sábado, 15 de novembro de 2025

A MOÇA DA TARDE NO MERCADO DAS MEMÓRIAS



a moça da tarde
Som e Cores no Antigo Mercado Municipal

No coração de Jundiaí-SP, entre os ecos da história e os acordes da cultura, ergue-se um espaço que já foi palco de encontros comerciais, exposições vitivinícolas e hoje pulsa como centro artístico: o antigo Mercado Municipal, atual Centro das Artes. Mais do que um prédio, ele é testemunha silenciosa da transformação urbana e da alma vibrante da cidade.

 Da feira ao espetáculo
Do antigo ao Moderno
Antigamente, esse espaço abrigou a primeira exposição vitivinícola da região. Com o tempo, tornou-se o novo Mercado Municipal, movimentando a Rua Barão de Jundiaí — uma das principais vias da cidade. Porém, com o crescimento urbano, o local deixou de comportar o fluxo comercial e foi desativado, passando a servir como depósito da Prefeitura.

Somente em março de 1981, o prédio ganhou nova vida com a inauguração do Centro das Artes, abrigando em seu interior a sala de espetáculos Glória Rocha. Em agosto de 2001, acompanhando a evolução dos tempos e o resgate da memória cultural, o espaço foi reinaugurado com jardins revitalizados, bancos acolhedores e galerias de arte que convidam à contemplação.
 
Uma tarde de calor e melodia
Foi em uma dessas tardes preguiçosas e quentes que me sentei em um dos bancos do jardim, observando o vai e vem das pessoas. De repente, uma jovem chegou com um violão a tiracolo. Sentou-se, retirou a capa do instrumento e começou a dedilhar as cordas, afinando o som entre balbucios de “lalilarás”.

Aos poucos, o ambiente se transformou. Pessoas se aproximaram, curiosas. Trabalhadores do entorno pararam para ouvir. E então vieram os acordes completos — uma canção suave e envolvente que se aninhava pelo espaço, ecoando nas armações de ferro do telhado, preservadas como testemunhas da arquitetura original.

Um garçom da lanchonete próxima trouxe um cafezinho à moça, como se fosse um tributo à beleza do momento. Logo, sua voz se somou ao violão, criando uma trilha sonora cadenciada que encantava os presentes.

— Como é o nome dessa canção? — perguntou alguém.
— “Pássaro de Fogo”, respondeu ela. “Ficou conhecida na voz da Paula Fernandes, mas o autor é Silvano Sales.”
 Vozes que ecoam
Reproduzo aqui alguns versos que consegui captar:

Vai delirar de amor.
Sentir o meu calor.
Vai me pertencer.
Sou pássaro de fogo.
Que canta ao seu ouvido.
Vou ganhar esse jogo.
Amando feito um louco.
Quero o teu amor.

A jovem contou que vinha ali em algumas tardes para mostrar seu talento, esperando que alguém se interessasse por seu trabalho. Estava na cidade há poucos meses, após deixar uma banda em São Paulo por um desatino. Em outra canção, cantou: “de olhos abertos e por onde andei” — talvez um reflexo dos caminhos incertos que a vida lhe impôs.

Seu nome? Não foi dito. E ninguém perguntou. Ficou como a moça da tarde que cantarolou músicas em um dos nobres espaços culturais da cidade.
 Memória e orgulho
Ao me retirar, passei por um painel com fotos comemorativas do centenário do Teatro Polytheama, inaugurado em 1911. Um dos maiores orgulhos culturais de Jundiaí, o teatro foi reinaugurado em dezembro de 1996, com modernas instalações e equipamentos de primeira linha, oferecendo som de qualidade e conforto aos artistas e ao público.

O Centro das Artes e o Teatro Polytheama são mais do que espaços físicos — são guardiões da memória, da expressão e da beleza que resiste ao tempo.
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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais
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Antonio Vendramini Neto – Face Book.

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