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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

O RIO QUE MOVEU IMPÉRIOS - CRÔNICAS ÀS MARGES DO NILO



Há viagens que nos transformam. Outras, nos revelam. E há aquelas raras que fazem as duas coisas ao mesmo tempo. Foi assim que me senti ao cruzar o Egito com minha esposa, embalado pelas paisagens douradas do entardecer e pelo silêncio eloquente do Rio Nilo. Planejamos cada etapa com cuidado, mas nada nos preparou para a emoção de percorrer, de trem, a margem direita desse rio lendário — do Cairo até Aswan — onde repousa uma das maiores obras da engenharia moderna e um dos maiores resgates culturais da história.

"O negrito/link nas palavras não estão aqui por acaso
 clique e veja por quê."

Essa crônica nasceu ali, entre reflexões noturnas e o deslizar tranquilo das águas. É um tributo à civilização que floresceu entre o deserto e o rio, e que ainda hoje nos fascina com seus mistérios, sua resiliência e sua beleza eterna.

O Nilo: O Deus que Fertiliza
Todo ano, por volta de julho, o Rio Nilo rompe o silêncio do deserto egípcio com uma enxurrada poderosa. Bastam cinco dias de chuva nas terras altas da África para que suas águas invadam as margens, depositando um lodo escuro e fértil — um presente da natureza que transforma o solo árido em vida.

Apenas 13% do território egípcio é cultivável, e esse milagre anual é o que sustenta milhões. O sedimento, rico em nutrientes, fertiliza as margens por quase mil quilômetros. Aos camponeses, basta esperar a drenagem natural, lançar as sementes e confiar na colheita.

No tempo dos faraós, o Nilo era generoso, mas imprevisível. A cheia sempre vinha — mas com que força, ninguém sabia. E isso podia significar fartura ou destruição.

A Represa que Salvou o Futuro e Moveu o Passado

Para domar essa força ancestral, o governo egípcio decidiu construir a represa de Aswan — a maior obra em solo egípcio desde as pirâmides. Mas esse projeto exigia mais do que engenharia: seria preciso remover montanhas inteiras.

E em uma delas, repousava o templo de Abu Simbel, com suas imponentes estátuas de Ramsés II e membros da família real. Mover um templo sagrado parecia impossível. Mas o impossível é apenas um convite à grandeza.

Egiptólogos renomados se uniram para salvar o monumento e, ao mesmo tempo, garantir a sobrevivência dos camponeses. Após anos de estudos, o templo foi cuidadosamente cortado em blocos gigantescos e reconstruído em local seguro — uma operação considerada a mais sofisticada do século XX.

A Viagem que Nos Levou ao Coração do Egito

A bordo de um trem turístico, percorremos a margem direita do Nilo, do Cairo até Aswan. A cada parada técnica, observávamos o entardecer refletido nas águas e os rostos dos homens que ainda hoje reverenciam o rio como fonte de vida.

Dormimos tarde, imersos em leituras sobre Ramsés II, imaginando o que ele teria pensado ao ver sua estátua ser desmontada. Um faraó empreendedor, incansável, que construiu templos ao longo do Nilo e eternizou sua imagem como nenhum outro.

O Legado que Navega pela Eternidade

Em nosso cruzeiro pelo Nilo, partindo de Luxor e passando por Edfu, Kom Ombo e Aswan, sentimos a pulsação de uma civilização que, mesmo milenar, ainda respira. O Egito dos faraós é uma aula viva de resiliência, arte e espiritualidade.

Ramsés II permanece como símbolo de um tempo em que homens se tornavam deuses e o rio era a estrada para o além. Os faraós que vieram depois não mantiveram o mesmo brilho. Mas Ramsés, o Grande, continua sendo lembrado como o monarca que desafiou o tempo — e que, mesmo em pedra, ainda inspira quem cruza o Nilo em busca de histórias.

