segunda-feira, 27 de julho de 2015

O SOM DOS ANOS DOURADOS


Repassando algumas fotos e recortes de jornais, armazenados em uma caixa de papelão no meu armário de guardados, pude trazer, para o presente, algumas lembranças que estavam esquecidas nas paredes da memória.

Comecei a imaginar aqueles belos tempos, contemplando registros de uma época que muitas pessoas rotularam como “anos dourados”, da qual eu e muita gente da minha roda de amigos fazíamos parte.

Um recorte chamou mais atenção, pois trazia minha fotografia, tocando bateria na orquestra animadora das domingueiras matinais que funcionavam no Clube Grêmio dos Ferroviários. O início ocorria logo após a missa das nove horas, da tradicional igreja da Matriz.

A garotada que não ia ao cine Ypiranga assistir aos desenhos do Tom e Jerry corria para o Grêmio na rua logo abaixo da praça central para dançar o tal de rock, ritmo delirante daqueles tempos. A sensação era as músicas do Elvis Presley, astro americano que esbanjava categoria, e que eram tocadas nas rádios incessantemente; e nós, da orquestra, reproduzíamos loucamente, nessas domingueiras.

O nosso “Elvis” era o Ted Milton que tinha uma voz forte e parecida com a do famoso cantor. Ele estufava o peito e soltava a garganta e se requebrava todo nas músicas; Tutti Frutti, Blue Sued Shoes e, depois, as mais amenas, como Love Me Tender e Always On My Mind.

Depois de algum tempo, as domingueiras foram interrompidas, porque alguns membros da orquestra, que tocavam em baile do sábado, chegavam muito cansados. Eu, que só podia atuar aos domingos, gostava muito. Foi uma tristeza o fim daquilo tudo, porque já tinha virado um acontecimento regional, com pessoas vindas de vários lugares, para brincar e dançar o ritmo frenético.

Com isso veio a ideia de formar um conjunto musical que virou um trio, para tocar nas chamadas “brincadeiras dançantes”, copiadas dos filmes americanos. A primeira foi na casa de uma garota de quem nem me lembro mais do nome; fomos chamados pelos pais para saber o que era “aquilo”. E, depois de muita conversa, foi autorizada.

O local (uma grande garagem) era o ideal, porque havia por lá um piano, condição principal para juntar o acompanhamento (bateria e saxofone).

O trio não tinha nome, mas íamos sempre de camisa vermelha, calça e sapatos pretos. Dos componentes, eu era conhecido por Tony Vendra, cujo nome ficava estampado no surdo de pedal da bateria, comprado por meus pais, de tanto insistir para ter aquela parafernália maluca dentro de casa. Os outros dois, o Joel das “Candongas” ao piano e Joãozinho “Boa-Pinta” ao saxofone.

No dia marcado para “as dançantes”, meu pai pacientemente transportava em seu Ford os apetrechos da “batera” no porta-malas, que parecia uma “barca” de tão grande.

Já nessa época, imperavam as canções Italianas e as músicas eram as menos barulhentas, condição “imposta” pelos pais da moça; então, ficávamos nas músicas lentas, próprias para as danças de rosto colado, com muita “conversa fiada” ao pé do ouvido das meninas.

Na abertura, tinha uma música muito especial intitulada “Non Ho L’età” (“Não tenho idade”) cantada por uma menina do grupo, imitando a Gigliola Cinquetti, que, em seu conteúdo, falava que a garota ainda não tinha idade para namorar; e isso agradava os pais das meninas.

Começamos a ficar famosos, porque até os nossos professores mais jovens vinham assistir e também dançar. Na segunda-feira, na escola, era um falatório geral; ficávamos rodeados de meninas que vinham conversar sobre o que iríamos tocar nas próximas.

Em outras ocasiões, lá pelo meio da festa, era servido pela mãe da moça, para os mais grandinhos, o tal de “ponche”, uma bebidinha meio sem graça; então, “do nada”, aparecia uma garrafa de vodka com o conteúdo despejado na vasilha que continha a bebida (sem que ninguém percebesse).

