quinta-feira, 28 de agosto de 2025

SERENATA NA PASSARELA - ALFREDO LOBÃO, O ÚLTIMO ROMÂNTICO DA CALÇADA

 

O Bar da Esquina e o Lobão da Madrugada

Naquela rua esquecida pelo progresso, onde os postes acesos pareciam resistir ao tempo como velhos guardiões da memória, havia um bar que não tinha nome — apenas uma placa torta com a palavra “Cerveja” escrita à mão. Era ali que Alfredo Lobão reinava todas as noites, como um rei sem trono, mas com violão.

Alfredo não era bonito. Nem elegante. Mas tinha algo que os outros não tinham: presença. Chegava sempre com o mesmo ritual — violão nas costas, cigarro apagado no canto da boca, e um olhar que misturava melancolia com malandragem. Os cabelos desgrenhados e a barba de vários dias compunham o figurino de um boêmio que já não se importava com o espelho, mas sim com o aplauso da rapaziada.

Sentava-se à mesa de madeira encostada na calçada e começava a tocar. Não pedia licença. Não fazia cerimônia. Alfredo era da velha guarda, daqueles que acreditavam que a música cura, conquista e embriaga mais que qualquer bebida. E quando soltava seus urros entre os acordes — que ele chamava de “afinadas de alma” — o bar virava palco, e a rua, plateia.

 Os Amores e as Mentiras

Alfredo dizia que já tivera mais de cem mulheres. Algumas ele nomeava com carinho: “A Lúcia do samba”, “A Neide da praia”, “A Marlene do vestido vermelho”. Outras ele inventava na hora, só para impressionar os novatos. Mas todos sabiam que, no fundo, Alfredo era um romântico incurável, desses que se apaixonam por um sorriso e sofrem por um olhar que não volta.

Tinha um jeito peculiar de conquistar: cantava uma música, oferecia um gole de cachaça e contava uma história triste. Era irresistível — não pela beleza, mas pela autenticidade. Alfredo não fingia ser o que não era. E isso, às vezes, bastava.

 A Musa da Passarela

Numa dessas noites de lua cheia, quando o mar parecia sussurrar segredos à areia, ela apareceu. A moça da cidade grande. Blusa azul, decote generoso, calça preta colante e salto alto que fazia o toc-toc ecoar como tambor de desfile. Caminhava pela passarela de madeira como quem sabe que está sendo vista. E era.

Os corações solitários se agitavam. Os copos tremiam. E Alfredo, como se tivesse recebido um chamado divino, parou de tocar. Olhou. Sentiu. E compôs.


A música nasceu ali, entre um gole e um suspiro. E quando ele cantou, a moça parou. Sorriu. E seguiu. Alfredo nunca soube seu nome. Mas naquela noite, ela virou eternidade.

 O Último Uivo

Os anos passaram. O bar fechou. A rua ganhou asfalto. A passarela virou calçada de concreto. Mas Alfredo continuou indo, mesmo sem plateia. Sentava-se com seu violão e cantava para o vento, para o mar, para as lembranças.

Diziam que ele ainda esperava a moça da blusa azul. Que ainda afinava a garganta com urros. Que ainda acreditava que uma boa música podia mudar tudo. E talvez pudesse.

Porque Alfredo Lobão não era apenas um seresteiro. Era um monumento à boemia, à saudade e ao amor sem medida. Um conquistador de almas, mesmo que a sua estivesse sempre um pouco partida.


“Escrevo como quem recolhe o tempo com as mãos.”

         “O silêncio também tem voz — e às vezes, ela escreve comigo.”

💢  

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quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A LUZ QUE DECIDI SER



Depois de tanto esperar,
percebi que o dia certo não viria com fanfarra.

Ele chegaria como qualquer outro — discreto, comum —
e ainda assim, seria o dia do meu triunfo.

Aprendi que não vale a pena aguardar pelas oportunidades.

É preciso ir atrás delas, com coragem e intenção.
Cada problema passou a ser uma chance de encontrar soluções.

