sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O VÉIO CHARULETA

 

O "Véio" Charuleta

Em um dia em que as recordações se apoderaram de minha mente, percorri a estrada dos primeiros passos da minha vida profissional. Foi então que me veio à lembrança uma figura inesquecível da empresa onde trabalhei: conhecido em todos os departamentos, sempre sorridente, sempre disposto a uma boa conversa. Era o “veio charuleta”, como gostava de ser chamado.

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VAMOS TODOS A SEGUIR, AO CLÍMAX DA CRÔNICA 

Durante décadas, sua presença foi constante. O som da sua risada ecoava pelos corredores, e todos sabiam que, se precisassem de uma palavra amiga, bastava procurá-lo. Mas chegou o momento inevitável: o aviso da aposentadoria. O RH recebeu a carta oficial da previdência e, com ela, veio a notícia de que sua vida mudaria. Os vencimentos seriam menores, bem inferiores ao que recebia na empresa. Ainda assim, era o início de uma nova etapa.

Naquela manhã, saiu da fábrica com a carta em mãos e foi assinar os papéis. No caminho, porém, um pensamento o atormentava:
E agora? Trabalhei trinta e cinco anos, todos me conhecem... o que vou fazer da vida?

Ao chegar em casa, não contou nada à esposa. Guardou o segredo como quem guarda uma ferida. No dia seguinte, repetiu a rotina: levantou cedo, vestiu-se como sempre e pegou o ônibus da empresa. Os colegas estranharam:
Charuleta, você não se aposentou?
Ele desconversou, dizendo que tinha pendências no RH. Mas ao chegar ao portão, seu crachá já não abria a catraca. Ficou ali, conversando com os porteiros, como quem não queria aceitar a realidade.

Decidiu então inventar uma nova rotina. Todos os dias pegava o ônibus, descia em frente à fábrica e seguia para a praça vizinha, onde havia um lago. Comprou uma vara de pescar e ali passava as horas, enganando a si mesmo e à esposa, que acreditava que ele ainda trabalhava. Os peixes que pescava eram entregues ao bar da esquina, e o garçom os preparava para o almoço.
Mais um, seu Charuleta? — perguntava o garçom, já cúmplice silencioso daquela farsa.
É, rapaz... peixe fresco nunca faz mal. — respondia ele, com um sorriso que escondia a angústia.

Mas um dia, sua ausência foi notada. O banco da praça estava vazio, o lago refletia apenas o céu, e o silêncio parecia mais pesado sem sua figura ali. Um garoto, que sempre passava e o observava pescando, estranhou não vê-lo. Inquieto, foi até a portaria da fábrica e perguntou aos porteiros:
Vocês viram o Charuleta hoje?

O Big Pig, porteiro mais antigo, respondeu com naturalidade:
Ontem ele foi ver o jogo do Corinthians... até agora não voltou.

A resposta simples abriu espaço para o mistério. Onde estaria o Charuleta?

Na fábrica, durante os horários de refeição, o assunto dominava as conversas. “Onde estaria o veio charuleta?”, perguntavam uns aos outros. Alguns diziam que o tinham visto vagando pela manhã na porta do cemitério, como se buscasse respostas entre os túmulos. Outros juravam que o viram na estação de trem, com um bilhete na mão para um destino que nem ele parecia saber qual era.

Houve ainda quem jurasse que, numa noite silenciosa, ele apareceu na portaria. Aproveitando a ausência dos vigilantes, vestiu-se com o uniforme esquecido numa cadeira e ficou ali, de pé, recebendo os trabalhadores do turno da madrugada. Cumprimentava cada um com alegria, como se ainda fosse parte da rotina da fábrica. Mas quando o Big Pig voltou ao posto, encontrou apenas o uniforme pendurado e o portão vazio.

Outros relatos falavam de sua tentativa de passar pela catraca com o crachá antigo. No cartão, além da foto já desbotada, havia colado um distintivo do Corinthians ao lado do símbolo da empresa. Ele dizia sempre:
Sou trabalhador e corinthiano aqui.

Mas a catraca não reconhecia mais aquele crachá. O som seco da negativa parecia simbolizar o fim de uma era. Ainda assim, alguns garantem que, em noites silenciosas, o barulho da catraca ecoava como se alguém insistisse em atravessá-la.

Com o tempo, sua ausência deixou de ser apenas uma preocupação. Tornou-se um mistério, uma história repetida nos corredores e nos refeitórios. Uns diziam que ele vagava pela porta do cemitério, outros que embarcara num trem sem destino. Para alguns, era apenas um homem que não soube aceitar a aposentadoria. Para outros, era já uma lenda da fábrica, um espírito que não conseguia se desligar do trabalho que lhe deu identidade.

