sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O CAUSO DO TREM E O DOCE DE JABUTI

 

Contado por 

Toninho Vendramini

Pois bem, meus amigos(as)... Senta que vou te contar um causo que parece mentira, mas juro que aconteceu — ou pelo menos foi assim que me contaram, e eu acredito. Foi num tempo em que os trens ainda cortavam o interior de São Paulo, cuspindo fumaça e soltando apitos que entravam no ouvido e mexiam com a alma da gente.

Bem-vindo ao Vendramini Letras — um espaço onde a palavra é servida com café, pão e saudade. Aqui, cada texto vem depois de um gesto simples: uma receita compartilhada, uma flor plantada, uma lembrança acesa. É um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — com afeto, raízes e poesia. Sinta-se em casa.

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Há tempos, quando os trens ainda cortavam o interior paulista com seus vagões rangentes e apitos que ecoavam na alma, aconteceu um causo que até hoje é lembrado nas rodas de prosa da cidade de Barnabina. Era uma daquelas locomotivas a vapor, cuspindo fumaça que se espalhava por léguas, e que levava gente e histórias por trilhos esquecidos.

Naquele dia, o vagão de primeira classe — que de primeira só tinha o nome — estava mais para terceira, com bancos de madeira gastos e um cheiro que misturava poeira, suor e fumo. Sentado à frente, num desses bancos, estava um sujeito de aparência bravia, que chamaremos de Zé Grandão. Usava um chapéu de peão ensebado, suava como chaleira no fogo e fumava um picadão enrolado na palha que guardava num bolsinho da cueca. O fumo vinha das bandas de Minas, e ele o afinava com um canivete que mais parecia uma peixeira.

Zé Grandão era grande, forte e de modos rudes. Atrás dele, uma senhora de meia idade segurava firme uma sacola que exalava um cheiro bom, daqueles que despertam lembranças de infância. O aroma atiçava a fome do valentão, que lançava olhares de cão danado para a sacola, como se quisesse arrancá-la das mãos da mulher.

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Foi então que surgiu o rapaz do carrinho de lanches, empurrando seu arsenal de balas, bombons e quitutes. Zé Grandão, faminto e desajeitado, levantou-se para ver o que havia, tropeçou no carrinho e espalhou tudo pelo corredor. Sem cerimônia, começou a recolher os doces e enfiá-los nos bolsos, sem pagar um tostão.

A confusão se armou. O rapaz correu até o chefe do trem, que chegou com seu boné da companhia ferroviária, mas ao ver o tamanho do Zé, encolheu-se como cachorro que levou pontapé. Os passageiros torciam pelo chefe, mas Zé Grandão o agarrou pelo pescoço e o trancou no minúsculo sanitário do vagão, onde o pobre berrava por socorro.

O maquinista, ouvindo a gritaria, deixou o ajudante na locomotiva e correu até o telegrafista. Mandou um telegrama urgente para a próxima estação, avisando da confusão. O trem parou na pequena cidade de Barnabina — batizada em homenagem à esposa do fundador, o senhor Barnabé.

Ao saber do tumulto, Barnabé foi até a estação, mas mal pisou no chão e já levou um rabo de arraia do Zé Grandão, que se gabava de ter secado uma garrafa de pinga durante a viagem. Com medo, Barnabé resolveu agradar o valentão e o convidou para ser delegado da cidade, cargo vago desde que o anterior havia tombado num confronto com jagunços.

Zé Grandão aceitou. Tirou dos bolsos os doces que havia surrupiado e começou a distribuí-los, adoçando os ânimos e conquistando os moradores. Virou figura popular, botou ordem na cidade e se gabava de visitar as casas para receber guloseimas das senhoras, que o temiam e o agradavam.

Foi numa dessas visitas que conheceu o doce de jabuti — não o animal, mas uma geleia de jabuticaba feita por Dona Maroca. Bastava uma colherada para acalmar o valentão. Ele mesmo batizou a iguaria, dizendo que aquele doce era mais valente que ele.

