terça-feira, 17 de março de 2026

AMEAÇADA DE EXTINÇÃO

A fera está acuada. Maior felino das Américas, temida por sua ferocidade a admirada pela beleza incomum, a onça-pintada protagoniza uma luta incrível pela vida. Ela depende  de territórios extensos e ainda selvagens com fartura de água e caça para saciar o apetite carnívoro de seu corpo musculoso que  chega a 130 quilos. 

Confinada em áreas cada vez mais isoladas e menores por causa da crescente devastação das florestas, o animal enfrenta mais um drama perante a sua delicada sobrevivência: sem o intercambio entre as onças, sua diversidade genética - a garantia de sobrevivência  das especies - está em queda livre.

Mas uma experiência pioneira no mundo, realizada por cientistas brasileiros, poderá preservar a genética desse bicho. Os primeiros embriões da onça-pintada já foram produzidos in-vitro e estão congelados num laboratório em São Paulo.

A onça-pintada não é um animal qualquer. Personagem de casos e lendas contadas ao redor de fogueiras pelo interior brasileiro - que aludem a sua ferocidade e esperteza -, a simples menção de seu nome provoca calafrios. 

Há razões de sobra para que esse bicho, tão respeitado em nossas matas, cause temor. Dona de um rugido estremecedor, a pintada chega a 2,70 metros de pura flexibilidade e força impressionante; ela sobe em arvores, atravessa rios a nado, pesca com patadas certeiras, tritura cascos de tartaruga como se fossem nozes para saborear-lhe a carne e domina técnicas fulminantes de ataque.

Os passos são leves, mas, se a velocidade é exigida, suas patas traseiras invadem as dianteiras, gerando uma fabulosa capacidade de impulso. Com caninos de 5 centímetros cravados na região cervical de um boi, é capaz de mata-lo com uma só mordida.

Quando avança sobre os rebanhos, certamente algo de muito sério está acontecendo na natureza. Sabe-se  que seu cardápio é vastíssimo, incluindo cobras, aves, jacarés e presas grandes como o veado. 

Mas quando a comida diminui por causa de agressões à natureza, como as queimadas, a onça torna-se caçadora oportunista e ataca rebanhos, como explica o biólogo brasileiro Peter Crawshaw, considerado o maior especialista no assunto.

É justamente aí que se forma o circulo dramático a qual está presa, não consegue escapar e agoniza.Vivendo num ambiente fragmentado pelo avanço humano e obrigada a procurar alimento nos pastos, torna-se inimiga dos fazendeiros, que a caçam indiscriminadamente.  


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não é apenas um espaço de escrita: é uma casa de encontros, de memórias e de afetos. Aqui, cada palavra é servida como se fosse pão fresco, acompanhado de café quente e da saudade que tempera a vida. É um lugar onde a literatura se mistura ao cotidiano, onde uma crônica pode nascer de uma receita, uma flor plantada ou uma lembrança acesa. Mais do que textos, é um convite à pausa, à escuta e ao sabor da vida como ela é — feita de raízes, de amizade e de poesia.

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Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais




AS MAGNÍFICAS ARARAS

Um bando de araras levanta voo de repente no meio da floresta. Um espetáculo de cores vivas! Essa cena impressionou os exploradores europeus que chegaram às Américas  Central e do Sul no fim dos anos 1400.


O que eles viram eram araras, papagaios de  cauda longa que habitam as regiões tropicais  das Américas. Em pouco tempo, mapas da região continham gravuras dessas magníficas aves.

Elas se tornaram simbolo do paraíso recém-descoberto.
Tanto o macho como a fêmea tem cores vivas, o que não é comum entre as aves coloridas. As araras também são inteligentes e sociáveis. Seus gritos são altos e estridentes. De manhã cedo, elas saem voando em bandos de umas 30 aves para procurar sementes, frutas tropicais e outros alimentos.

Assim como é típico dos papagaios, as araras geralmente seguram o alimento com as garras e comem com o bico grande e curvado. Elas conseguem quebrar até a casca dura de nozes. Depois de se alimentar, costumam voar em bandos para rochedos ou margens de rios para comer barro. Isso pode ajudar a neutralizar e efeito das toxinas  dos alimentos e suprir os elementos químicos de que precisam.

As araras normalmente ficam com o mesmo parceiro a vida toda. Tanto o macho como a fêmea cuidam dos filhotes. As várias espécies fazem ninhos em árvores ocas, em buracos em barrancos e cupinzeiros, ou  em cavidades e fendas de rochedos. É comum vê-las alisando as penas umas das outras com o bico. Em seis meses os filhotes já  estão plenamente desenvolvidos, mas ficam com os pais por uns três anos . Na natureza,  as araras vivem de 30 a 40 anos. 

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segunda-feira, 16 de março de 2026

ASTROLOGIA: O CÉU COMO METÁFORA


Desde que o ser humano 

aprendeu a olhar para 

cima, o céu se tornou 

espelho de seus desejos. 


As estrelas cintilavam como promessas, os planetas pareciam guardiões de segredos, e a Lua, companheira silenciosa, inspirava sonhos e medos. Daí nasceu a astrologia: uma tentativa de traduzir o infinito em símbolos que falassem da vida.

