A QUEM
PERTENCE O PRESENTE?
Numa pequena província no Japão
vivia um grande samurai*, já
idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen* aos
jovens. Aqui, o texto vem agora — como quem espera o tempo certo para colher
palavras.
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| SAMURAI |
Apesar de sua idade, existia uma
lenda de que o mestre ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um jovem guerreiro
conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
Era famoso por
utilizar a técnica da provocação, fazendo com que seu adversário perdesse a
calma e agisse com raiva. Ele esperava que seu adversário fizesse o primeiro
movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada, contra-atacava com
velocidade fulminante.
O jovem guerreiro jamais havia perdido uma luta.
Conhecendo a reputação do samurai,
estava ali para derrotá-lo, e
aumentar sua própria fama. Todos os estudantes se
manifestaram
contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio.
Foram todos para a praça da cidade,
e o jovem começou a insultar o velho samurai.
Chutou algumas pedras em sua
direção, cuspiu em seu rosto, gritou
todos os insultos conhecidos, ofendendo
inclusive seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu
passível, não se abalava com nada. No final da tarde, sentindo-se já
exausto e
humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
Desapontados pelo fato de que o
mestre aceitar tantos insultos e
provocações, seus alunos perguntaram:
- Como o senhor pode suportar tanta
indignidade? Por que não
usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a
luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?
- Se alguém chega até você com um
presente, e você não o aceita a quem pertencer o presente? – perguntou o Samurai.
A quem tentou entregá-lo –
respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a
raiva, e os insultos – disse o mestre.
Quando não são aceitos, continuam
pertencendo a quem os trouxe consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente
de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma se você não permitir.
China por volta do
século VII. O Zen costuma ser associado
Depois de
muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO
9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por
passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e
sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me
levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do
mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e
encontros que merecem ser compartilhados.
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