🍇 Receita simbólica do Doce de Jabuti (geleia de jabuticaba)

1 kg de jabuticabas maduras

500 g de açúcar cristal

Suco de 1 limão

Modo de preparo: Lave bem as jabuticabas e leve ao fogo com o açúcar e o suco de limão. Cozinhe até que as frutas estourem e a mistura engrosse. Passe por uma peneira, volte ao fogo até atingir ponto de geleia. Sirva com carinho — e, se possível, com respeito à memória de Zé Grandão.

O FINAL DO VALENTÃO

O tempo passou, e um dia Zé Grandão foi encontrado morto à beira da estrada, perto da linha do trem. Dizem que foi acerto de contas, dizem que foi destino. Mas toda vez que o trem passa por ali, o maquinista apita demoradamente, como quem presta homenagem ao fim da carreira do valentão — para alívio dos moradores de Barnabina, que enfim puderam adoçar a vida sem medo.



Antonio Toninho Vendramini Neto
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DESCUBRA O VINHO PERFEITO PARA CADA PETISCO


 Um Brinde à 
Harmonia dos Sabores!

"Escrevo para provocar incêndios brandos. Após a leitura, desça aos mais lidos e caminhe pelas palavras que sussurram."


Imagine um fim de tarde dourado, uma mesa posta com petiscos irresistíveis e uma taça de vinho que dança à luz do sol. O vinho não é apenas uma bebida — é uma experiência sensorial, uma ponte entre culturas, estações e emoções. Neste artigo, você vai descobrir como harmonizar vinhos com petiscos de forma simples e prazerosa, explorando o frescor dos brancos, a sedução dos rosés e o aconchego dos tintos. E mais: ao final, uma receita especial e uma dica de ouro para escolher um vinho honesto e aromático que cabe no seu bolso. Vamos brindar?

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Brancos: Frescor e Leveza
Os vinhos brancos, frescos e ligeiros, onde a acidez se sobrepõe à maciez, são ideais para acompanhar petiscos leves e veranis. Bruschettas de shiitake, queijo brie e presunto de Parma se harmonizam perfeitamente com um Sauvignon Blanc ou um Viognier. Se a escolha for por petiscos mais elaborados, aposte em um branco amadurecido em madeira por pouco tempo, como um elegante Torrontés ou um Chardonnay levemente barricado.

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Rosés: Sedução à Primeira Vista
Encantadores ao primeiro olhar, os rosés trazem nuances delicadas de coral e rosa e seduzem com seus aromas leves e frescos. Combinam com frutos do mar em qualquer estação; no inverno, uma focaccia recheada ou pastéis de camarão são opções ideais. Já no verão, são companheiros perfeitos para uma mesa à beira-mar, acompanhados de queijos macios, frios laminados, pãezinhos e torradas.

Tintos: Aconchego e Intensidade
Ao contrário do que se pensa, os tintos também podem ser ótimos para acompanhar petiscos. Os mais leves e frescos, como um Beaujolais Nouveau, um Tempranillo Crianza ou um Chianti, são ideais para bruschettas mais elaboradas, pastéis de carne ou uma boa tábua de frios. Já os tintos encorpados, como Malbec e Cabernet Sauvignon, pedem pratos mais robustos e não harmonizam tão bem com petiscos.

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🍇 Pausa Poética: O Encanto do Vinho


Caule vigoroso,
Terra e raiz generosa.
Folhas verdes,
Cor esplendorosa.
Branco… Rosado… Tinto…
Aromas, sabores, amores.
Néctar dos deuses,
Baco ou Dionísio.
Paixão nas alturas,
Inebriantes,
Silhueta ofegante, loucuras.
Paladar no céu da boca,
Presença sublime,
Perfume sensual, cheiro de parreirais,
Fruta madura, ternura.
Bebida sensual,
Mistério em goles.
Compreendê-la é arte,
Amante da fruta e do pecado.
Incline a taça,
Acaricie os lábios.

🍷 Receita Rápida: Vinho Quente Aromático

Ingredientes:
1 garrafa de vinho tinto seco (Merlot ou Syrah)
1 xícara de açúcar mascavo
1 laranja em rodelas
5 cravos-da-índia
2 paus de canela
1 maçã picada
1 dose de cachaça (opcional)
Modo de preparo:
1. Em uma panela, aqueça o vinho com o açúcar, as especiarias e as frutas.
2. Mexa bem e deixe ferver por 10 minutos.
3. Adicione a cachaça, se desejar, e sirva bem quente.
Dica: Sirva em canecas de cerâmica com uma rodela de laranja na borda. O aroma vai conquistar até quem não é fã de vinho!

