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sábado, 13 de junho de 2026

LEMBRANÇAS DE UMA ÉPOCA QUE O PROGRESSO DESTRUIU

Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança. 


A foto que emoldura esta crônica é de 1986, retratando a estação ferroviária de banharão, localizada no município de Jaú, SP. Construída em 15 de novembro de 1941, ela foi um símbolo de progresso, administrada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro até 1971, quando passou para as mãos da Ferrovia Paulista S.A. Contudo, esse marco histórico não resistiu às mudanças; foi demolida em 1986, já abandonada e deteriorada. Assim começava o melancólico adeus às ferrovias no Brasil, que outrora movimentaram sonhos, pessoas e mercadorias.

Hoje, tudo o que resta são fragmentos: duas placas amarelas, alguns ladrilhos soterrados pelo mato e uma escadaria imponente que resiste ao tempo, encostada a um barranco. Lá em cima, uma antiga caixa d’água metálica e vestígios de um banheiro. Ao lado, as ruínas de uma igreja, com mármore e granito revelando o êxodo rural que desfigurou essa terra de esperança.

Revisito agora, na memória, aquele cenário encantador dos anos 1950, época de férias na fazenda dos meus avós. Era o refúgio do menino que buscava no campo o que hoje só encontra na saudade. As fazendas eram pura vida e alegria. Passeios de charrete, cavalos enfeitados e primos como guias dessas aventuras inesquecíveis. Tudo culminava em visitas aos casarões coloniais, onde o aroma do café torrado misturava-se com a língua materna, o dialeto da região de Vêneto, que fluía como música entre os descendentes italianos.

Meu avô materno, Giuseppe Gasparotto, o querido “Beppo,” recebia todos com entusiasmo. A fartura das mesas era de dar inveja: pão caseiro, broas, espigas de milho, leite fresco, ovos cozidos e frutas da estação – tudo temperado com mel do pomar. E o vinho! Ah, o vinho feito ali mesmo, que nem a molecada resistia... embora alguns acabassem sendo carregados de volta para as charretes.

O centro das conversas era sempre o café. Esse grão precioso era o sustento das famílias que ocupavam as colônias ao redor das fazendas. Era uma época em que as colheitas simbolizavam trabalho árduo, mas também união, festa e um constante pulsar de vida.

E então, há algo irresistivelmente poético na visão da estação ferroviária de banharão. Naqueles tempos, eu cavalgava pelas manhãs, guiado por meu avô Beppo, para admirar o movimento da estação. Lá, aprendi sobre o telégrafo – a magia tecnológica que conectava estações e permitia que o mundo se comunicasse em pulsos sonoros. Fascinava-me o movimento frenético das sacas de café sendo embarcadas nos vagões, destinadas ao porto de Santos. O ciclo de vida do café começava ali, conduzido pelas mãos calejadas dos carroceiros e engrandecido pelo fervor do povo.

O nome do meu avô paterno, Tonella, destacava-se entre os carroceiros. Ele não apenas trazia o café da própria fazenda, como também era contratado para transportar mercadorias de outras famílias. Seus famosos aboios, com comandos para as mulas, ecoavam como poesia nas estradas poeirentas. Era a trilha sonora da estação, do engenho de beneficiamento e do armazém abarrotado de histórias e trabalho. O velho patriarca encerrava seu dia na Igrejinha de Santo Antônio, agradecendo pela jornada concluída – a mesma igreja que, hoje, jaz em ruínas, denunciando o abandono de um bairro promissor.

Agora, ao recordar tudo isso, é impossível não me transportar, como em um sonho, de volta ao tempo em que tudo era mais simples e verdadeiro. O trem de passageiros chega à estação banharão, e eu embarco como aquele menino cheio de curiosidade e esperanças. Volto como homem, pai de família, morador de Jundiaí, carregado de emoções que permanecem vivas em minhas lembranças – do tempo em que as ferrovias uniam o Brasil e o progresso ainda era sinônimo de identidade.


