terça-feira, 7 de abril de 2026

CRISTO REDENTOR: MINHAS IMPRESSÕES DO CARTÃO POSTAL DO BRASIL

Um Abraço ao Rio de Janeiro


  • Estive inúmeras vezes no alto do Corcovado, e cada visita ao Cristo Redentor me trouxe uma sensação única. Não importa quantas vezes eu vá, sempre me surpreendo com a imponência da estátua e com a vista deslumbrante da cidade do Rio de Janeiro. É impossível não se emocionar ao estar diante de um dos maiores símbolos do Brasil.

    O Cristo, esculpido em pedra-sabão e concreto, tem 38 metros de altura e foi encomendado em comemoração aos 100 anos da independência do país, em 1922. A ideia era que seus braços abertos abençoassem toda a Baía da Guanabara.

    A construção começou em 1921, a partir do projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa, com desenho final do artista Carlos Oswald. A execução ficou a cargo do escultor francês Paul Landowski, e a inauguração aconteceu em 12 de outubro de 1931.

    Naquele dia, o plano era que o cientista italiano Guglielmo Marconi acendesse as luzes refletoras diretamente de Roma, via telégrafo. Porém, o mau tempo impediu, e as luzes tiveram que ser ligadas manualmente. Hoje, esse detalhe histórico só reforça o caráter quase mítico da inauguração.

    O acesso ao Cristo sempre foi uma experiência à parte. A estrada de ferro que sobe pela encosta do morro já prepara o visitante para o espetáculo que vem a seguir. No passado, era preciso enfrentar uma escadaria de 220 degraus até o pedestal e a pequena capela. Lembro bem da sensação de conquista ao chegar ao topo. Desde 2003, elevadores e escadas rolantes facilitaram o caminho, tornando o monumento ainda mais acessível.

    Do alto, a vista panorâmica é simplesmente arrebatadora. É como se o Rio se revelasse em sua plenitude: praias, montanhas, a Baía da Guanabara e o Pão de Açúcar compondo um cenário que parece pintado à mão. Cada vez que estive lá, senti que o Cristo não apenas observa a cidade, mas também acolhe quem o visita. 

    "seus braços abertos parecem acolher não só a cidade, mas também cada visitante"

    Entre
    palavras e aromas

    Gosto de
    misturar assuntos como quem prepara uma boa receita: com cuidado, curiosidade e
    um toque pessoal, compartilho reflexões, histórias de viagem e, claro, em
    algumas vezes, uma sugestão culinária ou enológica para fechar com sabor. Que a
    leitura te leve longe.

     

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    Antonio Toninho Vendramini Neto
    Escritor | Criador de conteúdos culturais

    segunda-feira, 6 de abril de 2026

    UMA PEDRA NO SEU SAPATO: O QUE AINDA ESTÁ TE PRENDENDO?

     

    Reflexões sobre memória, inquietação e a busca por um lugar melhor — dentro e fora de nós.


    Você já parou para pensar se algo do seu passado ainda exerce influência sobre a sua vida hoje?

    Pode ser uma situação vivida na infância, um conflito familiar, uma decepção entre amigos ou até um episódio marcante no ambiente de trabalho. Muitas vezes, esses acontecimentos deixam marcas que, silenciosamente, continuam interferindo nas nossas escolhas, nos nossos relacionamentos e na forma como enxergamos o mundo.

    O problema não está no fato de lembrar — mas em permanecer preso.

    Um episódio do passado pode (e deve) ser fonte de aprendizado. No entanto, quando ele se transforma em um peso constante, passa a limitar o presente e comprometer o futuro.

    Essa reflexão surgiu em uma noite de insônia.

    Como em tantas outras, levantei-me no meio da madrugada em busca de um copo d’água ou qualquer pequeno conforto. Ao voltar para a cama, os pensamentos vieram com força — desordenados, insistentes, quase invasivos. Entre eles, uma inquietação comum aos dias atuais: a sensação de instabilidade, especialmente no cenário político, e a incerteza sobre o que ainda está por vir.

    Essa inquietação não surgiu do nada. Ela carrega o peso das experiências acumuladas ao longo da vida — inclusive em viagens por países com diferentes sistemas, culturas e formas de organização social.

    Foi nesse estado de inquietude que adormeci.

    E sonhei.

    No sonho, eu estava em um país pequeno, com uma população reduzida. Um lugar onde as decisões eram tomadas pelo próprio povo, com participação ativa e consciente. Havia equilíbrio entre as pessoas, ausência de divisões raciais e uma convivência pautada pelo respeito. Os recursos eram compartilhados de forma justa, e a sensação predominante era de pertencimento e tranquilidade.

    Ao despertar, ficou a pergunta:

    Esse lugar realmente existe?

    Ou seria apenas uma construção da mente — uma resposta simbólica às frustrações e inquietações que carregamos?

    Talvez a resposta não esteja em encontrar esse país no mapa, mas em compreender o que ele representa.

    Muitas vezes, buscamos fora aquilo que precisa começar dentro de nós. A capacidade de ressignificar o passado, de aliviar o peso das experiências negativas e de construir, no presente, uma vida mais consciente, mais leve e mais equilibrada.

    No fim, a verdadeira questão não é onde fica esse lugar ideal.

    Mas o quanto estamos dispostos a nos aproximar dele.


    Antonio Vendramini Neto é um contador de histórias do cotidiano. Escreve crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

    Atuei nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (Normas ISO 9001), com experiência como Auditor de Certificação de Sistemas. Em meus textos, compartilho reflexões sobre o cotidiano e relatos de viagens que me levaram a conhecer culturas e histórias ao redor do mundo.

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    sábado, 4 de abril de 2026

    A QUEM PERTENCE O PRESENTE?



    A QUEM PERTENCE O PRESENTE?

    Numa pequena província no Japão vivia um grande samurai*, já 

    idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen* aos jovens.

    Aqui, o texto vem agora — como quem espera o tempo certo para colher palavras.



    SAMURAI
    Apesar de sua idade, existia uma lenda de que o mestre ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.


    Certa tarde, um jovem guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. 

    Era famoso por utilizar a técnica da provocação, fazendo com que seu adversário perdesse a calma e agisse com raiva. Ele esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada, contra-atacava com velocidade fulminante. 

    O jovem guerreiro jamais havia perdido uma luta.

    Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e 

    aumentar sua própria fama. Todos os estudantes se manifestaram 

    contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio.

    Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho samurai.


    Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou 

    todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais. 

    Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu 

    passível, não se abalava com nada. No final da tarde, sentindo-se já 

    exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

    Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e 

    provocações, seus alunos perguntaram:

    - Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não 
    usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?

    O mestre então disse:
    - Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita a quem pertencer o presente? – perguntou o Samurai.
    A quem tentou entregá-lo – respondeu um dos discípulos.

    - O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos – disse o mestre. 

    Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os trouxe consigo. 
    A sua paz interior depende exclusivamente de você. 
    As pessoas não podem lhe tirar a calma se você não permitir. 
         
    👇

    *Membro da classe dos guerreiros, na organização feudal do Japão.

    *Zen é o nome japonês da tradição Ch'an, que surgiu na 

    China por volta do século VII. O Zen costuma ser associado 

    ao Budismo.




    Depois de muitos anos atuando nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (ISO 9001), inclusive como auditor de certificação, troquei os relatórios por passagens aéreas e os manuais por mapas. Hoje, escrevo sobre o que vejo, vivo e sinto — misturando histórias do cotidiano com experiências de viagens que me levaram dos desertos ao gelo, das vielas escondidas às grandes avenidas do mundo. Cada texto é uma bagagem aberta, cheia de curiosidades, reflexões e encontros que merecem ser compartilhados.

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    sexta-feira, 3 de abril de 2026

    CHEGAMOS AO BRASIL - SALVADOR BAHIA

    Voltando a escrever sobre a nossa viagem de volta ao Brasil, com o transatlântico Seaview, desde Marselha na França, passando por Gênova, Barcelona, Lisboa, Funchal, Cádiz e Santa Cruz de Tenerife, chegamos a Salvador/Brasil.

    Foi uma maravilha de encher os olhos, inicialmente passamos pela Baía de Todos os Santos, onde no lado leste fica o terminal de Cruzeiros dentro do porto da cidade.

    É a terceira cidade mais populosa do Brasil, depois de São Paulo e Rio de Janeiro. Foi fundada pelos portugueses, como uma fortaleza em um penhasco com vista para a baía, como a primeira capital do Brasil.

    Após o desembarque, iniciamos nossa visita ao famoso bairro do Pelourinho, que era um instrumento de punição legal utilizado pelos portugueses para castigar os infratores em todas as cidades. Consistia de um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro, erguido em praça pública, onde eram amarrados e chicoteados.

    Foi instalado inicialmente no século 16, com a fundação da cidade e posteriormente, em 1807, transferido para o atual Largo do Pelourinho, até que esse tipo de punição fosse extinto, cerca de 30 anos depois.

    Atualmente é um dos principais cartões-postais de Salvador.

    O local é cercado por várias casas antigas, no mais puro estilo colonial, dentre elas o casarão da Fundação Jorge Amado e igrejas como a Igreja do Rosário dos Homens Pretos e a Catedral Basílica, dois grandes exemplos da arquitetura da época da Colônia.
    O Pelourinho é um capítulo à parte na visita a Salvador, reúne restaurantes com o melhor sabor da culinária baiana, artesanato, arquitetura barroca, religião, centros culturais e o legítimo batuque do Olodum.
    Assim, o seu conjunto histórico e arquitetônico faz parte integrante do Centro Histórico da cidade.

    Diversos profissionais liberais passaram a trabalhar e a residir na área, e os aristocratas deslocaram-se então para outros pontos da cidade.
    O Pelourinho também é fonte de inspiração e palco para artistas brasileiros e estrangeiros; até mesmo Michael Jackson já gravou cenas de um clipe ali.  O Centro Histórico de Salvador também reúne alguns dos melhores restaurantes e dos bares mais movimentados da cidade.


    A efervescência cultural toma conta do multicolorido Pelourinho. Às terças-feiras são reservadas a shows, como o ensaio do Olodum, que atrai milhares de pessoas às ruas e praças do Pelourinho. É também considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, tombado pela Unesco, em 1985.
    A cidade é famosa por suas vibrantes culinárias, músicas, danças e celebrações de carnaval.

    Este é o meu caderno.

    Aqui, Toninho Vendramini escreve como quem costura o tempo com palavras.

    Cada texto é uma janela aberta para o mundo — um mundo que vivi, sonhei ou apenas imaginei com olhos de quem nunca deixou de se encantar.

    Não escrevo para guardar. Escrevo para libertar.

    Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas que vivem em mim.

    Cada linha é um convite, cada frase uma travessia.

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    quinta-feira, 2 de abril de 2026

    O PEDREIRO


    Revendo os meus guardados de quando atuava profissionalmente, deparei-me com uma lamina que utilizava como palestrante, incentivar as pessoas, objetivando que escolhessem uma profissão com sabedoria. 

    Agora, após minha aposentadoria, continuo com o firme propósito em divulgar aos que começam na vida profissional, uma história de reflexão, quew recolhi em algum lugar, agora já esquecido.

    O PEDREIRO 

     

    Um velho pedreiro que construía casas estava pronto para se aposentar. Ele informou o chefe, do seu desejo de se aposentar e passar mais tempo com sua família.

    Ele ainda disse que sentiria falta do salário, mas realmente queria se aposentar. A empresa não seria muito afetada pela saída do pedreiro, mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partindo e ele pediu ao pedreiro para trabalhar em mais um projeto como um favor.

    O pedreiro não gostou de mas acabou concordando. Foi fácil ver que ele não estava entusiasmado com a ideia. Assim ele prosseguiu fazendo um trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados.