Cada deserto, uma promessa de oásis.
Passei a ver a noite como um mistério a ser decifrado,
e o dia como uma nova chance de ser feliz.

Compreendi que não sou o melhor — talvez nunca tenha sido —
e tudo bem.

O que importa agora não é vencer ou perder,
mas saber o que fazer com sabedoria.

Descobri que o difícil não é alcançar o topo,
mas continuar subindo.

E que o maior triunfo não está em medalhas,
mas no privilégio de chamar alguém de "amigo".
Deixei de ser reflexo dos meus triunfos passados.

Hoje, sou a minha própria luz — ainda tênue, mas presente.
E entendi: de nada serve ser luz
se não ilumina o caminho dos outros.
Já não durmo para descansar.
Durmo para sonhar.


📚

Este é o meu Blog

Aqui, escrevo como quem costura o tempo com palavras.

Cada texto é uma janela aberta para o mundo — um mundo que vivi, sonhei ou apenas imaginei com olhos de quem nunca deixou de se encantar.

Não escrevo para guardar. Escrevo para libertar.

Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas que ainda vivem em mim.


Cada linha é um convite, cada frase uma travessia.
 

 O que você encontrará aqui

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domingo, 24 de agosto de 2025

O ÚLTIMO MALANDRO DO VELHO PORTO


 UMA TRANSFORMAÇÃO ACELERADA

Foi numa das minhas visitas ao Rio de Janeiro que esse texto nasceu. Eu e minha esposa havíamos desembarcado de um transatlântico vindo da Europa, direto no velho porto da cidade — aquele mesmo que, décadas atrás, era reduto de figuras lendárias, boêmias e cheias de ginga. Caminhar por ali foi como atravessar um portal: o cheiro do mar, os prédios antigos, os ecos de um tempo em que o samba ainda se escrevia em papel de pão e a malandragem era uma arte.

Durante as primeiras décadas do século XX, o Rio vivia uma transformação urbana acelerada. A especulação imobiliária empurrava populações para os morros, criando favelas que redesenhariam o mapa da cidade. E foi ali, entre becos e ladeiras, que o samba encontrou novos lares e vozes — subindo as encostas e se espalhando pelos subúrbios com força e identidade.

O bairro do Estácio de Sá, em especial, tornou-se um celeiro de talentos e inovações. De origem popular, com forte presença de negros e mulatos, o Estácio foi o berço dos “antigos malandros” — homens vistos com desconfiança pelas elites, mas que carregavam uma elegância própria, uma esperteza refinada e um gosto musical apurado. O malandro daquele tempo não era apenas um personagem da boemia: era também um artista, capaz de compor um samba inspirado no simples deslizar de uma mulata pela calçada.

E foi ali, naquele bairro que ainda guarda ecos do passado, que viveu o último deles.


 O Último Malandro — Meu Poema

É de manhã no último reduto 

 Sol a pino, como manda o figurino

 O botequim abre suas portas Para receber o famoso malandro! 

 Chega cheio de pose e prosa... 

 Terno de linho branco, rosa na lapela Chapéu panamá com moldura preta Sapato bicolor, salto carrapeta Passos cadenciados na chegada Saúda o velho garçom no balcão Naquelas gírias, com fala macia Senta-se à mesa de sempre Pede uma cerveja Joga um gole para as almas — Epaminondas... Cadê o repórter? — Aí do seu lado, mestre — Trouxe a grana? Que bom... Agora vou falar... 

 Fui boêmio cheio de bravata Do tempo da gravata Também bacana, lá de Copacabana Amigo da noite e de Noel Com jeito moleque Do samba de breque Do tempo em que se escrevia música no papel De embrulho ou de pão — e com a mão! 

 Recinto ritmado e perfumado Morena carioca rebolando Tudo preparado Para despertar o velho malandro Ficou em polvorosa Vendo aquela diva gostosa Velhos tempos... 

Água na boca Inspiração divina Rabiscos no guardanapo Versos benditos, samba-enredo Escolas na avenida Nos dias de glória No bairro do Estácio... 

 Ainda ecoa sua história.

🎩

          

Escrevo como quem recolhe o tempo com as mãos.”

