quarta-feira, 26 de setembro de 2012

AS TOURADAS DE SEVILHA E LINARES


Nos caminhos percorridos em terras espanholas, visitei juntamente com a companheira, a esplendorosa cidade de Sevilha, em pleno verão europeu. Trata-se de uma terra aguerrida, povo cheio de vida, dando a impressão que estão sempre nervosos e apressados, mas não vimos nada de excepcional em sua metrópole que os levasse a ter esse comportamento, pelo contrario, é um povo muito acolhedor, talvez seja o espírito da raça.
 
A paixão que os eleva, são as touradas, que é uma questão cultural que veio da mistura de europeus e seus conquistadores, mais recentemente os mouros que ficaram em seu território por mais tempo, cerca de 700 anos, transformando-se na caliente região de Andaluzia.
Além dela, visitamos as principais cidades como; Mérida, Córdoba e Granada. Estão situadas a Sudeste da Península Ibérica, é a capital da província da Comunidade Autônoma, sendo a quarta cidade espanhola, com cerca de 700.000 mil habitantes.
 
O que mais nos impressionou foram os acervos e as arquiteturas da época que estou descrevendo como sendo a dos mouros. No ano 712 da nossa era, o califa Musa, acompanhado de seu filho e com um exercito de 18.000 homens, cruzou o estreito e procedeu a conquista em busca de pastagens de abundancia de água.
 
Ocupou as cidades de Medina, Carmona e Sevilha e, seguidamente atacou Mérida que após sitiada, foi conquistada. A Cidade, então, passou também a ser território Mouro. E foram eles que lhe deram o nome atual, a portentosa Sevilha.
 
Nesta época, a sua riqueza cultural cresceu enormemente com a chegada dos árabes, tanto que tinha dependência do Califado de Córdoba, convertendo-se na mais importante de AL - Andaluz. Os cristãos reconquistaram a cidade em 1248, durante o reinado de Fernando III de Castela. Foi também sede da exposição Ibera Americano em 1929 e da exposição mundial em 1992, onde inúmeras obras foram erigidas em seu louvor.
 
O clima de lá é muito gostoso, com aquele tempero mediterrâneo, temperatura media anual de dezenove graus, o que a faz uma das mais quentes da Europa, dado a proximidade com o continente africano, tornando-se o paraíso dos turistas, dobrando a população. Em julho, a temperatura sobe para até 35, superando no apogeu do Verão em mais de 40 graus.
 
É um povo festeiro, com uma cultura de danças regionais como o flamenco de mais antigamente e os mais modernos com as sevilhanas. Tem também a Semana Santa que é percorrida pelas ruas finalizando na belíssima catedral.
 
Destacam-se a Feria de Abril, de caráter folclórico, com milhares de pessoas vindas de toda a Espanha e, no recinto da festa as pessoas se reúnem para cantar e dançar. Durante a semana, realizam-se uma serie de touradas, de fama nacional, na conhecida Plaza de Toros, La Maestranza, onde tivemos a oportunidade de visitar, mas nos dias que se seguiram, não houve touradas; ficamos, então, com o museu muito bem montado em suas dependências.  
 
AS TOURADAS REGISTRADAS NO MUSEU
 
O espetáculo em sua praça de touros é algo parecido a um campo de futebol. As pessoas sentam nas arquibancadas para assistirem e, em todas as “corridas” o “toro” é sacrificado.
O matador o enfrenta com uma capa vermelha, no qual é ajudado pelos seus assistentes. Depois vêm os “picadores” que dão as suas estocadas, enfraquecendo os músculos do animal. Inicia-se, então, a etapa com os gritos da platéia de olé-olé, que foi adotado nos jogos de futebol aqui no Brasil, quando o time vencedor quer também dar o seu espetáculo.
 
O papel do toureiro é fazer um bonito show, deixando o touro cansado, tirando suspiros da torcida. È uma pena a judiação que é feito com o animal.  Mas, nesse país, é uma tradição. Eu sempre torço pelo touro, porque o bicho homem faz dele um palhaço dentro do picadeiro e acabando com sua existência.
 
Enfim, depois de tantos passos, gritos de olé, o matador se prepara para a estocada final. Com um movimento de espada escondida sobre a capa, faz com que o animal se aproxime, enfiando-a em seu dorso, fazendo-o cair. É o final.
 
No museu, pudemos ver os cartazes das touradas de antigamente, destacando-se, o lendário “Manuel Laureano Rodrigues Sanchez”, conhecido nos meios como “El Manolete”, um dos maiores matadores que já existiu.
 
