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quinta-feira, 3 de abril de 2025

CIÚMES DA VIOLA

 UM TEXTO HUMORADO E ALUSIVO AS VIOLAS E ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

Em uma longínqua cidadezinha do interior, conhecida por Jacundá Mirim, vivia um caboclo muito conhecido por “Juca guizo de cobra”. Carregava esse apelido desde criança, porque seu pai, em uma noite de festa de São João, com muita pinga rolando de boca em boca, teve uma visão, anunciando que o seu filho mais novo, iria se tornar um grande violeiro.

Para tanto, deveria, junto com o menino, capturar uma cascavel, enrolá-la em seu braço direito e fazer várias rezas em uma capela abandonada na beira da estrada do local onde moravam, para que a “profecia” fosse realizada.

Partiram para lá e viram uma cobra enrolada nos pés do único santo que estava postado em um altar todo empoeirado, que todos diziam milagreiro, pois as pessoas, em desespero de causa, iam buscar, naquele local, apoio para suas dificuldades. Foi uma correria danada dentro do local, até que conseguiram apanhar a serpente.

Ainda na visão do Zé Mangabeira, pai do Juca, no dia seguinte deveria sacrificá-la, pois era sexta-feira dia treze e, tudo estava acontecendo, conforme recebido em sua visão.

Feito isso, pai e o filho deveriam cortar a cabeça e o guizo e deixar aquelas partes secarem ao sol, sobre um pé de aroeira.

Depois dessa etapa, os ossos deveriam ser colocados dentro de uma viola, que não podia ser comprada, tinha que ser presenteada, o que fez um dos seus tios, por imposição do pai, o Zé Mangabeira.

Assim sendo, Juca não precisou aprender a tocar o instrumento; esse “dom” foi concebido em uma noite de luar, quando o tio lhe entregou a viola na presença do pai. Acarinhou-a de mansinho e logo foi colocando o nome, Lucinda, que já tinha no pensamento. Naquele instante, começou a palmeá-la com sutileza e muita delicadeza, tornando-se desde então, um tocador inigualável.

Não deixava ninguém chegar perto de Lucinda, porque alguns sabiam daquela “estória do guizo” e queriam ver o chacoalhar diferente da caixa de som, produzido pelo dedilhar do Juca, ágeis que nem uma cobra, transformando velhas canções como “Abismos de Rosas”, em solos entorpecedores, deixando as pessoas maravilhadas.

Sua fama correu fronteiras, e assim, era chamado para tocar nas festas de peão-boiadeiro, casamentos e bailes de cocheiras.

Nos momentos dos intervalos dos shows, quando ia ao sanitário, tinha que levá-la, pois não confiava em deixá-la com alguém; assim, comprou um cachorro, daquele tipo policial, a quem confiou a guarda, o que fazia com dedicação; ninguém se atrevia chegar perto da viola, que ele, Pitoco, rosnava e latia.

Não tinha empresário, tudo era acertado nos momentos que antecediam uma apresentação; não gostava de tratar nada por telefone. E assim foi crescendo ainda mais sua fama de violeiro, tendo por companheiros a viola Lucinda e o cachorro Pitoco.

Em suas apresentações, o locutor do rodeio assim o apresentava

Era uma alegria imensa, porque, conforme Juca dedilhava a viola, Pitoco uivava sem parar, como se fosse um acompanhante da música, mas no fundo eram ciúmes da Lucinda; ele a queria tanto, que dormia ao seu lado, e Juca podia ir para a farra, que não havia perigo de ninguém entrar em seu camarim, para olhar o que tinha dentro da caixa de som; curiosidade que tinham, pois o solo que Juca apresentava era diferente.

Os anos passaram, e a fama de Juca continuava a crescer, mas também trazia novas responsabilidades e desafios. Em uma noite de festa, enquanto se apresentava em uma grande cidade pela primeira vez, algo inusitado aconteceu. Durante um de seus solos impressionantes, a caixa de som da Lucinda soltou um som estranho, como o sibilo de uma cobra viva. A plateia ficou em silêncio absoluto, até que Pitoco começou a latir e avançar em direção ao palco, como se pressentisse algo.

Nesse instante, Juca sentiu um frio percorrer a espinha. Ao olhar para a plateia, notou um homem idoso, vestido de preto, parado entre as pessoas. Seus olhos brilhavam de uma forma assustadora, e ele sussurrou algo que Juca não conseguiu entender, mas que parecia ecoar diretamente em sua mente.

Depois do show, Juca começou a receber cartas misteriosas. Todas traziam o mesmo pedido: que ele entregasse a Lucinda para “quebrar a maldição”. A princípio, ele ignorou, mas os eventos estranhos começaram a se intensificar. Pesadelos o atormentavam, e Pitoco uivava todas as noites para um canto vazio do quarto.

Decidido a entender o que estava acontecendo, Juca procurou uma senhora conhecida como Dona Benedita, a guardiã das antigas tradições de Jacundá Mirim. Ela revelou que o espírito da cascavel não havia descansado e que sua música carregava um poder que podia tanto encantar quanto amaldiçoar. Para resolver isso, ele teria que enfrentar um grande teste: retornar à antiga capela onde tudo começou e tocar a Lucinda até o amanhecer, sem errar uma única nota.