A ciência, porém, nos mostra que os astros seguem indiferentes ao nosso destino. Não há forças invisíveis moldando nossa essência, nem cálculos antigos capazes de revelar quem somos. O céu é vasto, mas não dita nossos passos.

E, no entanto, a astrologia persiste. Não como verdade científica, mas como poesia. Como linguagem que nos lembra que somos parte de algo maior, que nossos dias se entrelaçam com ciclos e ritmos que ecoam no universo. Ela nos oferece metáforas, não certezas; imagens, não destinos.

Mensagem de otimismo 

O que realmente nos guia não está escrito nas constelações, mas na coragem de escolher, na delicadeza de mudar, na ousadia de sonhar. 

Somos mais livres do que qualquer signo, mais complexos do que qualquer previsão.

Que o céu seja inspiração, não prisão. Que as estrelas nos lembrem da beleza de existir, mas que nunca nos limitem. O futuro não está gravado no firmamento: ele nasce em cada gesto, em cada palavra, em cada esperança que cultivamos.

Assim, seguimos — não como criaturas determinadas pelos astros, mas como autores de nossa própria história, iluminados pela certeza de que podemos reinventar o amanhã.

“O futuro não está nas estrelas, mas na coragem de cada escolha que fazemos.” 

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sábado, 14 de março de 2026

A LEMBRANÇA DE UM AMIGO


 Páginas Amareladas



Remexendo os guardados do tempo,
encontrei um livro que dormia em silêncio,
seus versos respirando na poeira dos anos.

Na contracapa, uma caligrafia antiga,
uma dedicatória como um sussurro preso ao papel:

"À Dijanira, para que, junto com a sensibilidade do meu amigo Vendramini, possa caminhar pela estrada da minha poesia."

Afonso Celso Calicchio, outubro de 1982.

Ele, poeta e crítico, navegava mares de letras,
trilhava caminhos na Rádio Bandeirantes,
falava de escritores como quem desenha constelações.

E na política, um estrategista de sonhos,
tecendo destinos no Palácio dos Bandeirantes,
até que nossas vidas se cruzaram.

Eu trabalhava na área de Recursos Humanos
de uma grande empresa do setor alimentício,
quando um dos donos decidiu lançar sua candidatura, na área política.

Fui convocado para ajudá-lo,
mergulhando, sem perceber, em um novo universo,

Onze meses de estrada,

onde fiz de tudo um pouco:
santinhos impressos, camisas distribuídas,
discursos ensaiados e promessas guardadas no vento.
Ao final, o Empresário, ficou à margem—um suplente,
um nome na sombra do poder.

E eu voltei ao meu posto,
mais experiente, mais calejado,
com lições que só o tempo ensina.

Mas hoje, ao tocar estas páginas amareladas,
não é a política que me emociona,
não são as estratégias, os encontros, as campanhas.

É a poesia.

Pois foi por ela que encontrei minha esposa,
por versos perdidos que nos enamoramos,
pelas palavras que seguimos lado a lado,
criando filhos, saudando netos,
escrevendo nossa própria história.

Hoje espalho minhas crônicas pelo mundo,
na esperança de que alguém, em algum lugar,
remexa seus guardados e encontre nelas
um pedaço da sua própria memória.

E ao amigo Calicchio, onde quer que esteja,
envio este abraço feito de palavras,
de saudade, de gratidão e amizade.


"Não há pressa em quem aprendeu a ouvir o tempo.”

         “A crônica é meu modo de conversar com o mundo sem levantar a voz.”

         “Olhar o cotidiano é meu ofício; transformá-lo em palavra, minha arte.”

Às vezes, basta um clique para abrir novas histórias, que ajudam a manter este espaço vivo.

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sexta-feira, 13 de março de 2026

A DEUSA VENERADA: BELEZA E ETERNIDADE



Entre os antigos, foi uma das divindades mais veneradas, sobretudo na cidade de Pafos, cujo templo era admirado por sua grandiosidade. Seu olhar vago era cultuado como ideal de beleza.

A deusa possui inúmeras formas de representação artística, desde a clássica greco-romana até as modernas, passando pelo esplendor renascentista.

De anatomia divinal, era considerada pelos gregos e romanos como a deusa do erotismo, da beleza e do amor. 

Os romanos, por sua vez, viam-se como descendentes dela, através de Enéias — filho de Vênus e do mortal Anquises — fundador mítico da raça romana.

Na epopeia Os Lusíadas, Luís de Camões apresenta a deusa co
mo a principal apoiadora dos heróis portugueses, reforçando sua aura de poder e fascínio.

📝 Poema
Por: Antonio Vendramini Neto

Mito da antiguidade greco-romana,
Concebida pelos deuses Júpiter e Dione.

Nasceu dentro de uma concha de madrepérola,
Com suprema beleza, encanto e amor.

Doce olhar vago de estupenda beleza feminina.
Anatomia divina esculpida em mármore.