 Dica Final: Um Vinho Honesto e Aromático
Se você busca um vinho honesto, aromático e acessível, experimente um Carmenère chileno. Com notas de frutas vermelhas, pimenta e um toque herbáceo, ele é versátil, elegante e perfeito para quem está começando a explorar o mundo dos tintos. Para os brancos, um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia entrega frescor e aromas cítricos vibrantes — ideal para dias quentes e pratos leves.

 Encerramento:
O vinho é mais do que um acompanhamento — é um convite à contemplação. Seja em um encontro casual ou em uma celebração especial, ele transforma o ordinário em extraordinário. Compartilhe este artigo com quem aprecia bons momentos e bons goles. E lembre-se: cada taça tem uma história, cada aroma tem uma memória. Que o seu próximo brinde seja inesquecível. 

LIVRO DE VIAGENS E MEMÓRIAS

Antonio
 Toninho Vendramini Neto
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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O REENCONTRO: UMA VIAGEM DE EMOÇÕES E MEMÓRIAS

                  

 O REENCONTRO
 
Uma travessia 
de afetos
 e saboreS

O EGITO DE MUITAS LEMBRANÇAS



Viajar é mais do que deslocar-se no espaço — é mergulhar em histórias, reencontrar sentimentos e fortalecer laços. Esta crônica é um tributo à amizade, à cultura e aos momentos inesperados que transformam simples trajetos em lembranças eternas. Do Cairo a Assuã, passando por Jerusalém, cada passo foi marcado por descobertas e reencontros que merecem ser celebrados.

 Do Cairo a Assuã: trilhos que conduzem memórias

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SEGUINDO O CURSO DA HISTÓRIA...

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Após a visita ao Museu do Cairo, seguimos rumo à estação ferroviária para iniciar nossa jornada até Assuã, lar da imponente represa que empresta seu nome à cidade. Essa obra monumental, considerada a maior construção em solo egípcio desde as pirâmides, domou o Nilo, controlou suas águas e impôs a lógica humana às certezas da natureza. Um feito que impressiona tanto pela engenharia quanto pela ousadia.

 Ilha Elefantina: onde o Nilo nos levou ao inesperado

Ao chegarmos em Assuã, fomos informados que o trajeto até o hotel seria feito por barco, atravessando o majestoso Nilo até a encantadora Ilha Elefantina. O resort que nos acolheu parecia flutuar entre o tempo e a tradição. E foi ali, como num presente inesperado, que assistimos a um casamento típico egípcio — uma celebração vibrante, repleta de danças, músicas e cores que pareciam dançar com o vento do deserto.

Não apenas leia — clique no negrito nas palavras e mergulhe."

Fomos convidados a participar. E, como se a hospitalidade fosse uma arte milenar, nos serviram iguarias da gastronomia egípcia que encantaram nossos sentidos. Entre elas, o Mahshi, um prato tradicional feito com legumes recheados de arroz temperado com ervas e especiarias, cozidos lentamente em molho de tomate. Uma receita que carrega o sabor da terra e o afeto das mãos que a preparam.

🍽️

 Receita de Mahshi (Charuto de Legumes Egípcio)

Ingredientes:

1 berinjela, 1 abobrinha e 1 pimentão (ou folhas de uva)

1 xícara de arroz cru

1 cebola picada

2 tomates picados

2 colheres de sopa de salsinha e hortelã picadas

Sal, pimenta síria e cominho a gosto

Suco de 1 limão

2 colheres de sopa de azeite

1 xícara de molho de tomate

Modo de preparo:

1. Corte os legumes em formato de barquinhas ou retire o miolo para rechear.

2. Misture o arroz com os temperos, tomate, cebola, ervas, limão e azeite.

3. Recheie os legumes com essa mistura e acomode-os em uma panela.

4. Cubra com o molho de tomate e cozinhe em fogo baixo por cerca de 40 minutos.

🧳 


O desencontro e o reencontro com Vanderlan

Foi no desembarque que sentimos a ausência de nosso querido amigo Vanderlan — uma figura cativante, cuja habilidade em se comunicar é marca registrada. Por um erro da agência, seu nome constava no próximo horário do trem, e ele viajou sozinho. Imagino os pensamentos que o acompanharam: a expectativa do reencontro, a saudade da família, o desconforto de não estar em seu lar.

