quarta-feira, 10 de julho de 2013

San Carlos de Bariloche




No retorno a essa cidade maravilhosa encontramos logo na chegada ao aeroporto, à neve caindo. Foi maravilhoso ver aquela condição que não tínhamos visto da primeira vez. O frio era intenso com a temperatura chegando a dois graus abaixo de zero.
 
É uma cidade da Argentina localizada na província do Rio Negro, junto à Cordilheira dos Andes na fronteira com o Chile.  

Toninho, Dija, Orlando, Iza, Norma e Nilza, e mais duzentas pessoas oriundas de um voo fretado por uma empresa de turismo, foram recepcionados por uma banda, que tocava músicas brasileiras no aeroporto. Depois falou o representante do prefeito e seus bajuladores, em um português cheio de sotaque, mas foi muito bom; o clima era de alegria e de muito entusiasmo com aquela neve caindo. Logo após, fomos buscar os nossos pertences para dirigirmo-nos ao ônibus que nos levaria ao hotel. Fomos recebidos por um rapaz muito alegre, e que a coordenadora dos passeios que seguiriam semana adiante informou-nos seria o nosso guia. 

O frio era arrasador, pedia um chocolate quente com conhaque, uma bebida característica da cidade, tanto que possuem inúmeras casas especializadas no trato. Fomos à procura de uma no aeroporto, mas percebemos que demoraria pela grande quantidade de pessoas presentes no local; preferimos deixar para fazê-lo em uma casa especializada na cidade.
 
A cidade está rodeada pelo magnífico lago Nahuel Hualpi, que, na linguagem dos índios Mapuche, habitantes do lugar, quer dizer ”O pulo do tigre”. Há também o Gutierrez e o Mascardi. O nome Nahuel soa confortável aos ouvidos, tanto que escolhemos um hotel que lhe emprestou o nome, aliás, tudo por lá o homenageia, porque é carismático, de águas gélidas e harmoniosas, tão belo, que, da janela do nosso hotel, pudemos deslumbrar em uma noite (pela vidraça), enquanto tomávamos um precioso vinho local, já que a região iniciou recentemente a produção.

Está rodeada por montanhas (cerros em espanhol), como o Tronador, com mais de 3.000 metros de altura, com fronteira com o Chile; depois vem o famoso cerro Catedral, (que movimenta a badalada estação de esqui), em seguida o Cerro Lopes.

A cidade atualmente possui cerca de 100 mil habitantes e abriga um espetacular museu, encravado no exuberante portal de entrada, cuja construção lembra a de cidades alemãs e austríacas, sendo esse panorama extensivo às casas da cidade, protagonizando ares de uma arquitetura secular. Ali está presente e o passado da cidade, seus descobridores e cultivadores da cultura *mapuche*, quando o passado encontra o presente com recordações e informações vividas intensamente e cheias de cultura milenar. * (vide mais informações no final).

O nome Bariloche prove da palavra “Vuriloche” que na língua nativa, significa “povo de trás da montanha”. Isto porque seus primitivos habitantes, os índios, eram originários do outro lado da cordilheira. Devido a um erro de ortografia, já que em espanhol a letra V é pronunciada como B, o nome da cidade foi registrado como Bariloche.

E, de tanto ouvir o nome, os brasileiros que reinam soberanos em termos de turistas, batizaram a cidade de Brasiloche, para desespero dos Argentinos, tanto é verdade, que encontramos um restaurante como essa junção nominal.

A altitude menor nesse local, nos Andes, permitiu que os indígenas migrassem há séculos do Sul do Chile para essa região Patagônica. Uma das atrações são os cachorros São Bernardo que trafegam com seus donos pela cidade à procura de pessoas para serem fotografadas ao lado dos enormes cães, por 10 a 15 pesos. Para não escaparmos à regra, fomos lá para a tal foto que ficou no emaranhado de outras em nossos arquivos.

A fundação deu-se em 1895 quando um imigrante alemão criou ali um armazém. Em 1902, tornou-se a cidade de San Carlos de Bariloche. Sua arquitetura, principalmente na área central, como já disse, lembra os povos germânicos.

No inverno (junho a agosto), as temperaturas caem abaixo de zero e a maior quantidade de neve nas montanhas (cerros) altas, dá o início à temporada e badaladíssima temporada de esqui. Eu e meu cunhado Orlando nem precisamos de apetrechos para a neve, com os blocos de gelo endurecidos no chão, caímos em horas separadas e ficamos com pontadas nas costelas, necessitando de cuidados médicos, que a cidade oferece através da operadora de viagem, sem custo nenhum.

Depois que nos recuperamos, a turma toda foi almoçar em um restaurante todo envidraçado e com uma calefação aconchegante, de onde víamos os esquiadores rodopiando neve abaixo. No local, pedimos pratos característicos, regados de muito vinho branco, servidos por alegres argentinos que nos “elogiavam” pelo desempenho como esquiadores sem esquis.