Epílogo

O veio Charuleta não desapareceu de verdade. Ele permanece na memória de todos que o conheceram, como um símbolo da dificuldade de se despedir daquilo que nos define. Entre o crachá desbotado e o distintivo do Corinthians, entre o lago da praça e a catraca da fábrica, ele se tornou parte da paisagem invisível da cidade.

Talvez nunca saibamos onde foi parar. Mas sempre que alguém pergunta “Onde estaria o veio Charuleta?”, é como se sua presença voltasse, sorridente, lembrando-nos que o trabalho é mais do que sustento: é também identidade, e que se despedir dele pode ser tão difícil quanto se despedir da própria vida.

Contos são obras e textos de ficção, onde é permitido criar um universo paralelo de acontecimentos, fantasias e muita imaginação. Esses tipos de textos costumam ser curtos em extensão, porém seus significados nos fazem pensar e refletir muito...

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sábado, 29 de agosto de 2026

O BAR DA ESQUINA E O LOBÃO DA MADRUGADA

 

O Bar da Esquina e o Lobão da Madrugada

(Uma crônica de saudade e poesia)

Há histórias que resistem ao tempo, mesmo quando os bares fecham, as ruas mudam e as memórias parecem se dissolver no concreto. São histórias de boêmios, de músicos, de poetas — figuras que viveram intensamente a noite e deixaram marcas invisíveis nos corações que os ouviram. Alfredo Lobão é uma dessas presenças. E, ao narrar sua trajetória, não posso deixar de lembrar o soneto que recebi de meu amigo poeta de Portugal, Jorge Humberto, que parece dialogar com a alma errante de Alfredo, como se fosse o eco de sua própria madrugada.

Tem mais a seguir:


O Bar da Esquina e o Lobão da Madrugada

Naquela rua esquecida pelo progresso, onde os postes acesos pareciam resistir ao tempo como velhos guardiões da memória, havia um bar que não tinha nome — apenas uma placa torta com a palavra “Cerveja” escrita à mão. Era ali que Alfredo Lobão reinava todas as noites, como um rei sem trono, mas com violão.

Alfredo não era bonito. Nem elegante. Mas tinha algo que os outros não tinham: presença. Chegava sempre com o mesmo ritual — violão nas costas, cigarro apagado no canto da boca, e um olhar que misturava melancolia com malandragem. Os cabelos desgrenhados e a barba de vários dias compunham o figurino de um boêmio que já não se importava com o espelho, mas sim com o aplauso da rapaziada.

Sentava-se à mesa de madeira encostada na calçada e começava a tocar. Não pedia licença. Não fazia cerimônia. Alfredo era da velha guarda, daqueles que acreditavam que a música cura, conquista e embriaga mais que qualquer bebida. E quando soltava seus urros entre os acordes — que ele chamava de “afinadas de alma” — o bar virava palco, e a rua, plateia.

Os Amores e as Mentiras

Alfredo dizia que já tivera mais de cem mulheres. Algumas ele nomeava com carinho: “A Lúcia do samba”, “A Neide da praia”, “A Marlene do vestido vermelho”. Outras ele inventava na hora, só para impressionar os novatos. Mas todos sabiam que, no fundo, Alfredo era um romântico incurável, desses que se apaixonam por um sorriso e sofrem por um olhar que não volta.

Tinha um jeito peculiar de conquistar: cantava uma música, oferecia um gole de cachaça e contava uma história triste. Era irresistível — não pela beleza, mas pela autenticidade. Alfredo não fingia ser o que não era. E isso, às vezes, bastava.

A Musa da Passarela

Numa dessas noites de lua cheia, quando o mar parecia sussurrar segredos à areia, ela apareceu. A moça da cidade grande. Blusa azul, decote generoso, calça preta colante e salto alto que fazia o toc-toc ecoar como tambor de desfile. Caminhava pela passarela de madeira como quem sabe que está sendo vista. E era.

Os corações solitários se agitavam. Os copos tremiam. E Alfredo, como se tivesse recebido um chamado divino, parou de tocar. Olhou. Sentiu. E compôs.

A música nasceu ali, entre um gole e um suspiro. E quando ele cantou, a moça parou. Sorriu. E seguiu. Alfredo nunca soube seu nome. Mas naquela noite, ela virou eternidade.

