O Solar do Barão
Ao revisitar
meus arquivos de crônicas antigas escritas para veículos de comunicação,
deparei-me com anotações sobre um texto intitulado O Solar do Barão. Para minha
surpresa, constatei que ele nunca foi publicado, embora não recorde o motivo.
Corria o ano de 2012, mais precisamente o mês de outubro, quando o Museu
completava seu sesquicentenário. A data foi marcada por uma exposição de fotos
aberta ao público.
Adentrando ao
casarão, fui recebido por um cicerone, que gentilmente me forneceu informações
preciosas. Anotei tudo em um bloco e guardei as anotações em uma gaveta da
minha escrivaninha. Ao revisá-las anos depois, percebi que a palavra Solar
estava em destaque, motivando-me a pesquisar sobre seu significado.
O termo Solar,
descobri, refere-se a uma casa de família nobre ou uma residência antiga de
grande luxo e conforto, de acordo com a época. Esses solares podiam ser
habitados por nobres ou famílias da elite tradicional, como a de Antonio de
Queiroz Telles, o Barão de Jundiaí. Pertencente ao "ciclo do café", o
casarão foi doado pela família à Associação das Irmãs de São Vicente de Paula,
que o alugou à Prefeitura Municipal de Jundiaí. Assim, tornou-se o museu local.
Quando jovem,
frequentando a Praça Governador Pedro de Toledo, que dava acesso ao antigo Cine
Ipiranga, costumava passar em frente àquela construção imponente. Admirava sua
arquitetura e imaginava os tempos de glória, quando o Barão recebia figuras
famosas, como o imperador D. Pedro II. Apesar de descrito por alguns como
bonachão e despreocupado com a governabilidade, acredito, após ler sua
biografia, que ele foi um ilustre brasileiro, impulsionando o progresso
necessário para o desenvolvimento do país na época.
Mas voltando ao
casarão, lembro-me de vê-lo em avançado estado de ruínas, com o telhado
destruído e sinais evidentes de deterioração. Historiadores e influentes da
sociedade uniram forças com a Prefeitura para salvar o patrimônio, culminando
em sua reforma e reinauguração em 1965.
O padre Antonio
Maria Stafuzza foi o fundador do museu, atualmente administrado pela Secretaria
Municipal de Cultura. Professores, colaboradores e historiadores lideram o
trabalho de preservação e organização de exposições nas diversas salas do
casarão, que também empresta seu nome à rua onde está localizado.
Após a visita às
salas do casarão, explorei o jardim nos fundos. Lá, um pátio tranquilo exibe
vestígios de um muro construído em taipa, um tipo de técnica arquitetônica que
ainda hoje impressiona arquitetos e engenheiros. Arborizado e silencioso, o
local oferece um refúgio no movimentado centro da cidade. Um convite ao
descanso e à contemplação, onde o pensamento se solta e busca inspirações de um
passado distante.
Salve os
idealizadores e mantenedores deste patrimônio, que entregaram à cidade essa
construção revitalizada, onde a cultura poética flui harmoniosamente.