Mas Vanderlan é um homem de espírito leve. Ainda mais depois de sua visita a Jerusalém, onde, no Monte das Oliveiras, fez orações pela família e agradeceu pela transformação em sua vida. De proprietário de lotérica a corretor de imóveis bem-sucedido, sua trajetória inspira.

Quando finalmente nos reencontramos, tudo se iluminou. O sorriso, o abraço, a alegria — tudo voltou a pulsar com intensidade. Eu e minha esposa sentimos que a amizade se fortaleceu ainda mais. Com Vanderlan, Márcia, Thaís e Thiago. Com Elvira, Cícero e Davi. Com Ayala, Mila e o pequeno Miguel. A imagem que guardamos de cada um foi enriquecida por essa viagem repleta de cultura, guiados por Osama, que nos presenteou com conhecimentos preciosos.

 Reflexões dessa travessia

Essa experiência criou um elo que não queremos desfazer. E, graças à internet, podemos manter viva essa corrente de afeto e memória. Que essa conexão continue firme, como o Nilo que atravessamos, como os trilhos que nos conduziram, como os abraços que nos acolheram.

De Jundiaí, São Paulo, enviamos um abraço caloroso — cheio de saudade, gratidão e o sabor eterno do Mahshi.


🌍

Antonio Toninho Vendramini Neto
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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

CELEBRAÇÕES ITALIANAS: UMA NOITE DE MÚSICA, EMOÇÃO E SPAGUETTI

 

Celebrações 
Italianas 

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📣

Em um tempo que já não sei precisar, numa cidade vizinha marcada pela alma vibrante dos imigrantes italianos, aconteciam as festividades que celebravam a chegada das famílias da Vecchia Signora. Era como se, por alguns dias, o relógio parasse e a cidade se transformasse numa vila italiana — com bandeirolas nas ruas, música nas praças e aromas de alho e manjericão flutuando no ar.

O negrito nas palavras do texto é o convite. O clique, a resposta.

No coração dessa celebração, havia um restaurante rústico, com teto de sapé e paredes de toras de eucalipto, que mais lembrava uma cantina escondida nas colinas da Toscana. Ali, um pequeno palco recebia cantores vindos da Europa e, em outras noites, artistas brasileiros da velha guarda. Era um lugar onde a música não apenas tocava — ela acontecia.

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Numa dessas noites memoráveis, recebi um convite de um amigo italiano para prestigiar uma caravana de conterrâneos que se apresentariam no local. Com entusiasmo, embarcamos juntos nessa jornada: ele, sua esposa, eu e a minha. Ao chegarmos, fomos recebidos com um sorriso largo por Salvatore, nosso anfitrião, que já havia reservado uma mesa especial, bem próxima ao palco.

O ambiente era pura celebração. Luzes suaves pendiam do teto, criando um clima acolhedor. Canções napolitanas ecoavam pelo salão, embalando os corações e arrancando suspiros nostálgicos. As taças tilintavam em brindes espontâneos, e os pratos chegavam fumegantes, exalando os aromas irresistíveis da culinária italiana. O vinho, produzido com uvas cultivadas nas encostas da região, tinha um perfume terroso e profundo — como se cada gole contasse uma história.

Salvatore, já entregue ao espírito festivo, não conseguia conter sua empolgação. Cantava em sua própria mesa, gesticulando com paixão e entoando trechos como um verdadeiro amante da música. Até que, num momento de pura euforia, exclamou:

— É o Tony! Meu velho conhecido! Faz tempo que não o vejo! Olha só, com aquele paletó brilhante, digno de um grande cantor!