O Último Uivo

Os anos passaram. O bar fechou. A rua ganhou asfalto. A passarela virou calçada de concreto. Mas Alfredo continuou indo, mesmo sem plateia. Sentava-se com seu violão e cantava para o vento, para o mar, para as lembranças.

Diziam que ele ainda esperava a moça da blusa azul. Que ainda afinava a garganta com urros. Que ainda acreditava que uma boa música podia mudar tudo. E talvez pudesse.

Porque Alfredo Lobão não era apenas um seresteiro. Era um monumento à boemia, à saudade e ao amor sem medida. Um conquistador de almas, mesmo que a sua estivesse sempre um pouco partida.

O Soneto do Lobo Solitário

E foi nesse espírito que recebi de Jorge Humberto, poeta português, um soneto que parece ter sido escrito para Alfredo — ou talvez para todos os boêmios que caminham sozinhos pela noite, embalados pela música e pela saudade:

EU SOU COMO UM LOBO SOLITÁRIO

Eu sou como um lobo solitário
Que erra sozinho na noite ao luar -
E por sobre ramos subtil e devagar
Sou a sombra, dada ao imaginário.

Minha fome são as paisagens
Ao longe, Alfa e Beta me reconheço,
Sou profano sagrado e intenso
Na imensidão dos nós as ramagens.

E à noite quando o mar conspira
No silêncio das praias a me envolver,
É nelas que encosto todo o meu ser

E em cada coisa que existe e respira
Sou a calma que observa e persiste
E na alma um fogo que ainda insiste.

Jorge Humberto – 28/08/2026

Epílogo

Alfredo Lobão e o lobo solitário de Jorge Humberto se encontram aqui, na mesma narrativa. Um boêmio da esquina e um poeta da madrugada, unidos pela música e pela palavra. Ambos representam uma geração que já ficou no passado, mas que continua viva na memória dos que ainda acreditam que a noite guarda segredos, que a poesia resiste e que a boemia é, no fundo, uma forma de eternidade.

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sábado, 22 de agosto de 2026

A NOITE EM QUE A "MULA SEM CABEÇA" PASSOU




Nel silenzio della memoria, racconto i segreti di Banharão. Il passo della mula senza testa risuona ancora nel cuore.

(No silêncio da memória, conto os segredos de Banharão. O trote da mula-sem-cabeça ainda ecoa no coração)

Memórias e Mistérios da Velha Banharão, o texto vem logo a seguir:

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VAMOS  A  ELAS

Histórias guardam um poder raro: o de manter vivos aqueles que já partiram. Quando a lembrança é compartilhada, ela transforma o passado em presente e o cotidiano em encantamento. Este texto é mais do que uma homenagem ao meu avô Tonella e à minha avó Santa—é um tributo à magia oral, à sabedoria ancestral e ao mistério que ronda os cantos esquecidos do Brasil profundo.

Tive a felicidade de conviver muito de perto com Tonella, pois morávamos juntos com minha família e compartilhávamos o mesmo quarto até o dia de seu falecimento, quando eu tinha dezesseis anos. Essa convivência me permitiu conhecer, em detalhes, suas histórias, sua força e sua essência.

Tonella tinha o dom de contar causos e “estórias” de sua vida no sertão da velha Banharão, distrito da cidade de Jaú, onde nasceu a maioria dos nossos parentes. Seus relatos eram vívidos, cheios de emoção, e conseguiam transportar qualquer ouvinte para tempos remotos, onde bravura e mistério se entrelaçavam.

Com o avançar da idade, já sem forças para cuidar da plantação de café e dos animais, a família decidiu mudar-se para Jundiaí em busca de melhores condições de vida. Na juventude, porém, meu avô era um homem forte e destemido. Sua especialidade era treinar cavalos para espetáculos circenses, além de domar burros e mulas para o árduo trabalho nas lavouras. Essa habilidade lhe rendeu fama na região e bons ganhos financeiros, permitindo-lhe até comprar um Ford "Bigode" novinho. Curiosamente, apesar da coragem para enfrentar animais selvagens, ele tinha receio de dirigir o carro, deixando essa tarefa para meu pai, Vico.

Minha avó, segundo o velho Tonella, era uma benzedeira convicta e também parteira. Com o tempo, aperfeiçoou seus rituais, incorporando gestos e palavras que conferiam um toque ainda mais místico às suas práticas. Ela molhava ramos de uma planta do quintal em "água benta" e os agitava sobre a cabeça das pessoas, pronunciando palavras que pareciam vir de um tempo esquecido.