         “Cada linha é um gesto contra o esquecimento.”

         “O silêncio também tem voz — e às vezes, ela escreve comigo.”

 

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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

O SOM DAS SOMBRAS DO PORÃO

NAQUELA NOITE FRIA...


O eco das doze badaladas ressoou pelo quarto de dormir, trazido pelo imponente relógio da família, que há décadas dominava a sala de jantar e estar. Guardião das memórias, soberano em seu ofício, testemunhou incontáveis histórias, jantares memoráveis em que o patriarca, ladeado por sua esposa recatada, guiava os filhos pelas discussões cotidianas à mesa.

Naquela noite fria, o velho mecanismo continuava sua vigília, contando os passos dos habitantes da antiga casa, registrando a transformação das crianças felizes em adultos, que, um a um, foram deixando os pais reféns do último filho. Esse herdeiro solitário, imerso em reflexões furtivas, ouvia as ressonâncias do passado embaladas pelo compasso do relógio.

Enquanto a madrugada avançava, ele fitava a janela e via o tempo esgueirar-se. O sono, inclemente, recusava-se a chegar, e sua mente inquieta viajava em busca de respostas para os caminhos que se abriam à sua frente. Os pais, já muito idosos, haviam abandonado as descidas à sala de jantar. A governanta, tão envelhecida quanto o casal, cumpria suas funções com lentidão, levando-lhes o parco jantar e, ao passar pelo quarto do filho, murmurava que sua refeição estava no forno antes de se retirar.

Uma única badalada anunciou o início daquela madrugada gélida, acompanhada pelo sussurrar sinistro das árvores ao redor da casa. Pensamentos inquietantes começaram a se insinuar. Buscando distração, ele cogitou ligar a televisão, esquecida e quebrada havia anos. Tentou ler o livro à cabeceira, mas a mente fatigada se recusava a seguir a narrativa até o epílogo.

O silêncio, denso e sepulcral, foi rompido por um som vindo da cozinha, atravessando a ampla sala até seu quarto. Um ranger inquietante, como de porta mal fechada, desafiava seus ouvidos. Removendo as cobertas, calçou as chinelas e desceu, pé ante pé, as escadas que ladeavam o incansável relógio. A cada passo, o coração acelerava: teria alguém invadido a casa sem que os velhos percebessem?

Ao chegar à cozinha e acender a luz, a resposta revelou-se menos ameaçadora, mas igualmente intrigante. O velho gato da casa, cambaleando, subia as escadas do porão. Guiado pela curiosidade, ele seguiu o animal até as profundezas escuras, onde a ausência de luz exacerbava o cheiro de umidade e o mistério do lugar.

Munido de um lampião, cuja chama tímida mal dissipava as trevas, o filho desceu ao porão. Lá, encontrou a origem do ruído: uma caixa de papelão cheia de fotografias antigas, usada pelo gato como refúgio. O vento, sibilando pelo respiro na parede, fazia a tampa entreabrir-se e ranger.

Sentou-se em uma velha cadeira, resgatando da caixa fragmentos de seu passado. Cada fotografia parecia reanimar cenas há muito adormecidas: rostos sorridentes, momentos congelados no tempo. Entre sorrisos e lágrimas, separou algumas imagens para compartilhar com o pai, buscando compreender quem eram certos visitantes cujas lembranças se esvaneciam.

No entanto, ao raiar do dia, ao levar o café e as fotos aos pais, a vida reservava um desfecho silencioso e inevitável. Encontrou-os sem vida, marcados pela última badalada do velho relógio, que agora era o único guardião das memórias daquela casa. Restavam-lhe as fotografias e a missão de preservar a história da família – um legado envolto na eternidade dos instantes capturados.


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OS MESTRES DA SABEDORIA E COMPAIXÃO




Desde muito jovem, sempre me senti atraído por figuras que transcendem o tempo, que deixam marcas profundas na história e na alma humana. Mahatma Gandhi é, para mim, uma dessas presenças luminosas. Ao estudar sua trajetória e mergulhar nas crenças orientais sobre os chamados Mahatmas — as "grandes almas" — encontrei não apenas inspiração, mas também um convite à reflexão sobre o verdadeiro sentido da evolução espiritual.