No dia marcado, Juca partiu com Lucinda e Pitoco. A noite estava clara, iluminada por uma lua cheia. A capela, abandonada e quase em ruínas, parecia viva sob o luar. Quando Juca começou a tocar, as paredes vibraram, e o som da cascavel ecoou ao redor. Pitoco ficou ao lado dele, rosnando baixinho, enquanto figuras sombrias pareciam se formar nos cantos da sala.

A cada canção, a tensão aumentava. Mas Juca, com a habilidade que só ele tinha, continuou firme, enquanto o céu começava a clarear. Quando a primeira luz do sol atravessou a janela, a capela ficou em silêncio. A vibração cessou, e Lucinda brilhava como nunca antes. O espírito da cascavel havia finalmente sido libertado.

Desde então, Juca continuou a tocar, mas com um novo propósito. Sua música, agora livre de qualquer feitiço, parecia ainda mais mágica, tocando os corações de todos que a ouviam.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

A NOITE DAS ZANZARAS

A NOITE DAS ZANZARAS




Em uma de nossas viagens para Europa, vivendo pela Itália, na cidade de Milão (Milano), ficamos hospedados em um belo hotel um pouco retirado do centro. 

Em uma das noites, ao regressarmos, encontramos uma aglomeração nas imediações e no próprio hotel, soubemos tratar-se de vários artistas de um festival internacional da canção que estava sendo realizado próximo ao local, e ali estavam hospedados. 

Já no dia anterior, no café da manhã, havia o som de vários idiomas sendo falados no saguão, perguntamos e soubemos tratar-se dos artistas que apresentar-se-iam no tal festival. 

Fomos até a recepção e recebemos a programação do evento, notamos artistas de fama mundial, na noite anterior apresentou-se Celina Dion. 

Para a nossa surpresa, notamos que naquele dia apresentar-se-ia uma artista brasileira, a Vanessa Da Mata. Fizemos nossas reservas e chegando o momento de deslocarmos ao local, a recepção enviou um taxi para nos levar. 

O motorista, uma pessoa espalhafatosa e falante como todo bom italiano, começou a falar das ZANZARAS? Achei que era algum inseto perigoso, e assim, fomos picados, deixando o local em vermelhado e dolorido, raivosos deixamos um pqp no ar. 

Despedimo-nos e combinamos que nos levaria após os shows, o retorno ao hotel. Durante a apresentação, vimos muitos brasileiros que residem por lá, e, juntamente com minha esposa, trocamos impressões sobre a ausência do Brasil, pois, como nós, estávamos bastante tempo fora. 

Terminado o show, chamamos o motorista que nos levou e fomos conversando; durante o trajeto, recebemos novamente, muitas picadas de insetos, ele falou que eram as ZANZARAS, e que estavam infestando o local e naquele verão, mais forte, para nós parecia algum tipo de abelha.

O QUE SERIAM AS ZANZARAS? Chegando ao hotel percebemos um bate bola no gramado do jardim do hotel, muito bem cuidado, e o que se viu foi várias pessoas falando alto, chegando mais perto, ouvimos algumas palavras conhecidas, eram brasileiros! O grupo baiano OLODUM, que se apresentaria no dia seguinte.  Conversamos, fotografamos com os componentes (não tenho autorização para colocar as imagens) e, logo atrás, chegou o gerente do hotel – gesticulando! - (schifosos, farabutos), pois estavam estragando o jardim e a fachada do hotel carimbada pelas bolas na parede, dos cantores/pseudos jogadores baianos do Olodum.

Depois se recolheram e foram para o saguão e lá fomos também, perguntamos se estavam chegando do Brasil, disseram-nos que vinham do Japão, pois havia dois grupos, um atuava no Brasil e outro, (eles) - pelo mundo afora. Na conversa, recebemos mais algumas daquelas picadas, eles, no linguajar nosso; Fdp, lazarento etc. Um deles falou, -Isso vai dar um samba. 

Disse-lhes que eram as ZANZARAS e eles riram muito e logo em seguida, compuseram um samba e letra com o nome ZANZARA, daí, era zanzara para cá, para lá, e o batuque varou noite adentro e o nome do samba foi: A NOITE DAS ZANZARAS, a letra era horrível, só palavrões. 

Essa foi mais uma das situações engraçadas em mais uma de nossas viagens. 

Palavras italianas com minha tradução, citadas no texto: 
ZANZARAS = MOSQUITOS? 
SCHIFOSO = SEM VERGONHAS, NOJENTOS. 
FARABUTO = MAFIOSOS, CANALHAS.


Acesse o link abaixo meu site com formatações.


CIÚMES DA VIOLA

  UM TEXTO HUMORADO E ALUSIVO AS VIOLAS E ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO. Em uma longínqua cidadezinha do interior, conhecida por Jacundá Mirim, vivia...