Venerada na antiguidade por nobres e guerreiros...
Conhecida como Deusa do erotismo,
Caminhava entre nuvens azuladas,

Flutuava nas plumas em forma de carruagem,
Puxada por elegantes cisnes brancos.

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quarta-feira, 11 de março de 2026

PADROEIRO DE UMA NAÇÃO


Diz uma lenda que, por volta do século dois, uma princesa do país Líbio, incrustado no continente africano, seria dada como oferenda a um dragão que atemorizava a cidade. Todos os outros recursos para combatê-lo foram feitos à custa de muitos sacrifícios, não surtindo resultados satisfatórios, uma vez que seus ataques mortíferos vinham dizimando a população. 

 Essa proposta foi alardeada ao povo por um dos súditos do rei, informando que essa alternativa saciaria a sede da fera, em razão de uma visão na noite anterior, como a mais apropriada, e assim, a população seria salva por mais algum tempo. 

 O rei não achou nenhuma graça da situação e não queria perder a sua bela filha; lembrou, então, que, em suas fileiras de soldados, havia um guerreiro de nome Jorge, homem de sua inteira confiança e ferrenho admirador da princesa, e tudo faria por ela. Foi, então, escalado, no time do rei, para aniquilar o monstro que incomodava o povo e que vivia próximo a uma caverna e, à noite, lá se escondia. Jorge chegou ao local com um ar de quem não queria nada; pesquisou a situação, analisou sua estratégia guerreira, procurando um lugar para atacar e depois defender-se do animal. Senhor de si, montou em seu cavalo e com um escudo sobre o peito nas cores branco, preto, e de contornos vermelhos, entrou por uma abertura da caverna e foi logo “atiçando” o monstro com a sua espada pontiaguda, convidando-o a sair. 

 Fala a lenda que a luta foi infernal! O vento assoprado por suas narinas misturava-se com as labaredas que soltava pela boca e iam sendo lançadas por onde o guerreiro Jorge estava se protegendo. 

Mas, não deu outra: Jorge avançou mais um pouco e, meio sorrateiro, chegou à retaguarda do bicho e fincou sua lança, ferindo-o mortalmente. 

 Muito se fala de animais cuspidores de fogo, mas sem dúvida o mais famoso é o dragão. E, na escalada de emoções do povo daquela época, surgiu o guerreiro Jorge que, depois de salvar a donzela daquela situação de morte, entrou para a história como um símbolo de coragem, acabando com o monstro, exibindo toda a sua efervescência de um nobre lutador por amor à princesa, e que, por sua bravura e tenacidade, acabou virando um santo. 

 Desde então, passou a ser adotado como um ideal de coragem e abnegação. Fato que é transportado até os nossos dias, onde é tido como o padroeiro do nosso glorificado e sagrado time de futebol, chamado Corinthians, a paixão de mais de trinta milhões de brasileiros. Acredita-se que a devoção e a fidelidade à princesa fez com que se tornasse venerado por muitas pessoas; e o nosso ‘coringão’ adotou o termo fiel, para expressar a paixão de uma nação. Em 2009, a chegada do Ronaldo foi um baluarte na conquista do Paulistão e da Copa do Brasil; mas não conseguiu ajudar, no ano seguinte, conquistar a sonhada ‘Libertadores’. 

 Após sua aposentadoria, tornou-se um torcedor fanático pelo ‘timão’, sendo considerado por alguns, como um “guerreiro, discípulo de São Jorge”, entrando para a história do clube também como um embaixador, levando o nome do Corinthians aos quatro cantos do mundo. Os mais alucinados disseram que viram Ronaldo, após os jogos, em noites de conquistas, cavalgar no cavalo branco de São Jorge, pelas ruas do Parque, saudando as estátuas de Claudio, Luizinho, Baltazar, Idário, Gilmar e outros craques do passado e acenando para a imensa nação de torcedores, que foram lá reverenciá-lo.


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PRATO INDIGESTO


CANIBALISMO

O Governo das Ilhas Fiji, na Oceania, apresentou um pedido oficial de desculpas por uma refeição feita há mais de 150 anos. 

O prato principal foi o missionário inglês Thomas Baker, morto pelo povo do vilarejo de Navatusia por ter retirado um pente do cabelo do chefe da comunidade. 

Até hoje é proibido tocar a cabeça do chefe, mas os fijianos estão arrependidos porque acreditam ter sido amaldiçoados  desde o fatídico  episódio cometido por seus ancestrais. Baker, que converteu muitos nativos ao cristianismo, foi o único europeu devorado nas Ilhas Fiji, que já foram conhecidas pelo hábitos canibais de suas tribos. 

Em relatos da época, um dos homens que se esbaldaram com o corpo do reverendo teria dito:" 

Nós o comemos todinho. Só faltaram as botas" Uma delas é parte do acervo do museu da capital, Suva.
💥
Acesse a página curiosidades e veja relatos de várias partes do mundo.


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Antonio Toninho Vendramini Neto
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DE ALFREDO LOBÃO: PARA: O ÚLTIMO MALANDRO DO ESTÁCIO

A despedida de Alfredo Lobão , transformado em Fred, como o último representante de uma era que se esvaiu. Ele é direto, marcante e dialoga ...