A tradição das mulheres benzedeiras da família remonta a gerações e tem raízes profundas nas terras europeias, mais precisamente nos confins da cidade de Treviso, na bela Itália. No entanto, com o passar dos anos e a chegada do modernismo, as jovens descendentes se afastaram das crenças antigas, deixando que a tradição se perdesse pelos caminhos da vida.

Ainda sobre os trabalhos de benzedura de minha avó, era comum ver gente vinda de longe para passar pelas suas mãos, buscando cura ou um bom parto. Durante o ritual, ela balbuciava frases em um idioma ancestral e difícil de compreender. Acreditava-se que aqueles que se sentavam no pequeno banco de madeira para receber suas bênçãos poderiam ter visões da temida mula-sem-cabeça. E então, instigados pelo medo e pelo misticismo, confessavam seus pecados e saíam dali acreditando estarem livres de seus males.

O tropel da mula-sem-cabeça, segundo meu avô, era um aviso. Quando o "doente" ouvia o som inquietante dos cascos rodeando a casa, era proibido olhar, nem mesmo por uma fresta da janela, sob o risco de ficar cego. As histórias contadas por minha avó eram envoltas em mistério e temor, e geravam respeito entre os que buscavam sua ajuda.

Ainda segundo Tonella, minha avó—ou mia nonna, meglio conosciuta come la vecchia signora—alertava sobre os perigos do pecado: moças que se entregassem a um amor proibido antes do casamento, comadres que se envolvessem com compadres, ou mesmo uma mulher que se casasse com um padre, todas estavam fadadas a se transformar na terrível mula-sem-cabeça.

Dizia também que ela aparecia nas noites de sexta-feira e, ao encontrar um pecador, sugava-lhe os olhos, as unhas e os dentes, soltando fogo pelas narinas. Se a vítima sobrevivesse, acreditava-se que a cura havia sido alcançada. E para aqueles que, tomados pelo medo, desejavam evitar o encontro com a criatura, bastava não cruzar correndo diante de uma cruz à meia-noite.

Mio Gran Finale:

Os mitos e lendas brasileiras percorrem os lares de nosso povo, despertando temor e alimentando a imaginação, assim como fazia minha avó Santa e seu fiel escudeiro, o marido, meu avô Tonella. Essas histórias vagam por diversos lugares ao mesmo tempo, mudam nomes e características, mas nunca desaparecem. Permanecem vivas, misturando-se às crendices e ao lado sombrio do inconsciente coletivo.

E enquanto houver alguém disposto a ouvir e lembrar, o tropel da mula continuará ecoando pelas noites da memória.


"Não escrevo para recuperar o passado, e sim, para impedir que certas pessoas desapareçam. Meus contos não colecionam heróis; recolhem aqueles homens e mulheres que a vida colocou discretamente à margem, mas que continuam sustentando a memória de um país. Talvez seja essa a missão mais bonita da literatura: salvar do esquecimento aquilo que parecia pequeno demais para a História.

"Cada interpretação abre uma janela para novos horizontes."

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

PORTUGAL EM VERSOS

O Chá das Cinco

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Um Ritual Britânico de Elegância e Tradição.

Uma herança portuguesa na corte inglesa.

O famoso chá das cinco é muito mais do que uma bebida: é um ritual britânico que atravessa séculos e se tornou símbolo de elegância e convivência. Assim como a Torre de Londres ou o Big Ben, ele faz parte da identidade cultural da Inglaterra.

Pouca gente sabe, mas essa tradição nasceu graças a uma portuguesa. Em 1662, o rei Carlos II casou-se com a princesa Catarina de Bragança, filha de D. João IV de Portugal.

Apaixonada pelo chá que os portugueses já traziam do Oriente, Catarina levou consigo uma arca de chá chinês para a corte inglesa. A novidade conquistou rapidamente os ingleses e, em pouco tempo, transformou-se em hábito nacional.

A popularização do “afternoon tea No século XVIII, o chá já era a bebida preferida da Inglaterra. Mais tarde, no século XIX, a duquesa de Bedford popularizou o costume de servir chá acompanhado de bolos, pães e biscoitos no fim da tarde — e assim nasceu o tradicional “afternoon tea”, que conhecemos hoje como chá das cinco.

O ritual não é apenas sobre beber chá. É sobre desacelerar, reunir amigos, conversar e saborear pequenos prazeres. Até hoje, hotéis e casas de chá em Londres oferecem experiências completas, com porcelanas delicadas, sanduíches finos e doces irresistíveis. É um convite para viver um momento de pausa e sofisticação.