Antonio Vendramini Neto é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

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Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O ÚLTIMO PASSO DO AVENTUREIRO


A HISTÓRIA DE UM HOMEM PERDIDO

Ao longo da história, o espírito aventureiro tem sido o combustível das jornadas mais desafiadoras, aquelas que levam homens e mulheres a lugares inexplorados, onde os limites do corpo e da mente são postos à prova. Encontros com o desconhecido, com a natureza selvagem, e até com a própria morte, fazem parte do cerne dessas experiências. Um dia, ao assistir a um documentário sobre essas expedições extremas, deparei-me com uma tragédia que me deixou inquieto: um dos participantes de uma caminhada, em um dos lugares mais inóspitos do mundo, morreu no meio da jornada. O local era o Vale da Morte, um deserto cruel onde a aridez da terra e o calor sufocante são os menores dos desafios.

“Este conteúdo integra meu blog, onde registro pensamentos e histórias ao longo do tempo. Se tocou você de alguma forma, siga e compartilhe — e deixe seu comentário no espaço indicado, pois cada leitor é parte dessa caminhada.”

Isso me fez refletir profundamente: o que passa pela mente de alguém que, diante da iminente morte, se vê perdido nesse cenário? Como o espírito humano reage quando confrontado com o fim inevitável? E, mais importante, o que é o medo, senão a reação natural à sensação de que estamos prestes a ser derrotados pela própria existência?

Foi a partir dessa reflexão que decidi imaginar a história de um homem perdido naquele mesmo Vale da Morte, onde cada passo parecia uma luta contra seu próprio corpo e contra a própria vida.

A Narrativa:

A aventura o aguardava.
Não havia como voltar atrás.
O calor do sol parecia derreter o próprio chão sob seus pés, e as pedras afiadas formavam um labirinto de dor, a cada passo, um golpe contra o corpo cansado.
No horizonte, tudo parecia uma miragem: silhuetas distorcidas pela ondulação do calor.
E, na alma, uma névoa de imagens quebradas, como se a realidade se fragmentasse a cada segundo.

Ele avançava, movido por uma força que não sabia mais de onde vinha.
O corpo, já marcado pela exaustão, implorava por descanso. As pernas, pesadas como ferro, não podiam mais sustentar sua jornada. Mas havia uma vontade maior, uma necessidade de chegar, de continuar... Não importava o quanto fosse árduo.
Ele precisava encontrar o fim dessa estrada, ou talvez o fim dele próprio, o fim que já parecia esperado, mas que ele se recusava a aceitar.

A mochila, cada vez mais insuportável, pesava sobre seus ombros, e seu passo vacilava, cada movimento uma tentativa de resistir ao desânimo.
Finalmente, exausto, ele caiu no chão, sobre a areia que o queimava, uma cama inclemente, dura como a própria realidade que o cercava.
Em um último suspiro, olhou para o céu, como se pedisse ao universo, à natureza, um milagre qualquer... mas o que ele não sabia é que a natureza, naquele instante, já havia feito sua escolha.

O vento levantou-se, quase como uma presença, e varreu seus pensamentos, espalhando-os no ar quente. O pó entrou em seus olhos e narinas, fazendo com que tudo ao redor se tornasse um borrão.
A sede, cruel e incessante, martelava sua garganta. Cada gota de suor em seu rosto era uma memória da luta travada, da busca por algo que talvez não existisse.

O arrependimento invadiu sua alma, mas não como uma força negativa. Ele não tinha tempo para arrepender-se; o que ele sentia agora era mais profundo: uma mistura de reconhecimento de sua fragilidade e uma tristeza pela inevitabilidade daquilo.
Naquele momento, o que antes parecia aventura, agora era uma tragédia. A desventura de um homem que desafiou o impossível, mas que não pôde vencer a si mesmo.

Sua visão, já turva pela exaustão e pela angústia, se fechou, e o sonho que o guiara até ali desfez-se como um castelo de areia sendo engolido pela maré.
O chão frio da terra escaldante o acolheu, e ali, no silêncio do deserto, o último suspiro escapou de seus lábios, junto com a última fagulha de esperança. Seu corpo agora inerte era tudo o que restava da grande aventura.

