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quinta-feira, 14 de maio de 2026

O GOLEIRO E O GUARDA CHUVA MILAGROSO

 

“Defesa histórica – Guarda-chuva FC”

 Romanceado da História

Era uma tarde chuvosa no interior paulista, daquelas em que o campo parecia mais uma lagoa do que um gramado. O time da cidade, já acostumado a colecionar derrotas, enfrentava mais uma batalha para não cair de divisão. A torcida, encharcada e mal-humorada, se aglomerava sob capas plásticas improvisadas, esperando que ao menos o jogo rendesse alguma emoção.

No segundo tempo, quando o adversário ganhou um pênalti, o estádio inteiro suspirou em desespero. O goleiro do time, conhecido como Julinho “Mão de Manteiga”, já tinha fama de não segurar nem bola de criança. A torcida murmurava: “Pronto, agora acabou…”.

Mas Julinho, cansado de ser motivo de piada, resolveu inovar. Olhou para o banco de reservas e viu um guarda-chuva esquecido, provavelmente de algum dirigente. Sem pensar duas vezes, correu até lá, pegou o objeto e voltou para o gol com a maior naturalidade do mundo. O juiz, incrédulo, perguntou:
“Vai defender com isso, goleiro?”
Julinho respondeu:
— “Se não posso com as mãos, vou com o que a chuva me deu!”

O cobrador adversário ajeitou a bola, correu e chutou forte. A redonda voou certeira para o canto direito. Foi então que Julinho abriu o guarda-chuva com um estalo, e a bola bateu direto na lona, ricocheteando para fora do gol. O estádio explodiu em gargalhadas e aplausos. “É milagre! É invenção! É defesa de guarda-chuva!”, gritava o locutor da rádio local.

A cena virou caos: o juiz não sabia se validava ou anulava, os adversários protestavam, e a torcida já cantava:

Julinho virou herói instantâneo. O jogo terminou empatado, mas ninguém se lembrava do placar. Só se falava do goleiro que, pela primeira vez, defendeu um pênalti — e com estilo.

No dia seguinte, os jornais da capital estampavam manchetes:

“Interior revela nova técnica: goleiro com guarda-chuva!”

E até hoje, quando chove nos jogos da cidade, alguém grita da arquibancada:
— “Cadê o guarda-chuva do Julinho?”

Convido o leitor a caminhar pelas trilhas da lembrança e do cotidiano, onde

cada gesto simples guarda uma história. Entre o café, o caderno e o olhar atento do cronista, nasce a literatura que celebra o humano — viva, sensível e verdadeira.

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O DOMINGO DO CAVALO MISTERIOSO

 

“O Domingo em que o Cavalo Virou Artilheiro”

Era mais um domingo abafado no interior paulista, daqueles em que até o vento parecia preguiçoso. O time da cidade, sempre na corda bamba da primeira divisão, lutava mais para não cair do que para subir. A torcida já estava cansada: ingressos caros, futebol sofrível e ainda tinham que bancar rifas, sorteios e promoções para manter o clube respirando. Era como pagar para sofrer — e ainda sorrir no final.

A diretoria, desesperada, resolveu apelar mais uma vez para o bolso e a paciência do torcedor. Só que dessa vez, a criatividade ultrapassou os limites do ridículo. Os jogadores, com salários atrasados, começaram a reclamar. Foi então que o lateral apelidado de Gaúcho, vindo lá dos pampas, resolveu “ajudar”: ofereceu um de seus cavalos para ser sorteado no intervalo do jogo. O detalhe? O animal era um pangaré manco, aposentado dos rodeios, que mais parecia peça de museu do que prêmio de loteria.

A rádio local começou a anunciar com pompa: “No intervalo, uma surpresa imperdível para os torcedores!” O mistério se espalhou pela feira, pelo comércio e até pelas igrejas. O povo foi em peso ao estádio, mais curioso pelo sorteio do que pelo futebol.

No intervalo, com o placar empatado, o locutor se esgoelava no microfone: “Chegou a hora da grande surpresa!” A urna foi levada ao centro do gramado e o número sorteado caiu nas mãos de uma jovem animada, que correu com o namorado para receber o prêmio. Ansiosa, ela perguntava: “Cadê? Cadê o meu prêmio?” Foi quando surgiu o Gaúcho, puxando o cavalo manco pelo cabresto. A cena foi digna de novela cômica: a moça ficou indignada, o namorado sem saber o que fazer, e o cavalo… simplesmente disparou pelo campo!