Ingredientes:
•  2 colheres de chá preto (Earl Grey ou Darjeeling são clássicos)
•  500 ml de água filtrada
•  Leite (opcional, mas muito usado na Inglaterra)
•  Açúcar ou mel a gosto
Modo de preparo:
1.  Aqueça a água até começar a ferver.
2.  Coloque o chá em uma bule ou infusor e despeje a água quente por cima.
3.  Deixe em infusão por 3 a 5 minutos, dependendo da intensidade desejada.
4.  Coe e sirva em xícaras de porcelana.
5.  Acrescente um pouco de leite, se quiser seguir o costume britânico, e adoce a gosto.

Um convite à experiência

Mais do que uma tradição, o chá das cinco é uma celebração da convivência e da elegância britânica. Preparar o chá em casa é uma forma deliciosa de trazer um pouco desse ritual para o cotidiano — e viver, mesmo à distância, o charme de uma tarde londrina.

Palavras que viajam, sabores que ficam

Meus textos são como malas abertas: cheios de lembranças, ideias e sabores.

E para traduzir em versos o que a prosa apenas sugere, deixo aqui Jorge Humberto, poeta português, que nos oferece este entardecer:

ENTARDECER

Depois da luz do sol galgar a fachada de
Minha casa
E depois de sua luz cobrir o telhado
É quando desmaiando e já sombra melíflua
(Mastigando lentamente as varandas da
Minha casa)

Que a luz envergonhada ainda flanqueia os lados
- À esquerda e à direita – de cada esquina
Nos cantos das traseiras puras límpidas e azul celeste da
Minha casa.

Jorge Humberto
15/08/2026

Meu Comentário sobre “Entardecer" Neste soneto, Jorge Humberto captura com delicadeza o instante em que a luz do sol se despede da casa, transformando fachadas e varandas em cenário poético. A descrição da luz que “desmaia” e se torna “sombra melíflua” transmite uma sensação de transição suave, quase musical, entre o dia e a noite. O poema valoriza o cotidiano — a casa, suas esquinas e telhados — elevando-o à condição de paisagem lírica. É um entardecer íntimo, contemplativo, onde a simplicidade dos elementos ganha profundidade estética e emocional.



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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

LISBOA: ENTRE BECOS, CALÇADAS E SACADAS

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Lisboa é uma cidade que respira história em cada esquina. Os bairros tradicionais, situados em sua maioria no coração da capital, preservam uma identidade única que atravessa séculos. 

Palavras que viajam, sabores que ficam

Meus textos são como malas abertas: cheios de lembranças, ideias e sabores — Que este e-mail te inspire a explorar, sentir e saborear cada detalhe.


Passear por eles é como folhear um livro vivo, onde cada rua guarda memórias de reis, navegadores e poetas.
Curiosidade: sabia que muitas das calçadas portuguesas, com seus mosaicos em pedra branca e preta, foram inspiradas nas ondas do mar? Esse estilo nasceu no século XIX e hoje é um dos símbolos mais reconhecidos da cidade.
A capital portuguesa ostenta monumentos de rara beleza, que convidam à contemplação e ao estudo. Esculturas, igrejas e praças revelam estilos arquitetônicos diversos, do manuelino ao barroco, perpetuando o romantismo e a grandiosidade de uma cidade que foi centro de um império.
Durante os Descobrimentos, Lisboa atingiu seu auge de riqueza e poder, tornando-se um porto mundial e guardando até hoje um patrimônio que encanta visitantes e moradores.

 O Poema 

Inspirado pelos encantos dos becos e ruelas lisboetas, este poema de minha autoria, escrito após uma caminhada contemplativa pelas ruas da Lisboa antiga.

Lisboa antiga!
Beco da bica, sinuoso e tortuoso.
Pessoas observando,
debruçadas nas janelas,
nas românticas ruelas.
Saudades de um passado:
das velhas senhoras e seus fados,
do burburinho matinal.
Jogam milho nas calçadas
para ouvir o arrulhar dos pombos,
sentindo o panorama de outrora.
Velhas sacadas lisboetas,
com risonhos sonhos
de olhares lusitanos.
 Final Surpreendente
Lisboa não é apenas uma cidade: é um mapa emocional que cada visitante traça ao caminhar por seus becos e calçadas. É memória viva, é poesia que se renova a cada olhar. Quem descobre Lisboa não leva apenas lembranças, mas carrega consigo um pedaço da alma lusitana.


Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.

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O VÉIO CHARULETA

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