sábado, 22 de agosto de 2026

A NOITE EM QUE A "MULA SEM CABEÇA" PASSOU




Nel silenzio della memoria, racconto i segreti di Banharão. Il passo della mula senza testa risuona ancora nel cuore.

(No silêncio da memória, conto os segredos de Banharão. O trote da mula-sem-cabeça ainda ecoa no coração)

Memórias e Mistérios da Velha Banharão, o texto vem logo a seguir:

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Aqui, não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana. 

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias, mas sim, porque alguém como eu, se recusou a esquecê-las."

VAMOS  A  ELAS

Histórias guardam um poder raro: o de manter vivos aqueles que já partiram. Quando a lembrança é compartilhada, ela transforma o passado em presente e o cotidiano em encantamento. Este texto é mais do que uma homenagem ao meu avô Tonella e à minha avó Santa—é um tributo à magia oral, à sabedoria ancestral e ao mistério que ronda os cantos esquecidos do Brasil profundo.

Tive a felicidade de conviver muito de perto com Tonella, pois morávamos juntos com minha família e compartilhávamos o mesmo quarto até o dia de seu falecimento, quando eu tinha dezesseis anos. Essa convivência me permitiu conhecer, em detalhes, suas histórias, sua força e sua essência.

Tonella tinha o dom de contar causos e “estórias” de sua vida no sertão da velha Banharão, distrito da cidade de Jaú, onde nasceu a maioria dos nossos parentes. Seus relatos eram vívidos, cheios de emoção, e conseguiam transportar qualquer ouvinte para tempos remotos, onde bravura e mistério se entrelaçavam.

Com o avançar da idade, já sem forças para cuidar da plantação de café e dos animais, a família decidiu mudar-se para Jundiaí em busca de melhores condições de vida. Na juventude, porém, meu avô era um homem forte e destemido. Sua especialidade era treinar cavalos para espetáculos circenses, além de domar burros e mulas para o árduo trabalho nas lavouras. Essa habilidade lhe rendeu fama na região e bons ganhos financeiros, permitindo-lhe até comprar um Ford "Bigode" novinho. Curiosamente, apesar da coragem para enfrentar animais selvagens, ele tinha receio de dirigir o carro, deixando essa tarefa para meu pai, Vico.

Minha avó, segundo o velho Tonella, era uma benzedeira convicta e também parteira. Com o tempo, aperfeiçoou seus rituais, incorporando gestos e palavras que conferiam um toque ainda mais místico às suas práticas. Ela molhava ramos de uma planta do quintal em "água benta" e os agitava sobre a cabeça das pessoas, pronunciando palavras que pareciam vir de um tempo esquecido.

A tradição das mulheres benzedeiras da família remonta a gerações e tem raízes profundas nas terras europeias, mais precisamente nos confins da cidade de Treviso, na bela Itália. No entanto, com o passar dos anos e a chegada do modernismo, as jovens descendentes se afastaram das crenças antigas, deixando que a tradição se perdesse pelos caminhos da vida.

Ainda sobre os trabalhos de benzedura de minha avó, era comum ver gente vinda de longe para passar pelas suas mãos, buscando cura ou um bom parto. Durante o ritual, ela balbuciava frases em um idioma ancestral e difícil de compreender. Acreditava-se que aqueles que se sentavam no pequeno banco de madeira para receber suas bênçãos poderiam ter visões da temida mula-sem-cabeça. E então, instigados pelo medo e pelo misticismo, confessavam seus pecados e saíam dali acreditando estarem livres de seus males.

O tropel da mula-sem-cabeça, segundo meu avô, era um aviso. Quando o "doente" ouvia o som inquietante dos cascos rodeando a casa, era proibido olhar, nem mesmo por uma fresta da janela, sob o risco de ficar cego. As histórias contadas por minha avó eram envoltas em mistério e temor, e geravam respeito entre os que buscavam sua ajuda.

Ainda segundo Tonella, minha avó—ou mia nonna, meglio conosciuta come la vecchia signora—alertava sobre os perigos do pecado: moças que se entregassem a um amor proibido antes do casamento, comadres que se envolvessem com compadres, ou mesmo uma mulher que se casasse com um padre, todas estavam fadadas a se transformar na terrível mula-sem-cabeça.

Dizia também que ela aparecia nas noites de sexta-feira e, ao encontrar um pecador, sugava-lhe os olhos, as unhas e os dentes, soltando fogo pelas narinas. Se a vítima sobrevivesse, acreditava-se que a cura havia sido alcançada. E para aqueles que, tomados pelo medo, desejavam evitar o encontro com a criatura, bastava não cruzar correndo diante de uma cruz à meia-noite.

