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terça-feira, 18 de agosto de 2026

VIAGGIO COM MEMORIE DI FIRENZE (FLORENÇA - ITÁLIA)


Meu Blog Vendramini Letras

 "Cada crônica é uma viagem sem fronteiras. Quer ler em outro idioma?

 Clique em Translate à direita do blog e siga comigo." 

 "Each chronicle is a journey without borders. Want to read in another language? Click Translate on the right side of the blog and come along."

um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana. 

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias, mas sim, porque alguém como eu, se recusou a esquecê-las."


Trata-se da Ponte Vecchio (Velha) construída em arco medieval sobre o Rio Arno em Florença (Firenze).

Os historiadores acreditam ter sido inicialmente construída na Roma Antiga em madeira. Posteriormente foi destruída parcialmente e totalmente em 1333, quando a região experimentou terríveis cheias, sendo reconstruída somente em 1345 no formato atual.

Consiste em três arcos, sendo o maior com 30 metros de diâmetro. Abrigam muitas lojas onde seus proprietários vendem suas mercadorias que são joias preciosas, elaboradas por artesões especializados, os chamados ourives.

Uma curiosidade vinda dessa região é uma palavra utilizada ainda em nossos dias chamada de “bancarrota”, junção de duas palavras italianas, pois quando um mercador naquela época, não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banco) era quebrada (rotto), prática que era chamada bancorotto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, essa magnífica construção escapou da destruição. Há quem diga que Hitler tinha sentimentos profundos pelas obras medievais, e assim, ordenou que não a destruíssem.

Ao longo da ponte, existem vários cadeados em especial no gradeamento em torno da estátua de Benveneutto Cellini. (ourives e escultor italiano).

O fato é ligado à antiga ideia dos amantes que ao “fechar” o cadeado e lançar a chave ao rio tornavam-se eternamente ligados.

Com essa tradição de antigamente e ao turismo desenfreado de agora muitos cadeados tiveram de ser removidos estragando a estrutura da ponte, levando o município impor uma multa de cinqüenta euros para quem for apanhado nessa atividade.


MINHA VISÃO NAQUELE MOMENTO
 -
SOBRE O PANORAMA VISTO DA PONTE


Janelas abertas em sua passarela
Rio caudaloso com cores reluzentes

Caiu no vazio uma pedra brilhante
Lapidada pelas mãos de um artista

Lagrimas derramadas em suas águas
Arrivederci bambina

Jóia preciosa no berço do renascimento


Sou um contador de histórias do cotidiano. Escrevo crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

Não escrevo para guardar. Escrevo para libertar.

Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas que ainda vivem em mim.

Cada linha é um convite, cada frase uma travessia. 

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Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

terça-feira, 4 de agosto de 2026

A VELHA GUARDA ITALIANA: VOZES ETERNAS ENTRE SANGUE, VINHO E CANÇÃO.

 

Chamada editorial

"Três vozes italianas que marcaram gerações se despediram da vida, mas nunca da música. Fred Bongusto, Peppino Gagliardi e Peppino di Capri permanecem eternos em nossas memórias, como vinho, canto e saudade que atravessam mares e tempos."

A velha guarda italiana partiu. Fred Bongusto, Peppino Gagliardi, Peppino di Capri — vozes que se calaram no corpo, mas que permanecem eternas na alma. Fred trouxe sua música até nós, dividindo palcos com Toquinho, e deixou o Brasil impregnado de sua ternura. Gagliardi, com sua suavidade, ensinou que cada despedida pode soar como promessa de reencontro. E Peppino di Capri, que tantas vezes esteve em nosso país, fez do Brasil sua segunda casa, cantando Roberta, Champagne e tantas outras melodias que se tornaram parte de nossa própria memória.

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Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana.

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias. Sobrevivem porque alguém se recusou a esquecê-las."

SENTA QUE LÁ VEM A CRÔNICA

Alfredo Antonio Carlo Buongusto, conhecido artisticamente como Fred Bongusto, nasceu em Campobasso em 6 de abril de 1935 e faleceu em Roma em 8 de novembro de 2019, aos 84 anos. Cantor, compositor e músico italiano, tornou-se famoso por sucessos como Una rotonda sul mare, Spaghetti a Detroit e Doce Doce. Sua carreira foi marcada por um estilo romântico e intimista, que conquistou plateias na Itália e no mundo. Fred também esteve no Brasil, onde se apresentou ao lado de Toquinho, criando um encontro musical que uniu duas culturas irmãs. Seu legado permanece vivo como trilha sonora de noites inesquecíveis.