Mahatma Gandhi e os Mahatmas: Reflexões sobre Almas Grandiosas


Um Exemplo de Amor e Resistência.



Mahatma Gandhi foi um dos maiores líderes espirituais e políticos da história moderna. Nascido na Índia, dedicou sua vida à luta pela independência do seu país, enfrentando o domínio colonial britânico com uma arma poderosa e revolucionária: a não violência. Entre as décadas de 1920 e 1940, Gandhi liderou movimentos de desobediência civil e resistência pacífica, baseando-se em um princípio que ele mesmo desenvolveu — o Satyagraha, que significa "a força da verdade".

Sua coragem não estava nas armas, mas na firmeza de seus valores. Ele acreditava que a transformação social só seria verdadeira se viesse acompanhada de uma transformação interior. Gandhi não apenas libertou a Índia, mas também despertou consciências ao redor do mundo. Infelizmente, sua vida foi interrompida de forma trágica, ao ser assassinado por um extremista hindu em 1948. Ainda assim, sua luz permanece viva.

Confesso que meu entusiasmo por sua história se intensificou depois que assisti ao filme sobre sua vida. Ver sua trajetória retratada com tanta sensibilidade e profundidade me tocou profundamente. Foi como se eu pudesse sentir, mesmo à distância, a força de sua alma e a grandeza de seu propósito.

 Almas que Iluminam o Caminho

No Ocidente, pode parecer superstição falar sobre seres elevados, mas no Oriente existe uma crença profunda e respeitada na existência dos Mahatmas — palavra que une Maha (grande) e Atma (alma). São considerados seres de sabedoria incomensurável, que atingiram um grau de perfeição espiritual após inúmeras encarnações e experiências.

Acredita-se que esses seres tenham corpos que duram séculos e almas que atravessam milênios. São vistos como guias silenciosos da humanidade, irradiando compaixão, conhecimento e equilíbrio. Histórias fascinantes circulam sobre eles, e mesmo que não possamos provar tudo com os olhos da razão, há algo profundamente intuitivo e verdadeiro nessa crença.

Eu gosto de pensar que Gandhi foi um desses Mahatmas encarnados — uma alma antiga que veio à Terra para ensinar, curar e transformar. Sua vida é um testemunho de que é possível viver com propósito, mesmo em meio ao caos.

 O Legado que Vive em Mim

Ao contemplar a imagem de Gandhi, sinto que não estou apenas olhando para um homem, mas para uma ideia viva — a de que a paz é possível, que a verdade tem força e que a alma humana pode alcançar alturas inimagináveis. Os Mahatmas, reais ou simbólicos, nos lembram que a perfeição não é um ponto de chegada, mas um caminho de evolução constante.

E eu, como buscador, sigo inspirado por essas grandes almas. Que possamos todos cultivar em nós um pouco da sabedoria, da paciência e da coragem que elas representam.

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ESCRITOR, UMA EXPERIÊNCIA APAIXONANTE

Dançando com as Letras

Palavras que Me
 Habitam

Desde criança, as palavras exercem sobre mim um fascínio que nunca se dissipou. Lembro-me das tardes silenciosas em que me perdia entre livros antigos, imaginando histórias que ainda não haviam sido escritas. A literatura, para mim, sempre foi um refúgio — um universo paralelo onde podia criar mundos, dar voz às emoções e transformar experiências em narrativas.

Foi desse encantamento que nasceu meu desejo de escrever.

No início, eram apenas anotações soltas, pensamentos guardados em cadernos que, com o tempo, se transformaram em pequenas histórias. E então percebi: escrever não era apenas um passatempo — era uma parte essencial de quem eu sou.

Esse amor pelas palavras me proporcionou momentos inesquecíveis. Um deles ocorreu quando fui convidado, por meio de um projeto que conectava escritores e estudantes, a visitar uma escola para falar sobre meu livro Vozes no Silêncio da Noite.