A vida, por fim, o havia deixado. O homem que um dia se atreveu a desafiar o impossível, e que em seu último suspiro reconheceu sua própria limitação, agora era parte do deserto. Seu nome, como todos os nomes de aventureiros, seria levado pelo vento. E a lenda de sua jornada, uma história sem fim, eternizada em cada grão de areia.

Final emocionante:

Enquanto o sol se punha no horizonte, o deserto voltava a seu estado de tranquilidade implacável.

Naquele vazio, onde a solidão é tão grande quanto a morte, o vento continuava a soprar, sem testemunhas, sem julgamentos. Apenas um eco distante, lembrança de um homem que ousou viver sua própria lenda.

💢

A estrada às vezes é silenciosa, mas vocês sempre estiveram por perto.

Obrigado por caminhar comigo.

 Toninho Vendramini

Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados.

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quarta-feira, 10 de junho de 2026

O VALOR DA PONTUALIDADE


  Sementes de Confiança, Frutos de Sucesso

Chegar alguns minutos antes do horário marcado pode parecer um detalhe... mas esse simples hábito reduz o estresse e transmite uma mensagem poderosa: você se importa. Além disso, a pontualidade é frequentemente associada à boa reputação e ao profissionalismo.

Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. 

Competência com Hora Marcada
Ser pontual revela que você tem domínio sobre sua rotina. Mostra que você se antecipa aos imprevistos, que planeja com consciência, e que valoriza o tempo — o seu e o dos outros.

Confiança que Se Cultiva
Num mundo em que promessas nem sempre são cumpridas, cumprir horários é como manter a palavra silenciosamente. Pessoas pontuais são vistas como confiáveis — por colegas, amigos e pela família. No ambiente profissional, esse valor não passa despercebido: funcionários pontuais tendem a receber mais responsabilidades, reconhecimento e até melhores salários.

O Tempo da Colheita
O agricultor não espera o dia ideal — ele planta quando é preciso. O tempo de plantar não volta, e a pontualidade nesse momento determina tudo. É a natureza ensinando que o tempo, respeitado, é aliado da prosperidade.

 Seja o Agricultor do Seu Próprio Sucesso
A pontualidade é como uma semeadura silenciosa: exige constância, disciplina e respeito. Mas quem a pratica, colhe. Colhe paz, colhe confiança, colhe resultados. Chegar no tempo certo é plantar o amanhã que você deseja viver.


Aqui, Toninho Vendramini escreve como quem costura o tempo com palavras.

Cada texto é uma janela aberta para o mundo — um mundo que vivi, sonhei ou apenas imaginei com olhos de quem nunca deixou de se encantar.

Não escrevo para guardar. Escrevo para libertar.

Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas que vivem em mim.

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O SOM DOS ANOS DOURADOS - ANNI MODERNI

Memórias Douradas

Em uma velha caixa de papelão, repousavam ecos de um tempo que se perdeu nas dobras da memória. Fotografias amareladas, recortes de jornal, vestígios de um passado que, ao serem tocados, despertaram lembranças como folhas ao vento.

Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. 

Abri essa janela do tempo e vi os dias dourados renascerem, os anos de juventude pulsando em cada registro. Entre os tesouros guardados, uma imagem destacou-se: lá estava eu, jovem e audacioso, tocando bateria na orquestra das domingueiras matinais, aquelas que se acendiam no Clube Grêmio dos Ferroviários logo após a missa das nove horas na igreja da Matriz.

Era a época do frenesi juvenil. Uns corriam para o Cine Ypiranga, ansiando por risos e travessuras de Tom e Jerry, enquanto outros, seduzidos pelo frenético ritmo do rock, desciam para dançar na rua logo abaixo da praça. Elvis Presley era o rei, sua voz ecoava incessante nas rádios, e nós, músicos apaixonados, o evocávamos em acordes selvagens e melodias de pura devoção.

