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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O SALTO DO DENTE TRESLOUCADO

 

COMO TUDO COMEÇOU...

"Não apenas leia — clique no negrito nas palavras e mergulhe."

Nos anos 90, um consultório dentário não era exatamente o lugar dos sonhos. Não existia a sofisticação dos aparelhos modernos ou o conforto da tecnologia de hoje. Tudo era artesanal, uma experiência que, para muitos, parecia mais um campo de batalha do que uma simples consulta. O som do motor com cordas girando ao lado de sua cabeça, a broca feroz perfurando o dente, o cheiro de dentina... era tudo uma montanha-russa de sensações! Mas aquele dia seria diferente, e o consultório, um palco para uma das histórias mais insólitas de todos os tempos.

A Narrativa:

Era uma tarde qualquer, por volta das 17h, e eu estava sentado na sala de espera do consultório, ouvindo a conversa do dentista com outro paciente. “Vai demorar mais um pouco”, disse o dentista, “preciso ajustar um dente de madrepérola para colocar como pivô na raiz do dente anterior.” Naqueles tempos, tudo era feito à mão, sem pressa, e com um método que exigia paciência – de ambas as partes.

Enquanto ele explicava, a porta do consultório estava entreaberta, e eu, curioso, pude ver o processo que ele estava conduzindo. O ambiente estava levemente iluminado pela luz do sol da tarde, e o barulho característico da broca começava a ecoar no ambiente. O dentista então disse: “Não encaixou direito. Vou ter que dar uma esmerilhada com o motorzinho para ajustar.” E logo, o som de um dente sendo desgastado começou a preencher o espaço, uma sinfonia de tensão. Foi quando, sem mais nem menos, o dente escorregou das mãos do dentista e foi lançado para fora da janela! E não parou por aí...

Ele saltou de pedra em pedra na rua de paralelepípedos que ficava abaixo, pulando e ricocheteando, como se tivesse vida própria. O dentista, em pânico, correu atrás dele, gritando como se fosse uma corrida contra o tempo. “Vou pegar o dente! Vou pegar o dente!” ele berrava, enquanto a rua começava a se agitar com os comerciantes, que, curiosos, assistiam à cena absurda.

Aquela rua, uma ladeira íngreme, parecia uma verdadeira pista de obstáculos. À medida que o sol começava a se pôr, a luz enfraquecia e o dente continuava sua jornada, agora iluminado apenas pela luz das lojas. O dentista, desesperado, foi até um comerciante de bugigangas e pegou um farolete emprestado. Mas o tempo estava contra ele, e o dente ainda não aparecia.

Enquanto isso, o cliente estava lá, na cadeira, com a boca aberta, esperando pacientemente… mas nada de dente! O dentista, agora exausto e sem alternativas, informou ao paciente que teria que pedir ao protético para fazer um novo. “Volte na próxima semana, que o novo dente já estará pronto para você.” Mas o prejuízo? Ele não podia arcar com isso!

O Climax:

Então, num golpe de sorte (ou desespero), ele contratou Epaminondas, o treinador de cães adestrados. Um homem com um cachorro tão peculiar que ele respondia ao nome de Kid Louco, um especialista em rastrear até as menores pistas. No dia seguinte, Epaminondas chegou com seu cachorro e iniciou a busca pela ladeira. Durante horas, o cachorro farejou cada centímetro da rua, até que, finalmente, lá estava o glorioso dente, resgatado das pedras e da lama!

Mas, mesmo com a vitória, o dentista sabia que havia perdido muito. Ele pagou os serviços de Epaminondas e então, com um sorriso amarelo, enviou uma mensagem ao paciente: “Pode vir hoje, o dente já está pronto!” Quando o cliente chegou, ele olhou desconfiado para o dente e disse: “Mas já? Não era para ser na semana que vem?” O dentista, sorrindo nervosamente, respondeu: “Agora estamos mais modernos! O protético inventou uma nova máquina e o dente ficou ainda melhor!”

