Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

LISBOA: ENTRE BECOS, CALÇADAS E SACADAS

Meu Blog Vendramini Letras

 "O idioma muda, mas a essência permanece. Clique em Translate à direita e mergulhe nas crônicas." 

 "The language changes, but the essence remains. Click Translate on the right and dive into the chronicles." 

Aqui não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana. 

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias, mas sim, porque alguém como eu, se recusou a esquecê-las."


Lisboa é uma cidade que respira história em cada esquina. Os bairros tradicionais, situados em sua maioria no coração da capital, preservam uma identidade única que atravessa séculos. 

Palavras que viajam, sabores que ficam

Meus textos são como malas abertas: cheios de lembranças, ideias e sabores — Que este e-mail te inspire a explorar, sentir e saborear cada detalhe.


Passear por eles é como folhear um livro vivo, onde cada rua guarda memórias de reis, navegadores e poetas.
Curiosidade: sabia que muitas das calçadas portuguesas, com seus mosaicos em pedra branca e preta, foram inspiradas nas ondas do mar? Esse estilo nasceu no século XIX e hoje é um dos símbolos mais reconhecidos da cidade.
A capital portuguesa ostenta monumentos de rara beleza, que convidam à contemplação e ao estudo. Esculturas, igrejas e praças revelam estilos arquitetônicos diversos, do manuelino ao barroco, perpetuando o romantismo e a grandiosidade de uma cidade que foi centro de um império.
Durante os Descobrimentos, Lisboa atingiu seu auge de riqueza e poder, tornando-se um porto mundial e guardando até hoje um patrimônio que encanta visitantes e moradores.

 O Poema 

Inspirado pelos encantos dos becos e ruelas lisboetas, este poema de minha autoria, escrito após uma caminhada contemplativa pelas ruas da Lisboa antiga.

Lisboa antiga!
Beco da bica, sinuoso e tortuoso.
Pessoas observando,
debruçadas nas janelas,
nas românticas ruelas.
Saudades de um passado:
das velhas senhoras e seus fados,
do burburinho matinal.
Jogam milho nas calçadas
para ouvir o arrulhar dos pombos,
sentindo o panorama de outrora.
Velhas sacadas lisboetas,
com risonhos sonhos
de olhares lusitanos.
 Final Surpreendente
Lisboa não é apenas uma cidade: é um mapa emocional que cada visitante traça ao caminhar por seus becos e calçadas. É memória viva, é poesia que se renova a cada olhar. Quem descobre Lisboa não leva apenas lembranças, mas carrega consigo um pedaço da alma lusitana.


Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.

 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Criador de Conteúdo Culturais que escolheu contar histórias 

sábado, 1 de agosto de 2026

O INSTANTE QUE RESUME UMA VIDA

O  OLHAR  DO  ESCRITOR

Toninho Vendramini é um viajante das palavras. Entre raízes de Jaú e horizontes de Jundiaí, sua escrita é ponte entre lembranças e descobertas. 

Cada crônica é um convite ao leitor: mergulhar na memória, celebrar o instante e reconhecer o humano que habita em cada história.

UM CAMINHO A SEGUIR

Passei boa parte da noite mergulhado em pensamentos. As lembranças da minha trajetória profissional ainda estavam vivas na memória, como se ecoassem no silêncio da madrugada. Ao despertar no dia seguinte—bem depois do horário habitual—percebi que aquele não era um dia qualquer. As homenagens recebidas na véspera, marcando minha aposentadoria, ainda pulsavam em meu coração, transbordando emoção.

O canto dos pássaros matinais misturava-se com as palavras de apreço que ecoavam na minha mente. Por tantos anos, dediquei-me ao trabalho com empenho e determinação, garantindo não apenas minha subsistência, mas também o bem-estar da minha família. O sucesso que alcançamos foi fruto do esforço conjunto, e essa certeza enchia-me de orgulho e satisfação.

Mas e agora? Qual caminho deveria seguir? Essa pergunta me acompanhou ao longo do último ano da minha atividade profissional. Eu precisava encontrar algo que preenchesse minha mente e me proporcionasse um lazer criativo. Após muitas reflexões, compreendi que a escrita era a resposta—uma paixão que já cultivava nos momentos de folga. 

E que melhor maneira de começar do que contar a saga do meu avô italiano, que desbravou terras brasileiras com coragem e esperança? Talvez essa história pudesse, um dia, se tornar um livro.

