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sábado, 4 de abril de 2026

A QUEM PERTENCE O PRESENTE?



A QUEM PERTENCE O PRESENTE?

Numa pequena província no Japão vivia um grande samurai*, já 

idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen* aos jovens.

Aqui, o texto vem agora — como quem espera o tempo certo para colher palavras.



SAMURAI
Apesar de sua idade, existia uma lenda de que o mestre ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.


Certa tarde, um jovem guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. 

Era famoso por utilizar a técnica da provocação, fazendo com que seu adversário perdesse a calma e agisse com raiva. Ele esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada, contra-atacava com velocidade fulminante. 

O jovem guerreiro jamais havia perdido uma luta.

Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e 

aumentar sua própria fama. Todos os estudantes se manifestaram 

contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio.

Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho samurai.


Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou 

todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. 

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu 

passível, não se abalava com nada. No final da tarde, sentindo-se já 

exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e 

provocações, seus alunos perguntaram:

- Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não 
usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?

O mestre então disse:
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita a quem pertencer o presente? – perguntou o Samurai.
A quem tentou entregá-lo – respondeu um dos discípulos.

- O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos – disse o mestre. 

Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os trouxe consigo. 
A sua paz interior depende exclusivamente de você. 
As pessoas não podem lhe tirar a calma se você não permitir. 
     
👇

*Membro da classe dos guerreiros, na organização feudal do Japão.

*Zen é o nome japonês da tradição Ch'an, que surgiu na 

China por volta do século VII. O Zen costuma ser associado 

ao Budismo.




Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

terça-feira, 17 de março de 2026

AMEAÇADA DE EXTINÇÃO

A fera está acuada. Maior felino das Américas, temida por sua ferocidade a admirada pela beleza incomum, a onça-pintada protagoniza uma luta incrível pela vida. Ela depende  de territórios extensos e ainda selvagens com fartura de água e caça para saciar o apetite carnívoro de seu corpo musculoso que  chega a 130 quilos. 

Confinada em áreas cada vez mais isoladas e menores por causa da crescente devastação das florestas, o animal enfrenta mais um drama perante a sua delicada sobrevivência: sem o intercambio entre as onças, sua diversidade genética - a garantia de sobrevivência  das especies - está em queda livre.

Mas uma experiência pioneira no mundo, realizada por cientistas brasileiros, poderá preservar a genética desse bicho. Os primeiros embriões da onça-pintada já foram produzidos in-vitro e estão congelados num laboratório em São Paulo.

A onça-pintada não é um animal qualquer. Personagem de casos e lendas contadas ao redor de fogueiras pelo interior brasileiro - que aludem a sua ferocidade e esperteza -, a simples menção de seu nome provoca calafrios. 

Há razões de sobra para que esse bicho, tão respeitado em nossas matas, cause temor. Dona de um rugido estremecedor, a pintada chega a 2,70 metros de pura flexibilidade e força impressionante; ela sobe em arvores, atravessa rios a nado, pesca com patadas certeiras, tritura cascos de tartaruga como se fossem nozes para saborear-lhe a carne e domina técnicas fulminantes de ataque.

Os passos são leves, mas, se a velocidade é exigida, suas patas traseiras invadem as dianteiras, gerando uma fabulosa capacidade de impulso. Com caninos de 5 centímetros cravados na região cervical de um boi, é capaz de mata-lo com uma só mordida.

Quando avança sobre os rebanhos, certamente algo de muito sério está acontecendo na natureza. Sabe-se  que seu cardápio é vastíssimo, incluindo cobras, aves, jacarés e presas grandes como o veado. 

Mas quando a comida diminui por causa de agressões à natureza, como as queimadas, a onça torna-se caçadora oportunista e ataca rebanhos, como explica o biólogo brasileiro Peter Crawshaw, considerado o maior especialista no assunto.

É justamente aí que se forma o circulo dramático a qual está presa, não consegue escapar e agoniza.Vivendo num ambiente fragmentado pelo avanço humano e obrigada a procurar alimento nos pastos, torna-se inimiga dos fazendeiros, que a caçam indiscriminadamente.  


Meu Blog Vendramini Letras

não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. Mais do que textos, é um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais




quinta-feira, 5 de março de 2026

MISTICISMO: ALÉM DA RELIGIÃO

Misticismo: além da religião
O misticismo não se prende às fronteiras da religião tradicional. Ele é a busca pela experiência direta com o divino, sem intermediários, sem dogmas. É o mergulho no invisível que habita todas as coisas, o encontro íntimo com aquilo que transcende o tempo e a matéria.
Estudos sobre o tema partem da premissa da alma e da reencarnação. Acredita-se que vidas passadas ecoam na existência presente, moldando destinos e revelando que somos mais do que lembranças: somos continuidade, somos memória viva do universo.
Foi nesse horizonte que nasceu o meu poema:


Duas vidas vividas
Perdidas no tempo...
Chegaram ao meu corpo
Absorto...

