
Jamais esquecerei a noite em que o flamenco tocou minha alma.
Estávamos, minha esposa e eu, no coração do Albaicín, em Granada, onde as pedras centenárias ecoam histórias e os becos são pintados pela sombra da lua e sons da lembrança. Entramos juntos na casa de espetáculos como quem atravessa um limiar entre o cotidiano e o sagrado. A atmosfera era carregada de expectativa — sabíamos que algo profundo estava prestes a acontecer.
O canto veio primeiro, rouco e ancestral, como se carregasse em suas notas as saudades dos mouros, a intensidade dos ciganos, e a poesia não dita dos que vivem nas margens. Em seguida, as guitarras soluçaram melodias ardentes, e as palmas ritmaram com a precisão de quem conhece o tempo do coração.
Mas foi o sapateado que nos arrebatou. O tablado reverberava com cada passo firme, e os dançarinos pareciam conversar com o chão — não como artistas, mas como almas inquietas traduzindo suas histórias. Nos olhos da bailarina, vimos um brilho que não se ensaia: uma paixão indomável, uma dor convertida em orgulho, uma liberdade que pulsa.
Naquele instante, compartilhamos algo que transcende o espetáculo. Sentimos juntos — eu e minha esposa — a força da tradição, o abraço da ancestralidade, e a beleza crua da emoção pura. O flamenco deixou de ser apresentação. Tornou-se vivência.
E foi assim que, já em silêncio e ainda tomados por aquele encanto, escrevi um poema. Ele segue abaixo desta crônica — como um sopro poético que sela essa noite inesquecível.
🔗 YouTube 🔗 Slides e conteúdos 🔗 Blog Vendramini Letras
Antonio Vendramini Neto –
Face Book.
Antonio Toninho Vendramini Neto
Escritor | Criador de conteúdos culturais
🌿 Mensagem de Rodapé
Comente
sem medo! Vá mais abaixo - em Postar um Comentário
Aqui não importa escrever bonito ou certo — importa escrever com o coração. Pode ser uma frase curta, uma lembrança ou apenas dizer o que sentiu. Cada comentário é uma semente que ajuda este espaço a florescer.
2 comentários:
Que relato inspirador! A forma como você descreve Malta faz o leitor sentir-se parte dessa travessia — quase ouvindo o som das ondas e imaginando o brilho dourado das pedras de La Valletta sob o sol do Mediterrâneo. A visita à igreja e o encanto diante das obras de Caravaggio são momentos que transcendem o turismo e tocam a alma.
Muito bom receber essas palavras. Continue gostar dos meus textos. Obrigado.
Postar um comentário