À medida que escrevia, memórias do cotidiano e aventuras ao redor do mundo começaram a emergir. O desejo de registrar essas experiências me levou a colecioná-las em contos, prosas, poesias e poemas, muitos dos quais naturalmente se transformaram em crônicas.

Foi então que recebi um convite para compartilhar meus textos em um site. O retorno positivo, com um número expressivo de leitores, abriu novas portas. Passei a contribuir para antologias, revistas e jornais, tornando-me, sem perceber, um cronista.

Mas afinal, o que é uma crônica? Minhas pesquisas revelaram que o termo vem do latim chronica e, segundo estudiosos, nos tempos medievais, era utilizado para narrar eventos em ordem cronológica. Dessa forma, servia como um registro documental, preservando acontecimentos para a posteridade.

Com o passar do tempo, a crônica adquiriu uma essência literária mais leve e dinâmica, entrelaçando elementos poéticos, líricos e até fantasiosos. Hoje, está presente em jornais, revistas e, cada vez mais, no universo digital, mantendo sua essência vibrante e conectada aos acontecimentos do dia a dia.

Diferente de uma notícia, a crônica não precisa ser escrita por um jornalista; ela pertence ao olhar do escritor, que dá vida aos fatos com uma narrativa envolvente e imaginativa. Os personagens podem ser reais ou fictícios, e o cronista é, acima de tudo, um observador atento, que traduz a sociedade com sensibilidade e criatividade—sempre em busca de um tema que desperte a curiosidade dos leitores.


Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana.

 

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias. Sobrevivem porque alguém se recusou a esquecê-las."


 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Criador de Conteúdo Culturais que escolheu contar histórias 
 

domingo, 19 de julho de 2026

O ÚLTIMO CAUDILHO: ANATOMIA DE UM PODER QUE APODRECEU

 



CRÔNICA DE UM PODER EM RUÍNAS

Todo caudilho acredita ser eterno.
Enquanto governa pelo medo, imagina-se invencível; enquanto o povo sofre, ele se proclama salvador. Mas o poder, quando sustentado pela violência e pela mentira, cobra seu preço — e o faz no silêncio, na solidão e no desespero dos que caem.

Esta é a história do último caudilho.
Não como ele desejava ser lembrado, mas como realmente foi: um homem consumido pelo próprio delírio de grandeza.

O caudilhismo nasce do carisma distorcido e da força bruta. São lideranças políticas autoritárias, geralmente ligadas a setores tradicionais da sociedade — militares, latifundiários, chefes armados — que substituem instituições pelo culto à própria personalidade.

O caudilho não governa: domina.
Suas relações são pessoais, emocionais e profundamente manipuladoras. Ele se mantém no poder pela repetição de mandatos, pela fraude ou pela imposição vitalícia de sua vontade. Onde há caudilho, há silêncio forçado; onde há silêncio, há sofrimento acumulado.

O ÚLTIMO CAUDILHO

Restava apenas uma assinatura chamuscada.
Um pedaço de papel carbonizado repousava entre as cinzas frias da lareira, como um testemunho maldito de um passado que ele tentou apagar.

Por longos segundos, seus olhos permaneceram fixos naquele vestígio. Depois, o corpo pesado começou a se mover em círculos lentos, contornando o tapete desbotado, como um animal encurralado em sua própria jaula.

Afundado em pensamentos, lembrou-se de que aquele documento carregava confissões sombrias: ordens de morte, traições, pactos selados com sangue. Era o retrato fiel de uma vida construída sobre o medo alheio.

Após a fuga desesperada de seu reduto, seguindo caminhos tortuosos e clandestinos, restou-lhe o exílio. Vivendo à sombra, temia mostrar o rosto nas ruas estreitas da pequena cidade onde se refugiara. O terror agora não era mais sua arma — era sua sentença.

Já havia queimado quase todos os registros de seu passado criminoso. Agora desejava apagar o próprio rosto, transformar a identidade, sobreviver anônimo aos poucos dias que ainda lhe restavam.

Mas o passado não aceita ser esquecido.

LOBO NA PELE DE CORDEIRO

Chegara ao poder travestido de esperança.
Apresentou-se como caudilho carismático, mas governou como ditador. Proclamou-se salvador da pátria enquanto aprofundava a miséria que dizia combater.

Sem planejamento, sem projeto, sustentou-se pela violência. Eliminou opositores, silenciou vozes, transformou o medo em política de Estado. Cada execução fortalecia sua ilusão de soberania; cada mentira alimentava seu trono frágil.

O poder, porém, nunca foi real — era apenas imposto.