Mas o cliente, desconfiado, começou a notar algo estranho... “Esse dente tem um gosto esquisito”, disse ele. “Parece até o cheiro do meu cachorro!” O dentista tentou disfarçar: “Ah, é o material novo, não se preocupe!” Mas, nos dias seguintes, o cliente começou a ter uma tosse muito peculiar, como se estivesse latindo. Seria uma coincidência? Ou o destino havia realmente marcado aquele dente com um toque de Kid Louco?

Final:

Às vezes, os caminhos que seguimos têm um modo curioso de nos devolver o que semeamos. O dentista, orgulhoso de seu dente recuperado, nunca soube se o cheiro de cachorro desapareceu ou se o cliente, que se tornou uma lenda da clínica, jamais conseguiu se livrar do latido estranho que ecoava em sua garganta. A história do dente que pulou pela ladeira ficou marcada para sempre no consultório, um conto de fracassos e vitórias, de risos e aflições – uma verdadeira corrida contra o tempo, e contra o destino.

💢

Contos com um toque de magia

Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados.

 

Obrigado por embarcar em mais uma história.

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 Toninho Vendramini

Criador de Conteúdo Digital

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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

UMA DESPEDIDA SOB O LUAR E A TEMPESTADE

UM RELÂMPAGO RASGOU O CÉU

UMA HOMENAGEM AO MEU AVÔ ITALIANO - O TONELLA.

"O texto fala, o negrito nas palavras convida — clique e descubra."

Era uma noite escaldante de verão. A lua cheia lançava sua luz prateada sobre a janela aberta daquele ranchinho, já castigado pelo tempo. O vento começou a soprar forte, anunciando a chegada de uma tempestade, e os estalos da madeira misturavam-se ao som dos trovões distantes.

No interior do quarto simples, sobre um colchão de palha sem nenhuma coberta, repousava um velho caboclo. O rangido da janela contra a parede de taipa ecoava pelo espaço, fazendo o reboco se desprender e se espalhar pelo chão de terra batida. Cada ruído despertava memórias de um tempo que parecia tão distante, mas que ainda ardia em seu peito.

Um relâmpago rasgou o céu e, por um breve instante, iluminou seu rosto marcado pelo tempo. As rugas contavam histórias de luta, de dias árduos sob o sol, de noites frias nas campinas. A idade pesava sobre seu corpo, suas pernas já não tinham o vigor de antes, mas sua mente permanecia lúcida, vagando entre lembranças que se recusavam a partir.

Mergulhado no passado, ele revivia os dias de vaqueiro—tempos que hoje são apenas poeira levada pelo vento. Seus olhos, marejados de saudade, fitavam o nada enquanto resgatava imagens de companheiros que compartilharam sua jornada, de laços forjados na dureza da lida. Gostava daquela vida. Amava sentir a brisa da manhã e o calor do gado selvagem em movimento, sua viola sempre a postos para entoar versos que nasciam do coração.

No canto do quarto, sob os pés de um cachorro magro—seu último companheiro de solidão—jaziam as cordas emudecidas da velha viola. O tempo parecia se curvar diante de suas recordações quando, de repente, um som do lado de fora o fez despertar: o trotar de um cavalo. Não era um simples ruído; era um chamado.

Uma força misteriosa começou a elevá-lo. Seu corpo frágil desprendia-se da cama como se fosse guiado por algo invisível. Uma sonolência inebriante o tomou, mas, ao mesmo tempo, sentiu uma leveza inexplicável. Flutuou até a porta, e com um esforço suave, conseguiu abri-la.

O que viu do lado de fora o deixou sem fôlego. A tempestade havia se dissipado, dando lugar a um dia radiante. O céu azul, pontuado por nuvens brancas, estendia-se infinitamente. Ali, entre as brisas que dançavam, ele avistou a alma de um velho companheiro: seu cavalo Pingo. O corcel, outrora destemido, havia sido ceifado por uma chifrada em plena perseguição a um boi. Agora, surgia diante dele transformado, altivo, alado, exalando bafos que se transformavam em flocos de neve no ar.

Pingo relinchou e, com um movimento de cabeça, convidou-o a montar. O velho caboclo não hesitou. Ao se aproximar do magnífico animal, sentiu seu corpo rejuvenescer, transformando-se novamente em um menino. Com a mesma alegria de outrora, saltou para o dorso do cavalo e, juntos, partiram rumo ao passado.