Peppino Gagliardi, nascido em Nápoles em 25 de maio de 1940 e falecido em 9 de agosto de 2023, foi um famoso cantor, compositor e músico italiano. Tornou-se conhecido por canções que atravessaram fronteiras e marcaram gerações, como Che vuole questa musica stasera e Come le viole. Sua voz suave e elegante transformava sentimentos em melodia, e por isso continua presente em cada lembrança que desperta. Gagliardi foi intérprete de uma Itália romântica e nostálgica, capaz de traduzir em música o amor, a saudade e a beleza da vida.

Giuseppe Faiella, conhecido mundialmente como Peppino di Capri, nasceu em 27 de julho de 1939 na Ilha de Capri e faleceu em 11 de julho de 2026, aos 86 anos. Cantor, compositor e pianista, misturou o rock e o twist com a tradição melódica italiana e napolitana, tornando-se um ícone romântico mundial. Com mais de 500 músicas gravadas e cerca de 35 milhões de discos vendidos, venceu o Festival de Sanremo em 1973 e 1976. Sucessos como Champagne e Roberta se tornaram hinos de gerações. Sua ligação com o Brasil foi profunda: apresentou-se inúmeras vezes entre 1961 e 2019, sempre recebido com entusiasmo e carinho pelo público brasileiro, que fez dele quase um compatriota. Peppino não foi apenas um cantor — foi o intérprete de uma Itália que se tornou sentimento universal. Sua voz doce e elegante transformou o Mediterrâneo em canção, e sua presença em palcos brasileiros deixou marcas indeléveis na memória de gerações.

Eles se despediram da vida, mas nunca da música. Cada acorde é raiz, cada melodia é memória. Suas canções continuam a nos embalar, como o vento que sopra sobre Capri, como o sino que ecoa em Nápoles, como o sol que se põe sobre Roma.

E eu, descendente de italianos, trago comigo não apenas a lembrança da Itália, mas o sangue e os sonhos de meus ascendentes. No sangue, a vida bela; nas canções, a alma que nunca morre; no vinho, a tradição que nos faz recordar para sempre das pessoas que nasceram na Itália e nos legaram cultura, poesia e amor.

Assim como o vinho renasce da videira, suas vidas — as dos artistas e as dos meus — renascem em nós.
E suas músicas, eternas, continuam a nos acompanhar — como estrelas que não se apagam, como perfumes que permanecem no ar.
Fred, Gagliardi e Peppino se despediram da vida, mas deixaram em nossos corações a Itália inteira — viva, cantada e eterna.

Frase de encerramento

"Sou descendente de italianos e trago no sangue a vida bela, nas canções a alma eterna, e no vinho a memória que nunca se apaga."



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Recanto das Letras

Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Criador de Conteúdo Culturais que escolheu contar histórias 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

SOB O CÉU DE MICHELANGELO

Há viagens que fazemos com os pés.
E há outras que percorremos com a alma.
 Primeiro o café, depois a conversa — aqui o texto vem depois, com calma.

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. 

 💦

Em mais uma de nossas jornadas pela Europa, decidimos viver Cidade do Vaticano de maneira diferente. Não queríamos apenas passar pelos corredores históricos, observar monumentos ou fotografar paisagens eternizadas em cartões-postais. Desejávamos sentir o lugar. Respirar sua história. Ouvir o silêncio escondido entre mármores, pinturas e séculos.

Naquele dia, escolhemos visitar a lendária Capela Sistina.

Desde a entrada do complexo do Museus Vaticanos, o movimento era intenso. Uma verdadeira procissão humana seguia lentamente pelos corredores adornados por esculturas magníficas, tapeçarias centenárias e obras que atravessaram gerações sem perder o encanto. O cansaço já começava a pesar em nossos pés, mas os olhos continuavam famintos por beleza.

O teto da Capela Sistina, concebido por Michelangelo entre 1508 e 1512, é considerado uma das maiores realizações artísticas da humanidade. Convidado pelo Papa Júlio II, Michelangelo passou anos trabalhando praticamente suspenso sobre andaimes, pintando cenas bíblicas que até hoje parecem desafiar o tempo e a própria condição humana.

Pensávamos que o ingresso adquirido para o complexo contemplava automaticamente a entrada da capela. Mas, para nossa surpresa, não era assim. Descobrimos, já exaustos, que precisávamos retornar ao início para comprar um acesso específico. As filas pareciam intermináveis, e o relógio — sempre impiedoso com turistas sonhadores — avançava rapidamente.

