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domingo, 19 de outubro de 2025

UM CONTO ABORDANDO O FINAL DO REINADO DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II



A memória de São João Paulo II, nascido Karol Józef Wojtyła, continua viva e pulsante no coração dos fiéis e da história da Igreja. Seu pontificado, encerrado em 2 de abril de 2005, permanece como um marco de fé, coragem e humanidade. Hoje, ao revisitarmos esse conto, entrelaçamos realidade e imaginação com reverência, como quem contempla um vitral iluminado pela luz divina.

O seu longo reinado — o terceiro mais duradouro da história — foi marcado por encontros com líderes mundiais e gestos de profunda empatia com os humildes. Naquele momento derradeiro, o mundo se unia em oração na Praça São Pedro, envolta por estátuas de santos e pela esperança de um milagre. O Papa, já reconhecido como santo por muitos, parecia sentir a alma em levitação, prestes a deixar o corpo terreno.

A doença e a idade avançada não apagaram sua missão. Guardava um segredo, talvez espiritual, talvez simbólico, que desejava revelar. Seu confessor, o cardeal Joseph Ratzinger, compreendia seus gestos com a precisão de quem partilhou anos de devoção e serviço. A Bíblia repousava ao lado, marcada por um crucifixo e anotações íntimas. O colóquio entre os dois, feito de sussurros e lágrimas, selava o início de uma nova era.

A Guarda Suíça, com seus trajes desenhados por Michelangelo, permanecia firme à porta, como há séculos. Dentro, os assessores rezavam ou preparavam os protocolos do funeral. Aquele reduto religioso tornava-se palco de um silêncio sagrado.

Recordo, com emoção, a missa campal que assisti com minha esposa, sob chuva persistente. João Paulo II presidia os ritos com serenidade, enquanto os fiéis permaneciam firmes no solo sagrado. Ao fundo, a Basílica de São Pedro, erguida sobre o túmulo de Simão Pedro, testemunhava séculos de fé e poder. A história do Vaticano, com seus mil habitantes e mais de um bilhão de fiéis representados, é uma monarquia espiritual onde o trono é conquistado pelo voto dos cardeais.

Na Capela Sistina, onde a arte e a fé se encontram, vislumbrei o cenário ideal para este conto. Ali, após o funeral, os cardeais se reuniram sob a liderança de Ratzinger. A fumaça branca anunciou ao mundo: “Habemus Papam!”. Bento XVI surgia à janela, emocionado, prometendo seguir os passos do querido João Paulo II.
Mas o conto ganha contornos de ficção. Surge Ângelus Nero I, o “anjo negro”, eleito em segredo. Despojado das vestes papais, parte pelo mundo como um homem comum, evangelizando com uma linguagem universal. Após anos de peregrinação, retorna ao Vaticano como assessor direto de Bento XVI, preparando o caminho para uma nova era de paz.

A utopia se desenha: dois papas, um visível, outro oculto, unidos pela missão de unir os povos sob uma única fé. Quando o mundo estiver pronto, o novo líder falará da janela papal: “Povos de todas as raças, hoje começa uma nova era: é o ano I; sem um Papa para conduzi-los, o mundo falará um único idioma e haverá somente uma religião para os povos de boa vontade.”

Assim, entre realidade e ficção, reverenciamos a figura de São João Paulo II — um estadista da fé, um peregrino da paz, um santo da humanidade.



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terça-feira, 15 de abril de 2025

O MURO DAS LAMENTAÇÕES


O PEDIDO COMPRIMIDO ENTRE AS PEDRAS ANCESTRAIS




A ansiedade nos dominava. Eu e minha esposa, impelidos por uma emoção quase palpável, cruzávamos as vielas estreitas de Jerusalém como peregrinos em busca de um destino sagrado. O brilho em nossos olhos denunciava a expectativa de chegar ao coração da cidade antiga, um enclave histórico envolto por muralhas imponentes, testemunhas silenciosas de séculos de devoção.

