quarta-feira, 5 de abril de 2017

LOBO SOLITARIO








Alfredo se apresentava como um personagem bastante conhecido dos frequentadores noturnos de um bar em uma rua pouco iluminada que desembocava em uma praia de um imenso litoral.  Sua aparência mostrava uma pessoa de poucos cuidados; cabelos em desalinho e barba de vários dias.
Era um seresteiro a moda antiga. Toda noitinha com o violão nas costas caminhava em direção ao bar para sentar-se a mesa que ficava na calçada ao lado do bar, fazendo a alegria da rapaziada. Em algumas melodias soltava alguns urros; dizia que era para afinar as cordas e a garganta, por isso era conhecido como Alfredo Lobão. Sua popularidade estava em alta bem como a venda de bebidas servidas pelo proprietário que lhe pagava uns míseros trocados por noite.
Como as mesas ficavam perfiladas na calçada de madeira, acabou virando uma passarela por onde caminhava muita gente em direção à praia, ficando quase que uma parada obrigatória para tomar uma cerveja e ouvir o Alfredo Lobão.
Depois de umas e outras algumas pessoas caminhavam em direção ao mar para esfriar a cabeça. Entre elas estava a moça da cidade grande que trajava uma blusa azul deixando a mostra um decote extremamente generoso para a festa da moçada. A calça preta comprida colante, deixava sua bunda atraente e com os sapatos altos caminhava pela passarela, ouvindo-se o toc-toc do salto, balançando os corações solitários que metiam o beiço na cachaça para saudar a gostosa.
Então, Alfredo, em uma inspiração divina e fez a letra de uma música:


PASSARELA NOTURNA

Dama da noite em lua cheia.
Toc-Toc no tablado da calçada.
Som compassado.
Corpo delgado da cor do pecado.
Lobos solitários uivando sem parar.
Foi para o mar.

Entrou na areia e virou sereia.

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