sábado, 19 de setembro de 2026

ALFREDO LOBÃO - O COLIBRI DA MADRUGADA

 


Uma saga de boemia, saudade e poesia



ABERTURA DA SÉRIE

Na crônica anterior, Alfredo Lobão era o rei da praia — boêmio, músico e conquistador das madrugadas. Agora, o tempo o levou aos bailes dos veteranos, onde o violão ainda ecoa, mas o olhar já carrega saudade. Cada capítulo desta saga revela um novo palco da vida de Lobão, o colibri da madrugada, que insiste em cantar mesmo quando o dia já vai alto.

Parte I – O Bar da Esquina e o Lobão da Madrugada

(Uma crônica de saudade e poesia)

Naquela rua esquecida pelo progresso, onde os postes acesos pareciam resistir ao tempo como velhos guardiões da memória, havia um bar que não tinha nome — apenas uma placa torta com a palavra “Cerveja” escrita à mão. Era ali que Alfredo Lobão reinava todas as noites, como um rei sem trono, mas com violão.

Alfredo não era bonito. Nem elegante. Mas tinha algo que os outros não tinham: presença. Chegava sempre com o mesmo ritual — violão nas costas, cigarro apagado no canto da boca, e um olhar que misturava melancolia com malandragem.

As madrugadas eram suas, e as mulheres, suas musas. Algumas reais, outras inventadas. Mas todas viravam versos, canções e histórias que embalavam a boemia.

(Nota ao leitor: Esta é a primeira parte da saga. Aqui se revela a juventude boêmia de Lobão, suas noites no bar da praia e suas primeiras conquistas.)

Parte II – O Salão dos Veteranos

(Uma crônica de arrogância e saudade)

Os anos passaram, o bar fechou, e Lobão agora frequentava os bailes dos veteranos, que começavam às duas da tarde e se estendiam até a noite. O salão era amplo, cheio de mulheres esperando o convite para dançar.

Foi ali que, em sua prepotência, Lobão subiu numa cadeira perto do bar e citou Zé Ramalho:
“Há tantas violetas velhas e nem um colibri.”
E pensou consigo: “Eu sou o colibri que vai reflorescer essas violetas.”

Entre risadas e olhares de reprovação, Lobão seguia com seu charme improvisado, acreditando ainda ser o conquistador da noite.

(Nota ao leitor: Esta é a segunda parte da saga. Aqui vemos Lobão envelhecido, mas ainda arrogante, tentando se reinventar nos bailes dos veteranos.)

Parte III – O Colibri e a Musa Tardia

(Uma crônica de encontro e revelação)

Foi numa dessas tardes que uma conhecida lhe apresentou uma amiga recém-chegada de São Paulo:
— Lobão, esta é Maria Eufêmia.

Ao ouvir o nome, ele não perdeu tempo. Com o gesto teatral de sempre, fingindo beijar a mão sem encostar os lábios, retrucou em voz alta:
— Maria Eufêmia? Pois eu sou Lobão… eu macho!

O salão riu, mas Maria Eufêmia não se impressionou. Seu olhar firme desmontou o teatro de Lobão. Ela não ria, não se deixava levar pelo perfume improvisado. Gostava de ouvir histórias, provocar reflexões, rir das lembranças exageradas.

Aos poucos, Eufêmia se tornou o espelho que mostrava a Lobão o quanto sua arrogância escondia fragilidade. Ele, acostumado a colecionar conquistas, começou a colecionar conversas. Descobriu que falar podia ser tão sedutor quanto cantar.

No fim de uma dessas tardes, Lobão disse:
— Eufêmia, você me fez perceber que ser macho não basta. Preciso ser homem.

Ela sorriu, sem responder. E naquele silêncio, Alfredo Lobão entendeu que havia encontrado sua musa tardia — não a paixão fugaz da juventude, mas a companhia que dá sentido à maturidade.

(Nota ao leitor: Esta é a terceira parte da saga. Aqui surge Maria Eufêmia, musa tardia que desafia Lobão a se reinventar.)

Parte IV – O Dueto da Vida

(Uma crônica de parceria e poesia)

Com o tempo, Lobão e Eufêmia se tornaram presença inseparável nos bailes. Ele com a música, ela com a palavra. Enquanto Lobão dedilhava o violão, Eufêmia narrava histórias, comentava versos, provocava risos. Era como se dividissem o mesmo palco da vida.

Os veteranos passaram a vê-los como dupla: o colibri que canta e a flor que fala. Lobão já não precisava provar sua virilidade com frases de efeito. Ao lado de Eufêmia, descobriu que a verdadeira conquista era permanecer, partilhar e criar juntos.

E assim, Alfredo Lobão, o boêmio que atravessou madrugadas e bares, encontrou na maturidade não apenas saudade, mas também poesia viva — uma parceria que transformava cada baile em espetáculo de memória e esperança.

(Nota ao leitor: Esta é a quarta parte da saga. Aqui Lobão e Eufêmia se tornam dupla, mostrando que a vida pode sempre oferecer novos palcos e novas músicas.)

 Encerramento da série

Alfredo Lobão, o colibri da madrugada, aprendeu que o tempo não apaga o brilho — apenas muda o ritmo da dança. Eufêmia, sua musa tardia, mostrou-lhe que a verdadeira poesia nasce quando o canto encontra quem sabe ouvir.

"Não escrevo para recuperar o passado, e sim, para impedir que certas pessoas desapareçam. Meus contos não colecionam heróis; recolhem aqueles homens e mulheres que a vida colocou discretamente à margem, mas que continuam sustentando a memória de um país. Talvez seja essa a missão mais bonita da literatura: salvar do esquecimento aquilo que parecia pequeno demais para a História."

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Criador de Conteúdo Culturais que escolheu contar histórias 

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