Espíritos encarnados
Peso nos ombros...
De onde vieram?
A vida como ela é...

Em alguns momentos sou eu
Em outros não sei quem.

Tudo o que somos...
São consequências do passado
Seremos então...
Aquilo que prepararmos no presente.
💫

E talvez o maior segredo do misticismo seja este: não somos apenas um nome, uma história ou uma vida. Somos fragmentos de eternidade, ecos de existências que se entrelaçam em silêncio.
O surpreendente é perceber que, ao buscar o divino fora de nós, acabamos encontrando-o dentro. O mistério não está em templos ou escrituras, mas no próprio coração humano.

E então, como se o vento trouxesse um oráculo esquecido, o misticismo nos sussurra sua epifania:
Não há duas vidas, nem mil vidas... há apenas uma — infinita, pulsando em cada instante. Somos o sopro que atravessa os séculos, o silêncio que guarda segredos, a chama que nunca se apaga.
E nesse instante, compreendemos: o tempo é apenas véu. A eternidade é o nosso verdadeiro nome.

A vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia. 

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Antonio Toninho Vendramini Neto
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

LÁGRIMAS E SONHOS: A JORNADA DOS EMIGRANTES ITALIANOS



O AROMA AMADEIRADO DO VINHO

A taça de vinho repousava sobre a mesa, enquanto a cadeira de balanço embalava meus devaneios. O aroma amadeirado do vinho se misturava à nostalgia que pairava no ar, enquanto Lágrimas Napolitanas tocava suavemente ao fundo. Cada acorde da canção parecia carregar o peso da saudade e da esperança dos que deixaram suas terras.

O porto de Nápoles foi palco de incontáveis despedidas. Ali, famílias se abraçavam uma última vez, trocando olhares repletos de incerteza e promessas sussurradas ao vento. Muitos embarcavam sem saber se voltariam a ver aqueles rostos familiares, enquanto a silhueta imponente do Vesúvio permanecia como guardião silencioso de suas memórias.

Minha mente vagava entre o passado e o presente, e por um instante, senti-me transportado ao cais, como se pudesse ouvir o murmúrio dos que partiram. Lembrei-me da minha própria passagem por ali, a caminho da Ilha de Capri. Naquela ocasião, fiquei ali, imóvel, imaginando as lágrimas que haviam se misturado à água do mar.

"Quantas nos custa lágrimas esta América..."
"A nós, Napolitanos!"

A dor da despedida não era apenas física, mas existencial. Meus avós paternos e maternos não eram napolitanos, mas vieram de Veneza e Treviso, enfrentando jornadas árduas com crianças ao colo e na barriga. Em meio ao medo e à incerteza, traziam consigo um único bem que não poderia ser confiscado: a esperança.

A Itália que deixavam ainda era fragmentada, composta por pequenos reinos governados por líderes guerreiros. Somente em 1861 veio a unificação política, e, com ela, novas po1ssibilidades. Mas para muitos, a verdadeira oportunidade estava além-mar—nas terras férteis do Brasil, onde poderiam reconstruir suas vidas.

Seus esforços não foram em vão. A Itália tornou-se uma potência econômica, impulsionada pelo trabalho incansável daqueles que ficaram e dos que se espalharam pelo mundo. Meus antepassados, como tantos outros, contribuíram para esse legado, seja nas fábricas, nas plantações ou nas cidades que ajudaram a erguer.

Minha conexão com essa história nunca se apagou. Caminhei por Veneza com minha esposa, ambos emocionados ao pisar o solo dos nossos antepassados. Descobri, tempos depois, que um antigo castelo próximo à Praça de São Marcos pertenceu à família Vendramini—um legado que ainda aguarda minha visita, guardado pela história.

Cada viagem trouxe mais fragmentos desse passado, mas o tempo sempre foi implacável, impedindo-me de concluir algumas buscas. No entanto, esse vínculo nunca se rompeu, e por isso, escrevo.

Assim nasceu "A Última Visão de Um Caboclo", um livro que eternizará essas memórias, para que as vozes dos emigrantes jamais se percam no tempo.

💫 

 Obrigado por estar aqui! 

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Pensador | Criador de conteúdos culturais

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O MURO DAS LAMENTAÇÕES

O PEDIDO COMPRIMIDO ENTRE AS PEDRAS ANCESTRAIS Jerusalém é mais que uma cidade — é um portal entre o humano e o divino. Suas muralhas guar...