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sexta-feira, 4 de abril de 2025

SOLAR DO BARÃO


O Solar do Barão

Ao revisitar meus arquivos de crônicas antigas escritas para veículos de comunicação, deparei-me com anotações sobre um texto intitulado O Solar do Barão. Para minha surpresa, constatei que ele nunca foi publicado, embora não recorde o motivo. Corria o ano de 2012, mais precisamente o mês de outubro, quando o Museu completava seu sesquicentenário. A data foi marcada por uma exposição de fotos aberta ao público.

Adentrando ao casarão, fui recebido por um cicerone, que gentilmente me forneceu informações preciosas. Anotei tudo em um bloco e guardei as anotações em uma gaveta da minha escrivaninha. Ao revisá-las anos depois, percebi que a palavra Solar estava em destaque, motivando-me a pesquisar sobre seu significado.

O termo Solar, descobri, refere-se a uma casa de família nobre ou uma residência antiga de grande luxo e conforto, de acordo com a época. Esses solares podiam ser habitados por nobres ou famílias da elite tradicional, como a de Antonio de Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí. Pertencente ao "ciclo do café", o casarão foi doado pela família à Associação das Irmãs de São Vicente de Paula, que o alugou à Prefeitura Municipal de Jundiaí. Assim, tornou-se o museu local.

Quando jovem, frequentando a Praça Governador Pedro de Toledo, que dava acesso ao antigo Cine Ipiranga, costumava passar em frente àquela construção imponente. Admirava sua arquitetura e imaginava os tempos de glória, quando o Barão recebia figuras famosas, como o imperador D. Pedro II. Apesar de descrito por alguns como bonachão e despreocupado com a governabilidade, acredito, após ler sua biografia, que ele foi um ilustre brasileiro, impulsionando o progresso necessário para o desenvolvimento do país na época.

Mas voltando ao casarão, lembro-me de vê-lo em avançado estado de ruínas, com o telhado destruído e sinais evidentes de deterioração. Historiadores e influentes da sociedade uniram forças com a Prefeitura para salvar o patrimônio, culminando em sua reforma e reinauguração em 1965.

O padre Antonio Maria Stafuzza foi o fundador do museu, atualmente administrado pela Secretaria Municipal de Cultura. Professores, colaboradores e historiadores lideram o trabalho de preservação e organização de exposições nas diversas salas do casarão, que também empresta seu nome à rua onde está localizado.

Após a visita às salas do casarão, explorei o jardim nos fundos. Lá, um pátio tranquilo exibe vestígios de um muro construído em taipa, um tipo de técnica arquitetônica que ainda hoje impressiona arquitetos e engenheiros. Arborizado e silencioso, o local oferece um refúgio no movimentado centro da cidade. Um convite ao descanso e à contemplação, onde o pensamento se solta e busca inspirações de um passado distante.

Salve os idealizadores e mantenedores deste patrimônio, que entregaram à cidade essa construção revitalizada, onde a cultura poética flui harmoniosamente.


SOLAR DO BARÃO

O Solar do Barão Ao revisitar meus arquivos de crônicas antigas escritas para veículos de comunicação, deparei-me com anotações sobr...