Crônica da Viagem ao Chile
Um relato informativo sobre a viagem ao Chile, os encantos culturais de Puerto Varas e a inesperada experiência de vivenciar um terremoto.
Em nossa estada no Chile, acompanhados dos amigos Antônio e Nives, exploramos intensamente Santiago: suas praças arborizadas, o Mercado Central com aromas de frutos do mar, e o contraste entre a arquitetura moderna e os casarões históricos. Após alguns dias de descobertas, seguimos viagem rumo a Puerto Varas, em um voo de cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos.
Nosso refúgio foi o Hostal Opapa Juan, situado na charmosa Vila Germana. Construída na década de 1930 por Juan Hitschfeld, filho de colonos alemães, a vila integra o Patrimônio Arquitetônico da cidade e ainda hoje é administrada pela família descendente. O ambiente preserva o estilo bávaro, com madeira trabalhada e jardins floridos, transmitindo a sensação de estar em uma pequena aldeia europeia.
Puerto Varas, localizada na Região de Los Lagos, a quase mil quilômetros ao sul de Santiago, é conhecida como a “cidade das rosas”. Às margens do imenso Lago Llanquihue, o segundo maior do Chile, a cidade revela sua alma germânica: padarias com strudels, cervejarias artesanais e casas de telhados inclinados. O clima temperado, com médias de 7 °C no inverno e 14 °C no verão, reforça o aconchego das lareiras e cafés. Não por acaso, é considerada cidade co-irmã de Gramado, no Brasil.
Naquela noite, após um jantar típico com salmão fresco e vinho chileno, regressamos ao hostal para enfrentar mais uma madrugada gelada. Pela manhã, ainda adormecidos, fui despertado por um som estranho: a madeira rangia intensamente, e a cama começou a tremer como se fosse um tamborim em uma bateria de escola de samba. A Dija continuava dormindo. O pensamento foi imediato: “É um terremoto!”. A sensação era de absoluta impotência. O tremor durou cerca de 40 segundos, mas pareceu eterno. Quando cessou, olhei pela janela: silêncio, ruas vazias. Dija acordou assustada, e expliquei que provavelmente havíamos vivido um terremoto.
No café da manhã, o assunto era inevitável. O dono do hostal confirmou: um abalo sísmico de 5 graus na escala Richter, com epicentro em Fresia, a cinquenta quilômetros dali. Na cidade, ouvimos que tremores são parte da rotina: “a terra sempre se move”, disseram, mas a maioria passa despercebida. Naquele dia, porém, sentimos na pele o que eles chamam de baixa intensidade.
Pesquisando mais tarde, descobri que o Chile é uma das regiões mais sísmicas do planeta. Em abril de 2014, por exemplo, dois grandes terremotos atingiram Iquique, no norte do país, liberando tensões acumuladas por mais de 130 anos. As magnitudes foram de 7,8 e 8,2 graus Richter. E o maior terremoto já registrado na história da humanidade ocorreu em Valdívia, em 1960: 9,5 graus, com cerca de 2.000 mortos, uma tragédia que marcou o mundo.
Depois de
muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO
9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por
passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e
sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me
levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do
mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e
encontros que merecem ser compartilhados.
Aqui, no meu blog, deito nas letras, nas memórias nos afetos e encantamentos.
Acesse meus espaços de
cultura e amizade:
🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras
Antonio Vendramini Neto –
Face Book.
Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais