O Paletó Brilhante do
Suposto
Cantor Italiano
uma mistura de ficção e realidade
Em uma ocasião de um tempo que já não lembro mais, havia
em uma tradicional cidade circunvizinha, onde resido, festas marcando a época
das imigrações das famílias da Vecchia Signora. Nesse recanto, um tradicional
restaurante todo rustico coberto de sape cercado de toras de eucaliptos, tendo
no fundo um pequeno palco onde se apresentavam cantores oriundos do continente
europeu e em outras ocasiões os do Brasil da velha guarda metropolitana.
Em uma dessas noites recebi um convite de um amigo
italiano informando que naquele dia haveria uma caravana com gente de sua
pátria e outros aqui radicados, que se apresentariam naquele belo lugar. Esse
amigo, sua esposa, eu e a minha, nos locomovemos de carro até a cidade. Lá
chegando percebemos uma mesa reservada pelo amigo Salvatore.
O cidadão italiano, logico, foi lá para ver e ouvir as
velhas canções napolitanas que alguns deles cantavam no idioma nativo,
diferente do linguajar de Roma. Pedimos o jantar típico, quer foi servido ao
som dos cantores que enchiam o ambiente de alegria, tudo regado com um bom
vinho elaborado com uvas tradicionais dos agricultores locais, que davam um
perfume sem igual a bebida, deixando todos alegres e emotivos.
Salvatore já muito animado, vendo seus patrícios ali no
palco começou a se empolgar com as canções e na própria mesa começou a cantar
de forma amadora como era do seu perfil. Em dado momento o apresentador dos
cantores chamou um Velho conhecido de Salvatore, e ele falou, - É o Tony
Angeli, meu velho conhecido, faz muito tempo que não o vejo, ele está bem e
bonito, com aquele paletó todo brilhante, próprio dos cantores
profissionais. Salvatore, dava uma
garfada na comida e um trago de vinho, e foi ficando “meio alto” e daí,
empolgou-se e foi se dirigindo ao palco.
Chegando próximo fazia sinais para o Tony como se
estivesse mostrando, estou aqui, vamos conversar um pouco, e de lá o Tony fazia
sinal com a mão que não podia, pois estava se apresentando. Salvatore ia
ficando cada vez mais perto, lá chegando foi solicitando ao Tony; - canta
aquela da nossa região, mais aquela etc., e foi subindo, chegando até a uma
escadinha que dava acesso ao palco. E dali fazia gestos, olha estou aqui, cante
àquela e tal e foi subindo até que não se aguentou mais e adentrou ao palco e começou
a falar com Tony, os dois desceram e começaram uma discussão em tom alto
próprio da raça e do idioma, com gestos aqui e acola e aos berros e, iam se “parlando” – ( falando), até que
Tony não aguentou mais, tirou o paletó brilhante e deu para Salvatore que
enfiou no corpo e já foi sapateando no palco e começou a cantar; foi uma cena
hilaria e indescritível, Salvadore já meio alto e com aquele paletó brilhante
do artista, estava com os efeitos da bebida e começou a ficar insolente, tendo
que o gerente do local intervir, foi até o palco, daí, juntamente com o Tony
também e começaram uma discussão que não havia fim, Tony queria o paletó de
volta e Salvatore não entregava, até que os dois rolaram pelo palco com muita
confusão, toda a italianada na plateia delirava.
No final o paletó rasgou no corpo de Salvadore e Tony
pegou o que sobrou, cantou mais uma canção e percebeu que faltava uma manga do
paletó, então com muita raiva arrancou a outra manga e ficou com se fosse um
colete culminado com o fim da apresentação.
No final viemos embora e o Salvatore continuava cantando
dentro do carro com uma manga do paletó brilhante na mão. “Eu sou Tony agora”,
venho cantar no ano que vem aqui de novo, vou mandar fazer um paletó com essa
manga de amostra para o meu alfaiate.
Deixamo-lo com sua esposa em sua casa e voltamos dando enormes risadas. Essa foi uma das belas e agitadas noites italianas na bucólica cidade de imigrantes da bela Itália.
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