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terça-feira, 25 de novembro de 2025

MITOLOGIA MARÍTIMA: ENTRE LENDAS E HORIZONTES

Odisseus em seu retorno à ilha de Ítaca.


O mar sempre foi um palco fértil para o nascimento de mitos e lendas. Muito disso se deve à imaginação dos velhos marinheiros que, após se aposentarem da árdua lida com as águas, recolhiam-se em vilarejos distantes de pescadores. 

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.



Ali, nas noites frias ao redor de uma fogueira, contavam aos meninos e rapazes histórias de monstros, criaturas marinhas e fantasmas que assombravam os oceanos.

Recordo-me de quando criança assisti a um filme que narrava a trágica desventura de Odisseus em seu retorno à ilha de Ítaca. Foi talvez o primeiro a enfrentar a fúria e as paixões das terríveis criaturas. Entre os episódios mais célebres, estava o das sereias, cujo canto hipnótico arrastava homens e suas almas para as profundezas do mar.

Com sabedoria, Odisseus pediu aos deuses uma solução: ordenou que sua tripulação tampasse os ouvidos com cera de abelhas, evitando assim o canto fatal. Para provar que tudo não passava de lenda, pediu que o amarrassem ao mastro principal sem proteção nos ouvidos. Assim, pôde ouvir o canto melodioso sem sucumbir, enquanto seus marinheiros prosseguiam firmes na viagem.

"O negrito nas palavras é o convite. O clique, a resposta.


Essas histórias revelam como superstições e mitos habitam o espaço mágico entre realidade e imaginação. Eu mesmo, em uma travessia atlântica de Veneza ao Brasil, contemplei o horizonte infinito em uma noite no convés. O mar encontrava o céu em uma linha distante, e imaginei os antigos navegadores temendo que suas embarcações caíssem em um precipício ao alcançar o limite do mundo.

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Naquele instante, o oceano embalava meus sonhos e inspirava reflexões que se transformaram em poesia.


Mar aberto em águas profundas
Vista resplandecente em caminhos oceânicos
Brisa fresca no ar
Cheiro de perfume na noite
Sensações amoldadas em corpo de sereia
Cabelos esvoaçantes ao vento arredio
Canto melodioso e entontecedor
Tormentas enfurecidas
Fervor e ópio no sangue
Tempestade de amor


CADIZ - ESPANHA

🍷 Para acompanhar essa viagem literária e poética, nada melhor do que um vinho espanhol que evoque tradição e intensidade. 
Sugiro o Protos Crianza, um tinto elegante da região de Ribera del Duero, com notas de frutas maduras e especiarias, perfeito para brindar às lendas que o mar nos inspira.

 Que este texto seja como uma travessia: navegando entre memórias, mitos e horizontes, e terminando com o sabor agradável de um bom vinho e a sensação de que o oceano sempre guarda mais histórias do que podemos imaginar.


Palavras que viajam, sabores que ficam

Meus textos são como malas abertas: cheios de lembranças, ideias e sabores. Ao final de cada um, deixo uma receita ou uma sugestão de vinho — porque viajar também é degustar. 

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais
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Antonio Vendramini Neto – Face Book. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O REENCONTRO: UMA VIAGEM DE EMOÇÕES E MEMÓRIAS

                  

 O REENCONTRO
 
Uma travessia 
de afetos
 e saboreS

O EGITO DE MUITAS LEMBRANÇAS



Viajar é mais do que deslocar-se no espaço — é mergulhar em histórias, reencontrar sentimentos e fortalecer laços. Esta crônica é um tributo à amizade, à cultura e aos momentos inesperados que transformam simples trajetos em lembranças eternas. Do Cairo a Assuã, passando por Jerusalém, cada passo foi marcado por descobertas e reencontros que merecem ser celebrados.

 Do Cairo a Assuã: trilhos que conduzem memórias

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.

SEGUINDO O CURSO DA HISTÓRIA...

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Após a visita ao Museu do Cairo, seguimos rumo à estação ferroviária para iniciar nossa jornada até Assuã, lar da imponente represa que empresta seu nome à cidade. Essa obra monumental, considerada a maior construção em solo egípcio desde as pirâmides, domou o Nilo, controlou suas águas e impôs a lógica humana às certezas da natureza. Um feito que impressiona tanto pela engenharia quanto pela ousadia.

 Ilha Elefantina: onde o Nilo nos levou ao inesperado

Ao chegarmos em Assuã, fomos informados que o trajeto até o hotel seria feito por barco, atravessando o majestoso Nilo até a encantadora Ilha Elefantina. O resort que nos acolheu parecia flutuar entre o tempo e a tradição. E foi ali, como num presente inesperado, que assistimos a um casamento típico egípcio — uma celebração vibrante, repleta de danças, músicas e cores que pareciam dançar com o vento do deserto.