O animal corria endiabrado, driblando jogadores, gandulas e até o juiz. Um atleta, na tentativa de acalmá-lo, chutou a bola em sua direção. O cavalo, empolgado, perseguiu a redonda e acabou empurrando-a para dentro do gol. O estádio explodiu: “É gol! Mas de quem? Do time ou do cavalo?”

No auge da confusão, o pangaré enroscou a pata na rede e ficou preso. Chamaram os bombeiros, que ao entrar com o caminhão pelo portão estreito, derrubaram alambrado, portão e metade da estrutura. Resultado: o cavalo continuou preso, o jogo acabou sem segundo tempo e a torcida saiu sem saber se ria ou chorava.

No dia seguinte, uma reportagem da capital foi ao estádio. Procuraram o cavalo, mas não havia sinal dele. Nem rede rasgada, nem pegadas, nada. O mistério permanece até hoje: teria o pangaré virado lenda, fantasma ou simplesmente fugido para nunca mais voltar?


Entre pedras antigas e histórias que resistem ao tempo, este espaço nasce como um refúgio para a alma. Aqui, cada texto é uma travessia — um olhar sobre o humano, o divino e o cotidiano. São relatos que unem fé e sensibilidade, onde o silêncio das ruas, o aroma do chá e o brilho das velas se transformam em palavras.

Antonio Vendramini Neto é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.

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UM BANCO VAZIO NA PRAÇA


“FALA-MOÇO”

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.



Convido o leitor a caminhar pelas trilhas da lembrança e do cotidiano, onde cada gesto simples guarda uma história. 

Amanheceu um banco vazio naquela praça de muito movimento, defronte à Catedral da cidade. A ausência era sentida por muitos, pois ali não estava mais um personagem marcante: o engraxate conhecido como “FALA-MOÇO”.

Esse apelido vinha de sua característica única. Sentado no banco, com sua caixa de ferramentas de trabalho, ele chamava os passantes de terno e sapatos elegantes, apontando para o calçado e, com entusiasmo, lançava seu famoso bordão:

— FALA MOÇO!

Era sua marca registrada, algo que ninguém mais ousava imitar. Seu jeito único de abordar os clientes, aliado ao talento em deixar qualquer sapato brilhando, fazia dele uma figura querida entre os fregueses. Enquanto engraxa, ele não apenas trabalhava, mas também entretinha: imitava sambas-de-breque do cantor Germano Matias, batucando com o pano na sola do sapato. Quando concluía o serviço, fazia um rodopio e, com um sorriso, agradecia uma gorjeta que muitas vezes era dada não apenas pelo brilho do calçado, mas pela simpatia contagiante.

Mudança dos tempos

Com o passar dos anos, os tempos mudaram. Sapatos de couro perderam espaço para tênis esportivos, e os engraxates começaram a desaparecer das praças. No lugar deles, apareceram vendedores ambulantes silenciosos, que expunham suas mercadorias sem o mesmo charme ou conexão com os passantes.

O FALA-MOÇO, que antes era símbolo de alegria e dedicação, começou a sentir o peso da solidão e da mudança. Nos momentos de calmaria, sentado no banco, seu olhar parecia atravessar paredes invisíveis, revisitando memórias de sua infância em uma cidade distante. "Graças ao Prefeito, posso trabalhar aqui", dizia ele com gratidão, lembrando que havia sido acolhido naquela cidade.

Mas a vida, às vezes, toma rumos difíceis. Com a chegada da bebida, o FALA-MOÇO tornou-se outra pessoa: um homem ranzinza, que assobiava para as moças e soltava gracejos inconvenientes. Foi uma transformação triste para quem, um dia, fora a alma daquela praça. A pressão dos motoristas de carros-de-praça, incomodados com seu comportamento, resultou em sua retirada dali.