A cada garfada na comida e cada gole de vinho, sua animação aumentava. Até que, tomado pela euforia, decidiu ir até o palco. Ali, fazia sinais para Tony como se quisesse gritar: Estou aqui, velho amigo! O cantor, por sua vez, gesticulava de volta, indicando que estava ocupado com sua apresentação. Mas Salvatore não se conteve. Aos poucos, aproximou-se, pedindo para ouvir esta ou aquela canção da sua região. A plateia observava a cena, divertida com sua audácia.

E foi então que, movido pelo entusiasmo, ele subiu as escadinhas do palco. Os olhares se voltaram para ele. Tony tentava, com paciência, manter o controle da situação, mas a paixão italiana de ambos se transformou numa conversa acalorada — ou melhor, numa discussão exaltada, repleta de gestos largos, vozes cada vez mais altas e exclamações típicas da língua italiana.

Num rompante inesperado, Tony, já sem saber o que fazer, arrancou seu paletó brilhante e entregou para Salvatore, como se fosse um troféu.

E, de repente, Salvatore o vestiu e começou a sapatear no palco, sentindo-se o próprio cantor! A plateia delirava, gargalhando diante da cena cômica e absurda. O gerente do restaurante, percebendo que a situação havia fugido do controle, correu até o palco para intervir. Tony, indignado, exigia seu paletó de volta. Mas Salvatore, em seu estado de euforia e já "meio alto", segurava a peça com firmeza, recusando-se a devolvê-la.

O embate atingiu seu ápice: os dois rolaram pelo palco, em uma disputa hilariante e digna de um espetáculo teatral. O público italiano vibrava, ovacionando aquela confusão absurda e divertida.

No final, o paletó rasgou-se no corpo de Salvatore. Tony conseguiu recuperar o que restava da peça, mas, ao subir novamente para cantar, percebeu que faltava uma manga. Tomado pela raiva e pelo cansaço, ele simplesmente arrancou a outra, transformando seu elegante traje num colete improvisado.

A apresentação chegou ao fim em meio a risos e aplausos. Salvatore, ainda tomado pelo espírito da noite, entrou no carro com uma manga do paletó brilhante na mão, bradando:

— Eu sou Tony agora! Ano que vem, venho cantar aqui de novo! Vou mandar fazer um paletó com essa manga como amostra para o meu alfaiate!

Deixamo-lo em sua casa com sua esposa, ainda imerso em sua euforia musical. Enquanto isso, voltávamos para casa chorando de rir, com o sabor do vinho ainda na boca e a lembrança da macarronada ainda quente no coração.


🍝 Receita da Noite: 

Spaghetti alla Puttanesca

Porque toda boa história italiana termina com um prato inesquecível.

Ingredientes:

400g de spaghetti

4 colheres de sopa de azeite de oliva

3 dentes de alho picados

6 filés de anchova

1 xícara de azeitonas pretas sem caroço

2 colheres de sopa de alcaparras

500g de tomates pelados

Sal, pimenta-do-reino e salsinha a gosto

Modo de preparo:

1. Cozinhe o spaghetti al dente.

2. Em uma frigideira grande, aqueça o azeite e refogue o alho.

3. Adicione as anchovas e mexa até dissolver.

4. Acrescente as azeitonas, alcaparras e os tomates pelados. Cozinhe por 10 minutos.

5. Misture o molho à massa, finalize com salsinha e sirva com um bom vinho tinto da região.

E assim, entre risos, música e molho de tomate, celebramos a vida — como só os italianos sabem fazer.

 

Atuei nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (Normas ISO 9001), com experiência como Auditor de Certificação de Sistemas. Em meus textos, compartilho reflexões sobre o cotidiano e relatos de viagens que me levaram a conhecer culturas e histórias ao redor do mundo. 

Às vezes, basta abrir a janela para viver uma história. 

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segunda-feira, 27 de outubro de 2025

O CASAMENTO DO LOBISOMEM E A MÃE D'AGUA E A LENDA DO "CAIPORA" - RECEITA NO FINAL




O nascimento do Caipora


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Na vastidão das noites brasileiras, onde o silêncio é quebrado pelo canto dos grilos e o estalo das fogueiras, vivem histórias que não cabem nos livros — mas que se perpetuam nas bocas dos antigos. Esta é uma delas. Uma lenda que mistura desejo, floresta e mistério. E no final, como manda a tradição da roça, uma receita que aquece o corpo e a alma. 