Não apenas leia — clique no negrito nas palavras e mergulhe."

Fomos convidados a participar. E, como se a hospitalidade fosse uma arte milenar, nos serviram iguarias da gastronomia egípcia que encantaram nossos sentidos. Entre elas, o Mahshi, um prato tradicional feito com legumes recheados de arroz temperado com ervas e especiarias, cozidos lentamente em molho de tomate. Uma receita que carrega o sabor da terra e o afeto das mãos que a preparam.

🍽️

 Receita de Mahshi (Charuto de Legumes Egípcio)

Ingredientes:

1 berinjela, 1 abobrinha e 1 pimentão (ou folhas de uva)

1 xícara de arroz cru

1 cebola picada

2 tomates picados

2 colheres de sopa de salsinha e hortelã picadas

Sal, pimenta síria e cominho a gosto

Suco de 1 limão

2 colheres de sopa de azeite

1 xícara de molho de tomate

Modo de preparo:

1. Corte os legumes em formato de barquinhas ou retire o miolo para rechear.

2. Misture o arroz com os temperos, tomate, cebola, ervas, limão e azeite.

3. Recheie os legumes com essa mistura e acomode-os em uma panela.

4. Cubra com o molho de tomate e cozinhe em fogo baixo por cerca de 40 minutos.

🧳 


O desencontro e o reencontro com Vanderlan

Foi no desembarque que sentimos a ausência de nosso querido amigo Vanderlan — uma figura cativante, cuja habilidade em se comunicar é marca registrada. Por um erro da agência, seu nome constava no próximo horário do trem, e ele viajou sozinho. Imagino os pensamentos que o acompanharam: a expectativa do reencontro, a saudade da família, o desconforto de não estar em seu lar.

Mas Vanderlan é um homem de espírito leve. Ainda mais depois de sua visita a Jerusalém, onde, no Monte das Oliveiras, fez orações pela família e agradeceu pela transformação em sua vida. De proprietário de lotérica a corretor de imóveis bem-sucedido, sua trajetória inspira.

Quando finalmente nos reencontramos, tudo se iluminou. O sorriso, o abraço, a alegria — tudo voltou a pulsar com intensidade. Eu e minha esposa sentimos que a amizade se fortaleceu ainda mais. Com Vanderlan, Márcia, Thaís e Thiago. Com Elvira, Cícero e Davi. Com Ayala, Mila e o pequeno Miguel. A imagem que guardamos de cada um foi enriquecida por essa viagem repleta de cultura, guiados por Osama, que nos presenteou com conhecimentos preciosos.

 Reflexões dessa travessia

Essa experiência criou um elo que não queremos desfazer. E, graças à internet, podemos manter viva essa corrente de afeto e memória. Que essa conexão continue firme, como o Nilo que atravessamos, como os trilhos que nos conduziram, como os abraços que nos acolheram.

De Jundiaí, São Paulo, enviamos um abraço caloroso — cheio de saudade, gratidão e o sabor eterno do Mahshi.


🌍

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Pensador | Criador de conteúdos culturais
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Antonio Vendramini Neto – (facebook)

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

BASÍLICA SÃO PEDRO EM ROMA




Seu desenho atual é fruto de quase 180 anos de obras e embelezamento entre séculos 15 e 17, ali, trabalharam artistas ilustres do renascimento, como Bramante, Rafael e Michelângelo.


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Foi este último, por exemplo, quem projetou a cúpula central, com 119 metros de altura e 42,4 de diâmetro. No interior estão expostas obras-primas como a Pietá, do famoso escultor, e o majestoso baldaquino de bronze idealizado pelo magnifico artista Bernini.





Para os fiéis, no entanto, a principal atração, continua a ser a cripta sob o altar, onde fica o túmulo de São Pedro, o primeiro papa do cristianismo e herdeiro direto dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Foi erguida no mesmo local, onde, no século 4, o imperador romano Constantino havia ordenado a construção de uma igreja para proteger as relíquias de São Pedro.

PIETÁ


A escultura da Virgem Maria segurando o corpo de 

Cristo, logo após a sua crucificação, é considerada uma 

das mais belas obras do mundo. 

Exposta há cinco séculos numa das capelas da Basílica, atrai centenas de milhares de turistas todos os anos e tem servido de inspiração para muitos artistas. 

Batizada por Michelangelo de Pietá, que quer dizer “piedade” em italiano, a estátua foi esculpida em um grande bloco de mármore branco em 1499, quando o artista tinha apenas 25 anos. 
A profunda serenidade nos semblantes da Virgem e de Cristo, a perfeição dos detalhes do corpo despido e languidamente apoiado no colo de sua mãe, comoveram o próprio artista, que, envaidecido por sua obra-prima, gravou seu nome no mármore de uma escultura. 