Aquela bebida “ia para as cabeças” e muita gente começava a ficar alegre; muitas “declarações” eram faladas ao som do nosso trio. Desse momento, surgiu à idéia de, nos intervalos, fazer declamação de poemas e poesias, o que as meninas faziam com magistral postura poética.

No final, tinha muita gente que vinha de outros lugares; então, metade da turma ia para a rua e ficava dançando por lá, com muitos vizinhos gostando, e outros nem tanto, daquele movimento alegre e jovial. Havia “alguns” que “melavam o pé” e caíam no jardim da casa, depositando, nos vasos de flores, as comidas e bebidas sorvidas durante a festa.

Num desses eventos, fui convidado para me apresentar na rádio Difusora, aos sábados pela manhã, em um programa que tocava músicas a pedido de ouvintes, através de carta ou telefonema. Eu deveria atender aos telefonemas (tudo previamente combinado) e dizer que a música escolhida seria complementada com alguns versinhos (selecionados em conjunto com o programador), baseados naqueles feitos por mim e declamados pelas mocinhas, nas brincadeiras dançantes.

Eu topei logo de cara sabendo que a minha recompensa era receber entradas para os cinemas, oferecidas pelos cines Ypiranga e Marabá.

Antes de o programa ir para o ar, eu conversava com o locutor e programador para colocar somente músicas Italianas, que era a “coqueluche” do momento, com cantores maravilhosos da época, destacando alguns:


  • John Foster – Amore Scusami;
  • Lorella Vital – Se Non Avessi Piu Te;
  • Pino Donaggio – L’ultimo Romântico;
  • Sérgio Endrigo – Canzone Per Te.
  • Peppino Di Capri – Roberta;
  • Luigi Tenco – Ho Capito Che Ti Amo.
  • Domenico Modugno - Legata A Um Granello Di Sabbia, Piove e, Tu Si’Na Cosa Grande (Letra abaixo):
Canta Modugno:

Tu si’’na cosa grande per me. – Você é uma coisa grande para mim.
‘Na cosa Ca mi fà’nnamurà. – Uma coisa que me deixa apaixonado.
‘Na cosa Che si tu guarda a me. – Uma coisa que você olha para mim.
Me ne moro accussì guardanno a te. – Posso até morrer, assim, só olhando para você.
Vurria sapé na cosa da te. – Queria saber uma coisa de você.
Percchè cuanno te guardo accussì. – Se quando te olho assim.
Si pure tu te siente morì. – Você também se sente morrer.
Nom me o dice a num me fai capi. – Por que então não fala para mim?
Ma percchè. – Por quê?

Esse foi o grande Modugno que eu apreciava tanto, com belíssimas composições e um magnífico cantor. Chegou a vir ao Brasil onde se apresentou em São Paulo e Rio com grande sucesso. Todas essas músicas e astros marcaram o fim dos anos 50 e início dos 60, cuja época vivi, com muita alegria, sentindo, agora, uma saudade imensa dos Anni Moderni.





PORTO SEGURO ONDE NASCEU O BRASIL






A cidade foi, oficialmente, o primeiro local onde aportaram os navegantes portugueses comandados por Pedro Álvares Cabral, quando do descobrimento, em 1500. Possui antigos monumentos históricos, além de paisagens naturais de rara beleza ao longo da costa.

Visitar o sítio histórico da cidade alta foi uma emoção muito grande; trouxe, ao nosso presente, momentos vividos por aqueles desbravadores portugueses, coragem e o discernimento dessa grande aventura chamada Brasil, deixando em seu rastro quase que uma obrigação de defendê-lo, em termos de história, para o meu pequeno neto, o Lucas, que nos acompanhou.