O POEMA DO SOFRIMENTO DE UM POVO

Ostentação e continuidade forçada
Propaganda repetida até virar verdade
Mentiras servidas ao povo oprimido

Migalhas fingindo alimento
Olhos fundos, mãos vazias
Gente sofrida
Vozes enterradas no silêncio

Caminhos sem destino
Passos errantes
Descompassos de uma nação ferida

A LIBERTAÇÃO

Então, nasceu um novo dia.

Um canto de esperança ecoou pelas montanhas, embalado pelo vento livre. As estradas se abriram para as forças que vinham em nome da paz. As matas, antes murchas pela opressão, despertaram orvalhadas, recuperando o verde esquecido.

A história mudava de rumo.

A MORTE NO EXÍLIO

Sabendo que o cerco se fechava, chamou o único ordenança que lhe restara fiel na fuga. Ordenou que recolhesse o fragmento de papel que escapara das chamas.

Com mãos trêmulas, soprou as cinzas.
Leu as últimas linhas. Reconheceu sua assinatura.

Ali estava a prova final de sua existência — e de seus crimes.

Amassou o papel, levou-o à boca e engoliu-o num gesto desesperado, como se pudesse, assim, apagar a própria história. Um soluço seco interrompeu sua respiração. O corpo tombou, derrotado não por soldados, mas pelo peso de seus atos.

Naquele instante, extinguia-se o último resquício de um poder manchado.
O caudilho caía — e com ele, sua mentira.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 

🔗 YouTube 

🔗 Slides e conteúdos 

🔗 Blog Vendramini Letras 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O ÚLTIMO PASSO DO AVENTUREIRO


A HISTÓRIA DE UM HOMEM PERDIDO

Ao longo da história, o espírito aventureiro tem sido o combustível das jornadas mais desafiadoras, aquelas que levam homens e mulheres a lugares inexplorados, onde os limites do corpo e da mente são postos à prova. Encontros com o desconhecido, com a natureza selvagem, e até com a própria morte, fazem parte do cerne dessas experiências. Um dia, ao assistir a um documentário sobre essas expedições extremas, deparei-me com uma tragédia que me deixou inquieto: um dos participantes de uma caminhada, em um dos lugares mais inóspitos do mundo, morreu no meio da jornada. O local era o Vale da Morte, um deserto cruel onde a aridez da terra e o calor sufocante são os menores dos desafios.

“Este conteúdo integra meu blog, onde registro pensamentos e histórias ao longo do tempo. Se tocou você de alguma forma, siga e compartilhe — e deixe seu comentário no espaço indicado, pois cada leitor é parte dessa caminhada.”

Isso me fez refletir profundamente: o que passa pela mente de alguém que, diante da iminente morte, se vê perdido nesse cenário? Como o espírito humano reage quando confrontado com o fim inevitável? E, mais importante, o que é o medo, senão a reação natural à sensação de que estamos prestes a ser derrotados pela própria existência?

Foi a partir dessa reflexão que decidi imaginar a história de um homem perdido naquele mesmo Vale da Morte, onde cada passo parecia uma luta contra seu próprio corpo e contra a própria vida.

A Narrativa:

A aventura o aguardava.
Não havia como voltar atrás.
O calor do sol parecia derreter o próprio chão sob seus pés, e as pedras afiadas formavam um labirinto de dor, a cada passo, um golpe contra o corpo cansado.
No horizonte, tudo parecia uma miragem: silhuetas distorcidas pela ondulação do calor.
E, na alma, uma névoa de imagens quebradas, como se a realidade se fragmentasse a cada segundo.

Ele avançava, movido por uma força que não sabia mais de onde vinha.
O corpo, já marcado pela exaustão, implorava por descanso. As pernas, pesadas como ferro, não podiam mais sustentar sua jornada. Mas havia uma vontade maior, uma necessidade de chegar, de continuar... Não importava o quanto fosse árduo.
Ele precisava encontrar o fim dessa estrada, ou talvez o fim dele próprio, o fim que já parecia esperado, mas que ele se recusava a aceitar.

A mochila, cada vez mais insuportável, pesava sobre seus ombros, e seu passo vacilava, cada movimento uma tentativa de resistir ao desânimo.
Finalmente, exausto, ele caiu no chão, sobre a areia que o queimava, uma cama inclemente, dura como a própria realidade que o cercava.
Em um último suspiro, olhou para o céu, como se pedisse ao universo, à natureza, um milagre qualquer... mas o que ele não sabia é que a natureza, naquele instante, já havia feito sua escolha.

