terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

REGISTROS DE UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA (Como Surgiu o Cronista)




Passei boa parte da noite em pensamentos, onde as reminiscências sobre a minha vida profissional estavam ainda presentes na memória. Ao despertar no dia seguinte, bem depois do horário habitual, percebi que não era um dia qualquer, pois as homenagens que recebi no meu trabalho no dia anterior, pela minha aposentadoria, ainda muito, me emocionavam.

Podia ouvir ainda, misturado com o canto dos pássaros matutinos da minha moradia, as palavras de elogio por todo um trabalho desenvolvido no decorrer daqueles longos anos, na labuta em prol de minha subsistência e o da família, com muito orgulho e satisfação, pois foi através do esforço de todos, que conseguimos o nosso sucesso.

Qual caminho deveria seguir? Essa pergunta me acompanhou no ultimo ano de minha atividade, tinha que ser alguma coisa que ocupasse minha mente, proporcionando um lazer criativo. Cheguei à conclusão, que seria a de escrever, como já vinha fazendo, nos períodos de folgas, contando a saga do meu avô Italiano em terras Brasileiras, que um dia poderia ser transformada em um livro.

Com o desenrolar da história, começou vir à mente, contar fatos do cotidiano e de viagens realizadas mundo afora, o que fiz com grande desenvoltura, posteriormente, vieram os contos, prosas, poesias e poemas. Desse modo, recebi um convite, para postar em um site, e depois em outros, obtendo expressiva quantidade de leitores, fato que me levou a participar de algumas antologias, como também, de forma esporádica, em revistas e jornais.

Assim sendo, penso que virei um cronista. Mas o que é uma Crônica? Para os especialistas, deriva do latim (chronica), quando no auge do mundo cristão, relatava um acontecimento, (em ordem cronológica), narrando os fatos, seguindo a ordem conforme se sucedia.

Essa pratica, serviu como documentação daqueles tempos para os reis cristãos, mais notadamente os Espanhóis e os Portugueses, deixando assim, um breve registro dos fatos.

Com o passar do tempo, de forma gradual, veio o caráter literário, fazendo o uso de uma linguagem mais leve, passando pela poesia, lirismo e fantasia.

Hoje em dia, se destina a publicação em jornais e revistas, mas acabou também se enveredando pelos caminhos da internet, mostrando toda sua efervescência, uma vez que está sempre relacionada com algum acontecimento.

Esse relato, de forma cadenciada, se diferencia da noticia, porque nem sempre é feita por um jornalista e sim, por um escritor, com uma narrativa envolvente e de forma imaginativa. É o que pode se chamar de repórter com terno e gravata, transformando uma discussão violenta de marido e mulher, em um romance à luz de velas em um belo restaurante.

Desta forma, os personagens podem ser reais ou imaginários. O cronista é essencialmente um observador, um espectador que narra à visão da sociedade em que vive, através dos fatos que enxerga, com os olhos bem aguçados, buscando sempre um bom tema.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

O GUARIBA DO PAI JACÓ





Em uma manhã de sábado acordei com o tradicional gorjeio dos pássaros que ficam saltitando nas arvores próximas ao meu quarto de dormir. Abri a porta-balcão e fiz uma saudação de louvor por estar à frente de mais um dia de minha vida.

Fiquei filosofando com os meus botões pensando que deveria fazer um bom proveito daquelas horas, porque quem sabe em outra ocasião poderá faltar essa oportunidade.

Como não tinha programado nenhuma atividade, fiquei pensando em realizar uma caminhada pelas áreas verdes do meu Condomínio. Quando me preparava para tal empreitada, escutei um som estridente vindo de uma pequena mata no final da rua. Curioso para ver do que se tratava, caminhei naquela direção, lá chegando, comecei a olhar para o alto das arvores, procurando por algum pássaro diferente dos que já conheço, ou ainda, um pequeno animal silvestre.

Foi quando então aquele som, repercutiu novamente em meus ouvidos, aperto o passo e começo a procurar de um lado e do outro e nada enxergo. O meu pescoço já estava retraído e estralava como uma pedra jogada sobre o asfalto da rua, de tanto buscar o autor de tal proeza.

O som continuava alto de forte, parecendo desafiar os meus olhos que rodopiava loucamente a procura de algum bicho, uma ave, sei lá... Eu tinha que encontrar quem produzia aquele som que se tornava cada vez mais alto.

Nessa altura, o pescoço doía, à vista já estava turvando e lacrimejando, uma vez que conforme as arvores balançavam com o ainda pouco vento, abria-se uma clareira, com o sol jogando uma enxurrada de raios sobre os olhos já cansados de olhar sem nada encontrar.