Vimos por lá inúmeros turistas em visita ao Monumento Nacional, instituído por decreto presidencial em 1973. Trata-se do primeiro núcleo habitacional do Brasil; além de ostentar o marco do descobrimento, desempenhou papel importante nos primeiros anos de colonização. Os prédios históricos que visitamos durante o dia são apreciados por muita gente à noite, conforme comentários que ali ouvimos, quando sob efeito de iluminação especial.

Iniciamos o passeio pelo marco do descobrimento de onde se descortina uma das mais belas paisagens do litoral. O marco veio de Portugal, entre 1503 e 1526, e simbolizava o poder da coroa, utilizado para demarcar suas terras. Tudo em pedra de cantaria, de um lado está esculpida a cruz da Ordem de Aviz e, de outro, o brasão de armas de Portugal.

Na mesma área está a igreja de Nossa Senhora da Penha, construída em 1535 pelo donatário da capitania, Pero do Campo Tourinho. Aí estão guardadas imagens sacras dos séculos XVI e XVII, entre elas a de São Francisco de Assis – primeira imagem trazida para o Brasil. Para se ter uma ideia de como era a capitania do século de Tourinho e a chegada dos jesuítas, basta ler alguns trechos das cartas escritas por Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, padres da Companhia de Jesus, sobre a espetacular região.

Mais adiante, o Paço Municipal ou a Casa da Câmara e Cadeia, datada do século XVIII, uma das mais belas construções do Brasil colônia, ostentando uma arquitetura invejável para a época. Nesse prédio funciona, hoje, o Museu Histórico da cidade ou museu do descobrimento de onde compilei inúmeras informações para essa crônica. A igreja da misericórdia ou, como é chamada pelo funcionário do museu, “Igreja do Senhor dos Passos”, de estilo singelo, muito bonito, guarda imagens barrocas de um teor de inigualável beleza, destacando-se o Senhor dos Passos e um Cristo crucificado.

Ainda nesse meio de um visual gracioso, está o casario tombado como monumento nacional; e a igreja de São Benedito, ao lado das ruínas da antiga residência e o colégio dos jesuítas, dá um ar de imponência e respeito a um passado recente do jovem país que é o Brasil. Certamente dentro de algumas décadas sem dúvida, será uma das principais potências mundiais.
Em termos de defesa do patrimônio, os patrícios ergueram o primeiro fortim em 1504, edificado sob a égide de Gonçalo Coelho e reforçado no século XVIII.

Outros passeios realizados foram de espetacular grandeza e beleza, destacando-se dois deles: o primeiro no parque das águas, onde pudemos descarregar as emoções e aprimorar a esperteza, pois realizamos grandes aventuras pelas águas “calientes”. Em um dos momentos de caminhadas, constatei uma tribo de índios pataxós exibindo-se sob um imenso quiosque, despertando enorme curiosidade e alegria com suas danças tribais.

O clímax dos passeios certamente foi o da chalana, onde pudemos reunir todos os viajantes. A alegria foi contagiante, tendo como pano de fundo o simpático “tatu”, o homem das mil caras, com seus disfarces e vestimentas espalhafatosas, causando um furor nas pessoas, de dar inveja aos que não fazem o magnífico passeio. Foi entrelaçado de fatos pitorescos, como o “monstro do mangue”, anunciado como um gigante de 2,20 metros que emergia de suas águas barrentas, vindo assustar as pessoas, na embarcação. Mas o que vimos, foi à minúscula figura do Tatu disfarçado de monstro, proporcionando imensas gargalhadas aos presentes.

Outro momento engraçado foi após o almoço, às margens do belo rio, onde todo embarcado pôde ouvir sons do saudoso Michael Jackson. O som foi entrecortado com um anúncio de que ele estaria ali em forma de música e, para o nosso espanto, saiu, do restaurante, uma figura saltitante e com uma vasta cabeleira. Quem era? Oh! Era novamente o Tatu em forma de Jackson, pulando e esbanjando categoria com o “passo da lua”.

