terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O ÚLTIMO MALANDRO


O GALÃ DO BOTEQUIM
 
Durante as primeiras décadas do Século passado, a especulação imobiliária se espalhava pela cidade do Rio de Janeiro. Com isso, formaram-se diversos morros e favelas no cenário urbano carioca.
O samba que havia nascido no centro da cidade galgaria as encostas dos morros e se alastraria pelos subúrbios.

Estes locais formaram o celeiro de novos talentos musicais e da consolidação do samba urbano.

Foram inovações tão importantes que perduram até os dias atuais dentro do samba, mais tarde, alçados à condição de "nacional".

 

 

O grande propulsor de mudanças foi o bairro de Estácio de Sá, de em popular e com grande aglomeração de pretos e mulatos; onde nasceu o reduto dos “antigos malandros” considerados naquela época pelas classes dominantes, como "perigosos"; muito diferente dos atuais, não cabendo mais uma rotulação, tamanha foi à modificação acontecida.

Naqueles tempos a figura do “malandro” era entendida apenas como uma pessoa esperta e, muitos deles, com um extremo e refinado gosto musical, compondo um samba no simples olhar para uma mulata descendo ladeira abaixo.

Naquele local, ainda vivia o ultimo remanescente de uma época.

 

 É de manhã no último reduto

Sol a pino como manda o figurino

 

O botequim abriu suas portas

Para receber o famoso malandro!

 

 Chegou cheio de pose e prosa...

Terno de linho branco... Rosa na lapela...

Chapéu panamá com moldura preta

Sapato bicolor com salto carrapeta

 

 Passos de forma cadenciada na chegada...

Saudou o velho garçom no balcão

Naquelas gírias. Com aquela fala macia...

 

 Sentou-se naquela mesa...

Pediu uma cerveja

Jogou um pouco para as almas

 

Epaminondas... Cadê o repórter?

Aí do seu lado mestre

Trouxe à grana? Que bom...

Agora vou falar...

 

 Fui boêmio cheio de bravata

Do tempo da gravata

Também bacana, lá de Copacabana.

 

 Amigo da noite e de Noel

Com jeito moleque

Do samba de breque...

 

Do tempo que escrevia musica no papel...

De embrulho ou de pão e com a mão...

 

 Recinto ritmado e perfumado

Morena carioca rebolando

Tudo preparado...

Para despertar o velho malandro

 

 Ficou em polvorosa

Vendo aquela diva gostosa.

Velhos tempos... Água na boca...

 

 Inspiração divina...

Rabiscos no guardanapo

Versos benditos... De samba enredo

Escolas na avenida

Nos dias de glória.

 

No bairro do Estácio...
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