    Foi uma maneira
    negativa dele terminar a carreira. Quando o pedreiro acabou, o chefe veio fazer a inspeção da casa construída. Depois deu a chave da casa ao pedreiro e disse: "Esta é a sua casa. Ela é o meu presente para você".  O pedreiro ficou muito surpreendido. Que pena! Se ele soubesse que estava construindo sua própria casa, teria feito tudo
    diferente.

    O mesmo acontece conosco. Nós construímos nossa vida, um dia de cada vez e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na sua construção. Depois, com surpresa, nós descobrimos que precisamos viver na casa que nós construímos. Se pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente. Mas não podemos voltar atrás. Tu és o pedreiro.

    Todo dia martelas pregos, ajustas tábuas e constróis paredes. Alguém já disse que: "A vida é um projeto que você mesmo constrói".  Tuas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a "casa" em que vais morar amanhã.

    PORTANTO A CONSTRUA COM SABEDORIA!

    Agradeço pela oportunidade que me foi dada para evoluir.

    Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. Mais do que textos, é um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia. 

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    O BARQUINHO DOS SEGREDOS


    Uma travessia silenciosa entre o amor, o tempo e a descoberta
    Aqui, o texto vem depois — como quem espera o tempo certo para colher palavras.

    Naquela tarde de luz dourada, a menina-moça não estava ali — não de corpo inteiro. Seu olhar repousava sobre a lousa, mas sua alma navegava por mares invisíveis. Fingia ouvir a voz do professor, mas cada palavra era abafada pelo som de seu próprio coração, que batia em compassos descompassados.

    O mestre, atento, percebeu. Mas não a chamou de volta. Havia algo sagrado naquele silêncio. Ele sabia — ou talvez intuísse — que certos devaneios são como cristais: belos, frágeis, e não devem ser tocados.

    Ela, então, mergulhou a mão na mochila e retirou seu caderninho de segredos. Era mais que um objeto — era um cofre de emoções, um espelho onde se via sem máscaras. Escreveu com pressa, como quem teme que o sentimento escape antes de ser capturado. Cada palavra era uma pétala arrancada do coração.

    O que escreveu? Ninguém saberia. Eram confissões que só o tempo poderia decifrar. Um amor calado, talvez proibido, talvez puro demais para ser dito em voz alta. Um amor que crescia como flor em terreno secreto.

    No intervalo, ela caminhou até o lago da escola — seu refúgio. Sentou-se no banco de cimento, onde tantas vezes sonhara acordada. 

    Rasgou a página com cuidado, como quem separa um pedaço da alma. Dobrou-a em forma de barquinho, colorido e frágil, e o colocou na água. O papel hesitou. Ela assoprou com força, como quem deseja que o mundo leve embora o que não pode carregar sozinha.

    Mas o vento, caprichoso, levou o barquinho para longe. Ele voou, pousou numa poça. E o medo a invadiu: e se alguém lesse? E se descobrissem?

    O servente da escola, que por ali passava, recolheu o barquinho. Achou-o bonito. Levou-o para casa, sem saber que carregava um segredo. Ofertou à neta, que o abriu com curiosidade infantil.

    E ali, entre dobras e palavras, descobriu que a menina amava o professor — seu pai. Naquele instante, a menina que lia compreendeu que havia ganhado uma irmã. Uma irmã apaixonada por seu pai. Uma irmã que talvez nunca soubesse que havia sido descoberta.


    O barquinho não era só papel. Era sentimento dobrado, era coragem disfarçada. Navegou por águas calmas, voou com o vento, e pousou onde precisava pousar. Porque às vezes, o amor encontra caminhos que nem o coração conhece.
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    DE ALFREDO LOBÃO: PARA: O ÚLTIMO MALANDRO DO ESTÁCIO

    A despedida de Alfredo Lobão , transformado em Fred, como o último representante de uma era que se esvaiu. Ele é direto, marcante e dialoga ...