Enquanto alguns apreciavam a bagunça, outros admiravam a bela natureza, proporcionando momentos de rara magia em seu panorama verdejante e aquoso, deixando saudades para sempre... 



O clima que nos acompanhou foi sempre de verão, apesar de estarmos no inverno; lá é sempre quente, com picos de 42 graus e ameno no inverno, com média de 25 graus e mínimas de 15. Nos meses de julho e agosto, a possibilidade de chuva é maior, como aconteceu naquela noite no Toa Toa. Deslumbramo-nos também com a Passarela do Álcool e seus famosos drinks “capetas” e lojas de artesanatos, onde as mulheres se deliciaram com o visual e as compras.

Para finalizar, digo que o local conta com um extenso litoral, cerca de 90 km de praias magníficas como a de Trancoso, Coroa Vermelha e Arraial de Ajuda. Sempre com uma areia muito fina e branca e sem nenhum tipo de poluição (que continue sempre assim), está dividido pelo rio Buranhem, que conta com cerca de 500 metros de largura, por onde navegam as balsas.

A cidade é considerada um dos mais importantes pontos turísticos do Brasil, recebendo turistas de todos os estados brasileiros e de estrangeiros.


terça-feira, 14 de julho de 2015

A BROMÉLIA DO JARDIM


Embora não seja o mês da estação das flores, observei, em nosso jardim, um resplandecente exemplar da espécie, que chegou de forma extremamente vistosa.
Para mim, foi como se fosse um milagre, porque esse tipo de planta solta a flor em uma estação não compatível, como a maioria.

Lendo sobre o assunto, verifiquei que ela floresce somente uma vez durante o seu tempo de vida. Após a floração, a planta, geralmente, desenvolve uma brotação lateral que substituirá a que irá morrer.

Elas atingem a maturidade e florescem em diferentes idades, dependendo da espécie e condições do ambiente, respeitando sempre uma determinada época do ano.

Muitas vezes, não florescem em razão da falta de luminosidade ou outro fator ambiental, como, por exemplo, a temperatura. Por outro lado, uma brusca mudança do ambiente pode provocar a floração numa planta adulta.

Sentindo-se ameaçada, o instinto de preservação da espécie desencadeia a floração com a finalidade de gerar sementes e brotos laterais. Dependendo da espécie, algumas apresentam inflorescência extremamente exuberante, podendo ser de longa duração. Algumas duram meses, outras são breves, duram dias.

Não são parasitas como muitas pessoas pensam; na natureza, simplesmente apoiam-se em outro vegetal para obter mais luz e ventilação. Na observação mais detalhada, quando me aproximei para melhor analisar, notei que, em suas entranhas, existe também outra forma de vida, com insetos trabalhando de forma vigorosa, retirando do seu interior o pólen, para o sustento de uma comunidade de abelhas que deveria se encontrar nas proximidades.  

Não era do tipo, “marimbondo” que, quando pica uma pessoa, é um terror; o local atingido fica inchado por até três dias. Tratava-se de um tipo dócil, manso, sem agressão com a minha proximidade; era um autêntico produtor de mel caseiro, cujo produto final tem a função de alimentar a comunidade, para a sobrevivência das crias que ficam nos alvéolos.

Os seres humanos, os chamados apicultores, interferem em seu ciclo de vida, colocando dispositivos artificiais para que produzam além da conta, comercializando o produto e seus derivados.

 Busquei, pelas redondezas, onde estaria a colmeia, para analisar o comportamento nesta altura da estação do ano.   Depois de muito observar, constatei que se instalou próximo ao canil, dentro de um bloco de concreto.

Que fiquem ali e procriem dentro dos princípios básicos da natureza. E já avisei o meu caseiro “bicho-homem”, que não interfira no processo e queira retirar o sustento dos filhotes.




O CAMINHO DA CRUZ

O CAMINHO DA CRUZ Tudo estava quieto... Naquele momento, pressentia-se que alguma coisa pudesse acontecer a qualquer instante;...