Nosso próprio Elvis, Ted Milton, encarnava a essência do astro: voz imponente, presença magnética, e um balanço que arrebatava os sentidos. Tutti Frutti incendiava a pista, Blue Suede Shoes fazia os pés rodopiarem, enquanto Love Me Tender e Always On My Mind se tornavam os suspiros de almas enamoradas.

Até que, como um acorde interrompido, as domingueiras silenciaram. Os músicos chegavam cansados dos bailes de sábado, e eu, que só tocava aos domingos, senti a tristeza de ver aquele ritual desaparecer.

Mas a música não aceita despedidas, apenas metamorfoses. Assim nasceu o trio, pequeno em número, mas imenso em sonho. As primeiras “brincadeiras dançantes” aconteceram timidamente, inspiradas pelos filmes americanos. A primeira delas, na casa de uma moça cujo nome a névoa do tempo apagou, quase não aconteceu – até que os pais, após muita conversa, abriram as portas para nossa arte.

A grande garagem nos recebeu como palco. O piano, sentinela de melodias, tornava-se a espinha dorsal do trio. Eu, Tony Vendra, estampava meu nome no surdo de pedal da bateria que meus pais me concederam após tanta insistência. Ao meu lado, Joel das “Candongas” no piano e Joãozinho “Boa-Pinta” ao saxofone.

Com camisas vermelhas e calças negras, éramos uma visão. Meu pai, com paciência e afeto, transportava a bateria no Ford que parecia uma barca, e assim seguíamos para onde a música nos chamasse.

As canções italianas imperavam e, por ordem dos anfitriões, as melodias deveriam ser suaves, próprias para danças de rosto colado e murmúrios secretos trocados ao pé do ouvido.

A primeira nota da noite pertencia à delicada Non Ho L’età, interpretada por uma menina do grupo, ecoando o timbre de Gigliola Cinquetti. A canção falava de juventude e espera, encantando os pais e aquecendo os corações juvenis.

Nossa fama crescia. Professores dançavam, alunos conversavam na escola sobre os próximos encontros, e nos intervalos das festas, floresciam poesias declamadas com brilho e emoção.

Até os adultos deixavam escapar pequenos excessos. O ponche servido pela mãe da anfitriã, insuspeito em sua doçura, recebia, como um segredo, um toque de vodka, e então, alegrias se multiplicavam, verdades eram ditas, declarações floresciam ao som do nosso trio.

O encanto era tanto que alguns jovens levavam a dança para as ruas, e ali, entre olhares de aprovação e reprovação dos vizinhos, o ritmo se espalhava como uma brisa inquieta.

Foi nesse turbilhão de música e vida que recebi um convite inesperado: aos sábados pela manhã, eu atenderia telefonemas na rádio Difusora, selecionando canções e declamando versos escolhidos com o programador.

A recompensa? Entradas para os cinemas Ypiranga e Marabá – um prêmio que era, para mim, tão valioso quanto os aplausos que ecoavam em nossas apresentações.

E eu tinha uma exigência: apenas música italiana. Assim, garantíamos que ressoassem nas ondas do rádio as vozes de ícones como John Foster, Lorella Vital, Pino Donaggio, Sérgio Endrigo, Peppino Di Capri e Luigi Tenco.

Mas acima de todos, havia Modugno, o poeta da canção. Sua voz preenchia o silêncio com magia, suas composições atravessavam fronteiras e, quando ele veio ao Brasil, deixou sua marca de maneira inesquecível.

Hoje, folheando essas memórias, revivendo os dias de juventude efervescente e melodias que nunca envelhecem, sinto no peito um misto de saudade e gratidão. Os Anni Moderni foram mais que um tempo. Foram um sentimento, um instante eterno, uma melodia que ainda ressoa na alma.


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Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais


terça-feira, 9 de junho de 2026

UM CAMINHO DE TRABALHO, AMOR E HERANÇA DE VALORES


QUE DEUS ME CONCEDA MAIS TEMPO

Celebrar mais um aniversário é, para mim, mais que contar anos: é revisitar uma trajetória de lutas, conquistas e afetos. 

