Suspiros de lugares distantes
Crônicas
que nasceram de viagens reais .
Cidades que
deixaram cheiro, sons e saudade.
📌 Acesse meus espaços de cultura e amizade:
LUGAR ONDE A LITERATURA SE MISTURA AO COTIDIANO & Crônicas que florescem entre receitas, raízes e lembranças.
Suspiros de lugares distantes
Crônicas
que nasceram de viagens reais .
Cidades que
deixaram cheiro, sons e saudade.
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| O EGITO DE MUITAS LEMBRANÇAS |
Viajar é mais do que deslocar-se no espaço — é mergulhar em histórias, reencontrar sentimentos e fortalecer laços. Esta crônica é um tributo à amizade, à cultura e aos momentos inesperados que transformam simples trajetos em lembranças eternas. Do Cairo a Assuã, passando por Jerusalém, cada passo foi marcado por descobertas e reencontros que merecem ser celebrados.
Do Cairo a Assuã: trilhos que conduzem memórias
Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.
SEGUINDO O CURSO DA HISTÓRIA...
Ilha Elefantina: onde o Nilo nos levou ao inesperado
Ao chegarmos em Assuã, fomos informados que o trajeto até o hotel seria feito por barco, atravessando o majestoso Nilo até a encantadora Ilha Elefantina. O resort que nos acolheu parecia flutuar entre o tempo e a tradição. E foi ali, como num presente inesperado, que assistimos a um casamento típico egípcio — uma celebração vibrante, repleta de danças, músicas e cores que pareciam dançar com o vento do deserto.
Fomos convidados a participar. E, como se a hospitalidade fosse uma arte milenar, nos serviram iguarias da gastronomia egípcia que encantaram nossos sentidos. Entre elas, o Mahshi, um prato tradicional feito com legumes recheados de arroz temperado com ervas e especiarias, cozidos lentamente em molho de tomate. Uma receita que carrega o sabor da terra e o afeto das mãos que a preparam.
Receita de Mahshi (Charuto de Legumes Egípcio)
Ingredientes:
• 1 berinjela, 1 abobrinha e 1 pimentão (ou folhas de uva)
• 1 xícara de arroz cru
• 1 cebola picada
• 2 tomates picados
• 2 colheres de sopa de salsinha e hortelã picadas
• Sal, pimenta síria e cominho a gosto
• Suco de 1 limão
• 2 colheres de sopa de azeite
• 1 xícara de molho de tomate
Modo de preparo:
1. Corte os legumes em formato de barquinhas ou retire o miolo para rechear.
2. Misture o arroz com os temperos, tomate, cebola, ervas, limão e azeite.
3. Recheie os legumes com essa mistura e acomode-os em uma panela.
4. Cubra com o molho de tomate e cozinhe em fogo baixo por cerca de 40 minutos.
O desencontro e o reencontro com Vanderlan
Foi no desembarque que sentimos a ausência de nosso querido amigo Vanderlan — uma figura cativante, cuja habilidade em se comunicar é marca registrada. Por um erro da agência, seu nome constava no próximo horário do trem, e ele viajou sozinho. Imagino os pensamentos que o acompanharam: a expectativa do reencontro, a saudade da família, o desconforto de não estar em seu lar.
Mas Vanderlan é um homem de espírito leve. Ainda mais depois de sua visita a Jerusalém, onde, no Monte das Oliveiras, fez orações pela família e agradeceu pela transformação em sua vida. De proprietário de lotérica a corretor de imóveis bem-sucedido, sua trajetória inspira.
Quando finalmente nos reencontramos, tudo se iluminou. O sorriso, o abraço, a alegria — tudo voltou a pulsar com intensidade. Eu e minha esposa sentimos que a amizade se fortaleceu ainda mais. Com Vanderlan, Márcia, Thaís e Thiago. Com Elvira, Cícero e Davi. Com Ayala, Mila e o pequeno Miguel. A imagem que guardamos de cada um foi enriquecida por essa viagem repleta de cultura, guiados por Osama, que nos presenteou com conhecimentos preciosos.
Reflexões dessa travessia
Essa experiência criou um elo que não queremos desfazer. E, graças à internet, podemos manter viva essa corrente de afeto e memória. Que essa conexão continue firme, como o Nilo que atravessamos, como os trilhos que nos conduziram, como os abraços que nos acolheram.
De Jundiaí, São Paulo, enviamos um abraço caloroso — cheio de saudade, gratidão e o sabor eterno do Mahshi.
Aqui, escrevo como quem costura o tempo com
palavras.
Cada texto é uma janela aberta para o mundo —
um mundo que vivi, sonhei ou apenas imaginei com olhos de quem nunca deixou de
se encantar.
Não escrevo para guardar. Escrevo para
libertar.
Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas
que ainda vivem em mim.
Cada linha é um convite, cada frase uma
travessia.
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Antonio Vendramini Neto –
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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais
Blog Vendramini Letras
Não é apenas um espaço de
escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é
servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que
tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma
crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa.