Era uma manhã serena. Ao entrar na sala de aula, senti-me envolvido por uma energia especial — uma mistura de expectativa e nostalgia. Os rostos jovens diante de mim carregavam aquela curiosidade genuína de quem está prestes a descobrir um novo mundo.

Enquanto discutíamos um dos contos, pedi que os alunos lessem trechos e tentassem interpretar seus significados. Era uma troca viva, cheia de olhares atentos e frases que revelavam o despertar do encantamento literário. Foi então que um deles me lançou uma pergunta inesperada:

— Como o senhor se tornou escritor?


Por um instante, silenciei.

“Enquanto o mundo corre, eu caminho — e escrevo o que tropeça.”

A pergunta era simples, mas provocou em mim uma reflexão profunda. Nunca havia realmente parado para pensar na dimensão dessa jornada. Ali, diante daquelas mentes sedentas por inspiração, compreendi com mais clareza o sentido da minha vocação.

Ser escritor não é apenas colocar palavras no papel. É sentir profundamente, reviver experiências, dar forma ao invisível e permitir que outros enxerguem o mundo através de novas perspectivas.

Expliquei a eles que cada autor carrega histórias que se entrelaçam com a própria vida. Alguns se inspiram em romances, outros em contos, outros ainda nas pequenas coisas do cotidiano. No fundo, o escritor é um artesão — alguém que molda emoções em palavras.

A conversa fluiu como um rio tranquilo. E ao final, compartilhei um pensamento que sempre me acompanha:

Nascemos com o dom de escrever, independentemente de nossa origem. Podemos ser empresários, moradores de rua, professores ou estudantes — o talento reside na vontade de transformar sentimentos em palavras.

Com esforço, leitura e entrega, cada escritor constrói seu próprio universo. Dá vida a personagens, a paisagens e a vozes que atravessam o tempo e tocam outras almas.

Ainda guardo na memória o brilho nos olhos daqueles alunos. Saí da escola naquele dia com mais do que a satisfação de ter falado sobre literatura. Levei comigo o prazer de, talvez, ter despertado o sonho de futuros escritores.

Meu Poema

La Perra Gorda

(Uma cena singela, capturada com olhos contemplativos)

Aproximou-se, de forma suave, na varanda.
Veio ao meu encontro com passos lentos.

Cansada, sentou-se ao meu lado.
Seduziu-me com um olhar!

Acompanhei o seu caminhar...
Notei que seu corpo estava diferente.

Caminhou até sua casinha,
bem debaixo da janela da cozinha.

Lá dentro, guardava um segredo:
três perritos!

Negrito, Pedrito e Marquito.



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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

CARTAS IMPERFEITAS, JOGADAS GENIAIS: FILOSOFIA DE UMA VIDA AUTÊNTICA


A SABEDORIA DE VIVER COM O QUE SE TEM

Em um mundo onde as circunstâncias raramente são ideais, a verdadeira força não está em esperar por condições perfeitas, mas em aprender a viver plenamente dentro dos limites que a vida impõe. O controle sobre a própria existência não nasce da ausência de desafios, mas da capacidade de enfrentá-los com coragem e sabedoria.

 Hoje, ninguém vive em condições perfeitas. A vida nos apresenta obstáculos, pressões e momentos de frustração. No entanto, o segredo para ter controle sobre ela está em aceitar essas limitações e agir com inteligência dentro delas. Se você conseguir fazer isso — mesmo quando parece difícil — já estará dando um passo extraordinário.

E se, com o tempo, as circunstâncias melhorarem, melhor ainda. Mas é importante lembrar: a solução definitiva não está apenas nas mudanças externas, e sim na transformação interna.

Haverá um tempo em que todos se sentirão seguros, conscientes de que têm domínio sobre suas próprias vidas. Nesse futuro, as pessoas viverão seu potencial máximo, livres das amarras emocionais e das pressões diárias que hoje as limitam.

Você fará parte desse futuro? Como saber se isso não é apenas um sonho? A resposta está na forma como você escolhe viver agora.

“Há lembranças que não envelhecem — apenas mudam de lugar.”
 