O vazio na praça

Sem o banco da praça, ele vagava pelas ruas adjacentes, pedindo doses nos bares. Sua vida terminou em uma noite de frio intenso, na porta de um desses estabelecimentos. Não deixou família, filhos, ou herdeiros. Só restou o banco vazio na praça, um testemunho silencioso de sua história.

Hoje, quando o entardecer se instala, a praça se enche do canto alegre dos pardais. Pedestres passam apressados, talvez sem perceber a melancolia daquele banco. Lá do alto, os sinos da catedral badalam solenemente, convocando os fiéis para o culto. Quem sabe, entre eles, alguém se lembre do FALA-MOÇO e ofereça uma prece por sua alma.

O banco vazio ainda está lá, mas guarda ecos de um passado que parece distante. Alguns juram que, ao cair da noite, podem ouvir uma voz familiar ecoando na memória:

— FALA MOÇO!


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 Às vezes, basta abrir a janela para viver uma história. 

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

O ARCO DA MEMÓRIA E A TRAVESSIA DO TEMPO



Sou um contador de histórias do cotidiano. Escrevo crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilho palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.


TONELLA E O SACI PERERÊ 

 

A manhã estava fria. Nuvens cinzentas pairavam no céu, carregadas de umidade, trazendo sobre minha casa uma garoa intermitente que acentuava o frio dos últimos dias. A água, tão escassa, agora escorria suavemente pelas ruas, alimentando a vegetação ressequida.

Pela vidraça, vi a rua deserta: portas fechadas, janelas trancadas, um silêncio que indicava o recolhimento das pessoas naquele domingo cinzento.

Não saí para comprar o tradicional jornal. Apanhei o da semana anterior e comecei a folheá-lo com mais atenção. Na página do obituário, um nome familiar saltou aos meus olhos: um homem que, há tempos, havia me encantado com uma bela lenda sobre o pássaro Uirapuru—símbolo de felicidade nos negócios e no amor.

Com aquele pensamento, coloquei lenha na lareira, acendi o fogo e me acomodei no sofá. As labaredas dançavam, soltando estalos, despertando memórias das histórias que meu avô, Tonella, costumava contar.

Foi então que percebi algo incomum: um fino rolo de fumaça, acumulado no alto da viga mestre, começou a formar um arco translúcido. Dentro dele, uma sombra tomou forma.

Meu coração acelerou. Aos poucos, a figura se definiu… Era Tonella, saindo das entranhas do tempo, trazendo seus inseparáveis apetrechos para enrolar seu cigarro de palha.

Ele pisou firme no chão e se acomodou na velha cadeira de balanço, onde, na infância, nos reuníamos ao seu redor para ouvir suas histórias.

Com a mente imersa na visão, lembrei do dia em que ele contou sobre o famoso Saci-Pererê. Ajustou-se na cadeira, pegou um punhado de fumo, enrolou-o na palha e acendeu. O cheiro se espalhou pelo ambiente, trazendo lembranças dos tempos em que ouvíamos seu relato, os olhos brilhando de encanto e medo.

— Olha, molecada, vou contar, mas não quero ninguém mijando nas calças!

— Não, “nonno”! Pode contar! Somos grandes!

De repente, outro estalo da lenha ecoou pela sala e, do arco enfumaçado, surgiu uma figura pequena e irrequieta: o próprio Saci! Pulando numa perna só, ele veio direto ao colo do Tonella.

— Seu moleque do inferno, de onde você saiu?

— “Vosmicê falô di eu, então vim qui pra mód’ocê num fala mintira!"

Tonella, conhecendo bem as artimanhas do Saci, advertiu:

— Nada de bagunça aqui! Só ouve!

— “Quá nada, véio lazarento! Gosto mermo é de vê ocê contá mentira! Agora, me dá um fumo pru meu cachimbo, pra sortá fumaça igual ocê!"

— Não! Já tem fumaça demais aqui!

Tonella arrancou-lhe o cachimbo, deu um puxão de orelha e o mandou ficar quieto.

Então, retomou a história:

— Molecada, o Saci gosta de aprontar! Esconde brinquedos, solta animais dos currais, derrama sal na cozinha e trança a crina dos cavalos! Não atravessa riachos. Dizem que pode ser capturado se preso num rosário de mato bento ou numa peneira. E, se alguém lhe tirar o capuz, pode conseguir um desejo!