O Egito é um país fascinante, repleto de história e paisagens deslumbrantes. Suas terras abrigam monumentos que atravessam milênios e contam a trajetória de civilizações antigas. Viajar pelo Egito não é apenas um passeio turístico, mas uma verdadeira imersão na grandiosidade de um dos berços da humanidade.
Localizado no Norte da África, é limitado pelo Mar Mediterrâneo ao
norte, pela Faixa de Gaza, Israel e o Golfo de Aqaba a leste, pelo Sudão ao sul
e pela Líbia a oeste. Sua geografia e riqueza cultural fazem dele um destino
único para aventureiros e amantes da história.
Após um dia explorando os imponentes monumentos da região, concluímos nosso
tour no Museu Nacional do Cairo, onde contemplamos peças arqueológicas que
datam de mais de 3.000 anos antes de Cristo. A experiência foi um verdadeiro banho
de cultura, nos transportando para uma época de faraós e civilizações
fascinantes.
Nosso próximo destino era Aswan, a cerca de 950 km ao sul do Cairo. Optamos
por um trem noturno turístico, acomodando-nos em cabines confortáveis. A
jornada foi hipnotizante—pela janela, mesmo durante a noite, podíamos ver o
Egito silenciosamente desenrolando sua paisagem, sempre às margens do lendário
Rio Nilo.
Ao chegar, seguimos rumo à Ilha Elephantina e nos hospedamos em um complexo
hoteleiro magnífico. Nossa estadia foi marcada por conforto e vistas
impressionantes. Visitamos a represa alta e o famoso obelisco inacabado,
um intrigante testemunho das técnicas de construção egípcia que, devido a uma
rachadura, permaneceu no solo, transformando-se em uma atração histórica.
Na cidade, enfrentamos temperaturas extremas de até 43°C, o que tornou
qualquer deslocamento a pé um desafio. Optamos por explorar Aswan em uma
charrete conduzida pela simpática égua “Mônica”, enquanto o seu dono fazia
elogios a ela.
Após alguns dias explorando a cidade e navegando pelo Rio Nilo, visitamos
templos extraordinários em Kom Ombo e Edfu, chegando a Luxor, a antiga Tebas,
conhecida como a cidade das cem portas. Exploramos o grandioso templo
de Karnak, dedicado ao deus Amon-Rá, e seguimos para o Vale dos Reis,
onde se encontram as tumbas dos grandes faraós, incluindo a de Tutankhamon.
Uma experiência memorável foi a visita à tumba de Ramsés. Ao entrar no
local, as paredes repletas de inscrições milenares pareciam sussurrar histórias
de um passado glorioso. O ar era pesado, denso com o mistério de séculos
enterrados. Eu, fascinado pelo cenário, mal podia conter a vontade de registrar
cada detalhe. Mirava a câmera para tudo quanto era lado quando, de repente,
ouvi um grito áspero e cortante.
Um guardião de túnica esvoaçante surgiu das sombras como um espectro, os
olhos faiscando com severidade. Com um movimento ágil, tomou minha câmera sem
sequer me dar chance de protestar. O que antes era um passeio histórico
transformou-se em um impasse inesperado. Ele vociferava em um idioma que eu não
compreendia, mas sua expressão e gestos não deixavam margem para dúvidas: eu
estava em apuros.
Tentei argumentar, dizendo repetidamente que não havia tirado nenhuma foto.
Ele, porém, insistia em uma multa exorbitante, brandindo minha máquina como um
troféu conquistado. Enquanto o grupo olhava perplexo, o tempo parecia congelar.
O que fazer? Aceitar a injustiça ou arriscar uma reação?
A adrenalina pulsou. Num impulso calculado, estendi a mão e, com destreza,
arranquei a câmera de suas garras. O guardião arregalou os olhos, surpreso com
a audácia, e por um breve instante, houve silêncio. Então, a torrente de
palavras em sua língua voltou ainda mais intensa. Ele gesticulava furiosamente,
mas eu já recuava, puxando minha esposa pela mão.
"The Police!" bradei, vendo-o vacilar por um
instante. Seus olhos se estreitaram, avaliando a situação, mas não se moveu.
Com passos rápidos, escapamos pelo túnel estreito até alcançar a saída, onde
nosso guia nos esperava. Ele nos olhou sério e apenas disse: "Melhor
vocês saírem rápido. Esse sujeito não gosta de ser desafiado."
Com o coração ainda acelerado, seguimos para a van que nos levaria ao Vale
das Rainhas. A câmera estava em minhas mãos, intacta, e com ela, todas as
preciosas fotos de nossa jornada. Um episódio tenso, mas que se transformou em
uma história memorável—afinal, cada viagem reserva surpresas que jamais
poderíamos prever.
Como todo escritor, busco aperfeiçoar cada linha, cada texto, cada narrativa para que a experiência de leitura seja envolvente e marcante. E é essa jornada de aprendizado e aperfeiçoamento que desejo compartilhar com vocês!
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Antonio Vendramini Neto –
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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais
Entre tempestades e triunfos: Viajar é mais do que deslocar-se fisicamente — é atravessar dimensões culturais e emocionais que moldam n...