segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CINQUE TERRE




Ao findar, em Roma, uma viagem pelo Leste Europeu, partimos para Gênova, a fim de conhecermos, viajando de trem, algumas cidades da Riviera di Levante e também as famosas vilas medievais denominadas de Cinque Terre.
Ficamos baseados em um hotel próximo à estação ferroviária de Brignole para facilitar nossas locomoções. Dali, partíamos, em dias alternados, da estação Gênova Brignole, através da linha La Spezia. Levávamos uma hora e meia até o primeiro vilarejo, Monterosso al Mare; as demais distam- se uma da outra uns dez minutos.
Os lugares avistados durante a viagem foram magníficos. Não cansávamos de olhar as encostas, onde ficam os famosos vinhedos, cujas uvas dão um sabor especial aos vinhos, que saboreamos em todas as refeições, nos típicos restaurantes. O Bianco Sciacchetrà é uma preciosidade que acompanhou os pratos à base de frutos do mar, típicos da cozinha Ligure, o doce de limão e o melhor pesto genovês, servidos em mesa ao ar livre e sob uma tenda amplamente confortável, proporcionando, naquelas manhãs ensolaradas, uma visão espetacular do panorama.
As vilas ainda estão intactas, transformando-se em lugares pitorescos. É um cenário que levou um milênio para se construir e sua origem se perde no tempo: eram, inicialmente, cinco castelos fortificados, próximos entre si, em torno dos quais surgiram cinco aldeias, assentadas em minúsculas baías ou encravadas no alto de rochedos.
Todas são formadas por antigos predinhos coloridos e guardam preciosidades de sua história, sobretudo nas igrejas e castelos, tornando-as, nos últimos anos, um dos mais atraentes destinos turísticos italianos. Uma das atrações interessante é a ‘estrada do amor’ (Via dell’Amore) que tem sua história ligada à ferrovia Gênova – La Spezia. Era usada no início de 1900 para depositar o material utilizado na construção da galeria ferroviária entre Riomaggiore e Manarola.
O melhor modo de visitar Cinque Terre, após Monterosso al Mare, é a pé, percorrendo assim, o chamado “Sentido Azzurro” (cerca de cinco horas), conhecendo todos os vilarejos. Mas essa empreitada é para os jovens que vêm com apetrechos apropriados e calçados especiais, etc. Para nós, bastou percorrer quinze minutos e já nos sentamos no primeiro banco do caminho e ali ficamos apreciando a paisagem até o sol afundar-se no horizonte, fazendo com que o mar ficasse dourado.
 Fizemos, em outros dias, através do trem, a ligação com outras vilas, para não nos apressarmos na volta e ficarem sem conhecer lugares imperdíveis.
Monterosso al Mare: Dentre as aldeias é a que dispõe de melhor infraestrutura turística, com a vantagem de ter uma praia de verdade e um porto, ambos pequeninos. Nas suas ruazinhas, as casas são, às vezes, ligadas entre si por passagens nos andares superiores, com ares românticos das medievais vielas. Para conhecer melhor suas encostas, entramos em um micro-ônibus, dirigido por uma mulher que nos dava informações sobre o trajeto na montanha e pudemos apreciar uma colheita de azeitonas muito interessante: as pessoas colocavam uma manta sobre o chão e um moleque chacoalhava as árvores para que caíssem e fossem coletadas.
Vernazza: Fica em um vale estreito, por onde corre um rio do mesmo nome, num ponto bem abrigado, protegido por um castelo no alto de um promontório. De sua torre se tem uma excelente vista da região. É o principal porto dos vilarejos. Com seu labirinto de pequenas ruas, escadarias e passagens cobertas, foi, para nós, a mais graciosa. Ali, pudemos entrar em uma igreja gótica para agradecer por mais essa viagem. É a mais popular e quase tão bela quanto Portofino. Possui um ar majestoso e árvores cuidadosamente colocadas, que se alinham na beirada da praça do cais. Ao passar de um local para outro através de um túnel, ouvimos ecos de uma bela canção que vinha não sei de onde. Ao contemplar o final do túnel, enxergamos um pianista que tocava canções lindas em troca de alguns euros que as pessoas depositavam em seu chapéu colocado no chão.
Corniglia: Está a 100 metros acima do mar, é a mais antiga e tranquila das vilas e tem vistas espetaculares. É a única que não possui um ancoradouro; fica encravada no alto de um rochedo, no meio de vinhedos. Do alto, escuta-se o som abafado dos trens passando pelos túneis. Aproveitando a vista exuberante, paramos para almoçar ali.
Manarola: Este vilarejo fica sobre uma falésia à beira-mar e é acessível, a pé, a partir de Riomaggiore pela via dell’Amore. Está repleta de vinhedos em terraços, sobre as colinas acima da aldeia, de onde avistávamos os barcos de pesca que, após retornarem do alto mar, paravam nas ruas estreitas, uma vez que não tem ancoradouro natural e nem edificado pelo homem.
Riomaggiore: É um minúsculo povoado no fundo de uma baía apertada entre rochedos, com uma rua principal subindo a encosta. O melhor jeito de chegar ao povoado é por mar, mas há um acesso por terra a partir de La Spezia. De lá, há o caminho “via dell’Amore” até Manarola, que pode ser percorrido em aproximadamente meia hora, passando pelos rochedos perto do mar. Uma aventura que não nos propusemos a fazer.
Após concluirmos todas as vilas de Cinque Terre, ficamos imaginando que um dos desafios das autoridades é com o declínio de residentes, pois conta com uma população antiga que, aos poucos, está desaparecendo e, os jovens não têm apego à terra, buscando novas oportunidades em outras fronteiras, sendo necessário, nas épocas turísticas, importar mão de obra temporária de outras localidades. Penso que, com o correr do tempo, existe o perigo de se perderem as tradições culturais, como ir à missa diária em uma das igrejas góticas, de que já falamos. Foi bonito ver todas as janelas com uma rosa desenhada, indicando um símbolo de prosperidade. Uma das culturas desse agrupamento de vilas é falar sobre vinhos e também degustá-los, o que fizemos nos terraços naturais cultivados, após uma pequena lição de um fabricante sobre o cultivo da uva.

