mais altas e exclamações típicas da língua italiana.

Num rompante inesperado, Tony, já sem saber o que fazer, arrancou seu paletó brilhante e entregou para Salvatore, como se fosse um troféu.

E, de repente, Salvatore o vestiu e começou a sapatear no palco, sentindo-se o próprio cantor! A plateia delirava, gargalhando diante da cena cômica e absurda. O gerente do restaurante, percebendo que a situação havia fugido do controle, correu até o palco para intervir. Tony, indignado, exigia seu paletó de volta. Mas Salvatore, em seu estado de euforia e já "meio alto", segurava a peça com firmeza, recusando-se a devolvê-la.

O embate atingiu seu ápice: os dois rolaram pelo palco, em uma disputa hilariante e digna de um espetáculo teatral. O público italiano vibrava, ovacionando aquela confusão absurda e divertida.

No final, o paletó rasgou-se no corpo de Salvatore. Tony conseguiu recuperar o que restava da peça, mas, ao subir novamente para cantar, percebeu que faltava uma manga. Tomado pela raiva e pelo cansaço, ele simplesmente arrancou a outra, transformando seu elegante traje num colete improvisado.

A apresentação chegou ao fim em meio a risos e aplausos. Salvatore, ainda tomado pelo espírito da noite, entrou no carro com uma manga do paletó brilhante na mão, bradando:

— Eu sou Tony agora! Ano que vem, venho cantar aqui de novo! Vou mandar fazer um paletó com essa manga como amostra para o meu alfaiate!

Deixamo-lo em sua casa com sua esposa, ainda imerso em sua euforia musical. Enquanto isso, voltávamos para casa chorando de rir, com o sabor do vinho ainda na boca e a lembrança da macarronada ainda quente no coração.


🍝 Receita da Noite: 

Spaghetti alla Puttanesca

Porque toda boa história italiana termina com um prato inesquecível.

Ingredientes:

400g de spaghetti

4 colheres de sopa de azeite de oliva

3 dentes de alho picados

6 filés de anchova

1 xícara de azeitonas pretas sem caroço

2 colheres de sopa de alcaparras

500g de tomates pelados

Sal, pimenta-do-reino e salsinha a gosto

Modo de preparo:

1. Cozinhe o spaghetti al dente.

2. Em uma frigideira grande, aqueça o azeite e refogue o alho.

3. Adicione as anchovas e mexa até dissolver.

4. Acrescente as azeitonas, alcaparras e os tomates pelados. Cozinhe por 10 minutos.

5. Misture o molho à massa, finalize com salsinha e sirva com um bom vinho tinto da região.

E assim, entre risos, música e molho de tomate, celebramos a vida — como só os italianos sabem fazer.

 

Atuei nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (Normas ISO 9001), com experiência como Auditor de Certificação de Sistemas. Em meus textos, compartilho reflexões sobre o cotidiano e relatos de viagens que me levaram a conhecer culturas e histórias ao redor do mundo. 

Às vezes, basta abrir a janela para viver uma história. 

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Pensador | Criador de conteúdos culturais
📬 Abaixo, - outro espaço de cultura e amizade - clique e divirta-se.

Antonio Vendramini Neto – (facebook) 

sábado, 11 de outubro de 2025

ALTIVEZ EM CADA PASSO



  A Fascinante História do Salto Alto

"O texto fala, o negrito nas palavras convida — clique e descubra."

 
Do Tempo à Tendência
Desde os salões dourados da Renascença até as passarelas modernas, o salto alto atravessa séculos como símbolo de poder, beleza e desejo. Sua origem remonta ao século XVI, quando Catarina de Médici, jovem florentina de estatura modesta, partiu rumo a Paris para se casar com o futuro rei Henrique II

Na bagagem, trouxe uma inovação que mudaria para sempre a estética da nobreza: sapatos com salto, feitos sob medida por um artesão italiano.

Ao chegar à corte francesa, a novidade causou alvoroço. O salto alto tornou-se rapidamente um ícone de status, usado por homens e mulheres da aristocracia como marca de distinção. Subir no salto era, literalmente, elevar-se socialmente.

 Elegância, Poder e Sedução
Bodas reais, alianças entre impérios...
Catarina e Henrique, Florença e Paris — o salto alto cruzava fronteiras e corações.
Luiz XV eternizou sua presença na corte, e com o tempo, ele deixou de ser apenas um privilégio dos nobres para se tornar objeto de desejo universal.

Na modernidade, nomes como Ferragamo redefiniram sua forma e função. 

O salto passou a celebrar o corpo feminino: pernas alongadas, quadris realçados, postura ereta e olhar altivo. Meias finas, escarpins, sandálias de tiras — cada modelo carrega uma promessa de beleza e empoderamento.

Mais que um acessório, o salto alto é uma extensão da personalidade. Ele transforma o caminhar em desfile, o gesto em arte, o corpo em manifesto.

 Paixão que Eleva
Para as mulheres, é paixão, expressão, liberdade.
Para os homens, fascínio, fetiche, admiração.
O salto alto é mais do que moda — é linguagem silenciosa de desejo, força e sofisticação.
E assim, a cada passo, ele continua a contar histórias. Histórias de realeza, de revolução, de amor próprio. Porque quando uma mulher calça um salto, ela não apenas anda — ela conquista. 
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 Suspiros de lugares distantes

Crônicas que nasceram de viagens reais ou imaginadas.

Cidades que deixaram cheiro, sons e saudade.

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É simples, mas ajuda muito.

 Toninho Vendramini 

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