Quando parei sob uma grande arvore, senti um objeto explodir sobre a minha cabeça, provocando uma dor muito forte. O que era? Um caroço de uma fruta desconhecida. Olhei novamente para o alto... E constatei um pequeno animal, dependurado sobre um imenso galho seco, que lhe servia de trampolim e trapézio.

Sim era um bicho. E certamente foi ele quem atirou o caroço já gasto de tanto comer a polpa que deveria estar deliciosa. Mas de que espécie? Parecia da família dos macacos. Um símio talvez, porque tinha na pele da maxila inferior, uma barbada.

Fiquei observando os seus movimentos e atitudes por um bom tempo. Notei que estava com uma das mãos carregando outra fruta. Colocou na boca e começou a devorá-la com imensa volúpia e deleite. Eu lá em baixo senti vontade de saborear também. Comecei a procurar a fruta, lançando o olhar sobre os galhos mais finos e, atento aos movimentos do símio.

Quando terminou de saboreá-la, jogou novamente o caroço sobre a minha cabeça. Soltei um grito e falei, - “ô seu mal-educado”, vai jogar na cabeça do seu irmão, porque ao seu lado tinha mais um da raça.

Parece que ficaram satisfeitos com a pontaria, acertando a mim que era o seu alvo. Começou outra vez, aquela cantoria que me atraiu a busca dos sons da manhã, diferente do gorjeio da família de sabiás-laranjeiras que habitam as arvore lá de casa.

Fiquei observando não achando nenhuma graça, e eles parecendo que riam soltando gargalhadas e emitindo um som bem diferente. De repente um deles soltou um esguicho que vinha em minha direção trazida pelo vento, que agora se tornava mais forte. O cheiro era insuportável, antes que me atingisse, dei um pulo para traz, falseei o pé e caí sentado sobre a guia da rua.

Levantei-me e olhei para o alto. Não estavam mais, deram no pé, porque eu já tinha apanhado uma pedra para espantá-los. Voltei para casa e fui consultar a enciclopédia dos bichos para definir o tipo de símios que produziram aqueles sons, só sei que, não souberam respeitar os seres humanos que os protege para que sua raça não se acabe.

Depois da consulta, cheguei à conclusão tratar-se da família dos símios denominados de Guariba. Se novamente eu escutar aqueles sons, não vou ser mais curioso de ir até lá. Vou recomendar aos meus vizinhos, dizendo tratar-se de animais maravilhosos e, quem sabe, não tenham a mesma “sorte” que encontrei.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O RASTRO BRANCO DE UMA HÉLICE



E LA BIANCA SCIA DI UN'ELICA






















Vozes no silêncio da noite afagaram os meus ouvidos
Eram os meus ascendentes chorando a pátria distante
Falaram de suas terras deixadas sem destino
De uma colheita sem realizar...
Querem voltar...
Para rever os parreirais
Manchas vermelhas nas camisas
De sangue e de vinho sangrando na saída
Choro de mulheres com crianças na barriga


Contaram sobre uma época
Quando aportaram nas águas verdes do Brasil
Percorrendo os confins de Treviso
 Para ganhar o mar azul saindo de Nápoles
Na busca de ilusões sonhos e conquistas
O navio trouxe pessoas e à alma da família


O tempo passou... Passou... Passou...
Estou voltando com as cinzas do passado...
Dos homens e mulheres...
Que sentiram as sensações de outrora...
Em uma terra de sonhos...


Mar revolto... Velhas canções...
Na passagem por águas e terras africanas

No começo de velho continente
Deixo cair um pouco de nuvem cinza no oceano
Guardadas em velhas garrafas de vinho
Para recordar o caminho
Daqueles que por ali passaram em vida


É o fim de um verão
Em um colóquio de sentimentos
No Transatlântico branco Europeu
Percorrendo o caminho inverso
De águas aquecidas pelos sonhos no oceano


Parti do porto esperança
Do universo de minha vida
Correu uma lágrima na face sonhadora
Fiquei angustiado na saída...
Mas com uma vontade imensa de chegar...
Para as cinzas espalhar
No seio e no cio da terra onde nasceram


Replantei a semente dos velhos capitães...
Na terra dos antepassados...


Antonio Giuseppe Gasparotto Vendramini Secondo Di Treviso


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LEVITAÇÃO




O poeta está sempre olhando para dentro de sua alma, pensando e refletindo sobre o destino que tem a cumprir, só uma força suprema, poderá desviar o seu destino.

CONHEÇA MAIS UM POUCO DE CLEÓPATRA

CLEÓPATRA Cleópatra foi a última Rainha da Dinastia ptolomaica que dominou o Egito após a Grécia ter invadido aquele país. Filha...