"A vida não é sobre ter boas cartas na mão, mas sobre jogar com maestria as cartas que se tem."

Essa é a arte de viver com propósito, mesmo em meio às imperfeições.
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A FOGOSA LOCOMOTIVA DO TEMPO


FOI COMO EM UM PASSE DE MÁGICA

Como em um passe de mágica, desprendeu-se de seu passado. Toda imponente e barulhenta surgiu na curva do tempo com o som aturdido e abafado, espantando algumas aves que permaneciam à beira da estrada e, para impressionar ainda mais, soltou um apito estridente anunciando a chegada à estação da recordação.

Tudo isso vinha acompanhado de uma fumaça um pouco enegrecida que saia pela chaminé como se fosse um imenso rolo, resultado do esforço descomunal de seu corpo que se apresentava como uma fornalha incandescente, produzindo vapor para alavancar as rodas e movimentar aqueles vagões pelas cidades e sertões em busca do relacionamento entre as pessoas e o progresso produtivo que transportava.

O maquinista e o seu ajudante com o tradicional uniforme sujo de graxa e óleo observavam os manômetros e outros medidores de pressão, espalhados sobre a caldeira e, através do buraco de entrada do combustível, o ajudante ia jogando pequenas toras de lenha na fornalha, para saciar a sede e a fome da imensa máquina obcecada na produção do vapor.

AS LEMBRANÇAS...

Tudo isso remete ao meu tempo de menino, quando na estação de trem da velha Banharão, (hoje não existe mais), tive a oportunidade de ver uma composição capitaneada por uma Maria-Fumaça, ainda operando naquela época, transportando gado naqueles vagões fedorentos, mais bonito de se ver.

Esse passado jamais se apagará de minha memória. Eram as férias que passávamos na fazenda de café do meu avô Giuseppe, situada na cidade de Jaú, onde nasci. Essa época, não muito distante, foi extremamente nostálgica para mim, fez-me divagar e caminhar um pouco pelas estradas de ferro.

Esse tipo de transporte trouxe muitos acontecimentos importantes da nossa história, ajudando a colocar o nosso glorioso Estado de São Paulo, como um dos pioneiros dessa imensa nação.

Assim sendo, durante muitos anos, São Paulo foi forte por causa do café, e chegou onde está porque as ferrovias foram projetadas e baseadas nesse produto, e até hoje, o Brasil é um dos grandes produtores.

Não poderia deixar de mencionar também o transporte de outros materiais e de passageiros, importantíssimos como fator de colonização e oportunidade para que as pessoas pudessem viajar de um ponto a outro, trazendo novos horizontes, de forma a aumentar suas oportunidades de melhoria de vida, baseadas nos interesses dos barões do café.

Após o declínio dessa cultura, a modernização das ferrovias ficou para trás e, aliada ao custo de manutenção, deu lugar a indústria automobilística que levou a degradação muito rápida, o que é uma pena.

Hoje o Brasil está “montado sobre quatro rodas”, e as estradas de ferro foram totalmente extintas e encontram-se sucateadas em galpões e algumas peças nos museus especializados, como em Jundiaí, na antiga Companhia Paulista.

Para não esquecer esse passado, recordo-me da antiga estação de Jundiaí, de onde partíamos para aquelas férias maravilhosas, e ficávamos “arranchados” no casarão dos meus avôs maternos Giuseppe e Domingas, na velha Banharão, distrito da cidade de Jaú, (oh! quantas saudades).

Para escrever essa crônica, estive na estação de Jundiaí em busca de uma foto para ilustrar a matéria e o que encontrei foi apenas uma locomotiva da antiga sorocabana que não me entusiasmou. O que eu vi foi muita desolação, a locomotiva é hoje utilizada apenas para um trem de subúrbio que percorre a cidade de Jundiaí até arrabaldes de São Paulo.

