sábado, 28 de abril de 2012

Som e Cores no Antigo Mercado Municipal


Atualmente tem como denominação o Centro das Artes.

Antigamente esse espaço abrigou a primeira exposição vitivinícola. Posteriormente passou a funcionar o novo, (naquela ocasião) Mercado Municipal, porem, com o desenvolvimento da cidade, a Rua Barão de Jundiaí, uma das principais do Município, não mais comportava um mercado e então foi desativado, passando a ser um depósito da Prefeitura.

Somente em Março de 1981 é que foi inaugurada dentro de suas dependências o Centro das Artes e em seu bojo, à sala de espetáculos Glória Rocha.
 
Foi então que acompanhando a evolução dos tempos, acontecida em todo o espaço tradicional da cidade, que aconteceu a reinauguração, ocorrida em agosto de 2001. Toda a área interna do prédio foi revitalizada, conta agora com um espaço para galerias de artes e novos jardins, contendo bancos para os visitantes acomodarem-se e apreciar o vai e vem das pessoas em busca de seus afazeres e descanso no qual me incluiu em uma dessas tardes preguiçosas de muito calor.
 
Em um dado momento chegou uma mocinha com um violão a tira colo, sentou-se em um dos bancos, retirou a capa do instrumento e começou a dedilhar as cordas sob as vistas das pessoas que ali se encontravam. Afina o som aqui, acolá, balbuciando alguns “lalilarás”; já ao redor da moça percebi a chegada de mais gente, e até algumas pessoas que tem ali o seu trabalho.
 
Após o seu “aquecimento”, veio os “acordes” de uma canção completa, enchendo de efervescência, com o som se aninhando pelo ambiente, transformando tudo em cores naquela tarde, com uma graciosa melodia que penetrava nos ouvidos e ecoava sobre as armações de ferro que sustenta o telhado, perpetuando um estilo de arquitetura que foi preservado, dando um ar de imponência, mostrando como era naqueles tempos.
 
Não demorou muito chegou um cafezinho para a moça, servido pelo garçom da lanchonete em frente ao local, parece que era uma espécie de pagamento pelos belos momentos que todos estavam apreciando e que se desenrolava com outras musicas. Logo em seguida, veio à voz com uma trilha sonora bem cadenciada. Terminada a canção, alguém de um dos bancos perguntou:

- Com o é o nome dessa canção?
 
- É Pássaro de Fogo disse ela, que ficou conhecida na voz da cantora Paula Fernandes, o autor é o Silvano Sales.   

Reproduzo aqui algumas frases que consegui captar no momento de sua apresentação:
 

Vai delirar de amor.

Sentir o meu calor.

Vai me pertencer.

Sou pássaro de fogo.

Que canta ao seu ouvido.
 

Vou ganhar esse jogo.

Amando feito um louco.

Quero o teu amor.
 

Após responder a outra pergunta de um ouvinte que tinha somente dezesseis anos, comentou que vinha ali em algumas tardes mostrar o seu talento, com o objetivo das pessoas ficarem com seu endereço. Disse também que estava na cidade apenas alguns meses, uma vez que por um desatino, deixou a banda que participava em São Paulo.

Em outra canção cantou uma frase, “de olhos abertos e por onde andei” querendo dizer talvez o equívoco dos caminhos percorridos, buscando aqui na cidade uma nova oportunidade. Qual seria o seu nome? Como não foi dito e nem perguntado, ficou como a moça da tarde que cantarolou umas músicas em um dos nobres espaços culturais da cidade.
 
Quando estava me retirando passei por um painel onde estavam postados fotos comemorativas do centenário do Teatro Polytheama, que a partir daquela época (1911), apresentava peças teatrais memoráveis.
 
Trata-se de um dos destaques de nossos espaços culturais, onde os Jundiaienses sentem-se orgulhosos por ter recuperado esse patrimônio oferecendo aos artistas e ao povo um local agradável com conforto e segurança.
 
Foi reinaugurado em dezembro de 1996, abrigando em suas modernas instalações, aparelhagem de primeira linha propiciando um som de qualidade, muito importante na apresentação dos artistas.

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