Foi então que surgiu diante de nós um grupo guiado por uma pessoa que carregava um guarda-chuva colorido com uma pequena bandeira italiana na ponta. O grupo percorria outras alas antes de seguir para a tão desejada capela.

Olhei para minha esposa e perguntei, quase em tom de brincadeira:

— Vamos embarcar nessa de gaiatos?

Ela sorriu.

E fomos.

Seguimos discretamente na “rabeira” do grupo, tentando parecer turistas perfeitamente integrados naquela verdadeira torre de Babel. Havia italianos, espanhóis, franceses, americanos… uma mistura de idiomas e expressões. Conversávamos aqui e ali, tentando manter a naturalidade, embora alguns olhares denunciassem que éramos, claramente, estranhos no ninho.

Passamos por corredores adornados com as impressionantes pinturas de Rafael, observamos estátuas de antigos papas, santos e figuras históricas que pareciam vigiar silenciosamente a eternidade daqueles salões.

Mas a aventura terminou na porta da capela.

— I biglietti? Os ingressos?

Não havia argumento que resolvesse. Tivemos que regressar, enfrentar novamente a multidão e comprar as entradas corretas. O corpo já demonstrava sinais claros de esgotamento, mas algo dentro de nós insistia em continuar.

E valeu cada passo.

Quando finalmente atravessamos as portas da Capela Sistina, o mundo pareceu silenciar.

Ali dentro, o olhar não encontra repouso.

As paredes contam histórias sagradas em cores vivas e dramáticas. Em uma delas, o monumental “Juízo Final” domina o ambiente com intensidade quase sobrenatural. Cristo aparece poderoso e solene, enquanto almas ascendem aos céus ou mergulham nas sombras da condenação. Tudo pulsa movimento, emoção e espiritualidade.

Mas é o teto que rouba o fôlego da humanidade.

Michelangelo transformou aquele espaço em um universo celestial. Entre colunas pintadas e figuras monumentais, desfilam profetas, sibilas e cenas do livro do Gênesis. A mais célebre delas — “A Criação de Adão” — parece suspender o próprio tempo: Deus e o homem estendem as mãos quase se tocando, separados por um instante mínimo e eterno. É como se a centelha da vida estivesse prestes a acontecer diante de nossos olhos.

Cada figura possui músculos, expressões e movimentos tão vivos que parecem respirar acima de nós. As cores, mesmo após séculos, conservam uma força impressionante. Não é apenas pintura. É transcendência.

Estávamos tão cansados que minha esposa sentou-se junto a um banco de pedra e permaneceu imóvel, contemplando aquele cenário como quem tenta guardar a eternidade dentro do peito.

Eu fui mais adiante.

Então, vencido pelo cansaço e talvez também pela emoção, deitei-me no chão frio da capela.

Algumas pessoas talvez tenham imaginado que eu fosse um louco.

E talvez fossem certas.

Porque naquele instante, olhando para o teto pintado por Michelangelo, senti-me absurdamente pequeno diante da grandeza humana e divina. Observei aquelas figuras celestiais pairando sobre mim e pensei, quase como uma criança diante do infinito:

“Estou perto do céu.”

Ali, silenciosamente, conversei com Deus.

Pedi que nos abençoasse. Pedi forças para continuarmos nossa caminhada por Roma. Pedi saúde para novas viagens, novos reencontros com a beleza e novos momentos capazes de tocar a alma da mesma forma.

Saímos da Capela Sistina diferentes de quando entramos.

Porque certos lugares não são apenas visitados.

São sentidos.

E algumas obras não são apenas admiradas.

Elas nos transformam para sempre.


Aqui, no meu blog, deito nas letras, nas memórias nos afetos e encantamentos.

E você, já teve uma experiência que te fez sentir mais próximo do céu?

Escrevo para que o tempo não apague o que a alma recorda.”

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Antonio Vendramini Neto – Face Book.

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais

terça-feira, 21 de julho de 2026

BURANO - CORES QUE FLUTUAM NA LAGOA DE VENEZA

 



Chegada à Ilha



Cheguei a Burano com o coração leve e o olhar curioso. Ao lado da minha esposa, senti que cada reflexo nas águas era um convite para descobrir um segredo antigo — um segredo que nasceu dos romanos e ainda vive nas cores das fachadas.