Ali, onde o tempo parece se dobrar sobre si mesmo, encontramos o epicentro espiritual de Jerusalém. Nomeado pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, essa região abriga as marcas indeléveis das principais crenças do mundo.

Cada um de nós trouxe consigo desejos e súplicas, convertidos em bilhetes humildes destinados a serem inseridos nas rachaduras do lendário Muro das Lamentações. À medida que caminhávamos, algo inexplicável começava a se insinuar em nossos corpos. Sentíamos uma presença, um arrepio profundo que percorria a espinha e tornava os passos mais lentos, quase reverentes.

O ar fervilhava com o som de vozes em murmúrio constante, enquanto cornetas esculpidas em chifres de carneiro ecoavam pelo espaço, conduzindo religiosos em procissões que carregavam o Torá. Ao fundo, entrelaçavam-se ao som desses rituais as preces muçulmanas que ecoavam dos minaretes, criando uma sinfonia única e avassaladora. O coração pulsava mais forte, acelerado pela intensidade do momento.

Era impossível não ser envolvido pela atmosfera contagiante que nos cercava. A euforia se instalava, misturada a uma reverência silenciosa. Queríamos avançar rapidamente, absorver cada detalhe, testemunhar o cenário tantas vezes visto em filmes e fotografias—mas que agora, finalmente, estava diante de nós.

Cercados por uma diversidade impressionante de pessoas, percebemos a predominância das vestes árabes, mulheres cobertas por trajes negros, revelando apenas os olhos que, em alguns casos, ainda se escondiam atrás de óculos escuros, criando um mistério fascinante e digno de ser registrado. Judeus ortodoxos e rabinos, igualmente envoltos em negro, caminhavam apressadamente, suas barbas longas e os tradicionais fios encaracolados sobre os ombros conferindo um ar quase cerimonial.

Ali, naquele instante, eu me perguntava sobre o significado dessa confluência de três grandes religiões, cada uma com sua história, suas tradições e suas dores, mas unidas por um mesmo ideal: a fé.

A criação do Estado de Israel foi fruto do destino e da luta de um povo que, ao mesmo tempo sofrido e determinado, luta incessantemente por seu direito de permanecer nessa terra sagrada—uma terra impregnada de misticismo, movida por crenças profundas. Mas os que perderam suas terras para essa ocupação encontram dificuldade em aceitar essa nova configuração.

Jerusalém, palco de tantas promessas e tantos conflitos, guarda em seus templos e ruas as pegadas do próprio Cristo. Jesus, o Astro-Rei, majestoso e soberano, contempla aqueles que vêm de todas as partes do mundo para reverenciá-Lo, buscar Suas lições, sentir Suas marcas eternizadas pela cidade. O Monte das Oliveiras, a Via Dolorosa, o Santo Sepulcro—todos testemunham a trajetória que há mais de 2000 anos inspira corações e esperanças.

E nós, diante desse cenário inigualável, depositamos nossos bilhetes entre as fendas do muro. Fé. Saúde. União familiar. Dignidade. Olhos atentos à beleza do mundo e à necessidade de estender a mão aos que mais precisam.

Antes de nos afastarmos, contemplei o oceano de pedidos comprimidos entre as pedras ancestrais. Se pudesse dar voz a todos aqueles bilhetes, talvez encontrasse ali as dores mais profundas e os anseios mais sinceros, como dobras do tempo registrando os dramas individuais e os clamores por paz em uma região marcada por fé, disputa e poder.


AGRADEÇO AS OPORTUNIDADES QUE NOS SÃO DADAS DIARIAMENTE PARA EVOLUIR.




MITOLOGIA MARÍTIMA: ENTRE LENDAS E HORIZONTES

Odisseus em seu retorno à ilha de Ítaca . O mar sempre foi um palco fértil para o nascimento de mitos e lendas . Muito disso se deve à imag...