🌬️ 

Suspiros de lugares distantes

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Antonio Vendramini Neto

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domingo, 12 de outubro de 2025

OBELISCO INACABADO: UMA VIAGEM ENTRE PEDRASS E SURPRESAS


🏺 
O Obelisco Inacabado de Assuã: Uma Pedra Gigante, Uma História Surreal

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O impressionante obelisco inacabado em Assuã — uma obra monumental que revela os segredos da engenharia antiga e rende boas histórias de viagem. 

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Durante nossa viagem ao Egito, minha esposa e eu vivemos uma daquelas experiências que misturam fascínio histórico com situações inesperadas — e, claro, boas risadas. Tudo começou em Assuã, onde nos deparamos com o famoso obelisco inacabado. Imagine uma pedra gigantesca, com quase 43 metros de altura e mais de mil toneladas, largada na pedreira como quem desistiu de ir à academia no meio do treino. Pois é, foi mais ou menos isso.

Segundo nosso guia, o carismático Sr. Sahid — um egípcio simpático e surpreendentemente fluente em português, que aprendeu o idioma durante seus estudos na Universidade do Cairo — esse obelisco foi abandonado por causa de uma falha na rocha. Acredita-se que tenha sido iniciado na época da rainha-faraó Hatshepsut. Sim, uma mulher no poder numa época em que isso era praticamente um escândalo. Para disfarçar, ela se vestia como homem, usava até um cone na barba — o que, convenhamos, deve ter gerado muita confusão nos salões do palácio.
 
O obelisco, apesar de inacabado, revelou muito sobre as técnicas de construção da época. Ao redor dele, foram encontradas bolas de diorito — pedras duríssimas usadas para alisar a superfície do granito. O processo incluía fazer fogo na rocha, jogar água para causar rachaduras e depois vir com as bolas como se fosse uma sessão de spa... só que para pedras. Depois, vinham ferramentas de bronze para aprofundar os cortes e escavar túneis laterais para remover o monólito. 
Um trabalho que exigia força, paciência e, provavelmente, muito café (ou o equivalente egípcio da época). Se tudo desse certo, o obelisco ganharia hieróglifos pintados com pigmentos de ocre vermelho ou carbono preto. 

Esses monumentos eram dedicados ao Deus Sol e tinham uma forma elegante e pontiaguda, como se apontassem para o divino — ou para o próximo raio de sol que iluminaria a glória dos faraós.

 Mas os obeliscos não ficaram só no EgitoQuando o Império Romano dominou a região, o imperador Augusto se encantou com essas obras e decidiu levar algumas para casa — como quem visita o Egito e volta com um souvenir... só que de 40 toneladas. O maior deles, o Lateranense, foi construído na época dos faraós Tutmosis III e IV e hoje está em Roma, na Praça São João de Latrão. Depois de algumas reformas e mudanças de endereço dignas de novela, foi erguido novamente em 1588 por ordem do Papa Sisto V.

Outro obelisco famoso está na Praça de São Pedro. Para colocá-lo lá, foram necessários 150 cavalos e 47 guinchos — e provavelmente muita fé. Ele veio do Egito no tempo do imperador Nero e está lá desde 1585. Tive o privilégio de contemplá-lo ao lado da minha esposa, em um dia de espiritualidade sob a proteção do Papa João Paulo II. Um momento que misturou história, fé e admiração.

E não para por aí. Em 1831, o Vice-Rei do Egito, Méhémet Ali, presenteou a França com dois obeliscos que marcavam a entrada do palácio de Ramsés II. Segundo nosso guia (que já parecia nosso tio egípcio de tanto que conversamos), esse mesmo vice-rei cogitou destruir as pirâmides da quarta dinastia para construir pontes sobre o Nilo. Sim, você leu certo. Ainda bem que alguém o fez mudar de ideia — talvez um engenheiro sensato ou um faraó bravo em espírito.

O primeiro obelisco chegou a Paris em 1823 e foi erguido na Place de La Concorde em 1836, diante de 200 mil pessoas. O rei e a família real, com medo de um desastre, assistiram tudo de longe e só apareceram na varanda quando o monólito ficou de pé — como quem espera o bolo crescer no forno antes de chamar os convidados.

 Reflexão Final:

Hoje, olhando para tudo isso, percebo que os imperadores romanos queriam eternizar seus nomes roubando monumentos alheios — como quem leva o vaso da casa da sogra e diz que foi “herança cultural”. Já o vice-rei egípcio parecia não ter a menor noção do valor histórico do que estava doando — talvez achasse que obelisco era só uma pedra decorativa.

Felizmente, o Egito aprendeu com esses episódios e hoje protege com rigor seu patrimônio. E nós, viajantes curiosos, seguimos colecionando histórias, risadas e reflexões — como essa, que começou com uma pedra gigante abandonada e terminou com uma aula de história, cultura e comédia involuntária.

