sexta-feira, 31 de julho de 2026

O BANDOLEIRO DOS SERTOES NORDESTINOS



Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana. 

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias. Sobrevivem porque alguém se recusou a esquecê-las."



Durante uma viagem com a família à encantadora Aracaju, capital de Sergipe, percebi que suas ruas centrais se cruzam como linhas de destino em um tabuleiro de xadrez. Visitamos a Catedral, a Colina de Santo Antônio, a Praia de Atalaia e o Mirante da 13 de Julho, onde o mercado municipal nos recebeu com cheiros, cores e vozes que pareciam cantar a alma nordestina.

Ali, entre artesanato, folclore e música, conheci um contador de histórias que me falou de Lampião. A cada palavra, o sertão se abria diante de mim como um livro de cordel.

Dias depois, seguimos rumo aos cânions do Rio São Francisco. O contraste era surpreendente: terras áridas ao lado de plantações irrigadas de quiabo, uva, acerola e coco. No catamarã, deslizamos pelo Velho Chico até a Gruta do Telhado, e no retorno, o cicerone nos contou que, em Piranhas, havia ocorrido uma missa em homenagem à morte de Lampião.

Foi ali, na Grota do Angico, em 1938, que o capitão Virgulino tombou. Decapitado junto a seus companheiros, mas nunca esquecido, continua a caminhar na memória popular.

No restaurante à beira da represa, conheci Dona Expedita, filha de Lampião. Entre lembranças e saudade, disse: — Eu tinha medo das roupas e das armas, mas meu pai me colocava no colo com carinho.

Essa fala me fez perceber que o sertão não se conta apenas: ele se cozinha, se canta, se reza.

 O Sabor do Sertão

Dizem que Lampião, apesar de feroz, era exigente com a comida. O bando improvisava ensopados de caça: perdiz, tatu, até cobra. Tudo cozido em panela de ferro, temperado com cebola, pimenta e coragem. Servido com farinha de mandioca, sustentava homens valentes por dias.

Esse prato é mais que sustento — é memória viva do sertão, tempero que atravessa gerações.

 Lampião: Herói ou Bandido?

O contador de causos do mercado lia versos de cordel: “Lampião – Herói ou Bandido”. Padre Cícero, certa vez, chamou Virgulino para defender Juazeiro da Coluna Prestes. Ele atendeu, e em agradecimento recebeu o título simbólico de Capitão. Pelas ruas, cantava: — O meu nome é Virgulino, mas me chamam Lampião, e agora sou capitão!

Era homem de muitas faces: lia, escrevia, tocava sanfona, fazia poesia, costurava seus próprios chapéus de couro e usava perfume francês. O cangaço, com seus acessórios pesados, deu nome à saga.

Após o assassinato do pai, jurou vingança e entrou para o bando de Sinhô Pereira. Quando este se retirou, passou-lhe o comando. Nascia o lendário Lampião, perseguido por oito anos até sua morte.

 Lampião e o “Lamparina”

O povo de uma vila já não suportava os ataques do bando. O prefeito contratou jagunços para proteger a cidade. Mas quando Lampião chegou, encontrou apenas um homem. Tremendo diante da peixeira, ajoelhou-se e murmurou: — Sou o Lamparina… o Rei do Cagaço.

E assim nasceu mais uma estória, como tantas que povoam o imaginário sertanejo.

 Conclusão

O sertão é feito de pó, fé e fábulas. Lampião, com seu chapéu cravejado de ouro e sua fama de ferro, permanece vivo não apenas nas páginas da história, mas na voz dos repentistas, no cheiro da comida e na imaginação de quem ousa escutar.


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Antonio Toninho Vendramini Neto
Criador de Conteúdo Culturais que escolheu contar histórias 

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4 comentários:

George André Savy disse...

Parabéns. Deu para sentir o ambiente do velho sertão lendo esse pequeno trecho da história de Lampião.
Abraços e continue sempre contando suas aventuras por esse mundo, que é tão grande e conhecemos tão pouco dele.

Anônimo disse...

O Tenório Cavalcanti também fez o Antonio Carlos Magalhaes "molhar as calcas" Seria coisa de esfíncter frouxo

Antonio Vendramini Neto disse...

Obrigadopelas palvras George. Um abraço.

Antonio Vendramini Neto disse...

Legal essas palavras, poste colocando seu nome para quen eu possa gradecer melhor.

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