Ganhou destaque logo após a Guerra Civil Espanhola sendo considerado como o maior de todos os tempos. Seu estilo era sóbrio e sério, se destacou com a maneira precisa de matar o touro, com a “Manoletina”, que é o golpe final com a espada, outro movimento característico era ficar quase imóvel quando o touro passava perto de seu corpo e, ao invés de dar os passes separadamente, permanecia no mesmo local e juntava quatro ou cinco passes consecutivos, em uma séria compacta.
 
Apresentou-se em todas as principais praças da Espanha. Morreu após levar uma chifrada na coxa direita, quando estava tourando o quinto touro do dia, um da raça miura chamado Islero, um evento que deixou a Espanha em virtual estado de choque.
 
O golpe fatal foi na cidade de Linares, em 28 de agosto de 1947. O general Francisco Franco, ditador da Espanha, ordenou três dias de “luto nacional”, durante os quais hinos fúnebres eram ouvidos no radio.
 
Atualmente essa prática está sendo abolida, a magnifica “Plaza de Toros”, em Barcelona foi transformada em um Shopping Center.
 
Se desejar ver essa versão em formatação, acesse o site: http://sergrasan.com/toninhovendraminislides
 


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

TONELLA, O CONTADOR DE "CAUSOS" MULA SEM CABEÇA

 
 
Tive a felicidade de conviver muito de perto com o Tonella, pois morava com minha família, e partilhávamos o mesmo quarto de dormir, até o dia de seu falecimento, quanto eu tinha dezesseis anos de idade.
Era um homem que tinha como virtude, o dom de contar acontecimentos e “estórias”, vividos por ele lá no sertão da velha Banharão distrito da cidade de Jaú, onde a maioria dos parentes nascera.
Quando envelheceu e não podia mais cuidar da plantação de café e lidar com os animais, a família veio para Jundiaí em busca de melhor posição e condição de vida.
Na época de juventude, o meu avô era um homem forte e tinha como especialidade treinar cavalos para shows circenses; também amansava animais selvagens, (burros e mulas) para o trabalho de tração nas lavouras. Essas atividades o deixaram famoso em toda a região e rendiam-lhe um bom dinheiro, chegou até comprar um veiculo Ford “bigode” novo, cujo motorista era o meu pai Vico, uma vez que ele tinha medo de chegar perto.
Minha avó, dizia o velho Tonella, era uma benzedeira convicta e também parteira. Com o passar do tempo, agregou ao ritual novos gestos e falas; molhava alguns ramos de uma planta que tinha no fundo do quintal em uma “água benta” e espalhava sobre a cabeça das pessoas.
Essa tradição de mulheres benzedeiras da família veio de muitas outras gerações e teve como origem as terras européias, lá nos confins da cidade de Treviso da bela Itália. Com o modernismo das jovens descendentes em terras brasileiras, a tradição se perdeu pelos caminhos da vida.
Mas, voltando a falar dos trabalhos de benzedura praticado por minha avó, quando vinha gente de muito longe, para passar pelas suas mãos, objetivando o nascimento ou uma cura, evocava e balbuciava algumas frases no idioma nativo de difícil compreensão. Falava para as pessoas que se sentavam sobre um banquinho de madeira, aguardando o ritual final, que iriam ter visões de uma mula sem cabeça, e que era para falar toda a verdade. As pessoas, quase morrendo de medo, entregavam o pecado e acreditavam piamente saírem de lá curadas, ou sem mais nenhum mal sobre sua cabeça.
Quando o “doente” escutava o tropel da mula, rodeando a casa, enchendo os espíritos de inquietudes, não podia olhar, nem sequer pela fresta da janela, pois corria o risco de ficar cego.
Segundo ainda o meu avô Tonella, mia nonna, meglio conosciuta come la vecchia signora (minha avó, mais conhecida como a velha senhora), falava para as pessoas que, se uma moça se aventurasse em um idílio amoroso antes do casamento, ou ainda uma comadre que se ligava com um compadre, ou mulher que se casasse com padre, iria virar mula-sem-cabeça.
Dizia também que ela aparecia nas noites de sextas-feiras e, encontrando um pecador, chupava-lhe os olhos, as unhas e os dentes, alem de soltar fogo pelas ventas. Quando isso acontecia e a pessoa sobrevivia, dizia o Tonella que a cura fora alcançada e, para quem com medo não queria enxergá-la, porque tinha cometido um pecado, não podia passar correndo diante de uma cruz à meia-noite.
Finalizando, digo que os mitos e lendas brasileiras andam pelos lares de nosso povo assustando e fazendo a imaginação voar, como fazia minha avó Santa e o seu fiel escudeiro, o marido, meu avô “Tonella”. 
 
As lendas, às vezes, estão em vários lugares diferentes ao mesmo tempo. Os nomes podem variar e algumas características também, mas suas histórias e aparições não morrem e misturam-se às crendices, oriundas do lado sombrio do inconsciente coletivo.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

O VIGOR DA PRIMAVERA


 
A riqueza da nossa flora brasileira desabrocha com todo vigor na Primavera e encanta aos olhos dos mais exigentes. É uma época colorida e perfumada, um descanso para os olhos e nos rendemos à riqueza de cores e tons que compõe a nossa aquarela.
 
Mas vejo que essa afirmação que está inserida na memória das pessoas tem os seus mistérios, porque atualmente estamos na estação do inverno, o mês tradicional do frio, e vemos muitas flores ainda em sua plenitude a começar pela chácara onde moro, com muitas desabrochando nesta estação.
Desta forma, podemos ter sempre ambientes decorados com flores, trazendo um magnetismo no ar, fica um sorriso nos lábios das pessoas e uma boa vontade em ser gentil, que persiste em permanecer por muito tempo, perpetuando uma beleza poética, inspirando as mais diversas sensações.
 Assim sendo, a simbologia das flores exerce grande influência na vida das pessoas; por isso temos que cultivar essas nossas amigas, darem a elas todo o tratamento carinhoso, conversando quando sentimos que estão um pouco tristes, para que revigorem os nossos sentimentos.
 
Mas ficou em minha memória uma flor que não canso de admirar e que é rara: tive uma visão em grande escala, uma vez percorrendo a rodovia Rio-Santos. Estava presente uma maravilhosa e imensa florada na serra. 
 
Estou falando das cerejeiras, essa flor sensível por natureza: perde suas pétalas ao mais leve toque e floresce somente uma vez por ano. É encontrada também na região de Campos de Jordão e nas calçadas de Bariloche na Argentina, onde todas têm essa árvore produzindo flores em pleno inverno e, ao toque de flocos de neve, caiam nas calçadas já cobertas por outra nevasca, que tive a oportunidade de enxergar de forma contemplativa.
 
É originaria do Japão e aqui se adaptou ao clima frio da Serra da Mantiqueira. Assim como as cerejeiras, outras também proporcionam uma festa para os nossos sentidos durante o inverno. Do Norte ao Sul do País, milhares de espécies enfeitam a paisagem e contribuem para o equilíbrio de nosso ecossistema.
Outras variedades, como o ipê, abundantes em diversas regiões, invadiram o asfalto e também ganharam as calçadas de algumas cidades. Seu nome na língua indígena tem a tradução como “casca grossa”. Floresce, colorindo seus galhos com flores amarelas, roxas e rosas.
Na entrada de nossa casa, aqui no Villagio Di Treviso, temos duas, que, na ocasião do reflorescimento, é uma sensação e vira uma paisagem para álbuns, com fotos maravilhosas pelos vizinhos e visitantes, enfeitando a nossa entrada, proporcionando espiritualidade, leveza e beleza.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

BAIRROS HISTÓRICOS DE LISBOA



Estão situados na sua maior parte no centro de Lisboa, tiveram e se mantem com sua formação tradicional. São destinos obrigatórios para quem visita ou se desloque à capital de Portugal. Ostentam centros de cultura, história e arquitetura, onde as pessoas admiram estudam ou simplesmente passeiam descontraidamente, é imperativo encontrá-los, uma vez que fazem parte da identidade Lisboeta; estes bairros proporcionam, a quem os descobre traçar um verdadeiro mapa pessoal.

A cidade como um todo está repleta de monumentos de grande importância, que propiciam magníficos momentos de contemplação, envolvendo a arte e a escultura em estilos próprios, perpetuando historia e romantismo aos apreciadores. Capital de império teve seu expoente máximo de riqueza na época dos descobrimentos, assegurando um patrimônio único de rara beleza.

BECOS, CALÇADAS E SACADAS.
Lisboa antiga!
Beco da bica!
Sinuoso e tortuoso.
 
Pessoas observando.
Debruçadas nas janelas.
As românticas ruelas.

Saudades de um passado.

Do bonde elétrico barulhento!
Do jornaleiro, do leiteiro.

Das velhas senhoras e seus fados.
Do burburinho matinal.
 
Jogam milho nas calçadas.
Para ouvir o arrulhar dos pombos.
Vão sentindo o panorama de outrora!

Velhas sacadas lisboetas!
Com risonhos sonhos.
De olhares lusitanos.

CONHEÇA MAIS UM POUCO DE CLEÓPATRA

CLEÓPATRA Cleópatra foi a última Rainha da Dinastia ptolomaica que dominou o Egito após a Grécia ter invadido aquele país. Filha...