Porque no fim das contas, viajar é isso: descobrir o mundo, se encantar com o passado e rir do presente — especialmente quando o guia diz que quase derrubaram as pirâmides pra fazer ponte. Aí você percebe que a história da humanidade é mesmo uma mistura de genialidade e maluquice.

 Toninho Vendramini — viajante curioso, contador de histórias e apaixonado por cultura.


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sábado, 11 de outubro de 2025

ESTRANGEIROS FUGINDO DO FRIO EUROPEU





 Dubrovnik: Uma Escala Inesquecível no Adriático




Durante uma travessia transatlântica que partia de Veneza rumo ao Brasil, o navio fez uma parada inesperadamente encantadora: Dubrovnik, a joia da costa croata. Conhecida como “a pérola do Adriático”, essa cidade muralhada nos presenteou com história, beleza e situações tão curiosas quanto divertidas. E foi ali, entre monumentos e mal-entendidos linguísticos, que vivemos uma das experiências mais memoráveis da viagem.

O desembarque começou com um procedimento alfandegário incomum — passaportes em mãos, nos separamos do grupo principal, formado em sua maioria por brasileiros, e partimos para explorar a cidade por conta própria.

Logo nos vimos caminhando por ruas estreitas e avenidas floridas, até chegarmos a uma praça ornamentada com flores e monumentos. Um deles nos chamou atenção: uma homenagem aos heróis locais que perderam suas vidas na guerra de independência da antiga Iugoslávia, em 1991.

Enquanto admirávamos o monumento, um casal de estrangeiros se aproximou. A conversa começou tímida, impulsionada pelas sacolas com a logomarca do navio que carregávamos. Com esforço, eles nos contaram que estavam indo para o Brasil, fugindo do rigoroso inverno europeu. O destino final era uma comunidade em Mato Grosso, onde passariam toda a estação quente antes de retornar à Europa para o verão de lá. Era uma rotina anual, motivada pela idade e pela busca por climas mais amenos.

A conversa seguia entre tropeços linguísticos e boas risadas, até que o senhor tentou nos perguntar o nome das “folhas coloridas” que enfeitavam o monumento. Sem saber como dizer “flores” em português, ele balbuciava:

— Como chama esses... folhas colorridas? Como mesma?

Nesse momento, um grupo de brasileiros que também estava no navio se aproximou e, percebendo a dificuldade do estrangeiro, resolveu fazer uma brincadeira de gosto duvidoso. Um deles cochichou para o outro:

— Vamos tirar um sarro desse gringo...

E em voz alta disse:

— É bosta!

O senhor, sem entender o duplo sentido, agradeceu e compartilhou uma história curiosa: quando sua irmã foi operada, ele quis levar um presente ao hospital. E contou, com seu português improvisado:

— Eu cheguei perto da hostitale e comprou um vaso cheio de bosta, para levar parra meu irmon. Chegando na putarria da hospitale, eu falou para a mocinha de recepçon: “Gosta de bosta? Fica com um, está muito cheirroso.”

A gargalhada foi geral. O estrangeiro, percebendo que algo estava errado, lançou um olhar desconfiado ao brincalhão e quase partiu para o confronto. A tensão se dissipou e cada um seguiu seu caminho, ainda rindo do episódio.

De volta ao porto, enfrentamos outro desafio: o pelotão de fotógrafas italianas que aguardavam os passageiros nas escadarias. Mesmo sem intenção de comprar fotos, éramos alvos constantes de cliques e poses. Já cansados, recusávamos com bom humor, dizendo que todas as fotos dos cruzeiros acabavam iguais.

Uma delas, mais insistente, tentou nos convencer:
— Vieni qui, si otterrà un quadro di questo!
E, esforçando-se no português, pediu:
— Faz um sorrisada per foto!
Com 854 brasileiros a bordo, a fotógrafa não entendia por que todos riam tanto. Mas a espontaneidade do momento era irresistível.


 Gran Finale: Risos, Memórias e Marés

Assim terminou mais uma aventura em terra firme. Entre monumentos, mal-entendidos e boas risadas, Dubrovnik nos presenteou com uma história que jamais esqueceremos. E enquanto caminhávamos pelos corredores do navio, tentando evitar reencontros com os gaiatos, os estrangeiros e as fotógrafas, sabíamos que aquela escala tinha deixado marcas — não só nas fotos, mas na memória.
Porque viajar é isso: colecionar momentos que, mesmo improváveis, se tornam inesquecíveis.

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 Toninho Vendramini

Obrigado por embarcar em mais uma história.

Chegamos aos 104 mil acessos — e cada um deles é um sorriso na bagagem.

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