Tonella olhou para o arco de fumaça e, de lá, surgiu meu pai, Vico. Ele estendeu a mão para o avô e ambos sumiram no túnel do tempo. O Saci, rápido como sempre, correu, pegou seu cachimbo do bolso do Tonella e desapareceu.

O som da campainha me trouxe de volta à realidade. Pela janela, vi minha família chegando: meu filho Alexandre, o neto Augusto, minha filha Erika e o marido, junto com o Lucas.

Antes que se acomodassem no tapete, olhei para o canto da sala. A cadeira de Tonella ainda balançava sozinha.

Sem hesitar, tomei o assento.

Era minha vez de contar histórias.

✍️ 

Atuei nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (Normas ISO 9001), com experiência como Auditor de Certificação de Sistemas. Em meus textos, compartilho reflexões sobre o cotidiano e relatos de viagens que me levaram a conhecer culturas e histórias ao redor do mundo.

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sábado, 9 de maio de 2026

O EURO FALSO DE ROMA

A TRANSFORMAÇÃO
QUANDO O ERRO SE TRANSFORMA
 EM EURO

Contos com um toque de magia

Histórias onde o impossível se torna íntimo.

Onde o tempo dobra, os objetos falam, e o coração é bússola.


Roma amanhecia com uma luz dourada, e eu, ao lado da minha esposa, mal podia imaginar que nosso passeio seria marcado por uma reviravolta quase cômica. 

Ainda ressintindo o cansaço do voo noturno vindo de Tel-Aviv, nossa aventura na Cidade Eterna começava de maneira inesperada.

Em meio à correria matinal, chamamos um táxi para alcançarmos nosso grupo turístico, e o condutor, com seu inconfundível sotaque italiano, aliviava a tensão com histórias sobre Massa e a Ferrari. “Segunda-feira em Roma é assim mesmo”, afirmava com um sorriso despreocupado enquanto enfrentava o trânsito caótico. No término da corrida, paguei com uma nota de cem euros – um bilhete que, sem que soubéssemos, se transformaria na peça central dessa narrativa.

No ônibus turístico, já imerso em conversas e explicações em italiano e inglês, a atmosfera se harmonizava, até que o inesperado irrompeu. O mesmo taxista, agora em plena fúria, invadiu o veículo exibindo a nota como se ela guardasse um segredo sombrio:

"Brasiliano senza vergogna! Il denaro è falso!"

Num instante, todos os olhares se voltaram para nós. Entre constrangimento e incredulidade, desembolsei outras cédulas de menor valor para tentar apaziguar a situação, ainda que o taxista apontasse insistente para uma delegacia próxima, como se ali fosse imperiosa a justiça. E, ainda assim, o ônibus seguia firme em seu percurso, indiferente à confusão.

Segurando a nota acusada, uma dúvida inquietante pairou: será que todas as cédulas que guardávamos no cofre do hotel eram meras falsificações? A ideia de recorrer apenas ao cartão de crédito e aos caixas eletrônicos passou a ecoar em nossas mentes, enquanto o mistério se adensava na direção dos encantos do Vaticano.

Na segunda parada, ao nos aproximarmos do Vaticano, um ambulante vendia terços. Num gesto de fé e, talvez, busca por redenção, mostrei-lhe a nota em questão e perguntei:

"Este dinheiro é verdadeiro?"

Sem hesitar, o homem respondeu com convicção:

"Si, questo denaro è vero."

Por um breve momento, ao contemplar a grandiosidade da Praça de São Pedro com os seus santos altivos, pareceu que a própria Roma nos abençoava. Contudo, a dúvida permanecia até que, ainda sedentos por esclarecimentos, adentramos uma casa de câmbio. Lá, ao pedir a troca de outra nota de cem por duas de cinquenta, a atendente examinou a cédula, conectou-a a um aparelho e declarou:

"Si tratta di soldi veri; podem gastar tudo em Roma."

E naquele instante, a ironia se revelou de forma surpreendente: o que parecia ser um erro, a fonte de toda a nossa inquietação, era – de fato – o autêntico EURO. Assim, Roma nos ensinou que, por vezes, o imprevisto transforma incertezas em verdades inusitadas, conferindo à vida seu toque singular de magia e irreverência.