Mio Gran Finale:

Os mitos e lendas brasileiras percorrem os lares de nosso povo, despertando temor e alimentando a imaginação, assim como fazia minha avó Santa e seu fiel escudeiro, o marido, meu avô Tonella. Essas histórias vagam por diversos lugares ao mesmo tempo, mudam nomes e características, mas nunca desaparecem. Permanecem vivas, misturando-se às crendices e ao lado sombrio do inconsciente coletivo.

E enquanto houver alguém disposto a ouvir e lembrar, o tropel da mula continuará ecoando pelas noites da memória.


"Não escrevo para recuperar o passado, e sim, para impedir que certas pessoas desapareçam. Meus contos não colecionam heróis; recolhem aqueles homens e mulheres que a vida colocou discretamente à margem, mas que continuam sustentando a memória de um país. Talvez seja essa a missão mais bonita da literatura: salvar do esquecimento aquilo que parecia pequeno demais para a História.

"Cada interpretação abre uma janela para novos horizontes."

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Antonio Toninho Vendramini Neto

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

PORTUGAL EM VERSOS

O Chá das Cinco

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Não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros. Um contador de Histórias que transforma um instante em memória coletiva da alma Humana.

"As histórias não sobrevivem porque são extraordinárias, mas sim, porque alguém como eu, se recusou a esquecê-las."

Um Ritual Britânico de Elegância e Tradição.

Uma herança portuguesa na corte inglesa.

O famoso chá das cinco é muito mais do que uma bebida: é um ritual britânico que atravessa séculos e se tornou símbolo de elegância e convivência. Assim como a Torre de Londres ou o Big Ben, ele faz parte da identidade cultural da Inglaterra.

Pouca gente sabe, mas essa tradição nasceu graças a uma portuguesa. Em 1662, o rei Carlos II casou-se com a princesa Catarina de Bragança, filha de D. João IV de Portugal.

Apaixonada pelo chá que os portugueses já traziam do Oriente, Catarina levou consigo uma arca de chá chinês para a corte inglesa. A novidade conquistou rapidamente os ingleses e, em pouco tempo, transformou-se em hábito nacional.

A popularização do “afternoon tea” No século XVIII, o chá já era a bebida preferida da Inglaterra. Mais tarde, no século XIX, a duquesa de Bedford popularizou o costume de servir chá acompanhado de bolos, pães e biscoitos no fim da tarde — e assim nasceu o tradicional “afternoon tea”, que conhecemos hoje como chá das cinco.

O ritual não é apenas sobre beber chá. É sobre desacelerar, reunir amigos, conversar e saborear pequenos prazeres. Até hoje, hotéis e casas de chá em Londres oferecem experiências completas, com porcelanas delicadas, sanduíches finos e doces irresistíveis. É um convite para viver um momento de pausa e sofisticação.

Ingredientes:
•  2 colheres de chá preto (Earl Grey ou Darjeeling são clássicos)
•  500 ml de água filtrada
•  Leite (opcional, mas muito usado na Inglaterra)
•  Açúcar ou mel a gosto
Modo de preparo:
1.  Aqueça a água até começar a ferver.
2.  Coloque o chá em uma bule ou infusor e despeje a água quente por cima.
3.  Deixe em infusão por 3 a 5 minutos, dependendo da intensidade desejada.
4.  Coe e sirva em xícaras de porcelana.
5.  Acrescente um pouco de leite, se quiser seguir o costume britânico, e adoce a gosto.

Um convite à experiência

Mais do que uma tradição, o chá das cinco é uma celebração da convivência e da elegância britânica. Preparar o chá em casa é uma forma deliciosa de trazer um pouco desse ritual para o cotidiano — e viver, mesmo à distância, o charme de uma tarde londrina.

Palavras que viajam, sabores que ficam

Meus textos são como malas abertas: cheios de lembranças, ideias e sabores.

E para traduzir em versos o que a prosa apenas sugere, deixo aqui Jorge Humberto, poeta português, que nos oferece este entardecer:

ENTARDECER

Depois da luz do sol galgar a fachada de
Minha casa
E depois de sua luz cobrir o telhado
É quando desmaiando e já sombra melíflua
(Mastigando lentamente as varandas da
Minha casa)

Que a luz envergonhada ainda flanqueia os lados
- À esquerda e à direita – de cada esquina
Nos cantos das traseiras puras límpidas e azul celeste da
Minha casa.

Jorge Humberto
15/08/2026

Meu Comentário sobre “Entardecer" Neste soneto, Jorge Humberto captura com delicadeza o instante em que a luz do sol se despede da casa, transformando fachadas e varandas em cenário poético. A descrição da luz que “desmaia” e se torna “sombra melíflua” transmite uma sensação de transição suave, quase musical, entre o dia e a noite. O poema valoriza o cotidiano — a casa, suas esquinas e telhados — elevando-o à condição de paisagem lírica. É um entardecer íntimo, contemplativo, onde a simplicidade dos elementos ganha profundidade estética e emocional.