Final Emocionante

Hoje, ao escrever estas linhas, percebo que o Nilo não é apenas um rio. É uma linha do tempo líquida, que conecta passado e presente. É o fio que costura a alma do Egito.
E ao vê-lo correr, silencioso e majestoso, entendi que algumas civilizações não morrem — elas apenas mudam de forma, como o curso das águas que continuam a fertilizar sonhos.

💢


         “A crônica é meu modo de conversar com o mundo sem levantar a voz.”

         “Olhar o cotidiano é meu ofício; transformá-lo em palavra, minha arte.”

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Antonio Vendramini Neto

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terça-feira, 30 de setembro de 2025

CLEÓPATRA: A RAINHA QUE ENFRENTOU IMPÉRIOS COM SEDUÇÃO E ESTRATÉGIA

CLEÓPATRA"O Egito Depois de Cleópatra: 
O Legado da Rainha"

Em tempos em que o poder feminino ainda é subestimado, a figura de Cleópatra ressurge como um símbolo de inteligência, ousadia e influência. Mais do que uma mulher bela e vaidosa, ela foi estrategista, diplomata e protagonista de uma das histórias mais fascinantes da Antiguidade. Sua trajetória, marcada por alianças políticas e paixões intensas, continua a inspirar debates sobre liderança, ambição e o papel da mulher na história.

A Ascensão de uma Rainha

Cleópatra VII foi a última soberana da dinastia ptolomaica, que governou o Egito após a conquista grega. Filha de Ptolomeu XII com sua irmã, ela ascendeu ao trono aos 17 anos, após a morte do pai. Contudo, o poder não veio sozinho: teve que dividir o trono com seus irmãos, Ptolomeu XIII (com quem se casou, como era costume dinástico) e, posteriormente, com Ptolomeu XIV.

Luxo, Vaidade e Inteligência Política

Cleópatra era conhecida por sua paixão pelo luxo. Adornava-se com joias de ouro e pedras preciosas — diamantes, esmeraldas, safiras e rubis — encomendadas de artesãos ou recebidas como presentes. Mas por trás da vaidade, havia uma mente afiada. A instabilidade política causada pela disputa com seus irmãos a levou ao exílio, onde arquitetou um plano audacioso: enrolou-se em um tapete e enviou-se como presente a Júlio César, em Roma.

Ao se desenrolar diante do general romano, Cleópatra não apenas surpreendeu pela ousadia, mas também conquistou César com sua inteligência e charme. Tornaram-se amantes, e com sua ajuda, ela eliminou Ptolomeu XIII, consolidando seu poder. Em Roma, deu à luz Cesarion, filho de César.
Ambição e Alianças

Após o assassinato de César em 44 a.C., Cleópatra retornou ao Egito. Ambiciosa como nunca, voltou seus olhos para Marco Antônio, governador da porção oriental do Império Romano. Em 37 a.C., iniciou com ele um relacionamento que misturava paixão e política. Tiveram dois filhos, e Marco Antônio, rendido à influência da rainha, devolveu-lhe territórios antes dominados por Roma.

Essa atitude provocou a ira do Senado romano, que declarou guerra ao casal. Derrotados por Otávio na batalha naval de Ácio, Marco Antônio e Cleópatra escolheram a morte ao invés da submissão. Ela, fiel à sua imagem dramática e simbólica, deixou-se picar por uma serpente em Alexandria, encerrando sua vida em 30 a.C.

Final:

Cleópatra não foi apenas uma mulher bela — foi uma líder que desafiou impérios, manipulou alianças e deixou um legado que resiste ao tempo. Sua história é um lembrete de que o poder pode vir em muitas formas: pela força, pela inteligência, pela sedução — e, acima de tudo, pela coragem de ser quem se é, mesmo diante dos maiores impérios.
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 Suspiros de lugares distantes

Crônicas que nasceram de viagens reais ou imaginadas.

Cidades que deixaram cheiro, sons e saudade.


 

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