💥

🖋️ quando a memória se transforma em palavra. 

Convido o leitor a caminhar pelas trilhas da lembrança e do cotidiano, onde cada gesto simples guarda uma história. Entre o café, o caderno e o olhar atento do cronista, nasce a literatura que celebra o humano — viva, sensível e verdadeira.

“Escrevo para que o tempo não apague o que a alma recorda.”

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

AVENTURAS DE TRABALHO EM PETROLINA - PERNAMBUCO

 

CARCARÁ E A FORÇA  VOADORA


O Carcará Alado dos Sertões Nordestinos




Introdução

Toda trajetória profissional guarda capítulos que se destacam pela intensidade das experiências vividas. Em minha passagem por Petrolina, Pernambuco, a missão era clara: estruturar a área de recursos humanos de uma fábrica recém-construída. O que parecia apenas mais uma etapa de trabalho transformou-se em uma coleção de aventuras inesperadas, que marcaram profundamente minha memória.

O Desafio Inicial

Designado para pesquisas que garantiriam o funcionamento da fábrica, mergulhei no universo do cultivo de tomates destinados à produção de extrato. Além disso, introduzi a ideia pioneira de um restaurante dentro das dependências da fábrica, garantindo alimentação de qualidade aos futuros trabalhadores. Convênios com farmácias e benefícios essenciais também foram planejados, consolidando uma estrutura inédita na região.

Hospedado em um hotel previamente selecionado, dividi espaço com engenheiros e técnicos que montavam os equipamentos. O ritmo era intenso, mas recompensador. Após semanas de dedicação, retornei a São Paulo com relatórios que mostravam os avanços e a promessa de um futuro promissor para o empreendimento.

Aventuras nos Céus

Minha viagem de retorno, porém, reservava surpresas. Optando por um voo alternativo via Salvador, embarquei em um pequeno avião Bandeirante com apenas nove lugares. O barulho ensurdecedor já era desconfortável, mas nada se comparava ao momento em que a aeronave desceu abruptamente e pousou em uma estrada de terra para receber um malote. Sem parar completamente, o avião decolou novamente, deixando-me em estado de tensão. Essa experiência me ensinou a nunca mais arriscar em voos de pequeno porte para compromissos profissionais.

O Pássaro Ferido

Outra aventura aérea aconteceu quando o avião que me levaria de volta sofreu pane mecânica. Fui transferido para Juazeiro, na Bahia, e hospedado após atravessar a ponte Getúlio Vargas. No dia seguinte, ao retornar ao aeroporto, o ambiente era carregado: pessoas choravam, vestidas de preto. Descobri que havia um corpo aguardando transporte no mesmo voo. A tensão aumentou, pois além da recente falha mecânica, viajávamos com um falecido a bordo. O mistério sobre quem seria aquela pessoa se somava à apreensão dos passageiros.

Ao aterrissar em São Paulo, senti um alívio indescritível. Mais do que uma simples viagem de trabalho, aquela jornada se transformou em um mosaico de desafios, sustos e aprendizados.

Conclusão Empolgante

Petrolina me presenteou não apenas com conquistas profissionais, mas com histórias que transcendem relatórios e planejamentos. Aventuras que revelam como o inesperado pode se tornar parte essencial da nossa trajetória. Cada pouso turbulento, cada noite de espera e cada descoberta reforçaram em mim a certeza de que o trabalho é também uma viagem — e que, como o carcará alado, seguimos firmes, enfrentando ventos fortes e voando cada vez mais alto.





Nascido em Jaú e radicado em Jundiaí, Antônio encontrou na literatura o destino natural de sua trajetória. Com sólida experiência em Recursos Humanos e vivências adquiridas em viagens pelo mundo, transformou memórias e observações em crônicas que unem sensibilidade e estratégia. Autor de diversos livros e presença marcante em eventos como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, dedica-se hoje integralmente à escrita, celebrando lembranças e imortalizando histórias humanas.

Texto elaborado por terceiros, originalmente publicado em
O Olhar do Escritor.

Blog Vendramini Letras

Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. Mais do que textos, é um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia.

Histórias que às vezes vêm com sabor

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