quinta-feira, 14 de junho de 2012

O ÚLTIMO CAUDILHO



Uma assinatura chamuscada pelo fogo foi tudo o que restou naquele pedaço de papel junto às cinzas depositadas na lareira da sala de estar; comprovando ainda resquícios de um passado que tentou destruir.
Seu olhar se manteve fixo por alguns instantes naquele local, lentamente começou a caminhar, carregando o enorme corpanzil, dando voltas ao redor do tapete descolorido.
Afundado em pensamentos, lembrou que aquele documento continha, ainda, revelações sombrias sobre seu passado, marcado pelas atitudes insanas, praticadas ao longo de sua vida.
Depois da fuga desesperada de seu reduto, tomando caminhos tortuosos, esteve sempre recluso. O medo de expor seu rosto entre as pessoas nas ruas da pequena cidade onde instalou o seu refugio era assustador.
Já tinha destruído através do fogo todos os vestígios na forma de papel que marcavam com letras sangrentas todo o seu passado. Queria agora modificar sua face, para poder aproveitar incólume, alguns momentos que lhe restava de vida.
LOBO NA PELE DE CORDEIRO
Subiu ao poder e se mostrou como um caudilho, mascarando sua permanência como um ditador, dizendo-se um salvador da pátria, apregoando que sua missão era salvar o povo da miséria que ele mesmo proporcionou, durante a luta pelo poder.
Assim sendo, tornou-se um soberano, mas com um governo fraco e sem planejamento, permanecendo no poder à custa do extermínio das pessoas que se opunham ao seu governo.
O POEMA DO SOFRIMENTO DE UM POVO
 Ostentação do poder e continuidade
Manipulação nos meios de comunicação
Propaganda enganosa pela saturação
Mentiras ao povo oprimido
Migalhas enganando a fome
Gente sofrida
Vozes do silêncio
Caminhos indefinidos
Passos e descompassos
A LIBERTAÇÃO
Nasceu um novo dia, um canto de esperança ecoou nas montanhas embaladas pelo vento. Os caminhos se abriram para as forças amigas da paz a que vieram libertar o povo e as matas, que ficaram com as folhas murchas, agora orvalhadas e revigoradas com o verde.
A MORTE NO EXÍLIO
Chamou o seu único ordenança que o acompanhou na fuga e mandou que apanhasse aquele pedaço de papel que não foi queimado totalmente na lareira. Com as mãos tremulas, assoprou as cinzas e leu as últimas linhas com sua assinatura. Amassou o papel, colocou na boca e engoliu, provocando um soluço mortal. Acabava naquele momento, o último resquício de um poder que ficou manchado na historia daquele povo.

ANOS DOURADOS DE UMA ÉPOCA VIVIDA

ANOS DOURADOS  DE UMA ÉPOCA VIVIDA Repassando algumas fotos e recortes de jornais, armazenados em uma caixa de papelão no meu...