Cores que Contam Histórias


As casas, pintadas como se fossem sonhos sólidos, seguem regras antigas: quem deseja mudar a cor precisa pedir permissão ao governo.
Mas há algo mais profundo — uma lenda que diz que os pescadores pintavam suas casas para reconhecê-las ao voltar do mar.
E assim, cada tom guarda um pedaço de saudade e esperança.

Com a câmera nas mãos, o impulso de fotografar se tornou inevitável.
Cada esquina parecia pedir um flash, cada reflexo uma lembrança.
Burano é uma ilha que se oferece ao olhar — e o olhar, agradecido, se perde em suas cores.

A torre inclinada da igreja - Foi um dos assentamentos mais antigos e prósperos da lagoa.
Hoje, restam poucos habitantes, mas o silêncio guarda ecos de séculos.
As enchentes do inverno e o tempo impiedoso não apagaram sua alma — apenas a tornaram mais serena.

A   Arte   que   Resiste



Artefatos encontrados na Ilha é de um humano que desafia o esquecimento.


Gerar Linhas e fotos do tempo que unem passado e presente.


Ao partir, senti que Burano não é apenas um lugar — é uma lembrança viva.
Uma ilha que flutua entre o real e o imaginário, entre o ontem e o agora.
E cada cor que deixei para trás continua a me seguir, como um eco suave da lagoa.

Entre pedras antigas e histórias que resistem ao tempo, este espaço nasce como um refúgio para a alma. Aqui, cada texto é uma travessia — um olhar sobre o humano, o divino e o cotidiano. São relatos que unem fé e sensibilidade, onde o silêncio das ruas, o aroma do chá e o brilho das velas se transformam em palavras.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

LÁGRIMAS E SONHOS: A JORNADA DOS EMIGRANTES ITALIANOS



O AROMA AMADEIRADO DO VINHO

A taça de vinho repousava sobre a mesa, enquanto a cadeira de balanço embalava meus devaneios. O aroma amadeirado do vinho se misturava à nostalgia que pairava no ar, enquanto Lágrimas Napolitanas tocava suavemente ao fundo. Cada acorde da canção parecia carregar o peso da saudade e da esperança dos que deixaram suas terras.

O porto de Nápoles foi palco de incontáveis despedidas. Ali, famílias se abraçavam uma última vez, trocando olhares repletos de incerteza e promessas sussurradas ao vento. Muitos embarcavam sem saber se voltariam a ver aqueles rostos familiares, enquanto a silhueta imponente do Vesúvio permanecia como guardião silencioso de suas memórias.

Minha mente vagava entre o passado e o presente, e por um instante, senti-me transportado ao cais, como se pudesse ouvir o murmúrio dos que partiram. Lembrei-me da minha própria passagem por ali, a caminho da Ilha de Capri. Naquela ocasião, fiquei ali, imóvel, imaginando as lágrimas que haviam se misturado à água do mar.

"Quantas nos custa lágrimas esta América..."
"A nós, Napolitanos!"

A dor da despedida não era apenas física, mas existencial. Meus avós paternos e maternos não eram napolitanos, mas vieram de Veneza e Treviso, enfrentando jornadas árduas com crianças ao colo e na barriga. Em meio ao medo e à incerteza, traziam consigo um único bem que não poderia ser confiscado: a esperança.

A Itália que deixavam ainda era fragmentada, composta por pequenos reinos governados por líderes guerreiros. Somente em 1861 veio a unificação política, e, com ela, novas po1ssibilidades. Mas para muitos, a verdadeira oportunidade estava além-mar—nas terras férteis do Brasil, onde poderiam reconstruir suas vidas.

Seus esforços não foram em vão. A Itália tornou-se uma potência econômica, impulsionada pelo trabalho incansável daqueles que ficaram e dos que se espalharam pelo mundo. Meus antepassados, como tantos outros, contribuíram para esse legado, seja nas fábricas, nas plantações ou nas cidades que ajudaram a erguer.

Minha conexão com essa história nunca se apagou. Caminhei por Veneza com minha esposa, ambos emocionados ao pisar o solo dos nossos antepassados. Descobri, tempos depois, que um antigo castelo próximo à Praça de São Marcos pertenceu à família Vendramini—um legado que ainda aguarda minha visita, guardado pela história.

Cada viagem trouxe mais fragmentos desse passado, mas o tempo sempre foi implacável, impedindo-me de concluir algumas buscas. No entanto, esse vínculo nunca se rompeu, e por isso, escrevo.