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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

LISBOA: ENTRE BECOS, CALÇADAS E SACADAS

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Lisboa é uma cidade que respira história em cada esquina. Os bairros tradicionais, situados em sua maioria no coração da capital, preservam uma identidade única que atravessa séculos. 

Palavras que viajam, sabores que ficam

Meus textos são como malas abertas: cheios de lembranças, ideias e sabores — Que este e-mail te inspire a explorar, sentir e saborear cada detalhe.


Passear por eles é como folhear um livro vivo, onde cada rua guarda memórias de reis, navegadores e poetas.
Curiosidade: sabia que muitas das calçadas portuguesas, com seus mosaicos em pedra branca e preta, foram inspiradas nas ondas do mar? Esse estilo nasceu no século XIX e hoje é um dos símbolos mais reconhecidos da cidade.
A capital portuguesa ostenta monumentos de rara beleza, que convidam à contemplação e ao estudo. Esculturas, igrejas e praças revelam estilos arquitetônicos diversos, do manuelino ao barroco, perpetuando o romantismo e a grandiosidade de uma cidade que foi centro de um império.
Durante os Descobrimentos, Lisboa atingiu seu auge de riqueza e poder, tornando-se um porto mundial e guardando até hoje um patrimônio que encanta visitantes e moradores.

 O Poema 

Inspirado pelos encantos dos becos e ruelas lisboetas, este poema de minha autoria, escrito após uma caminhada contemplativa pelas ruas da Lisboa antiga.

Lisboa antiga!
Beco da bica, sinuoso e tortuoso.
Pessoas observando,
debruçadas nas janelas,
nas românticas ruelas.
Saudades de um passado:
das velhas senhoras e seus fados,
do burburinho matinal.
Jogam milho nas calçadas
para ouvir o arrulhar dos pombos,
sentindo o panorama de outrora.
Velhas sacadas lisboetas,
com risonhos sonhos
de olhares lusitanos.
 Final Surpreendente
Lisboa não é apenas uma cidade: é um mapa emocional que cada visitante traça ao caminhar por seus becos e calçadas. É memória viva, é poesia que se renova a cada olhar. Quem descobre Lisboa não leva apenas lembranças, mas carrega consigo um pedaço da alma lusitana.


Que este blog seja um convite à contemplação: um lugar onde o leitor possa repousar o pensamento, saborear a beleza das pequenas coisas e reencontrar-se com o que há de mais essencial — a esperança.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

VIAGGIO COM MEMORIE DI FIRENZE (FLORENÇA - ITÁLIA)


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Trata-se da Ponte Vecchio (Velha) construída em arco medieval sobre o Rio Arno em Florença (Firenze).

Os historiadores acreditam ter sido inicialmente construída na Roma Antiga em madeira. Posteriormente foi destruída parcialmente e totalmente em 1333, quando a região experimentou terríveis cheias, sendo reconstruída somente em 1345 no formato atual.

Consiste em três arcos, sendo o maior com 30 metros de diâmetro. Abrigam muitas lojas onde seus proprietários vendem suas mercadorias que são joias preciosas, elaboradas por artesões especializados, os chamados ourives.

Uma curiosidade vinda dessa região é uma palavra utilizada ainda em nossos dias chamada de “bancarrota”, junção de duas palavras italianas, pois quando um mercador naquela época, não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banco) era quebrada (rotto), prática que era chamada bancorotto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, essa magnífica construção escapou da destruição. Há quem diga que Hitler tinha sentimentos profundos pelas obras medievais, e assim, ordenou que não a destruíssem.

Ao longo da ponte, existem vários cadeados em especial no gradeamento em torno da estátua de Benveneutto Cellini. (ourives e escultor italiano).

O fato é ligado à antiga ideia dos amantes que ao “fechar” o cadeado e lançar a chave ao rio tornavam-se eternamente ligados.

Com essa tradição de antigamente e ao turismo desenfreado de agora muitos cadeados tiveram de ser removidos estragando a estrutura da ponte, levando o município impor uma multa de cinqüenta euros para quem for apanhado nessa atividade.


MINHA VISÃO NAQUELE MOMENTO
 -
SOBRE O PANORAMA VISTO DA PONTE


Janelas abertas em sua passarela
Rio caudaloso com cores reluzentes

Caiu no vazio uma pedra brilhante
Lapidada pelas mãos de um artista

Lagrimas derramadas em suas águas
Arrivederci bambina

Jóia preciosa no berço do renascimento


Sou um contador de histórias do cotidiano. Escrevo crônicas que brotam da terra, do fogo e da memória, compartilhando palavras que aquecem como pão no forno e perfumam como lavanda ao sol.

Não escrevo para guardar. Escrevo para libertar.

Libertar memórias, afetos, lugares e pessoas que ainda vivem em mim.

Cada linha é um convite, cada frase uma travessia. 

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