Olhar para trás me permite reconhecer as mãos que me guiaram, o trabalho que me formou e, sobretudo, a família que hoje ilumina meus dias. Este relato é um brinde aos que vieram antes e aos que hoje dão sentido ao meu presente — especialmente meus netos, que seguem escrevendo comigo a história da nossa família.

MAIS UM ANO DE VIDA

Foi com imensa satisfação que, no último mês de março, comemorei mais um ano de vida. Desde os doze anos mergulhei no universo do trabalho. Logo na flor da idade, ajudava no sustento da família, estimulado pelo exemplo firme de meu pai.

Não me arrependo: louvo, sim, a dedicação de meus pais — que Deus os acolha em um bom lugar, junto de minha querida mãe. Ambos direcionaram meu caminho para que, por meio de um trabalho honrado, eu construísse meu aprendizado e, mais tarde, minha própria família.

Cresci sob esse ideal e jamais medi esforços para ajudar na difícil missão de criar filhos em tempos de recursos limitados. Naquela época, ser pai e mãe exigia coragem e trabalho dobrado para garantir uma educação digna.

Meu início profissional foi simples: fazia pequenos serviços em escritórios, entregava livros a pé e, depois, de bicicleta. Era o autêntico “menino de recados”, como se dizia então — mais tarde conhecido como “office-boy”.

Passado um ano, minha mãe conseguiu, não sei como, um emprego para mim em uma indústria. Para começar, precisei de autorização do Juiz da Comarca, já que menores só podiam trabalhar aos quatorze anos. Fiquei lá por quatro anos e, nesse período, conheci a jovem Dijanira, (que mais tarde se tornaria minha esposa). Na tentativa de chamar sua atenção, escrevia bilhetinhos em forma de poesia.

Mais tarde, meu pai me arrumou trabalho no mesmo local onde ele atuava, no Departamento de Pessoal. Permaneci pouco tempo: já mais maduro e com o namoro firme, pensava em casar. Consegui então uma vaga em uma multinacional, onde cresci profissionalmente, galgando cargos de liderança até a aposentadoria.

Depois, tornei-me consultor em gestão da qualidade, introduzindo as normas ISO-9001 e, em seguida, especializei-me em auditorias para certificação. Enquanto isso, minha esposa também exerceu com dedicação a sua profissão, contribuindo para que a família se mantivesse unida e sólida.

Da nossa união vieram os filhos Alexandre e Erika, que, com o mesmo amor, cuidam dos netos queridos: Lucas, hoje com 26 anos, e Augusto, com 16 — os grandes tesouros que nos enchem de orgulho e esperança.

No meu último aniversário, estivemos todos reunidos. Foi uma celebração de alegria e gratidão, um presente maior do que qualquer outro.

Que Deus me conceda mais tempo para acompanhar o crescimento desses dois jovens — para vê-los desbravar seus caminhos, sonhar alto e, sempre que possível, continuar a brincar de avô e netos, em risadas e abraços que não têm idade.


Antônio, escritor e cronista, transforma memórias e vivências em literatura que celebra o ser humano.

Texto elaborado por terceiros, originalmente publicado em O Olhar do Escritor.

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Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

HARMONIA E O PODER DA MENTE


O   PORQUE  DA  HARMONIA

Constitui imperativo da ética manter sob firme freio todas as paixões que o assaltam e todos os vícios que o tentam.

Afirma-se que a força da vida se manifesta por impulsos em busca da felicidade.

Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.


Antonio Vendramini Neto é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.
 

Esses impulsos  visam o prazer, mas, muitas vezes, levam o homem a dor e este, fazendo alto em sua carreira desenfreada, medita e a inteligência novamente o governa.

É assim que, através de sucessivas etapas e a medida que o espirito adquire madureza, os impulsos do homem são restringidos e dirigidos  convenientemente. 

É a inteligência que aprende finalmente a discernir entre o bem e o mal.

A memoria registra as emoções passadas, anotando como gratas aquelas cujas vibrações são harmônicas e como dolorosas as que produzem vibrações inarmônicas. 

Disto se deduz  que o gozo da felicidade depende da harmonia. 