Assim nasceu "A Última Visão de Um Caboclo", um livro que eternizará essas memórias, para que as vozes dos emigrantes jamais se percam no tempo.

💫 

 Obrigado por estar aqui! 

Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Pensador | Criador de conteúdos culturais

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Antonio Vendramini Neto – (facebook)

A FONTE DOS DESEJOS - FONTANA DI TREVI - ROMA - ITÁLIA


Fontana Seca, Emoção Transbordando:

Uma Romaria à Italiana

Roma é um daqueles lugares que se visita com os olhos, o coração — e o paladar. 

Em uma viagem marcada por descobertas deliciosas e surpresas inesperadas, um encontro inusitado com a Fontana di Trevi acabou se tornando o clímax de uma verdadeira romaria romana, recheada de charme, humor e muita história.

Uma noite encantadora e a promessa de um reencontro

Após um dia repleto de passeios pela magnífica Cidade Eterna, voltamos ao hotel e combinamos um jantar à italiana. O restaurante estava em clima de festa — um burburinho bom, contagiante, fazia da noite um espetáculo à parte.

Pedimos, como prima portata, uma massa envolta em aroma divino, que nos fez salivar antes mesmo do primeiro garfo. O sabor? Irretocável. Como só “aquela gente” sabe fazer. Mas foi no secondo piatto que a noite ganhou alma: um brasato alla piemontese, carne de contrafilé lentamente assada em vinho tinto, ladeada por legumes caramelizados e um molho espesso, perfumado com ervas frescas e especiarias. Cada garfada era uma ode à tradição — um abraço quente vindo dos vales do Piemonte.

Para acompanhar, escolhemos um Barolo, o rei dos vinhos tintos italianos, nascido das colinas de Langhe. Encorpado, elegante, com notas de frutas escuras e toques de alcaçuz, o vinho parecia conversar com o prato, como velhos amigos que se reencontram após anos. Dionísio, o deus do vinho, parecia estar à mesa conosco — sorrindo entre um gole e outro.

Entre risadas e goles inspirados, fizemos planos: no dia seguinte, visitaríamos a Fontana di Trevi. Na viagem anterior, optamos por Nápoles, Pompeia e a Ilha de Capri — e a fonte ficou para depois.

Caminhos despretensiosos e a beleza dos encontros

Saímos como bons turistas: óculos escuros, mapa na mão, câmera pendurada no pescoço, e um italiano improvisado misturado ao inglês e ao português. O caos linguístico? Parte da diversão.

Pelas ruas, encontramos monumentos que tiravam o fôlego — entre eles, o majestoso Pantheon, cuja imponência parecia rir da passagem do tempo. Lá dentro, heróis italianos repousavam sob o olhar de mártires e deuses, enquanto fiéis rezavam com devoção tocante.

Saímos de alma leve e coração em transe: “Onde estamos?” — “Perto da Fontana, acho…” — “Ali, talvez?” — “Grazie!” E seguimos.

A Fontana estava... seca!

A movimentação aumentava. Vozes se misturavam em vários idiomas. Entramos na Via del Lavatore, por onde a tradição mandava passar. A fome apertava ao ver as cervejas nas mesas das calçadas — mas a ansiedade pela fonte falava mais alto.

E então… deparamos com ela. Mas algo estava errado. A Fontana estava seca! Dentro dela, homens limpavam o fundo e recolhiam moedas. Vozes indignadas ecoavam palavrões — em italiano, francês, inglês, espanhol. A decepção era global.

Rimos. Jogamos uma moeda argentina que estava misturada com os euros e brindamos à surpresa com uma boa cerveja ali por perto. Descobrimos, enfim, que toda segunda-feira é dia de manutenção e retirada das moedas. Cazzo! Pois é.

O retorno triunfal

No dia seguinte, tudo mudou. A Fontana di Trevi jorrava sua beleza em cascatas vibrantes. Os turistas se aglomeravam, as câmeras disparavam. Fizemos nossos pedidos — sempre pensando na família — e jogamos as moedas, agora em euros, como manda o ritual.

Ali, diante de Netuno e seu cortejo aquático, vimos Roma sorrir para nós. A Fontana enfim transbordava, mas nossa emoção já estava transbordando desde antes.


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HIDEO GALHO: ENTRE FIOS, CARDAS E A SEGUNDA GUERRA

No início de 1958, o Brasil ainda respirava os ares do pós-guerra e eu, com meus 14 anos, começava a minha jornada no mundo dos adultos. Meu...