Após concluirmos as visitas em todas as vilas de Cinque Terre, programamos mais dois lugares famosíssimos, sempre efetuando o percurso de ida e volta de trem.

Santa Margherita Ligure: É bastante glamorosa, diferente das pequenas vilas sossegadas de Cinque Terra.
Faz parte da região da província de Gênova, com cerca de 10.000 habitantes. Possui uma atmosfera animada, o que comprovamos em um dos bares onde tomamos um belo cappuccino e também em um restaurante onde fizemos uma pausa para um almoço, no ‘ristorante Antonio’. Possui lugarejos tranquilos exibindo uma estupenda praça com monumentos típicos aos descobrimentos. Sua orla é maravilhosa, mostrando magnificas casas de veraneio em suas encostas. Serve, para os turistas, como uma base para alcançar Portofino.
Após um breve descanso partimos para Portofino. Há apenas uma estrada que fica na ponta sul do triângulo. A viagem entre as duas cidades foi feita de ônibus e levou cerca de quinze minutos.
O PROMONTÓRIO PORTOFINO  
Esse pedaço de costa com apenas 530 habitantes compõe um triângulo que divide o Golfo Paradiso e o Tigullio. Na década de 1950, foi o lugar preferido das estrelas do cinema e as vilas onde permaneciam ainda têm um charme sofisticado, trazido pelo pessoal de Gênova que vem fazer turismo e contemplar o lindíssimo mar e sua posição geográfica. Após um breve reconhecimento do local, fomos caminhando até o pequeno cais onde está a maioria dos restaurantes. Sentamo-nos em um banco perto da igreja e, virados para o Golfo Paradiso, observamos o vai e vem de alguns poucos turistas que se aventuravam a comprar produtos nas lojas.
Caminhamos mais um pouco e, no final do cais, voltamos nossas vistas para o Mosteiro de San Fruttuoso; é o resquício mais antigo do império beneditino que administrava as igrejas do triângulo e ficou encravado na costa. O local só é acessível de barco ou a pé.
Voltamos já no período da tarde, de ônibus, pela mesma estrada, rumo a Santa Margherita. De lá, apreciamos mais uma vez a orla, enquanto aguardávamos o trem que nos levou para Gênova onde estávamos sediados, terminando assim, esses belos passeios pela Riviera Ligure, quase todo montanhoso, caindo abruptamente sobre o mar.

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