O vento levantou-se, quase como uma presença, e varreu seus pensamentos, espalhando-os no ar quente. O pó entrou em seus olhos e narinas, fazendo com que tudo ao redor se tornasse um borrão.
A sede, cruel e incessante, martelava sua garganta. Cada gota de suor em seu rosto era uma memória da luta travada, da busca por algo que talvez não existisse.

O arrependimento invadiu sua alma, mas não como uma força negativa. Ele não tinha tempo para arrepender-se; o que ele sentia agora era mais profundo: uma mistura de reconhecimento de sua fragilidade e uma tristeza pela inevitabilidade daquilo.
Naquele momento, o que antes parecia aventura, agora era uma tragédia. A desventura de um homem que desafiou o impossível, mas que não pôde vencer a si mesmo.

Sua visão, já turva pela exaustão e pela angústia, se fechou, e o sonho que o guiara até ali desfez-se como um castelo de areia sendo engolido pela maré.
O chão frio da terra escaldante o acolheu, e ali, no silêncio do deserto, o último suspiro escapou de seus lábios, junto com a última fagulha de esperança. Seu corpo agora inerte era tudo o que restava da grande aventura.

A vida, por fim, o havia deixado. O homem que um dia se atreveu a desafiar o impossível, e que em seu último suspiro reconheceu sua própria limitação, agora era parte do deserto. Seu nome, como todos os nomes de aventureiros, seria levado pelo vento. E a lenda de sua jornada, uma história sem fim, eternizada em cada grão de areia.

Final emocionante:

Enquanto o sol se punha no horizonte, o deserto voltava a seu estado de tranquilidade implacável.

Naquele vazio, onde a solidão é tão grande quanto a morte, o vento continuava a soprar, sem testemunhas, sem julgamentos. Apenas um eco distante, lembrança de um homem que ousou viver sua própria lenda.

💢

A estrada às vezes é silenciosa, mas vocês sempre estiveram por perto.

Obrigado por caminhar comigo.

 Toninho Vendramini

Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados.

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O VALOR DA PONTUALIDADE


  Sementes de Confiança, Frutos de Sucesso

Chegar alguns minutos antes do horário marcado pode parecer um detalhe... mas esse simples hábito reduz o estresse e transmite uma mensagem poderosa: você se importa. Além disso, a pontualidade é frequentemente associada à boa reputação e ao profissionalismo.

Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. 

Competência com Hora Marcada
Ser pontual revela que você tem domínio sobre sua rotina. Mostra que você se antecipa aos imprevistos, que planeja com consciência, e que valoriza o tempo — o seu e o dos outros.

Confiança que Se Cultiva
Num mundo em que promessas nem sempre são cumpridas, cumprir horários é como manter a palavra silenciosamente. Pessoas pontuais são vistas como confiáveis — por colegas, amigos e pela família. No ambiente profissional, esse valor não passa despercebido: funcionários pontuais tendem a receber mais responsabilidades, reconhecimento e até melhores salários.

O Tempo da Colheita
O agricultor não espera o dia ideal — ele planta quando é preciso. O tempo de plantar não volta, e a pontualidade nesse momento determina tudo. É a natureza ensinando que o tempo, respeitado, é aliado da prosperidade.

 Seja o Agricultor do Seu Próprio Sucesso
A pontualidade é como uma semeadura silenciosa: exige constância, disciplina e respeito. Mas quem a pratica, colhe. Colhe paz, colhe confiança, colhe resultados. Chegar no tempo certo é plantar o amanhã que você deseja viver.


Aqui, Toninho Vendramini escreve como quem costura o tempo com palavras.

Cada texto é uma janela aberta para o mundo — um mundo que vivi, sonhei ou apenas imaginei com olhos de quem nunca deixou de se encantar.

Não escrevo para guardar. Escrevo para libertar.

Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas que vivem em mim.

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

O SOM DOS ANOS DOURADOS - ANNI MODERNI

Memórias Douradas

Em uma velha caixa de papelão, repousavam ecos de um tempo que se perdeu nas dobras da memória. Fotografias amareladas, recortes de jornal, vestígios de um passado que, ao serem tocados, despertaram lembranças como folhas ao vento.

Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. 

Abri essa janela do tempo e vi os dias dourados renascerem, os anos de juventude pulsando em cada registro. Entre os tesouros guardados, uma imagem destacou-se: lá estava eu, jovem e audacioso, tocando bateria na orquestra das domingueiras matinais, aquelas que se acendiam no Clube Grêmio dos Ferroviários logo após a missa das nove horas na igreja da Matriz.