Esta poderá carecer de caráter absoluto na vida  do plano físico, porem não devemos esquecer que este mundo é o da relatividade.

A experiência aconselha a prudência e esta nos aponta a calma, como de indulgencia e de tolerância, expressões de emoções desarmônicas, desencadearam sobre o mundo tempestades que a historia compungida.

As guerras e as perseguições religiosas, que fazem o homem perder a divina virtude da compaixão, são causadas pela falta de harmonia.

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Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
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Curiosidades:

Os Doze Meses do Ano:

Janeiro:    homenagem ao Deus Janus, protetor dos lares

Fevereiro:    mês do festival de Februália (purificação dos pecados), em Roma;

Março:   em homenagem a Marte, deus guerreiro;

Abril:    derivado do latim Aperire (o que abre). Possível referência à primavera no Hemisfério Norte;

Maio:    acredita-se que se origine de maia, deusa do crescimento das plantas; 

Junho:    mês que homenageia Juno, protetora das mulheres;

Julho:   No primeiro calendário romano, de 10 meses, era chamado de quintilis (5º mês). Foi rebatizado por Júlio César;

Agosto:   Inicialmente nomeado de sextilis (6º mês), mudou em homenagem a César Augusto; 

Setembro:   era o sétimo mês. Vem do latim septem;

Outubro:    Na contagem dos romanos, era o oitavo mês; 

Novembro:   Vem do latim novem (nove);

Dezembro:   era o décimo mês. 

ENTRE O CÉU E O SILÊNCIO

 

TEMPESTADE


O sol, durante o dia, parecia castigar a terra com sua luz incandescente — uma tensão térmica que pressionava tudo sob uma atmosfera quase cruel. Era como se o planeta estivesse sendo apertado por garras invisíveis, sufocado por uma força que não podíamos controlar.
E nós?

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Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa.



Ah, nós... pequenos, frágeis, limitados em nosso microcosmo. Tínhamos até medo de pensar sobre tudo isso. A vastidão nos intimidava.

Mas então, no momento das preces — quando a natureza se transforma em palco — as cortinas da noite começaram a descer sobre o firmamento, bordadas por nuvens cúmulo disformes que dançavam como atores silenciosos.

Eu observava tudo, sem entender direito a beleza daquele espetáculo. Aos poucos, fui me perdendo... já não havia céu, nem terra. Só uma sensação de dissolução.

Para quem conseguia se conectar com aquela grandeza, era como se Deus estivesse ali, escrevendo com relâmpagos no pergaminho do céu uma mensagem de fé, força e coragem — mal traduzida pelos roncos dos trovões.

Por trás dos blocos densos de nuvens, os clarões pareciam o faroleiro do Senhor. Sua lanterna tremia de um lado para o outro, revelando uma luz róseo-alaranjada que cortava a escuridão como um chamado à Verdade.

A chuva descia como uma borracha viva, apagando as marcas do medo que o homem havia deixado. O vento, impiedoso, arranhava as árvores como se quisesse limpar das folhas o pó das blasfêmias e dos pensamentos corrosivos.

O corpo tremia. Mas o espírito? O espírito permanecia firme, indiferente ao medo da carne. Sentia-se forte. Indestrutível.
E então... silêncio.

A natureza se acalmou. A noite avançava, e algo leve, quase alegre, brotava em meu coração. Foi nesse instante que me dei conta:
Tudo havia passado.

Mas onde estive esse tempo todo?
Talvez não tenha sido sonho. Talvez não tenha sido delírio. Talvez tenha sido apenas... realidade vista com os olhos da alma.

💢


Contos são obras e textos de ficção, onde é permitido criar um universo paralelo de acontecimentos, fantasias e muita imaginação. Esses tipos de textos costumam ser curtos em extensão, porém seus significados nos fazem pensar e refletir muito...
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QUANDO A TERRA DANÇA EM PUERTO VARAS

Crônica da Viagem ao Chile Um relato informativo sobre a viagem ao Chile, os encantos culturais de Puerto Varas e a inesperada experiência d...