A principal atividade econômica é o turismo; em anos recentes, a aquicultura especialmente de trutas e salmões e a criação de animais silvestres como javali e cervos, tornou-se um rico prato dos restaurantes. É também o centro de produção de alguns vegetais de clima frio como a rosa mosqueta e alfazema, em cuja oportunidade, tivemos o privilégio de visitar a fábrica, cujos produtos eram fabulosos. É um ambiente aromático estupendo, serviram aos presentes um quentíssimo de chá de rosa mosqueta.

Á noite, após os maravilhosos jantares, saímos todos encapotados, encolhidos, para chegar logo a uma chocolataria, onde ergueríamos aquelas canecas todas decoradas, cheias de chocolate com conhaque, sorvido a enormes “goles” deixando as nossas orelhas mais quentes.

E assim se foi uma das maravilhosas férias. Que venham outros passeios esplendorosos, parecidos com esse na bajudadíssima Brasiloche.

 


Os Mapuche são um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina, conhecidos também como araucanos.

Os grupos localizados entre os rios Biobío e o Toltén (atual Chile) conseguiram resistir com êxito aos conquistadores espanhóis, uma série de batalhas que durou 300 anos, com largos períodos de trégua. A coroa de Espanha reconheceu a autonomia destes territórios em 1641. Após a independência de Chile e Argentina, estes territórios foram invadidos por destacamentos militares republicanos, sendo a população confinada em “reservas indígenas”.

Por conta deste processo, mais que a metade da população indígena Mapuche vive hoje em dia em zonas urbanas, muitas mantendo, entretanto, vínculos com suas comunidades de origem.

De maneira geral o movimento Mapuche luta pela recuperação de seu território ancestral, por mudanças constitucionais em prol dos direitos indígenas e reconhecimento por parte dos Estados de suas especificidades culturais.

A denominação Mapuche se origina da fusão de duas palavras, “mapu” que significa terra, e “che”, que significa gente. Em algumas regiões, ambos os termos são utilizados com pequenas diferenças.

Especula-se que o nome araucano proceda da palavra quechua awqa, "inimigo", "selvagem" ou "rebelde", ou de palqu, "silvestre", tendo sido lhes dada pelos incas ou pelos espanhóis, fato que explica o repúdio desta designação por parte dos próprios Mapuche.

Informações obtidas no museu localizado no portal da cidade e colocadas de forma resumida conforme o meu estilo de redação.
 
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

O Segredo de uma Era Dourada


Existem muitos mitos e histórias folclóricas nas culturas mais antigas que falam de um ciclo de idades vinculado ao movimento dos céus.

Em um dos meus momentos de introspecção, fiquei imaginando que sempre existiu uma “era dourada” que é conhecida como um período de paz, harmonia, estabilidade e prosperidade.

Algumas crenças sustentam que essa era retornará na vida das pessoas depois que for concluído um período de bem-aventurança e progressiva decadência. Outros acreditam que retornará gradualmente como uma consequência natural.

Com essa filosofia, revelei minha visão em um micro conto que descrevo a seguir:

O SEGREDO DE UMA ERA DOURADA
 

Havia um pastor de um vilarejo situado entre montes à beira de um ribeirão que já estava com longos anos de vida.
Era muito respeitado pelos moradores e em sua oratória nas manhãs de domingo na pequenina igreja, era aclamado pelos anciões porque detinha o poder das palavras.
Em uma noite de muito frio reuniu as pessoas mais idosas ao redor de uma fogueira próxima ao local do culto religioso e profetizou aos homens descrentes uma esperança de uma vida menos sofrida.
Incentivou que tombassem a terra aproveitando as chuvas do dia anterior para conquistar uma safra de grãos mais abundante para suavizar os períodos de fome que teriam pela frente em razão das parcas chuvas naquela região.
Depois de ver o paiol da aldeia cheio, sentiu ao longo de sua caminhada na frente daquele povo, que a sua luta estava chegando ao fim e, com o passar de mais algum tempo, o seu pensamento ficou entrevado.
Ninguém mais lhe pedia os sábios conselhos, não mais lhe cabia na fronte o louro das costumeiras vitórias.
O poder passou então para outro religioso vindo de outras pradarias, e assim, assumiu como o antigo pastor, o destino daquelas pessoas.
Daquele dia em diante o dom de sua palavra ficou escondido em sua memória, esvaiu-se o seu saber, o coração fraquejou, seus pés cansados e combalidos pararam a marcha de sua vida, nunca mais uma sombra toldou o seu olhar sempre inspirado... Morreu ignorado por todos, mas feliz, porque semeou o grão que nutriria a comunidade futura que um dia produziu flores e frutos maravilhosos.
 
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