Era a época do frenesi juvenil. Uns corriam para o Cine Ypiranga, ansiando por risos e travessuras de Tom e Jerry, enquanto outros, seduzidos pelo frenético ritmo do rock, desciam para dançar na rua logo abaixo da praça. Elvis Presley era o rei, sua voz ecoava incessante nas rádios, e nós, músicos apaixonados, o evocávamos em acordes selvagens e melodias de pura devoção.

Nosso próprio Elvis, Ted Milton, encarnava a essência do astro: voz imponente, presença magnética, e um balanço que arrebatava os sentidos. Tutti Frutti incendiava a pista, Blue Suede Shoes fazia os pés rodopiarem, enquanto Love Me Tender e Always On My Mind se tornavam os suspiros de almas enamoradas.

Até que, como um acorde interrompido, as domingueiras silenciaram. Os músicos chegavam cansados dos bailes de sábado, e eu, que só tocava aos domingos, senti a tristeza de ver aquele ritual desaparecer.

Mas a música não aceita despedidas, apenas metamorfoses. Assim nasceu o trio, pequeno em número, mas imenso em sonho. As primeiras “brincadeiras dançantes” aconteceram timidamente, inspiradas pelos filmes americanos. A primeira delas, na casa de uma moça cujo nome a névoa do tempo apagou, quase não aconteceu – até que os pais, após muita conversa, abriram as portas para nossa arte.

A grande garagem nos recebeu como palco. O piano, sentinela de melodias, tornava-se a espinha dorsal do trio. Eu, Tony Vendra, estampava meu nome no surdo de pedal da bateria que meus pais me concederam após tanta insistência. Ao meu lado, Joel das “Candongas” no piano e Joãozinho “Boa-Pinta” ao saxofone.

Com camisas vermelhas e calças negras, éramos uma visão. Meu pai, com paciência e afeto, transportava a bateria no Ford que parecia uma barca, e assim seguíamos para onde a música nos chamasse.

As canções italianas imperavam e, por ordem dos anfitriões, as melodias deveriam ser suaves, próprias para danças de rosto colado e murmúrios secretos trocados ao pé do ouvido.

A primeira nota da noite pertencia à delicada Non Ho L’età, interpretada por uma menina do grupo, ecoando o timbre de Gigliola Cinquetti. A canção falava de juventude e espera, encantando os pais e aquecendo os corações juvenis.

Nossa fama crescia. Professores dançavam, alunos conversavam na escola sobre os próximos encontros, e nos intervalos das festas, floresciam poesias declamadas com brilho e emoção.

Até os adultos deixavam escapar pequenos excessos. O ponche servido pela mãe da anfitriã, insuspeito em sua doçura, recebia, como um segredo, um toque de vodka, e então, alegrias se multiplicavam, verdades eram ditas, declarações floresciam ao som do nosso trio.

O encanto era tanto que alguns jovens levavam a dança para as ruas, e ali, entre olhares de aprovação e reprovação dos vizinhos, o ritmo se espalhava como uma brisa inquieta.

Foi nesse turbilhão de música e vida que recebi um convite inesperado: aos sábados pela manhã, eu atenderia telefonemas na rádio Difusora, selecionando canções e declamando versos escolhidos com o programador.

A recompensa? Entradas para os cinemas Ypiranga e Marabá – um prêmio que era, para mim, tão valioso quanto os aplausos que ecoavam em nossas apresentações.

E eu tinha uma exigência: apenas música italiana. Assim, garantíamos que ressoassem nas ondas do rádio as vozes de ícones como John Foster, Lorella Vital, Pino Donaggio, Sérgio Endrigo, Peppino Di Capri e Luigi Tenco.

Mas acima de todos, havia Modugno, o poeta da canção. Sua voz preenchia o silêncio com magia, suas composições atravessavam fronteiras e, quando ele veio ao Brasil, deixou sua marca de maneira inesquecível.

Hoje, folheando essas memórias, revivendo os dias de juventude efervescente e melodias que nunca envelhecem, sinto no peito um misto de saudade e gratidão. Os Anni Moderni foram mais que um tempo. Foram um sentimento, um instante eterno, uma melodia que ainda ressoa na alma.


Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.

 📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:

 🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras

Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais


DE ALFREDO LOBÃO: PARA: O ÚLTIMO MALANDRO DO ESTÁCIO

A despedida de Alfredo Lobão , transformado em Fred, como o último representante de uma era que se esvaiu. Ele é direto, marcante e dialoga ...