A chama da fogueira dançava no coração da noite, iluminando os rostos atentos dos jovens indígenas ao redor. O velho cacique, com o olhar carregado de sabedoria e mistério, tragou lentamente seu cachimbo e começou:

Na pequena cabana do lenhador, a tarde se fez noite. Pela janela do casebre, via-se o clarão da vela sobre a mesa, iluminando o pedaço de pão endurecido que saciaria a fome daquele homem de músculos vigorosos. Seus golpes com o machado mantinham o fogo aceso para aquecer o ambiente nas noites frias e chuvosas de inverno. Morava sozinho. Como o sétimo filho de uma família que deixara o vilarejo, ficou para colher a última safra de milho a mando do pai, prometendo se reunir com os parentes ao término da colheita. Mas os meses se arrastavam, e sua solidão crescia.

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Era um homem de modos estranhos, arredio e inquieto nas noites de luar. Contemplava a escuridão com olhares soturnos voltados à montanha que dominava o vale cortado por um riacho. Em uma dessas noites, enquanto aguardava algo inexplicável, acendeu um cigarro de palha. O luar crescente despertou algo em seu interior. Arrepiado, com sangue fervendo, saiu de seu casebre como um foguete, rumo à montanha. No cume, contemplou o vale e o riacho caudaloso. Foi então que avistou o corpo de uma mulher com um canto hipnotizante às margens da água.

Era a Mãe D’Água — criatura de beleza arrebatadora, olhos verdes e cabelos longos — que se banhava nas águas. Ele já percebia os pelos que cresciam em seus braços. Uivou ao céu e desceu em um trote desenfreado até o riacho. A mãe sabia de seu segredo, mas não estava ali para acalmá-lo. Seus instintos tomaram o controle. Pulou na água sem tirar a roupa — afinal, já estava coberto de pelos — e uniu-se à Mãe D’Água, embalado por sua dança nas ondas e por um desejo monstruoso que saciou sua sede de volúpia.

Quando o sol nasceu, o homem correu para refugiar-se da luz em seu casebre. A Mãe D’Água desapareceu, escondendo-se em uma caverna onde, meses depois, deu à luz a uma criatura única: o Caipora. De pés virados para trás e olhos penetrantes, tornou-se o protetor das matas e da caça. Pequeno e ágil, montado em um porco-do-mato, usava seu riso estridente para aterrorizar os caçadores desrespeitosos. Aqueles que encontravam seus rastros eram enganados por sua habilidade de despistar seguidores, deixando-os perdidos.

Com o tempo, o Caipora tornou-se uma figura lendária. Nos vilarejos, histórias de suas aparições em noites de luar alimentavam o imaginário popular. Os viajantes diziam vê-lo fumando cachimbo e pedindo cachaça, sempre com o propósito de preservar o equilíbrio das matas. Embora temido, era também respeitado como guardião da vida selvagem.

👹

Inspirada na colheita do lenhador e nos sabores da roça, esta pamonha é perfeita para acompanhar histórias contadas à beira da fogueira.

 Receita da roça:

 “Pamonha de milho verde com queijo

Ingredientes:

6 espigas de milho verde

1 xícara de açúcar

1 pitada de sal

1 colher de sopa de manteiga

150g de queijo minas cortado em cubos

Palhas de milho para embrulhar

Modo de preparo:

1. Retire as palhas das espigas com cuidado e reserve.

2. Rale os grãos ou bata no liquidificador com um pouco de água.

3. Misture o milho com açúcar, sal e manteiga até formar uma massa homogênea.

4. Coloque uma porção da massa sobre a palha, adicione um cubo de queijo e feche como um envelope.

5. Cozinhe em água fervente por cerca de 40 minutos.

6. Sirva quente, com café coado ou cachaça artesanal — como faria o Caipora.

💯 

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

 BIOGRAFIA CURTA 

Antonio Vendramini é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória — entre receitas simples e flores cultivadas com afeto. Em Vendramini Letras, compartilha palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

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O CAMINHO ERRANTE DO CAIPIRA PIRAPORA: UMA RECEITA NO FINAL DE MILHO COZIDO

O INÍCIO DE UMA LONGA JORNADA

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 Sinta-se em casa.


chegou a crônica:

A história da fundação de Bom Jesus de Pirapora remonta a 1725, quando alguns pescadores encontraram no rio Tietê uma imagem do Cristo, hoje disposta no santuário sobre uma pedra à beira do rio. Esse evento singular marcou o início da vila que mais tarde se tornaria a cidade.