Para enaltecer esse passado glorioso, busquei nos arquivos do Museu Ferroviário, alguma citação sobre a história da Cia Paulista e a estação de Jundiaí e, pude anotar algumas que transcrevo aqui:

A linha tronco da Cia. Paulista foi aberta com seu primeiro trecho até Campinas, em 1872. A partir daí, foi prolongada até Rio Claro em 1876 e depois continuou com a aquisição da E.F. Rio-Clarense em 1892. Prosseguiu com sua linha, depois de expandi-la para a bitola larga até São Carlos em 1922 e Rincão em 1928.

Com a compra da seção leste da São Paulo-Goiaz em 1927, expandiu a bitola larga por suas linhas, atravessando o rio Mogi-Guaçu até Colômbia, cruzando-a de volta até Bebedouro em 1929, chegando finalmente, no Rio Grande em 1930, onde estacionou. Em 1971, a FEPASA passou a controlar a linha, e tudo se acabou...

Os últimos trens trafegaram pela linha até março de 2001, apenas no trecho Campinas-Araraquara.

Com relação à estação, foi inaugurada em 1898, aproveitando um prédio já existente no local, que ficava no final dos terrenos das oficinas da ferrovia, hoje ao lado de um dos viadutos (Ponte São João).

OS PASSEIOS...

Para lembrar ainda mais esse período, recordo-me agora de dois passeios efetuados através de um comboio, carreados por Maria-Fumaça, denominados turísticos, encantando os passageiros até nos dias de hoje, esbanjando muita categoria. O Primeiro foi partindo da estação de Anhumas até Jaguariúna, que nos tempos antigos era o caminho percorrido pelos Bandeirantes, tropeiros e boiadeiros, rumo a Goiás e Mato Grosso.

Para não fugir à regra, esse ramal ferroviário floresceu com os engenhos de cana-de-açúcar e, depois, das enormes plantações de café.

Foi um dia maravilhoso, com muitos componentes da família e amigos dirigindo-se em um microônibus para a estação, onde o mano Luizinho nos aguardava com a Geralda, para iniciarmos a maravilhosa viagem naquele comboio até a cidade de Jaguariúna, culminando com um almoço espetacular no chamado “Bar da Praia”.

Pude ver e sentir com emoção a velha Maria-Fumaça expelindo fogo e brasas pela chaminé que caiam sobre os vagões que acompanhavam a paisagem em uma marcha lenta, mas muito elegante, enquanto ao meu lado um guia da viagem ia contando fatos daquela época.

O pensamento naquele momento foi transportado para a fundação da cidade, onde, por de trás de tudo, havia sempre um coronel; no caso em questão foi o Amâncio Bueno (primo de Campos Salles, que foi presidente da República), que cedeu o terreno para construir a estação em suas terras, atualmente Fazenda Serrinha.

Outro passeio não menos espetacular foi com minha esposa Dijanira La pelas bandas do Rio Grande do Sul, mais precisamente no trecho que vai de Bento Gonçalves a Carlos Barbosa, passando por Garibaldi.

Esse trecho foi recuperado, incluindo toda a composição, em especial a velha Maria Fumaça, que estava abandonada como uma sucata ferroviária. Faz o trajeto referenciado de 23 km, com uma velocidade de 30 km em uma hora e trinta minutos.

O passeio é todo animado por músicos e artistas, com muita degustação de vinho e champagne (na parada em Garibaldi), além de corais Italianos.

Muitos turistas fazem essa viagem. A Maria Fumaça da Serra Gaúcha é o maior sucesso ferroviário de um país que não anda mais nos trilhos!     

🌟 

O Caderno de Toninho Vendramini

É um passeio por memórias, afetos e encantamentos.

Este meu blog não tem capa dura nem páginas numeradas.

Ele vive nas entrelinhas do tempo.

Cada texto é uma fresta — por onde escapa o que ainda pulsa.

Escrevo como quem conversa com o silêncio.

Como quem guarda o mundo em palavras pequenas.

Como quem acredita que lembrar é uma forma de amar.

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ONDE VÔ - UM PRESENTE CHAMADO MEMÓRIA

🌿 Introdução Há lembranças que não se apagam com o tempo — elas se transformam. O que antes foi tristeza, hoje é ternura.  O que foi au...