Voaram sobre paisagens familiares, sobre aquelas boiadas que tantas vezes conduziu. Em um rasante, viu as terras onde bravamente percorreu sob o sol abrasador, sob chuvas torrenciais, sob ventos impiedosos. Estava novamente inteiro, radiante.

Em meio à euforia, pediu a Pingo que pousasse diante de sua antiga escola, sob a sombra da velha paineira. Desceu do cavalo, recostou-se contra o tronco frondoso e, com um último suspiro, fechou os olhos para sempre.

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quarta-feira, 18 de junho de 2025

A INSENSATA MORDAÇA

 

O SUPLÍCIO DE UM EXÍLIO


Uma crise se instalou.
Povo assustado!
Revolta estudantil.
Para mudar o país.


A força da caserna se apresentou.
Avistou-se um Castelo Branco nas nuvens negras.

Um caminho intolerante e obscuro.


Quebrou-se a caneta, destruiu-se o papel.
As amarras prenderam a boca.
Lenço forte, apertado!
Músculos oprimindo o pensamento.
A voz está muda.


O pranto desaba na face.
Molha o lenço e reforça as amarras.
Um suspiro sai das entranhas.
Um gemido preso pela dor.


Um Hino Nacional não cantado.
A vontade de gritar se faz presente.


O suplício da voz apaixonada.
Um pensamento patriótico acalenta o momento.

Uma viagem forçada para terras distantes.
“¡Abajo, abajo, abajo!”

A alma se purifica e acrescenta beleza.
O pranto foi embora.

O retorno foi consagrado,
ao berço esplêndido tão esperado.
Vem das profundezas da alma
uma palavra chamada Liberdade.

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sábado, 17 de maio de 2025

CAUDILHO E DITADOR O CREPÚSCULO DA TIRANIA


CHEGOU ENTÃO O ÚLTIMO SUSPIRO 
CHURUBUZCO, O ÚLTIMO CAUDILHO

Agora um espectro do homem que um dia aterrorizou uma nação, arrastava-se pela sala de estar, olhando fixamente para a lareira onde as chamas haviam consumido os resquícios de seu passado. Mas nem o fogo era capaz de apagar a verdade—ela continuava a arder em sua consciência, sufocando-lhe o espírito.

Afundado na poltrona de couro envelhecido, sentia o peso dos anos e das incontáveis injustiças que perpetrou. Sua própria existência, antes sustentada pela força bruta, agora se esvaía como um fio de fumaça. O silêncio opressor da casa exalava uma sentença já proferida: o esquecimento.

Chamou sua ordenança, o único que restara ao seu lado na fuga. Apontou para as cinzas espalhadas, ordenando que recolhesse o último fragmento de papel que insistia em não desaparecer. Com as mãos trêmulas, assoprou a fuligem e leu a assinatura distorcida pelo fogo—um nome que já não significava nada.

O último ato. O último suspiro. 

Olhou para aquele fragmento como se pudesse devorá-lo e apagar sua própria história. Engoliu o papel, sufocando-se com o gosto amargo de sua própria derrota. O soluço fatal rasgou-lhe a garganta, e, no instante seguinte, o corpo pesado tombou, finalmente vencido pelo tempo e pelo juízo que sempre evitara.

Lá fora, o vento agitava as folhas das árvores revigoradas pela liberdade. Os murmúrios do povo ecoavam como um cântico de esperança, enquanto o nome do caudilho se desmanchava nas brumas do esquecimento.

Poema - O Último Eco da Opressão

Nas sombras do poder usurpado,
O tempo corroeu sua glória falsa,
O medo tornou-se seu único abraço,
E a história selou sua condenação.

Vozes silenciadas agora ressoam,
As cinzas do medo foram sopradas,
A terra respira e floresce,
O dia nasceu para o povo esquecido.

O último ato, o último suspiro,
Uma existência devorada pelo destino.
Cinzas ao vento,
Nada restou além do esquecimento.

💥

Sigamos juntos, entre palavras e páginas, sempre explorando novos horizontes literários.


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