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quinta-feira, 19 de março de 2026

NOS TRILHOS DA SAUDADE: A FOGOSA LOCOMOTIVA DO TEMPO




ESTAÇÃO DA SAUDADE

A Maria-Fumaça surge envolta em fumaça dourada, cruzando a “Estação da Saudade” — onde o tempo parece parar para que a memória possa embarcar.





Foi como em um passe de mágica: desprendeu-se do passado e surgiu na curva do tempo, imponente, barulhenta, soltando um apito estridente que parecia anunciar não apenas a chegada à estação da recordação, mas também o início de uma aventura. As aves, assustadas, levantaram voo, como se também quisessem acompanhar aquele espetáculo.

A fumaça enegrecida subia pela chaminé em rolos densos, como se fosse um véu que escondia segredos antigos. O corpo da locomotiva ardia como uma fornalha incandescente, produzindo o vapor que empurrava vagões cheios de histórias — histórias de cidades, sertões, encontros e despedidas.

 Você já ouviu o apito de uma Maria-Fumaça ecoar pelo campo?

 As lembranças que não se apagam
Tudo isso me leva de volta ao tempo de menino, na estação da velha Banharão, hoje desaparecida. Ali, vi uma Maria-Fumaça transportar gado em vagões fedorentos, mas que, aos meus olhos, eram poesia em movimento.

As férias na fazenda de café do meu avô Giuseppe, em Jaú, eram um mergulho em um mundo que misturava cheiro de terra molhada, o canto dos pássaros e o apito dos trens. Era como se cada viagem fosse uma promessa de descobertas.

 Qual lembrança de infância ainda pulsa em você como um trem que nunca para?

 Do apogeu ao declínio
Com o tempo, os trilhos perderam espaço para as estradas. O Brasil, hoje montado sobre quatro rodas, esqueceu-se das ferrovias, que ficaram sucateadas, guardadas em museus como relíquias de um passado glorioso.

Mas eu não esqueço. Recordo a estação de Jundiaí, de onde partíamos para férias inesquecíveis. Recordo o casarão dos meus avós, as conversas ao entardecer, e o som distante de uma locomotiva que parecia embalar nossas memórias.
 
Você já se pegou desejando voltar a um lugar que não existe mais?

 Os passeios que encantam
Ainda hoje, algumas Maria-Fumaça resistem, transformadas em passeios turísticos que misturam nostalgia e espetáculo.

Anhumas a Jaguariúna: um trajeto que revive caminhos de bandeirantes e tropeiros, embalado pelo cheiro de cana e café. A viagem lenta, elegante, com brasas caindo sobre os vagões, parecia nos transportar para outro século.

Serra Gaúcha: de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi, a locomotiva renascida leva turistas em um percurso de 23 km, animado por músicos, corais italianos e degustações de vinho e champagne. É uma festa sobre trilhos, um brinde à memória.

 Se pudesse escolher, qual desses passeios você faria primeiro?

🌟
Este blog é um passeio por memórias, afetos e encantamentos. Não tem capa dura nem páginas numeradas. Vive nas entrelinhas do tempo.

Cada texto é uma fresta por onde escapa o que ainda pulsa. Escrevo como quem conversa com o silêncio, como quem guarda o mundo em palavras pequenas, como quem acredita que lembrar é uma forma de amar.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

sábado, 14 de março de 2026

A LEMBRANÇA DE UM AMIGO


 Páginas Amareladas



Remexendo os guardados do tempo,
encontrei um livro que dormia em silêncio,
seus versos respirando na poeira dos anos.

Na contracapa, uma caligrafia antiga,
uma dedicatória como um sussurro preso ao papel:

"À Dijanira, para que, junto com a sensibilidade do meu amigo Vendramini, possa caminhar pela estrada da minha poesia."

Afonso Celso Calicchio, outubro de 1982.

Ele, poeta e crítico, navegava mares de letras,
trilhava caminhos na Rádio Bandeirantes,
falava de escritores como quem desenha constelações.

E na política, um estrategista de sonhos,
tecendo destinos no Palácio dos Bandeirantes,
até que nossas vidas se cruzaram.

Eu trabalhava na área de Recursos Humanos
de uma grande empresa do setor alimentício,
quando um dos donos decidiu lançar sua candidatura, na área política.

Fui convocado para ajudá-lo,
mergulhando, sem perceber, em um novo universo,

Onze meses de estrada,

onde fiz de tudo um pouco:
santinhos impressos, camisas distribuídas,
discursos ensaiados e promessas guardadas no vento.
Ao final, o Empresário, ficou à margem—um suplente,
um nome na sombra do poder.

E eu voltei ao meu posto,
mais experiente, mais calejado,
com lições que só o tempo ensina.

Mas hoje, ao tocar estas páginas amareladas,
não é a política que me emociona,
não são as estratégias, os encontros, as campanhas.

É a poesia.

Pois foi por ela que encontrei minha esposa,
por versos perdidos que nos enamoramos,
pelas palavras que seguimos lado a lado,
criando filhos, saudando netos,
escrevendo nossa própria história.

Hoje espalho minhas crônicas pelo mundo,
na esperança de que alguém, em algum lugar,
remexa seus guardados e encontre nelas
um pedaço da sua própria memória.

E ao amigo Calicchio, onde quer que esteja,
envio este abraço feito de palavras,
de saudade, de gratidão e amizade.


"Não há pressa em quem aprendeu a ouvir o tempo.”

         “A crônica é meu modo de conversar com o mundo sem levantar a voz.”

         “Olhar o cotidiano é meu ofício; transformá-lo em palavra, minha arte.”

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

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