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De origem missionária, Bom Jesus de Pirapora começou como um vilarejo com forte papel religioso, tornando-se posteriormente destino preferido de romeiros atraídos pela fé e pela tradição. Seu nome, “Pirapora”, vem do tupi-guarani e significa “peixe que pula em águas limpas” — um cenário que, infelizmente, hoje está apenas na memória, já que os peixes desapareceram e as águas límpidas ficaram no passado.

Se quiser apoiar, clique nos anúncios.

 É um gesto pequeno que ecoa longe.

O avanço desordenado trouxe um panorama desolador para quem atravessa a ponte sobre o rio ao se aproximar da cidade. A espuma química das indústrias flutua como icebergs, acompanhada de um cheiro nauseante de esgoto, tornando irreconhecível a beleza que antes encantava.

Mas vamos voltar ao passado! Ah, Pirapora dos tempos de adolescência, das romarias que partiam de lugares remotos, com familiares e amigos, enfrentando a jornada de 40 quilômetros com diferentes formas de locomoção: a pé, de bicicleta ou a cavalo.

Minha primeira romaria foi com primos que moravam na emblemática Rua Zacarias de Góes, reduto das famílias italianas. Optamos pelas bicicletas, o transporte que estava em alta na época. A aventura começou no Largo de Santa Cruz, onde o padre deu sua bênção coletiva aos romeiros. Equipados e animados, a estrada de terra nos aguardava, com um acampamento no famoso "Capão da Onça" programado para o meio da jornada.

Entre subidas e descansos, piadas para animar os menos dispostos, e lanchinhos preparados pelas mamães, a poeira levantada pelos tropeiros nos motivava a competir e ultrapassá-los. Ao cair da noite, chegamos ao Capão da Onça, onde o descanso foi interrompido pela sanfona e viola dos cavaleiros, o cheiro insuportável de bosta de cavalo e a sinfonia de suspiros intestinais dos animais. A noite foi marcada por histórias de medo e cansaço.

No ano seguinte, decidimos repetir a jornada, mas dessa vez montados a cavalo. Nosso plano? "Assustar" o contador de causos do Capão da Onça com um "fantasma". A preparação envolveu gravador com rugidos de onça e Nelsão Maluco, nosso ator principal, vestido de lençol branco. No auge da narrativa, rugidos ecoaram e provocaram pânico, mas um romeiro armado disparou para o mato, ferindo Nelsão, e nossa brincadeira terminou em correria e hospital.

Desde então, nunca mais participamos de romarias. Hoje, ao ouvir a música "Sou caipira Pirapora" de Renato Teixeira, esses momentos vêm à memória com gratidão por nada pior ter acontecido.

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 Milho Verde e Memórias de Inverno

Nas tardes frias, há algo de mágico no cheiro de milho cozido. Ele aquece a casa, a alma e a lembrança. 

Lembro de quando minha mãe colocava a panela no fogo e dizia: “Vai demorar, mas vale a pena.” E valia mesmo. Enquanto o milho amolecia, a gente sentava na cozinha, contava causos, ria de coisas simples. Era o tempo da escuta, do silêncio e do sabor.

Hoje, trago essa receita como quem oferece um abraço. 

Receita do dia: Milho Verde Cozido com Manteiga e Sal Grosso

Ingredientes:

         Espigas de milho verde (quantas quiser)

          Água,

      Sal grosso

         Manteiga

Modo de preparo:

        Retire as palhas e limpe bem as espigas.

         Coloque em uma panela com água e sal grosso.

         Cozinhe por cerca de 30 a 40 minutos.

         Sirva quente, com manteiga derretida por cima.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Pensador | Criador de conteúdos culturais
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Antonio Vendramini Neto – (facebook)


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